Sab
18 Mai
2013
Os ninguéns

As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns em deixar a pobreza; que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.
Os ninguéns: os filhos de ninguéns, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos.
Que não são, embora sejam.
Que não falam idioma, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não têm cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na História Universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.
Eduardo Galeano
(O livro dos abraços, tradução de Eric Nepomuceno)

Retirado de Trapiche dos outros


publicado por Jorge Soares às 21:34
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Sex
17 Mai
2013

Co-adopção

 

Imagem do Pontos de Vista 

 

Contra todas as expectativas, o parlamento aprovou a proposta de lei apresentada pelos deputados socialistas Isabel Moreira e Pedro Delgado Alves que legaliza a co-adopção por casais ou unidos de facto do mesmo sexo.


A lei, que foi aprovada por 5 votos, 99 a favor e 94 contra, fica aquém da situação ideal em que não deveria haver nenhum tipo de discriminação, mas representa mais um pequeno passo. Falta a discussão e a votação dos projectos de lei dos verdes e do Bloco esquerda que prevêem a adopção plena em todos os casos, mas acho que não há duvidas sobre o chumbo mais que certo.

 

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 13:23
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Qui
16 Mai
2013

Democracy not Found


Imagem do Pontos de Vista

 

Foi hoje apresentada pela bancada do partido os Verdes uma proposta para que a constituição nacional passe a ser matéria de estudo para os alunos entre o 7 e o 12 ano, como já vem sendo habitual esta proposta foi rejeitada pela maioria PSD-CDS.

 

A mim também não me parece que os alunos devam sair do 12 ano a saber a constituição de cor e salteado, isso deve ser deixado para quem vai estudar leis, mas entendo que no mínimo se deve sair da escolaridade obrigatória com uma ideia geral do que é a constituição, para que serve e quais os seus princípios. O que a julgar pela reportagem que vi hoje no telejornal (Ver aqui) actualmente não acontece, há alunos do 12 ano que nem sequer sabem o que é a constituição.

 

Para Eloisa Apolónia, "A consciência dos direitos torna as pessoas mais reivindicativas desses direitos" , que será talvez o que esta maioria tenta evitar ao rejeitar propostas como esta.


Já Fernando Negrão, deputado do PSD, veio defender que “os alunos não devem ter nenhum contacto com esta Constituição” e que, por isso, o projecto de resolução deverá ser rejeitado.


Está à vista que há deputados que teimam em esquecer o que é a democracia.


Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 22:53
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Qua
15 Mai
2013

Benfica voltou a morrer na praia

 

Imagem do Público 

 

Parece que é a sina do Jorge Jesus, perder as finais nos descontos,  é muito triste perder assim, principalmente quando o Benfica  foi a equipa que desde o inicio do jogo mais procurou o golo e a vitória.

 

O Benfica entrou no jogo com uma disposição muito diferente da do último Sábado contra o Porto, hoje entraram  sem medos e com vontade de atacar e de marcar. É verdade que não chegaram muitas vezes à baliza, mas mostraram mais futebol e mais vontade de vencer que o Chelsea.

 

Hoje voltou a provar-se que não são os muitos milhões, os grandes orçamentos ou as grandes estrelas que constroem as grandes equipas, porque hoje o Benfica foi mais equipa e mostrou mais futebol, até ao fatídico minuto 92.

 

Mas o futebol é isto, nem sempre ganha quem mais merece e quem mais faz pela vitória, e o jogo só termina mesmo quando o árbitro apita, foi pena aquela pérdida de bola do Cardozo nos últimos segundos de jogo, o Benfica merecia pelo menos o prolongamento.

 

Pró ano há mais

 

Jorge Soares

PS: E agora que voltamos às competições nacionais, espero que o Guimarães tenha aprendido como se faz, que ainda há outra final.

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publicado por Jorge Soares às 21:50
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Ter
14 Mai
2013

Angelina Jolie

 

Imagem do Público

 

“A minha mãe lutou contra o cancro durante quase uma década e morreu aos 56. Aguentou o suficiente para conhecer os primeiros dos seus netos e para lhes pegar ao colo. Mas os meus outros filhos nunca terão a oportunidade de a conhecer e de sentir quão amável e graciosa ela era.


Por vezes temos a tendência a achar que estas coisas só acontecem às pessoas normais, mas não, ninguém por mais bonito ou famoso que seja deixa de ser humano e de estar sujeito às mesmas maleitas que qualquer outro comum mortal.

 

Angelina Jolie mostrou que para além de humana, é uma mulher preocupada com a sua saúde. O seu é um exemplo da forma como deve ser encarada a doença, a prevenção é e será sempre o melhor dos tratamentos, para a maioria das pessoas a propensão para a doença, as análises genéticas e a mastectomia preventiva seriam até hoje conceitos completamente desconhecidos. 

 

Para muita gente o caminho é manter-se na ignorância e isso faz com que quando se descobre a doença já seja em muitos casos tarde, é preciso muito valor para tomar a decisão que ela tomou, não deve ser de animo leve que uma mulher decide retirar os dois peitos, mas ela soube mostrar que acima dos clichés e da estética estão valores muito mais fortes, como a vida e a saúde.

 

"Cancro é ainda uma palavra que planta medo no coração das pessoas, produzindo uma profunda sensação de impotência. Mas hoje é possível descobrir, através de uma análise de sangue, se somos altamente susceptíveis ao cancro da mama e dos ovários e então tomar uma atitude."


Esperemos que com este exemplo muitas mais pessoas tomem consciência da importância da prevenção e de que por cima dos ideais de beleza, está a vida e a saúde.

 

O The Scar Project já por aqui passou antes, neste post, mas nunca está de mais recordar

 

 

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 22:01
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os três parvinhos

Imagem do Pontos de Vista

 

Cavaco afirma que a sétima avaliação da troika é “inspiração de Nossa Senhora de Fátima” 

 

É por estas e por outras que sou ateu, está visto que com santos como estes não há milagres que nos salvem da desgraça, mas também entre a Troika, o Cavaco, o Gaspar e o Passos Coelho, venha o diabo e escolha.

 

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 20:54
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Seg
13 Mai
2013

Adepto de futebol

 

Imagem de aqui 

 

Há muito muito tempo que eu não via um jogo de futebol num grupo, desde que inventaram os canais pagos que deixei de ver os derbies, seria incapaz de pagar mais canais de televisão por causa do futebol e há muito que deixei de ter paciência para ver jogos em cafés.

 

No Sábado tinha um aniversário e como não podia deixar de ser, ver o jogo fazia parte das actividades programadas. Eu era o único portista declarado numa casa cheia de benfiquistas.

 

Como já disse cá no blog, eu gosto do futebol pelo futebol, é evidente que gosto que o meu clube ganhe, à minha maneira vibro com as vitórias e não gosto das derrotas, sem nunca tirar os pés da terra. Não são as vitórias ou as derrotas do meu clube que irão mudar o que quer que seja na vida, gostos à parte, o futebol é entretenimento e cada vez mais um negócio de muitos milhões para proveito de uns poucos. Mesmo sabendo tudo isto, ou talvez por isto, há coisas que me custam a entender.

 

Ainda o jogo não tinha começado e já havia crianças ao lado dos pais  a dizer que os do Porto eram todos uns estúpidos, eu sei que há muita gente que pensa isso, e há quem pense coisas piores dos benfiquistas, mas além de nunca ensinar essas coisas aos meus filhos, nunca permitiria que mesmo ouvindo isso de outras pessoas eles o repetissem... mas pronto, em frente que o que interessa é a bola.

 

Mal a bola começa a rolar, dá para perceber porque é que as crianças são assim, desde há muito tempo, na realidade desde a última vez que fui ao futebol, que eu não ouvia tantas asneiras e palavrões, isto num lugar em que devia haver umas 15 crianças a maioria com menos de 10 anos de idade. 

 

Qualquer incidência do jogo dá direito a insultos, as faltas assinaladas, as não assinaladas, qualquer toque entre dois jogadores por mais leve que seja, uma boa jogada do adversário, uma bola perdida por um dos jogadores da nossa equipa, uma substituição do adversário, uma da nossa equipa, o nosso treinador, o treinador adversário. Não deve ter havido interveniente nenhum do jogo, desde os jogadores aos apanha bolas, que não tenha sido insultado. Acho que se por acaso tivesse começado a chover, deus não se tinha livrado de um bom chorrilho de insultos.

 

Eu gosto de passar desperecido, sentei-me na última fila, evidentemente não disse palavrões, não discuti lances, nem festejei o primeiro golo do Porto, limitei-me a sorrir e a pensar para os meus botões, isto no fim vai dar direito a muitos insultos.  No segundo golo gritei GOOOLLLOOOOOO com todos os pulmões e não disse mais nada...

 

É claro que no fim e com o resultado que todos conhecemos, o melão era maior que o mundo e é claro que o Porto não ganhou porque foi melhor, só ganhou porque teve sorte e como sempre, o árbitro ajudou.

 

Quando os ânimos serenaram e a conversa era sobre a final da liga Europa contra o Chelsea, eu disse que gostava que o Benfica ganhasse, ficou tudo a olhar para mim como se eu fosse um extraterrestre, evidentemente ali todo o mundo queria que o Porto perdesse sempre, fosse contra quem fosse. Isso de ser uma equipa portuguesa era uma piada, para eles só existe o Benfica e até quando joga a selecção de Portugal, se do outro lado estiverem jogadores do Benfica, eles apoiam esses jogadores, não Portugal... que não é nada que eu já não tenha ouvido de adeptos do Porto... mas é algo que me deixa sempre perplexo.

 

Note-se que estamos a falar de gente educada,  com cursos superiores, com bons empregos e com a vida mais ou menos realizada, isto para aquelas pessoas que associam estes fenómenos a pobres e desempregados que precisam de aliviar frustrações... afinal há mesmo muita gente a precisar de aliviar frustrações. Felizmente eu não devo ter frustrações cumuladas, eu tenho a certeza que se eu fosse como eles, a coisa tinha descambado rapidamente, porque começa-se com insultos ao árbitro e quem sabe como se termina.

 

Como é que uma bola a saltitar converte um pai de família educado  num homo troglodita? vá lá a gente a perceber.

 

Já agora, não quero deixar de repudiar o que aconteceu aos jornalistas da Antena 1, nada justifica que se agrida quem está a trabalhar para levar o som do jogo a tanta gente que não pode ir ao Estádio, quem o fez não pode ser considerado adepto de qualquer equipa, não passam de energúmenos sem gosto pelo futebol.

 

Jorge Soares

 

PS:Eu sei que ainda falta um jogo e o Porto pode até vir a não ser campeão, mas para mim o resultado e as circunstâncias deste jogo, valeram por uma época inteira

 

Ps2 - Espero sinceramente que o Benfica ganhe a Liga Europa e de bom grado vou festejar os golos


publicado por Jorge Soares às 22:02
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Dom
12 Mai
2013

 

Letra

 

Era uma vez um país
"Lá num canto desta velha Europa,

era uma vez um país
vivia à beira do mal "prantado",

mas apodrecia na raíz


Reza a história que foi saqueado

mesmo por debaixo do nariz
Triste sina, oh que triste fado,

era uma vez um país


Os mandantes que por lá passavam

eram só ares de "bon vivant"
Viviam à grande e à francesa

como se não houvesse amanhã


Havia quem avisasse o povo

p´ra não dar cavaco a imbecis
Mas caíram na asneira de novo,

era uma vez um país


Esta fábula do imaginário

tão próxima do que é real
Canção de maledicente escárnio

à república do bananal


Que se encontrava em tão mau estado,

andava a gente tão infeliz
E o polvo já tão infiltrado,

era uma vez um país


E lá se vão sucedendo os casos,

grita o povo: "agarra que é ladrão!"
Mas passam belos dias à sombra do loureiro
Enquanto o Duarte lima as grades da prisão


E nunca se esgotam personagens

neste faz de conta que é assim
Raposas com passos de coelho no mato
e até um corta relvas de madeira no jardim


Entre campeões de assalto à vara

e filósofos de pacotilha
Entram nas portas dos submarinos azeiteiros de oliveira às costas
com o ouro da nação p'ra por nas ilhas Cai-mão, cai-pé, 

baixa os braços e as calças e a cabeça e o nariz, 
aqui finda esta história que não tem final feliz"
(era uma vez um país)

 

Prémio Ary dos Santos -- Poesia 
Tema -- Era uma Vez um País 
Autor - Miguel Calhaz 
Intérprete -- Miguel Calhaz


publicado por Jorge Soares às 16:10
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Sab
11 Mai
2013
Encontro às escuras

 

“Então, tá. Amanhã, às duas da tarde, no parque municipal. Vou te esperar sentada num dos bancos...” De pé, em frente ao espelho, ele relembrava as palavras dela, tão bem impressas haviam ficado na sua mente que chegava até mesmo a ver os pontos e as vírgulas. As reticências que teimavam aparecer ao final não chegavam a incomodá-lo, percebera mesmo um pouco de hesitação na sua voz. Mas a certeza inerente aos apaixonados, a do amor inabalável que eles necessitam ter para continuar amando, fazia-o acreditar que ela compareceria ao encontro.

 

O encontro fora marcado depois de eles conversarem por semanas ao telefone. Nunca haviam se visto. Um dia, o telefone tocou, ele atendeu, era engano, mas ele insistiu, queria saber de quem era a voz feminina do outro lado. Sempre fazia isso. Puxava papo até com as moças de tele marketing. Dizia para elas que sabia, que tinha certeza, intuição mesmo, que ele conheceria a mulher de sua vida assim, casualmente, numa conversa de telefone. Nunca convencera moça alguma, até esse dia. A voz feminina do outro lado respondeu seu nome e a conversa rendeu uma amizade provisória, como um ensaio para o grand finale, que não tardou a acontecer, logo estavam prontos para o sentimento que se manifestava. E agora ele estava na frente do espelho pensando num traje para usar no encontro. Mas para além da escolha do traje, uma dúvida o encarcerava. Ele não tinha o braço esquerdo e ela não sabia. Quis contar várias vezes, mas sempre recuava como uma criança travessa diante da mãe castradora. O espelho, impiedoso, acusava sua falta.

Nasceu assim, do ombro não partia nada, acabava ali, sem explicação. A mãe, mortificada com a notícia do defeito do filho, culpou-se durante meses, como era congênito?, vinha dela então? O médico explicou, mas ela só se acalmou depois que buscou conforto na tragédia da vizinha: o filho tão aguardado era autista. “Pelo menos, meu filho me reconhece.”

Olhando para a imagem ausente do braço, lembrou-se do primeiro dia de aula no jardim de infância, também o primeiro dia que se lembra na vida. Chegou de mãos dadas com a mãe ao portão da escola, nem deu tempo de se soltar, um menino apontou gritando: “Olha, ele não tem um braço!”. E a mãe dizendo para ele ser homem e enxugar aquelas lágrimas, que homem não chora. “Mas eu não era um homem, eu era um menino.” E o menino descobriu que era diferente. A mãe lhe dizia que, mesmo sem ter um braço, ele podia ser feliz. “Como, mãe, se eu não posso soltar pipa igual a todo mundo?” A mãe mostrava o filho da vizinha: “Ele não sabe nem o que é pipa.” A comparação com o autista não lhe trazia o mesmo efeito que o provocado na mãe. “Ele tem os dois braços, não solta pipa porque não quer.” Riu do raciocínio infantil, observou os dentes refletidos no espelho como quem nota um pássaro intruso na paisagem; virou-se para o armário e pegou a prótese. O primeiro braço mecânico foi uma doação dos pais de um coleguinha rico, já que sua mãe, e somente ela, pois pai não tinha, não podia arcar com a compra de um. Voltou da escola chorando, carregando o braço na mão direita; disse à mãe que nunca mais ia usá-lo, porque não queria ser o Capitão Gancho da turma. “Bobagem, meu filho.” “Mas eu queria ser O Homem de Seis Milhões de Dólares, o homem biônico da TV.” “O filho da vizinha não pode ser nem a Mulher Biônica!” Não adiantou, o braço ficou esquecido no fundo do armário. Agora, tinha uma prótese moderna, totalmente flexível, mas ainda um corpo estranho. “Como fui bobo em não contar a ela.”


Aline Ponce

Retirado de Bestiario


publicado por Jorge Soares às 21:11
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Qui
9 Mai
2013

O ùltimo abraço da globalização

Imagem do Público 

 

De entre o que restou do edifício Rana Plaza, no Bangladesh, foram até agora retirados mais de 900 corpos, mas ninguém consegue prever quantos mais estarão ainda por descobrir, calcula-se que estariam perto de 5000 pessoas no edifício e ainda falta chegar aos pisos inferiores.


Também não há certezas, mas suspeita-se que para além da construção deficiente, terá sido a trepidação causada pelos gigantescos geradores que mantinham as três fábricas de roupa a funcionar, o que terá causado o desabamento do edifício.

 

O Bangladesh é neste momento a última paragem da globalização, depois do Vale do Ave, de Taiwan, da Malasia, da China, a procura dos preços mais baixos chegou ao Bangladesh. As três fábricas , há quem fale em cinco, que se diz existiam no edifício, produziam roupa para grandes marcas Europeias como a Primark ou a Mango. Mas estas são só um exemplo, porque nas centenas  que nascem como cogumelos por todo o país produz-se roupa e outros artigos para a grande maioria das marcas mais conhecidas.

 

O Bangladesh é o país com o menor salário mínimo do mundo, perto de 29 Euros por mês, mas há quem ganhe metade disto por 12 ou mais horas de trabalho ao dia  nas piores condições possíveis. É também frequente a existência de trabalho infantil.

 

O negócio dos texteis movimenta mais de quinze mil milhões de Euros todos os anos e gera lucros astronómicos, mas tudo isto é feito à custa do trabalho quase escravo de muita gente.

 

As grandes marcas tem muita preocupação com os volumes de vendas e os lucros, mas pouco ou nada se preocupam com o preço que paga a população dos paises mais pobres para que se possa produzir a custos tão baixos . Era bom que a sociedade que tanto consome tivesse a noção da realidade que está por trás dos seus caprichos mais mundanos.

 

As muitas centenas de vidas que se perderam na queda do edifício no Bangladesh são o preço social da roupa barata, um preço demasiado alto que milhares tem que pagar para que uns poucos ganhem muito dinheiro e todo o mundo possa presumir de andar bem vestido.

 

A fotografia é de Taslima Akhter e revela  um abraço de um homem e de uma mulher congelado pela derrocada do edifício Rana Plaza, ao Bangladesh chegou o último abraço da globalização.


Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 21:56
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