Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Porque é que nunca seremos nórdicos?

por Jorge Soares, em 04.03.15

Stego.jpg

 

Imagem de aqui

 

A senhora simpática e sorridente ali na fotografia chama-se  Cecilia Stego Chilo, em 2006 era ministra da cultura do governo Sueco e alguém descobriu que  durante uns anos se tinha esquivado da sua obrigação de pagar a taxa de licença de televisão, qualquer coisa como 2.861 Euros.

 

Admitindo o erro, ela demitiu-se de imediato do governo e invocou como motivo  que a falha em cumprir estas obrigações "não era aceitável"

 

Eu já por cá falei do do facto de nós europeus do sul por mais que admiremos e invejemos a cultura nórdica, nunca lá chegaremos, foi a propósito da primeiro ministro lésbica da Finlândia, de condições de trabalho.. ou da falta delas, e até do pagamento ou não dos devidos impostos, normalmente demoro-me a tentar explicar que não dá, porque nós não somos nórdicos, até podíamos ser altos e louros (eu sou), mas nunca teremos nem a cultura nem a consciência de estado e do dever que tem os nórdicos.

 

Depois da pobre explicação da falta de conhecimento, o primeiro ministro entrou na fase da vitimização, a culpa não é dele, é dos jornalistas curiosos e dos funcionários sem escrúpulos que insistem em descobrir estas coisas. Certo é que pouco a pouco vamos sabendo novos detalhes sobre o passado de desconhecimentos e esquecimentos em série que pautam as obrigações fiscais do  agora primeiro ministro.

 

É claro que se fossemos nórdicos nada disto aconteceria, primeiro porque é muito mais difícil encontrar quem não cumpra os seus deveres, segundo porque não haveria funcionários sem escrúpulos que filtrassem dados fiscais de políticos... e é claro que quando não há coisas para filtrar dificilmente haverá jornalistas à procura... e terceiro, porque quando há uma excepção como a da senhora Cecilia Stego Chilo, a decência obriga a que as pessoas se demitam.

 

Como não somos nórdicos, não há decência que nos valha, cada um faz o que lhe apetece e pelos vistos nem para se ser primeiro ministro é necessário cumprir com as obrigações fiscais.

 

Jorge Soares

 

PS: Curiosamente na mesma noticia em que se fala da ministra sueca, aqui, também se fala de um ministro português que se demitiu após alguém ter levantado suspeitas sobre a sua situação fiscal.... não, não é do PSD

 

PS2: Não falo sobre o caso da sisa de António Costa (esta noticia) porque no mesmo jornal já foi publicado (aqui) o desmentido de Costa... e acredito nele como disse no outro dia que acreditava no desconhecimento de Passos Coelho.

 

PS3 - Curiosamente, consigo lembrar-me de um ministro do PSD que se demitiu por ter contado uma anedota... parece que não ter piada é pior que não cumprir obrigações fiscais.

Related Posts with Thumbnails

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:13

Imagem do Henricartoon

 

Artigo 6.º (do código civil)

(Ignorância ou má interpretação da lei)

 

A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas.

 

Custa-me entender como é que alguém não sabe que as contribuições para a segurança social são obrigatórias, para mim isso nunca foi uma opção, desde que comecei a trabalhar que os onze por cento sempre foram descontados mesmo antes de chegarem às minhas mãos ...

 

É claro que ao contrário de Passos Coelho, eu nunca fui político e nunca fui trabalhador independente.... talvez venha de aí a minha ignorância.... mas admito que seja mesmo verdade que o senhor não sabia, que achava que era opcional e como não pensava nunca vir a viver da reforma, achou que não precisava de descontar. É claro que há o pequeno detalhe de a lei que ele incumpriu ter sido aprovada na assembleia da república numa altura em que ele era deputado, se calhar até contribuiu com o seu voto para a sua aprovação, mas é claro que lá por ser deputado e votar as leis, ele não tem porque as ler..... ou será que tem?

 

A mim o que realmente me choca no meio de tudo isto é que uma simples dívida da falta de pagamento ao fisco de poucas dezenas de Euros respeitantes por exemplo ao imposto de circulação de um carro que já nem é nosso há anos, além de não prescrever, terminar muitas vezes no pagamento de multas de milhares de Euros e até em casos extremos em penhoras de habitação, (ver este post), e que por outro lado, uma dívida de 5016,88 à segurança social, não só prescreva passados meia dúzia de anos, como prescreve sem que sequer o devedor tenha sido alguma vez notificado da sua existência.

 

Evidentemente Passos Coelho não é um contribuinte qualquer, é primeiro ministro e foi deputado, até pode alegar que na altura não sabia da obrigatoriedade de pagar a contribuição, mas acontece que ele tomou conhecimento dessa dívida em 2012, e prescrita ou não, só a pagou em 2015. Evidentemente os 5000 Euros não fazem diferença nenhuma nas contas da segurança social, mas o exemplo faz, e o exemplo que Passos Coelho deu ao país é o de que podemos deixar de pagar, porque afinal, a menos que algum jornalista descubra, o crime compensa. Já seja porque a dívida prescreve, já seja porque o estado de uma forma ou outra não tem a competência suficiente para fazer os contribuintes (pelo menos alguns) cumprirem as suas obrigações, a imagem que fica é que o crime compensa.

 

Sem esquecer é claro que na mesma altura em que o estado deixou prescrever as dívidas de um dos seus políticos, havia uma enorme pressão sobre os restantes trabalhadores a recibos verdes para que pagassem as mesmas contribuições, ou seja, este estado tem dois pesos e duas medidas, um para quem mais precisa e outro para quem é político.

 

Jorge Soares

Related Posts with Thumbnails

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:55

 

 

Disclaimer - Para quem aqui vem à espera de encontrar um daqueles artigos que dizem que a hiperactividade é uma invenção dos médicos e da industria farmacêutica, pode voltar por onde veio, a hiperactividade é uma doença real e infelizmente afecta mesmo muitas crianças.

 

Quem me costuma ler sabe que cá em casa temos um hiperactivo, que apesar de ser seguido e tratado desde os três anos de idade, sofre todos os dias o facto de ter uma doença que influência o seu comportamento, as suas capacidades de aprendizagem e a forma como se relaciona com a família, a escola e o mundo em geral.

 

Num mundo que cada vez mais vive de normas e padrões, um criança que por um ou outro motivo foge ao que se considera "normal" não tem um caminho fácil, ora o N. sofre de Hiperactividade, défice de atenção e dislexia.

 

O facto de ter sido diagnosticado ainda antes de entrar para a escola não ajudou grande coisa, infelizmente há, principalmente nas escolas, muita gente no mundo que acredita que sabe mais que médicos e especialistas e acha que tudo isto não passa de falta de educação e que tudo se resolve com palmadas, castigos, recados nas cadernetas ...  enfim. É triste mas a quantidade de professores que pensa assim é assustadora e muitas vezes para além de tornarem um inferno a estada das crianças na escola, tornam muito complicada a relação entre a escola e os pais.

 

Felizmente esta é uma doença para a que há medicação, mas convém lembrar que estas doenças não tem cura, a medicação normalmente ajuda a atenuar os sintomas, mas não cura. Uma criança  com hiperactividade vai ser um adulto com hiperactividade, e esta é uma realidade que temos que aprender a aceitar e com a que temos que aprender a viver.... cada dia é um novo desafio e cada dia aprendemos um pouco mais.

 

Mas se uma criança hiperactiva é um problema, um adolescente hiperactivo é como uma bomba relógio sempre prestes a explodir... 

 

A adolescência do N. não tem sido nada fácil, e também não tem sido nada fácil acertar com as doses certas da medicação. Por um lado os comprimidos fazem com que seja mais fácil a concentração e a atenção nas aulas, por outro lado há os efeitos secundários, que variam de organismo para organismo mas que no caso do N influenciam o apetite, o sono e especialmente o humor.

 

Nós verificamos que quando toma a medicação, e ao contrário do que acontece nas férias em que não toma, fica muito mais irritadiço e volátil, reagindo de forma abrupta e com forte oposição quando questionado ou contrariado.

 

Depois de vários episódios cá em casa e na escola, em conjunto com o especialista que o segue, decidimos que íamos retirar uma parte da medicação e optar por um tratamento alternativo sugerido pelo médico.

 

A mudança foi da noite para o dia, em lugar de um adolescente irascível e resmungão passamos a ter um jovem que não classificaríamos de normal, mas que pelo menos anda muito mais bem disposto e sem estar em constante oposição.

 

Curiosamente os primeiros a queixar-se do novo N. foram os professores, antes tinham um miúdo que reagia mal à autoridade mas que pelo menos aparentava estar atento nas aulas, agora tem um jovem menos irascível, mais bem disposto, mas que tem muitas mais dificuldades em estar atento e seguir a aula.... curiosamente e apesar das queixas anteriores, os professores parece que preferem a versão com medicação.

 

Eu confesso que tive muitas duvidas sobre qual seria a melhor estratégia, mas a minha meia laranja usou lógica simples para me convencer: Ninguém vai preso por estar desatento e bem disposto nas aulas, mas pode ir se num dos momentos de impulsividade agredir alguém à sua volta.

 

É claro que a falta de atenção nas aulas pode ter consequências ao nível do aproveitamento escolar, mas não é nada que não se supere com trabalho, dele, da escola e nosso, assim haja vontade... 

 

Como disse acima, a hiperactividade é uma doença com a que ele e nós temos que aprender a viver, há dois ou três anos atrás seria impensável retirarmos a medicação, nós não dávamos a medicação nas férias e sinceramente havia anos em que a meio das férias dávamos por nós a desejar que os tempo passasse rápido para voltarmos aos comprimidos e à "paz" que estes traziam... mas isso era válido na altura com uma criança daquela idade, agora com um adolescente a realidade é outra e a forma de a encarar também será outra.

 

Jorge Soares

Related Posts with Thumbnails

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:21

noite.jpg

 

 

“Antigamente, não havia senão noite e Deus pastoreava as estrelas no céu. Quando lhes dava mais alimento elas engordavam e a sua pança abarrotava de luz. Nesse tempo, todas as estrelas comiam, todas luziam de igual alegria. Os dias ainda não haviam nascido e, por isso, o Tempo caminhava com uma perna só. E tudo era tão lento no infinito firmamento!

 

Até que, no rebanho do pastor, nasceu uma estrela com ganância de ser maior que todas as outras. Essa estrela chamava-se Sol e cedo se apropriou dos pastos celestiais, expulsando para longe as outras estrelas que começaram a definhar.

 

Pela primeira vez houve estrelas que penaram e, magrinhas, foram engolidas pelo escuro. Mais e mais o Sol ostentava grandeza, vaidoso dos seus domínios e do seu nome tão masculino. Ele, então, se intitulou patrão de todos os astros, assumindo arrogâncias de centro do Universo. Não tardou a proclamar que ele é que tinha criado Deus.

 

O que sucedeu, na verdade, é que, com o Sol, assim soberano e imenso, tinha nascido o Dia. A Noite só se atrevia a aproximar-se quando o Sol, cansado, se ia deitar. Com o Dia, os homens esqueceram-se dos tempos infinitos em que todas as estrelas brilhavam de igual felicidade. E esqueceram a lição da Noite que sempre tinha sido rainha sem nunca ter que reinar.”

 

MIA COUTO, no livro  “A confissão da leoa”

 

Retirado de ContiOutra

Related Posts with Thumbnails

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:13

vestido.png

 

Imagem de aqui

 

Logo de manhã a Mie reclamava no Facebook  com o facto de a cor do vestido ser noticia no site da SIC noticias, mal sabia ela o que estava para vir, durante todo o dia, olhássemos para onde olhássemos lá estava a pergunta: É branco e dourado ou azul e preto?

 

No fim do dia era noticia na SIC, na RTP, na TVI e em todos os sites dos jornais online não só nacionais como internacionais, há uma guerra na Síria, outra na Ucrânia (alguém reparou que identificaram o tipo que se decapita os reféns do estado islâmico?), estudantes mortos pela polícia na Venezuela,... mas o que é que isso interessa? O que interessa mesmo é a cor do vestido...

 

Tudo começou com um post na rede de blogs Tumblr, uma senhora colocou uma fotografia de um vestido e perguntou quais eram as cores que se viam, de ali a coisa passou ao Twitter e de um momento para o outro parece que todo o mundo estava interessado naquilo. Segundo os responsáveis da rede Twitter, o vestido bateu todos os recordes de visualizações e o Twitter teve o melhor dia da sua história.... o artigo sobre o vestido que foi publicado na rede Buzzfeed, teve em dois dias mais de 20 milhões de visualizações...  incrível, e tudo porque alguém perguntou "de que cor é o vestido?"

 

Vivemos num mundo estranho em que pelos vistos, qualquer coisa, até uma simples pergunta sobre a cor de um vestido, pode virar uma noticia a nível mundial que é divulgada por todas as agências de noticias, televisões e jornais.... já imaginaram a quantidade de coisas realmente importantes que aconteceram nestes dois dias e das que não fazemos a menor ideia?... mas quantas pessoas a esta hora não terão ouvido falar da cor do vestido?

 

Sou só eu que acha que isto é a prova de que para além de haver muita gente com pouco que fazer, há algo de muito errado com a forma como estamos a gerir as nossas prioridades?

 

Por certo, para mim é branco e dourado, mas já vi versões em azul e preto, vermelho e preto e muitas outras cores, mas dado o estado actual da arte da fotografia da era digital, a pergunta não deveria ser "qual é a cor do vestido?", deveria ser "Qual queres que seja a cor do vestido?" Não sei se terá sido propositado, mas não há duvida que para a marca que os vende, isto foi a melhor campanha publicitaria do mundo.

 

Haja paciência

 

Jorge Soares

Related Posts with Thumbnails

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:55

kliverroa.jpg

 

Imagem de aqui

 

O jovem da imagem chamava-se Kluiverth Roa, tinha 14 anos e há quem diga que nem se estava a manifestar, estava simplesmente por ali e cometeu o erro de gritar "parem com a repressão" aos polícias que de arma em punho tentavam silenciar os estudantes universitários que se manifestavam contra a inflação e a escassez de comida.

 

Kluiverth morreu de um disparo na cabeça, é o sexto estudante morto pelas forças policiais do estado desde o inicio das manifestações de estudantes há uma semana.

 

A situação social na Venezuela está a chegar a um estado de completa degradação, à insegurança, durante o ano 2014 foram assassinadas no país mais de 25000 pessoas, juntou-se uma inflação anual que está perto de atingir os 3 dígitos e a falta de bens de primeira necessidade.

 

O petróleo tornou-se na única fonte de recursos da Venezuela, com a descida dos preços para menos de 50 dólares por barril e o estado deplorável das infra-estruturas petrolíferas do país, levaram a uma descida abrupta da entrada de dinheiro.

 

A falta de dinheiro para a importação de matérias primas levou ao encerramento da maior parte das industrias nacionais e ao quase completo desabastecimento do mercado, para conseguir comprar qualquer produto de primeira necessidade, desde papel higiéncio a farinha, são necessárias horas e horas nas filas dos supermercados.

 

É contra este estado de coisas que se manifestam os jovens estudantes Venezuelanos, a resposta de Nicolás Maduro e do seu governo é enviar as forças militarizadas com armas de fogo para a rua, o que se traduz em forte repressão e em pelo menos seis estudantes mortos só numa semana.

 

Nicolás Maduro foi eleito em eleições democráticas, mas não é a forma como são eleitos os seus governantes que definem o tipo de governo de um país, em democracia o governo é eleito pelo povo e para o povo, neste momento o governo que foi eleito pelo povo parece estar no poder não para o povo mas sim contra o povo.

 

Durante o último ano foram utilizados todos os pretextos legais e ilegais para silenciar os protestos do povo, o principal dirigente da oposição está preso desde há mais de um ano porque pediu ao povo que se manifestasse contra a situação no país, durante o último ano foram presos para além de estudantes, políticos da oposição  e até o governador da Capital Caracas.

 

Enquanto o governo usa as forças policiais para reprimir os protestos do povo, há dirigentes do partido de governo que são acusados de dirigirem redes internacionais de tráfico de drogas e a corrupção faz desaparecer uma boa parte dos muitos milhões que entram no país.

 

Calcula-se que só em 2013 tenham entrado no país quase 140 000 milhões de Dólares proveniente da venda do petróleo, para onde foi todo este dinheiro? ninguém sabe.

 

Jorge Soares

Related Posts with Thumbnails

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:12

Mãe, o que é ir à missa?

por Jorge Soares, em 25.02.15

Imagem minha

 

Um destes dias, já não sei a propósito de quê, a D na sua infinita curiosidade saiu-se com o seguinte:

 

- Mãe, o que é ir à missa?

 

A minha meia laranja ia tendo um fanico, e a seguir teve mesmo quando olhou para mim e eu disse:

 

- Finalmente à terceira fizemos o trabalho como deve ser! 

 

Ela ainda tentou argumentar, mas eu como quem não quer a coisa, lembrei-lhe como tinha corrido a experiência do N. e a R. com os escuteiros e a catequese (ver este post), deve ter funcionado, não se voltou a falar do assunto.

 

Os meus filhos são os três baptizados, a mais nova já tinha sido baptizada quando chegou cá a casa e os mais velhos são porque a P. e uma parte da  família faziam questão, a mim tanto se me dá que o sejam ou não, a educação que sempre pensei para os meus filhos não tem nada a ver com religião. Sempre tentei educar com o exemplo e se possível ensinando os meus filhos a pensar por sí, se no fim eles por si e pela sua cabeça chegarem a uma religião qualquer, isso é problema deles, mas se for pelo meus exemplo, não irão de certeza absoluta precisar de igreja ou religião para nada.Eu não preciso mesmo.  Ninguém é melhor pessoa por acreditar ou não em deus, pessoas boas e más há em todas as religiões do mundo e evidentemente entre os ateus.

 

Porque é que me lembrei de tudo isto, porque hoje pelo meu facebook passou o seguinte artigo: Famílias sem religião estão fazendo um trabalho melhor do que as demais

 

Trata-se evidentemente de um artigo sobre vários estudos feitos nos Estados Unidos, vale o que vale, mas não deixa de ser interessante olhar para as várias conclusões, vejamos:

 

-apresentam muito mais solidariedade e proximidade emocional entre pais e filhos

 

-A maioria parecia viver vidas plenas caracterizadas por uma direcção moral e um sentido de que a vida possui um propósito.

 

-têm seus próprios valores morais e preceitos éticos, entre eles a solução racional de conflitos, autonomia pessoal, livre-pensamento, rejeição de punições corporais, um espírito de questionar tudo e, principalmente, empatia

 

- tratar os outros como gostaríamos que fôssemos tratados. Este é um imperativo ético antigo e universal, e não há nada nele que force a crença no sobrenatural

 

-Quando estes adolescentes se tornam adultos, eles tendem a apresentar menos racismo que seus colegas religiosos

 

-Os adultos seculares têm uma tendência maior a compreender e aceitar a ciência do aquecimento global, a apoiar a igualdade feminina e os direitos dos gays.

 

-No cenário internacional, países democráticos com os menores níveis de fé religiosa são também os que têm as menores taxas de crimes violentos e gozam de bem estar social relativamente alto

 

Ora, a mim parecem-me argumentos suficientes, mas muito mais importante que tudo isto é o facto de eu querer que os meus filhos aspirem a ser pessoas cultas e integras com consciência, não por medo às consequências do pecado ou aos castigos divinos e sim porque essa é a forma correcta de se viver.

 

Jorge Soares

Related Posts with Thumbnails

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:25

Imagem do Pontos de vista

 

Não ando nos meus dias e isso nota-se até na forma como às vezes deixo passar as conversas e prefiro estar calado a entrar em discussões que no fim não me levam a lado nenhum.

 

Um destes dias à hora do almoço discutia-se o Eurogrupo e as decisões sobre a Grécia, havia alguém espantado em como Grécia não só não quer pagar a dívida, como se prepara para a seguir a não pagar, pedir mais dinheiro a quem "ficou a arder"

 

Ainda esbocei um "mas ninguém disse que eles não querem pagar...", a pessoa estava com tanta atenção à sua sabedoria que (felizmente) não me ouviu, 

 

Há muito quem pense como ele, assim como há muita gente que acha que a saída do Euro significa não pagar as dívidas, deve ser o que pensam alguns iluminados que acham que Portugal deve voltar ao escudo, eu sinceramente não percebo o que tem uma coisa a ver com a outra.

 

Saindo ou continuando no Euro as dívidas vão continuar a existir, seja para Portugal ou para a Grécia. Se a Grécia sair do Euro vai deixar de estar tão controlada, vai ter liberdade para fazer orçamentos mais liberais e não ter tantas preocupações com défices e rácios, mas por outro lado irá ter muitas mais dificuldades em ter crédito. Em lugar de ter uma moeda forte passará a ter uma que poderá desvalorizar para obter liquidez, mas como a sua dívida continuará em Euros ou em último caso em Dólares, o que vai acontecer é que esta irá aumentar de forma exponencial e além disso, como tem uma balança comercial negativa, a inflação tomará conta do país e a população verá o seu salário e as suas poupanças desaparecer ao ritmo que aumentam os preços dos bens importados.

 

Há quem veja algo de positivo nisto tudo, eu sinceramente não consigo ver onde estará esse lado positivo, e também não acho que alguma vez a Grécia abandone o Euro..a menos que seja para aderir ao rublo.... mas para isso o preço do petróleo terá que aumentar muito mesmo..

 

Quer isto dizer que a única solução é a Troika e a austeridade? Não, é claro que não, assim como acho que a Grécia não sairá do Euro, também acho que nas condições actuais, nunca conseguirá pagar a sua dívida, o mesmo se aplica a Portugal, como é que com um crescimento de 1 ou 2 % se consegue gerar riqueza para pagar juros  de 4 ou 5%? A resposta é simples, não se consegue, é impossível.

 

Mesmo com a austeridade e os impostos brutais dos últimos anos, a dívida Portuguesa não parou de aumentar,  da Grega nem se fala, como é  possível que alguma vez se amortize?

 

Não sei se será agora, se será daqui a uns anos, mas mais tarde ou mais cedo alguém vai ter que parar para pensar noutro caminho qualquer para se conseguir sair deste circulo vicioso de divida que  tem juros que geram dívida que geram juros que geram dívida. 

 

Diz a imagem acima que as revoluções começam sempre em ruas sem saída, acho que a Europa chegou a uma dessas ruas agora só falta mesmo tirar as cadeiras aos velhos do Restelo que insistem em esconder o muro.

 

Jorge Soares

Related Posts with Thumbnails

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:04

Conto - Histórias de sonhos

por Jorge Soares, em 21.02.15

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Eu a conheci num lançamento de livro. A música que tocava era diferente de quase tudo que estamos habituados. Música contemporânea experimental, creio que era este o nome. Enquanto muitos pareciam estranhar, ela demonstrava prazer e alegria. Logo soube que tinha a ver com seu neto, que foi morar nos Estados Unidos justamente para estudar esse tipo de música. 

 

Da música e do neto passamos a falar de outros assuntos, e ela começou a contar episódios de sua vida. A neta bailarina e estudante de Jornalismo, que sofreu por ficar em segundo lugar num processo seletivo de uma companhia francesa de balé. Suas comunicações com o neto via Skype, que pede conselhos a ela, não aos pais.

 

Até que falou de sua recente viuvez, surpreendendo-me. Até então, era toda risos e brilho nos olhos, inclusive no esquerdo que, cego, nada azulando à deriva em seu globo. Perdeu o marido há onze meses. Estava tudo preparado para a comemoração, era o aniversário dele, 18 de março. Salgados, doces, doces dietéticos, refrigerantes, sucos, cerveja. Todos estavam chegando quando uma das noras, médica, reconheceu algo estranho no rosto de Jorginho (era chamado assim desde criança). Pediu licença à sogra para levá-lo ao pronto-socorro, coisa breve, só pra dar uma garantida de que estava tudo certo. Não estava. O que era para ser uma ida rápida foi consumindo o tempo até a festa ser desmontada, a comida e a bebida doadas para um asilo vizinho. Ninguém queria mais comer, seu Jorginho fora internado. A diabetes, que o acompanhava há quarenta anos, complicara.

 

Seu Jorginho não saiu mais do hospital. A mulher o visitava diariamente, sem sentir a densidade do real que surgia sem gentilezas. Uma sobrinha, psiquiatra, orientou os filhos a administrarem ansiolíticos em meio aos remédios muitos que ela também tomava. Não percebia que o marido morria.

 

Sem que o casal desconfiasse, os filhos os filmaram caminhando pelos corredores do hospital, captando, eternizando a doçura com que aquelas mãos se tocavam, o sorriso no rosto dele, que lhe dizia Você é tão linda, meu amor, e eu te amo tanto, tanto. E ela então respondia Eu também, eu também. E os dois riam, porque era assim há sessenta anos.

 

Depois de dez dias Jorginho morreu. De início levaram-na para os filhos, ficou uns meses longe de sua própria casa, viajou bastante, mas estava de volta.

 

Onze meses para ter o primeiro sonho com o marido. Deitara-se pouco depois das onze, uma amiga fazendo companhia. A voz foi vindo de muito longe. Te amo, meu amor, te amo, te amo. Falando, falando, até ela acordar assustada – enternecida, mas assustada, devia ter dormido muito, ele a chamava, os remédios, ela tinha que tomar o antibiótico às sete. Sentou-se na cama para enxergar o rádio-relógio, apenas uma da manhã.

 

Quando finalmente amanheceu contou o sonho para a amiga, que opinou fosse algo que Jorginho ainda lhe precisasse reforçar. Nessa parte da história minha amiga tem os olhos transbordando, ainda mais azuis. Porém logo sorri e diz que eu não poderia imaginar, mas uma das netas, a mais namoradeira, completou pela primeira vez um ano ininterrupto de namoro e veio falar que gostaria de lhe apresentar o rapaz, só pedia que não se assustasse. Pensou em tudo: tatuagens, piercings, até drogas.

 

Nada disso, o moço parece bonzinho que só. Tem o mesmo nome e apelido do avô, Jorginho. Minha amiga esclarece que é muito católica, não acredita em reencarnação nem nada parecido, mas a coincidência a divertiu. Ela que só conheceu Jorginho, ambos com catorze anos, fala, sorridente e de novo serena, que nunca foi namoradeira, mas o marido sim. Adorava dançar e namorou várias, mas sempre lhe dizia É com você que quero casar. E casou. Ela não gostava de bailes, ele parou de ir. Ele gostava de falar de futebol e política, ela não. Eram bem diferentes nessas coisas, por isso ela sorri ainda mais e me joga a pergunta Não dizem que os opostos se atraem? Então, é verdade, responde a própria indagação de imediato. Nessa hora a música para e levantamos, é hora de comprar o livro, pegar autógrafos, tirar fotos.

 

Marina Silva Ruivo

 

Retiradp de Samizdat

Related Posts with Thumbnails

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:30

E o governo lá sabe o que é ter dignidade?

por Jorge Soares, em 20.02.15

dignidade.jpeg

 

 

Imagem do Henricartoon

 

É claro que os senhores do governo não concordam com as declarações de Juncker, eles lá sabem o que é ter dignidade?

 

Jorge Soares

Related Posts with Thumbnails

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:03

Posts relacionados

Related Posts with Thumbnails







Estou a ler

Regressar a Casa

Rose Tremain

 

O Rapaz de Olhos Azuis

Joanne Harris

 

O jogo de Ripper

Isabel Allende

 







Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2008
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2007
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D