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Em nome dos meus filhos

por Jorge Soares, em 24.05.16

emnomedomeu.jpg

 

Imagem do Facebook 

 

Diz a Jonas que a virgula não fazia parte do cartaz, alguém a acrescentou com o Fotoshop e tornou a frase mais realista.. mais de acordo com o verdadeiro propósito da manifestação, digo eu.

 

É estranho como a mesma frase pode servir para os dois lados, eles, em nome dos seus filhos,  querem a continuação dos contratos de associação, eu, em nome dos meus filhos e da sua educação, quero o fim dos contratos de associação... a diferença está mesmo na virgula, 

 

Jorge Soares

 

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publicado às 23:28

Conto - O reverso da crisálida

por Jorge Soares, em 14.05.16

crisalida.jpg

 

 

E então um dia a Natureza condoeu-se daquela fraca borboleta.

 

De asas mutiladas por homens repletos de altruísmo, resolveu retornar ao purgatório casulo a fim de tornar-se magra, mas tolerável lagarta. Ainda hoje mastiga, autômata, seu insosso maço de folhas secas.

 

 

Odiava o modo como meu pai me olhava. Aquele pestanejar de pálpebras e o quase imperceptível balançar de cabeça ― que oscilava entre a compaixão e o desapontamento ― eram o meu regime. Ele me condenava por eu não ter herdado a macheza atávica que me havia sido destinada. Meus gestos tornavam os corredores de nossa casa escorregadios, pegajosos, imundos. Nada que eu fizesse para agradá-lo surtia efeito. Meus irmãos eram os varões. Eu a varíola.

 

Desdenhosos lacaios da aversão que papai me dirigia, os espelhos condenavam meus olhos, o som de minha voz e os pensamentos que eu havia alcunhado secretamente de sombrios. O eu refletido era de um sarcasmo aterrador, ria de mim com uma paixão violenta. Por ser meu oposto, era o desejado filho, aquele que não possuía pensamentos sombrios.

 

Eu sofria. E minha dor era um minotauro que me perseguia por infinitos corredores de dúvida, culpa e negação. Sempre que eu cedia aos meus proibidos impulsos, mais próxima espreitava a fera mitológica. Seu espectro grotesco afugentava os corpos nus e de masculinidade hiperbólica que vagavam por meus deslizes. Na equivocada matemática de meu corpo, cabeça, tronco e membros resultaram em um somatório obtuso. A aritmética de minha identidade adicionou-me, subtraiu-me, multiplicou-me, dividiu-me, potencializou-me e extraiu minhas raízes. E, no final, resultei em um total estéril.

Descobri ainda em minha juventude que eu não era nada. Por isso meu pai quase não me via, e os espelhos tampouco me enxergavam sem desdém.

 

Leprosos, diabéticos, hemofílicos, todos os mazelados despertavam uma mórbida inveja em mim, o anseio de ser um deles. Eu amava os pontos cardeais esculpidos sobre a topografia da dor. A convalescença contínua permite que os doentes sejam tratados com misericórdia. Mas, ninguém cuidaria de mim. Pessoa alguma se apiedaria das pústulas assintomáticas de minha vergonhosa doença, meu desequilíbrio secreto, meu mal sombrio.

 

Quantas tentativas infelizes, tantas investidas em inúmeras religiões. E nenhuma foi capaz de adormecer minhas madrugadas em claro. Eu era a serpente, carregada de peçonha, que secretava muco diante da serena pureza de meus bons pregadores. As orações misturavam-se ao meu execrável orgasmo, e Deus não permitia que eu pensasse em amor.   

 

Prostrado diante da humilhante condição de ser quem ― contra o meu próprio arbítrio ― eu era, resolvi tornar-me outro. Um outro ao qual a óptica paterna pudesse encarar, sem constrangimentos. Um outro que mimetizasse aquele que vivia no interior do espelho.

 

Arquitetei uma nova identidade. Adquiri o método que, biologicamente, não me havia sido transmitido. Não sei bem se resultei em um ser humano feliz. Mas, ora! De que vale a felicidade quando ela chega dentro de uma garrafa, solta no remoinho? A felicidade é privilégio daqueles que não temem as moléstias da alma. Eu temo.

 

Ajoelhada ao meu lado, diante do altar, exibo a mulher que sitiará meus vícios e me parirá filhos saudáveis. Enquanto meu pai me observa com ares de absolvição, sou acometido por um irrefreável pensamento sombrio. Nego-me a abater-me diante dele. Mas, o que importa agora? O pensamento é uma mácula que os olhos não veem. Venci-me. Derrotei-me. Logo estarei casado.

 

Que moço simpático, que rapaz gostoso é esse padre!

 

Troquem-se as alianças. Amém.

 

Emerson Braga

 

Retirado de Samizdat

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publicado às 22:26

save the children.jpg

 

Imagem da Internet 

 

O vídeo pretende mostrar como seria a história de Lily, uma jovem britânica, num mundo em que a Inglaterra está em guerra e ela tem que fugir para a Alemanha

 

Numa  Londres em guerra e sem recursos, tem que enfrentar homens armados e predadores sexuais, chega um momento em que decide fugir, nessa fuga atravessa parte do continente europeu viajando das mais variadas formas e passando por campos de refugiados.

 

A história criada pela organização Save the Children dos Estados Unidos,  é evidentemente ficcionada, mas foi baseada em casos reais relatados por vários  refugiados Sirios.

 

A Save the children é uma organização americana que presta ajuda a crianças e famílias de refugiados na Síria e na Europa.

 

Para ver e reflectir.

Jorge Soares

 

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publicado às 14:47

A escola pública e o direito a escolher.

por Jorge Soares, em 09.05.16

escolas.jpg

 

Imagem de aqui 

 

Tenho três filhos, dois estão na escola pública, um está numa escola privada porque não "há" lugar para ele na pública. Já tivemos experiências boas e más com a escola pública e com as privadas e posso dizer que sei do que falo.

 

Há pouco no telejornal um grupo de pessoas ia entregar cartas ao primeiro ministro, cartas a pedir a manutenção dos contratos de associação entre o ministério de educação e as escolas privadas. Entre as pessoas que foram entrevistadas duas ou três diziam que o governo lhes tem que garantir o direito a escolher o tipo de educação que elas querem dar aos filhos.... para ser sincero não percebi onde lhes foi retirado esse direito, mas já lá vamos.

 

As pessoas não percebem que a questão não é essa, não tem nada a ver com direitos de escolha, tem sim a ver com todos termos direito a uma educação digna, de excelência e igual para todos, e não,  não é de certeza este modelo de financiamento que estas pessoas tanto defendem, que garante esse direito.

 

Há uns dias o meu filho participou num jogo de basket contra o Estoril Baket, esta equipa joga no Pavilhão da Escola Salesiana de Manique. Um pavilhão com todas as condições, bastante melhor que o pavilhão municipal de Setúbal, ao lado do pavilhão havia uma piscina coberta, do outro lado havia um campo de futebol relvado e uma pista de atletismo sintética. O resto das instalações da escola estavam ao mesmo nível.

 

Acontece que a Escola Salesiana de Manique é uma das escolas com contrato de associação e é uma das escolas a que aqueles pais, que não sabem ou não querem saber mas que na realidade são uns privilegiados, se acham com direito a escolher.

 

Mas qual é a realidade do resto do país?

 

A equipa de basket onde joga o meu filho utiliza, por especial favor da câmara municipal,  para treinos e jogos o pavilhão de uma das escolas de Setúbal, basicamente são quatro paredes, um telhado  e pouco mais.

 

A minha filha mais velha está no Liceu de Setúbal, no inicio do ano escolar uma parte do telhado pavilhão caiu, como não há dinheiro para a reparação,  nos dias de chuva não há educação física, nos dias em que não chove as aulas são ao ar livre, esteja frio ou calor.

 

É claro que todos os pais que fomos ver o jogo a Manique estávamos de acordo, aquela era a escola ideal para os nossos filhos, o problema é que não há uma escola daquelas com contrato de associação em Setúbal e para quem cá mora já é uma sorte se conseguir escolher a escola pública onde colocar os seus filhos.

 

Aqueles pais que iam entregar cartas ao primeiro ministro acham que  o estado lhes deve garantir o direito a escolher o tipo de educação que querem para os seus filhos, eu concordo, a eles e a todos nós. O problema é que antes de se chegar a esse ponto, há muitas outras coisas para resolver e garantir. Por exemplo, garantir que há dinheiro para reparar o pavilhão do liceu de Setúbal para que os alunos possam ter todas as aulas de educação física a que tem direito.

 

Em lugar de gastar milhões a financiar escolas privadas de luxo, o estado deve garantir que existam escolas públicas com condições mínimas. Qual é a lógica de se fazerem contratos de associação com escolas privadas em cidades onde há ensino público suficiente?

 

A maneira do estado garantir uma educação pública eficiente e igual para todos não é financiando escolas privadas de luxo, é usando o dinheiro para melhorar o ensino público.

 

Já me esquecia,  evidentemente todo o mundo tem direito a escolher entre as publicas e as privadas, basta que se disponha a pagar, que foi o que eu fiz quando percebi que na pública neste momento não "há" lugar para o meu filho e que a resposta era nas privadas..

 

Jorge Soares

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publicado às 23:29

Conto - O Cavalo que queria ser famoso

por Jorge Soares, em 07.05.16

cavalo.jpg

 Era uma vez um cavalo que vivia em Pádua. Servia como montada de um capitão de soldados do exército de Veneza, porque o que se vai contar passou-se há muitos anos, quando as guerras eram feitas com cavalos e espadas.

 
Certo dia, quando o cavalo estava no tronco para ser ferrado, entrou um ladrão no recinto. O meliante, que vinha armado, levantou um ferro para bater na cabeça do ferrador. O cavalo assustou-se, e, como ainda não estava com as patas presas, pregou um valente coice no assaltante, que foi abater-se contra o muro. O ferrador ficou muito agradecido e disse ao cavalo:
 
— Vou cravar-te, no casco da mão direita, uma ferradura, que me deu um génio, há muitos anos, por serviços prestados. Quando estiveres em perigo, raspa com ela no chão e diz três vezes: Hihihipoho.
 
O cavalo foi-se embora e quase que se esqueceu do assunto, mas um dia, em grande galope numa batalha, tropeçou e estatelou-se com uma pata partida. Lembrou-se logo da ferradura mágica do ferrador; escarvou o chão e disse três vezes “Hihihipoho”. Encontrou-se, de repente, numa clareira duma floresta de carvalhos e viu um génio, que era homem da cintura para cima e cavalo da cintura para baixo, que lhe disse:
 
— Que ajuda precisas, cavalo?
— Parti uma pata e quero que me salves de ser abatido — um cavalo de pata partida já não serve para montada de ninguém.
O génio deu três sacudidelas com a cauda e o cavalo ficou curado.
— Ainda tens dois pedidos — disse o génio esfumando-se. — Usa-os bem!
 
 
 
 
Joaquim Bispo
 
* * *
Imagem: Leonardo da Vinci, Estudo de cavalo, c. 1493–94. Royal Library, Windsor.

 

 

Retirado de Samizdat

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publicado às 21:23

Racista

 

Imagem de aqui

 

Ninguém nasce racista, são os adultos que ensinam isso

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publicado às 22:50

Coisas das que nos devíamos envergonhar

por Jorge Soares, em 01.05.16

lisboa.jpg

 

Imagem do El País

 

Já tinha visto o vídeo no Facebook, hoje ao fim do dia no Jornal  online espanhol El país, encontrei uma  noticia com um titulo sugestivo e que nos devia fazer corar de vergonha, a mim fez: "Lisboa no es ciudad para discapacitados", Lisboa não é cidade para deficientes... é a mais pura verdade, a fotografia acima é por demais esclarecedora.

 

E não, não é só Lisboa, é o país inteiro, português que se preze senta-se ao volante e esquece que existe o resto do mundo, as ruas, as estradas, as auto-estradas, são dele e não há lei ou regra de trânsito que se aplique.

 

Na hora de estacionar o ideal mesmo era conseguir levar o carro até dentro do hall de entrada da casa ou do escritório, como normalmente isso não é possível, deixa-se o mais próximo possível, mesmo que isso implique estacionar em cima do passeio, nas passadeiras, em lugares reservados a deficientes, nas curvas, em qualquer lado.

 

Na maior parte das vezes basta andar mais umas dezenas de metros e há onde estacionar legalmente e sem implicar com o resto do mundo, mas dá muito trabalho, é uma canseira e a malta não está para isso.

 

Como muito bem diz Salvador Mendes no artigo, em Portugal temos as leis mais avançadas do mundo, desde 1998 há uma lei que obriga a que todos os espaços públicos e todas as novas obras tenham condições de acessibilidade, mas não há forma de a fazer cumprir.

 

Para quem tem que se deslocar numa cadeira de rodas, com um carrinho de bebé e até mesmo para o comum mortal que quer andar a pé, qualquer deslocação pelas  ruas das nossas cidade torna-se uma verdadeira gincana. Os passeios estão ocupados pelos carros e muitas vezes por mobiliário urbano mal desenhado e/ou mal colocado... ao peão resta-lhe andar pela rua e muitas vezes tourear os carros.

 

O vídeo criado para a Associação Salvador pretende chamar a atenção para este problema, vejam e reflictam, li algures que 60 % dos portugueses reconhece que costuma ter este tipo de comportamentos na hora de estacionar, devíamos ter vergonha.

 

Da próxima vez que for estacionar lembre-se do Salvador e de todas as pessoas como ele, não acrescente ainda mais dificuldades às que elas já tem.... de certeza que para si andar  mais uns metros e estacionar num lugar que não incomode a ninguém é um problema. E já agora, que tal andar de transportes públicos?

 

 

 "...6 em cada 10 condutores admite que estaciona indevidamente, dificultando a vida de quem tem dificuldade em deslocar-se, bem como estacionam indevidamente nos lugares de deficientes, sendo que na maioria da vezes referem que foi apenas "5 minutos". Fizemos este filme para tentar mudar as mentalidades, de quem acha que 5 minutos não afecta a vida de ninguém..."

Jorge Soares

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publicado às 22:01

Conto - O reverso da crisálida

por Jorge Soares, em 30.04.16

magritte-la-reproduction-interdite.jpg

 

E então um dia a Natureza condoeu-se daquela fraca borboleta.

 

De asas mutiladas por homens repletos de altruísmo, resolveu retornar ao purgatório casulo a fim de tornar-se magra, mas tolerável lagarta. Ainda hoje mastiga, autômata, seu insosso maço de folhas secas.

 

Odiava o modo como meu pai me olhava. Aquele pestanejar de pálpebras e o quase imperceptível balançar de cabeça ― que oscilava entre a compaixão e o desapontamento ― eram o meu regime. Ele me condenava por eu não ter herdado a macheza atávica que me havia sido destinada. Meus gestos tornavam os corredores de nossa casa escorregadios, pegajosos, imundos. Nada que eu fizesse para agradá-lo surtia efeito. Meus irmãos eram os varões. Eu a varíola.

 

Desdenhosos lacaios da aversão que papai me dirigia, os espelhos condenavam meus olhos, o som de minha voz e os pensamentos que eu havia alcunhado secretamente de sombrios. O eu refletido era de um sarcasmo aterrador, ria de mim com uma paixão violenta. Por ser meu oposto, era o desejado filho, aquele que não possuía pensamentos sombrios.

 

Eu sofria. E minha dor era um minotauro que me perseguia por infinitos corredores de dúvida, culpa e negação. Sempre que eu cedia aos meus proibidos impulsos, mais próxima espreitava a fera mitológica. Seu espectro grotesco afugentava os corpos nus e de masculinidade hiperbólica que vagavam por meus deslizes. Na equivocada matemática de meu corpo, cabeça, tronco e membros resultaram em um somatório obtuso. A aritmética de minha identidade adicionou-me, subtraiu-me, multiplicou-me, dividiu-me, potencializou-me e extraiu minhas raízes. E, no final, resultei em um total estéril.

Descobri ainda em minha juventude que eu não era nada. Por isso meu pai quase não me via, e os espelhos tampouco me enxergavam sem desdém.

 

Leprosos, diabéticos, hemofílicos, todos os mazelados despertavam uma mórbida inveja em mim, o anseio de ser um deles. Eu amava os pontos cardeais esculpidos sobre a topografia da dor. A convalescença contínua permite que os doentes sejam tratados com misericórdia. Mas, ninguém cuidaria de mim. Pessoa alguma se apiedaria das pústulas assintomáticas de minha vergonhosa doença, meu desequilíbrio secreto, meu mal sombrio.

 

Quantas tentativas infelizes, tantas investidas em inúmeras religiões. E nenhuma foi capaz de adormecer minhas madrugadas em claro. Eu era a serpente, carregada de peçonha, que secretava muco diante da serena pureza de meus bons pregadores. As orações misturavam-se ao meu execrável orgasmo, e Deus não permitia que eu pensasse em amor.   

 

Prostrado diante da humilhante condição de ser quem ― contra o meu próprio arbítrio ― eu era, resolvi tornar-me outro. Um outro ao qual a óptica paterna pudesse encarar, sem constrangimentos. Um outro que mimetizasse aquele que vivia no interior do espelho.

 

Arquitetei uma nova identidade. Adquiri o método que, biologicamente, não me havia sido transmitido. Não sei bem se resultei em um ser humano feliz. Mas, ora! De que vale a felicidade quando ela chega dentro de uma garrafa, solta no remoinho? A felicidade é privilégio daqueles que não temem as moléstias da alma. Eu temo.

 

Ajoelhada ao meu lado, diante do altar, exibo a mulher que sitiará meus vícios e me parirá filhos saudáveis. Enquanto meu pai me observa com ares de absolvição, sou acometido por um irrefreável pensamento sombrio. Nego-me a abater-me diante dele. Mas, o que importa agora? O pensamento é uma mácula que os olhos não veem. Venci-me. Derrotei-me. Logo estarei casado.

 

Que moço simpático, que rapaz gostoso é esse padre!

 

Troquem-se as alianças. Amém.

 

Emerson Braga

 

retirado de Samizdat

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publicado às 22:20

O racismo não é uma opinião

por Jorge Soares, em 29.04.16

racismo.jpg

 

 

O racismo não é uma opinião

o machismo não é uma opinião

a homofobia não é uma opinião

a xenofobia não é uma opinião

São isso mesmo: racismo, machismo,homofobia,xenofobia.

Isto é para todas as pessoas querespondem nos debates sobre estes temas: "É a minha opinião"

Não, é o teu carácter

Lamentavelmente, é a tua educação e o teu carácter.

Deal with that.

 

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publicado às 21:56

Portugal, um país de parvos costumes!

por Jorge Soares, em 27.04.16

mustafa.png

 

Imagem do DN 

 

De manhã na revista de imprensa da Antena 1, a propósito da capa do Correio da manhã, falava-se de um "Arrastão no centro de Lisboa". Está visto que os jornalistas(??) deste Jornal(??) estão cada vez mais esclarecidos. O suposto arrastão afinal foi um infeliz episódio de violência em que alguém tentou defender o seu trabalho e a sua vida da violência gratuita de um bando de energúmenos.

 

Durante o dia  à medida que iam circulando os vídeos, a internet e as redes sociais por vezes são mesmo úteis, fomos percebendo melhor o que se passou, e segundo o DN o que se passou pode resumir-se assim:

 

"Peguei na faca de cortar kebab (espetada de carne) e tive de me defender. O que mais eu podia fazer? Um deles pegou na pistola ainda dentro do restaurante, outro tinha uma faca."

 

Já fomos um país de brandos costumes, agora somos um país cada vez mais igual a muitos outros, este tipo de coisas não deve acontecer, infelizmente acontece, segundo li alguns dos agressores foram identificados, espero sinceramente que se faça justiça,

 

Mas  há outras coisas que me chamaram a atenção na reportagem do DN, coisas como esta: 

 

"Podem escrever aí que eu desconto para Segurança Social, para tudo, e ainda não tive a autorização de residência do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF)."

 

Somos um país estranho, Mustafa trabalha, tem um negócio próprio, paga impostos, paga a segurança social, cumpre com os seus deveres de cidadão como qualquer outro cidadão, como qualquer outra pessoa tem deveres e pelos vistos cumpre-os, mas isso não lhe dá direitos.

 

Portugal vende vistos sem fazer muitas perguntas a quem tem dinheiro e quer arranjar uma porta de entrada para a Europa e para o ocidente, mas  é incapaz de reconhecer os direitos a quem para cá vem com vontade de trabalhar e de construir coisas.

 

Mustafa é Curdo, tem um restaurante em Lisboa, tem direito a ser agredido por energúmenos, mas não tem direito a um visto de residência para poder trazer a sua família para junto de si,  para o  país que escolheu para poder ter uma vida.

 

Já fomos um país de brandos costumes, agora somos um país de parvos costumes.

 

Jorge Soares

 

 

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publicado às 22:05

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