
Imagem de aqui
Semana passada, ia eu andando pela Avenida Paulista e, como era bom admirar tantos casais imprevisíveis, inter-raciais. Muito japa com preto, coisa rara de se ver no Rio de Janeiro. Entre tanta gente, meu olhar mais se fixava nos gays. Vi uma menina beijando outra, tão meigas, tão doces; sincera a cena me pareceu. É bonito e democrático sentir e compartilhar a presença do amor entre homens e entre mulheres, mãos dadas na urbanidade. Reparo e curto, pois não estou acostumada a ver o homo- amor assim pelas ruas; (será que vão pensar que é um tipo de sabão em pó só para amantes?). Acho que falta esse tipo de amor como romance. Não se vê nas telenovelas uma história normal, um idílio entre iguais em gênero. O amor, para que saibam, não é um privilegio de héteros. Assim fosse, seria proibido com eficiência que se apaixonassem e se queressem. Mas não, o que o famoso senso comum, a moral dominante e as leis conseguiram era impedir a oficialização das uniões, mas não às uniões. Faltam mais filmes no circuito popular, mais circulação de livros sobre o amor entre os do mesmo sexo. Não precisa ser só vídeo de sacanagem e na hora da sacanagem. São histórias de amar como qualquer outra. E o amor é lindo onde estiver. Prefiro milhões de vezes assistir ao lindo segredo de Brokeback Mountain do que ao amor entre uma mocinha boba e um vampiro e suas sangrias. Todo mundo sabe que vampiro não é bom partido para ninguém. Portanto se apaixonar e ter como príncipe aquele que nos chupa o sangue, pode não ser educativo para uma mulher cuja sociedade ainda não admite que o homem não seja seu dono absoluto.
Tenho tantos amigos gays e isso não me incomoda nada. Qual o problema de existir quem se queira e seja do mesmo sexo? Por que isso ameaça tanto? O que realmenta ameaça? Já é hora da civilização, que se acha tão moderninha, se perguntar essas coisas de gente grande. Ter uma conversinha consigo mesmo e parar de dar bandeira, de se tornar tão vulnerável, de se sentir tão ultrajada pelo amor entre iguais. Se eu namorasse alguém assim, homofóbico, obsecado pelo tema, eu ia avaliar com mais profundeza a masculinidade dele. Ninguém faz vestibular para escolher seu objeto de amor. Quando se sabe que se é, já se é há muito tempo.
Conheço mil relatos de meninos que, aos onze ou até antes, se surpreenderam quando perceberam o desejo pelo coleguinha. Criados para casarem com a namoradinha, no horror desta descoberta de ser portador de tão horroroso pecado, os pequenos gays vivem com muito medo desta verdade da qual por não saberem que não é um erro, também não sabem que não são culpados! Na minha infância quando a fofoca do bairro comentava: menina o Zé Maria, virou, né? Minha avó, mesmo sendo católica e apostólica, dizia logo sem surpresa: “ah, isso é mais antigo que Roma!” Pura verdade. Não houve um ano, que eu saiba em que se disse do ADVENTO da homossexualidade. Sempre houve e é dos humanos e alguns outros animais. Sempre houve, só que mais escondido que hoje. Tinham, quando homens, que se casar com uma mulher, desejando o irmão dela. Ou, se mulheres, sonhando com a cunhada. Quando finalmente é permitida aos gays a união oficial e oferecido às escolas um conteúdo de educação de gêneros que não exclua nem discrimine as relações homo-afetivas, estamos falando de Direitos humanos! Se eu preferisse mulheres eu ia andar, mesmo que fosse na Paulista com medo de ser agredida por que estou apaixonada pela minha namorada e o demonstro na rua como fazem os casais onde o amor está vivo e permitido. Por isso é inadmissivel que o Bolsonaro, ocupando um cargo federal, recebendo salário pago pelo povo, traia este povo com tantos absurdos. Bizarras atitudes e palavras o tem exposto aos que ele representa, da pior maneira. Cabe ao parlamentar, é de sua competência, representar o povo, pelo povo e para o povo que o colocou ali através do voto. E se um viado desavisado votou nele? (desculpem, não podia perder a rima e a graça). E ainda que não tenha votado, o que acho difícil, isto não importa. Governa-se para todos. Pra mim é grave o que estamos assistindo. Creiam-me, os que respeitam a liberdade pela qual tantos morreram para conquistar: Quanto mais brancos se posicionarem e não facilitarem a disseminação do racismo, melhor para todos; quanto mais homens contra a violência doméstica, quanto mais héteros se declarando pelos direitos dos gays, mais reforço e credibilidade ganham os temas . Senão, pode parecer papo de gueto. Tanta violência na TV, nos computadores, incitando e ensinando a violência seguida de morte e isso não incomoda tanto quanto o romance entre os homossexuais. Arma de fogo é que não é normal. Há uma flor que se chama Amor dos Homens. Meu coração não suporta guerras. Prefiro a flor e o amor dos homens.
Elisa Lucinda
Retirado de GÊNERO, SEXUALIDADE, EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE
Estava escrito nas estrelas que o protagonista do post de hoje ia ser o Doutor Júlio Machado Vaz, logo pela manhã a conversa com a Inês Meneses no O Amor é na Antena 1, versou sobre a história de um senhor espanhol que encomendou via internet um extensor para o pénis, passados uns 15 dias recebeu pelo correio um embrulho... com uma lupa. Não se pode dizer que tenha sido enganado.... tudo depende da perspectiva e na mão de quem esteja a lupa ![]()
Da parte tarde, via facebook chegou-me a imagem que podemos ver ali em cima.... acho que sobram as palavras... o Murcon, para além de um excelente comunicador, é uma referência na sua área, de certeza que ele sabe do que fala.
Dito isto, eu proponho que a bem da boa saúde de uma parte da população mundial, se decrete que a partir de já, o topless seja obrigatório,... SEMPRE.
E não, não vale argumentar com o frio, que os homens tanto sofremos de doenças cardiacas no verão como no inverno.
Tenho dito
Jorge Soares
Imagem do Público
Este era o post que ia escrever ontem, como a maioria, estou cansado de más noticias, de crise, de políticos, de medidas de austeridade, não é fácil hoje em dia encontrar coisas positivas das que falar ...se já éramos vistos como um povo triste e melancólico, não sei como nos verão agora....
Ontem decidi que não quero fazer parte de tudo isto, não será fácil, mas quero propor-me ainda que seja uma vez por semana falar de algo positivo, de algo bom, de algo que nos distinga como seres humanos, como cidadãos, como país.....
A noticia de hoje diz o seguinte:
E assim de repente ficamos a pensar que apesar de tudo, há esperança...mesmo que pareça que a luz ao fundo do túnel está cada vez mais distante, sabemos que há entre nós gente capaz de fazer as coisas andarem, gente capaz de construir um futuro melhor para este país.... e quero acreditar que haverá muitos mais como estes, quero acreditar que apesar de tudo, algo de bom saiu de tanto que se investiu em educação e formação nos últimos anos... e que um dia, esta gente será capaz de pegar neste país e fazer dele algo muito melhor para nós e os nossos filhos.
Jorge Soares
Anda comigo ver os aviões levantar voo
A rasgar as nuvens
Rasgar o céu
Anda comigo ao porto de leixões ver os navios
a levantar ferro
a rasgar o mar
Um dia eu ganho a lotaria
Ou faço uma magia
(mas que eu morra aqui)
Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti
Anda comigo ver os automóveis à avenida
A rasgar nas curvas
A queimar pneus
Um dia vamos ver os foguetões levantar voo
A rasgar as núvens
A rasgar o céu...
Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
Mas que eu morra que aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à lua
Nem que eu roube a lua,
Só para ti
Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
Mas que eu morra que aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti
Imagem minha do Momentos e olhares
De: professora
Para: Encarregado de educação
Caro encarregado de educação
Informo que o N. teve um comportamento incorrecto hoje na aula de inglês. O aluno esteve a "comer" um chupa às escondidas.
Devo dizer-lhe que fiquei bastante triste com ele, uma vez que ultimamente este estava a passar todos os exercicios para o caderno e a esforçar-se para estar mais concentrado. Porém de vez em quando, tinha que o chamar à atenção. E, numa dessas vezes apercebi-me que o N. tinha um chupa chupa na mão.
Quando lhe perguntei o que estava a fazer ele não negou e respondeu:
- estou a comer um chupa!
Agradeço que converse com o seu educando para que tal não volte a acontecer.
Atentamente, a Professora
Isto foi hoje, é o primeiro escrito na caderneta em muito tempo...e neste momento estou na dúvida, devo falar com o N. e dar-lhe os parabéns porque se está a esforçar verdadeiramente para se portar bem e copiar direitinho os trabalhos para o caderno, coisa que até há pouco tempo era um verdadeiro problema, ou chatear-me e dar-lhe uma reprimenda porque ele vai comer chupas ás escondidas para a sala de aula?
É oficial, o meu filho está a crescer e as coisas vão-se compondo... bom, quase!
(a minha meia laranja já fingiu que lhe dava uma reprimenda)
Jorge Soares
Imagem do Público
Um destes dias alguém colocou no Facebook um vídeo que começava com uma imagem de Pedro Passos Coelho, se não me engano em fundo iam-se escutando frases deste sobre a situação do país e as medidas de austeridade, à medida que se ouviam as frases a imagem ia-se transfigurando até que no fim já se tinha convertido numa fotografia do Salazar. Na altura achei aquilo ridículo, não me parece que exista alguma hipótese de o tempo andar assim tão para trás.... mas ao ler notícias como esta começam a surgir algumas dúvidas sobre onde nos levará o caminho que a politica e este governo nos fazem seguir.
Como ouvinte da Antena 1 sinto-me triste e preocupado, é preocupante sentir que a censura se vai instalando e as vozes criticas vão desaparecendo, gostava sinceramente de saber de onde veio a ordem de acabar com o programa, terá sido do ministério de Miguel Relvas ou da embaixada de Angola?... em qualquer dos casos é preocupante.
“para que serve uma rádio pública e um serviço público?” ... “Para dar voz às pessoas ou para ser a voz do dono?”.»
Raquel Freire na sua última crónica do programa Este tempo da RDP
Ouvir a crónica de Pedro Rosa Mendes
Jorge Soares
Não há subsídios de férias e natal?... não faz mal, a malta inventa um abono suplementar igual ao valor do salário, pago em duas prestações, uma em Junho e outra em Novembro.
O despacho que saiu publicado em Diário da República é assinado não por um mas por dois secretários de estado da área da educação,.... ou seja, o mesmo governo que com uma mão tira ao povo, com a outra dá alegremente aos boys.... é justo.
Entretanto, na última reunião de pais a que fui no ciclo de Setúbal, a directora de turma do meu filho dizia que já não há dinheiro na escola para mandar reparar vidros partidos, os projectores que haviam sido instalados nas salas de aula foram retirados pela empresa que os montou por falta de pagamento, há instruções da direcção da escola para utilizar o mínimo de papel, ali ainda não faltou o papel higiénico, mas já há escolas onde se pede aos alunos que levem rolos de papel de casa....
Quanto papel higiénico se compraria com o valor destes dois subsídios encapotados?..e quantos casos mais como este haverá nos diversos ministérios e secretarias de estado?e quantos vidros se reparariam?
Podemos discutir da justiça e legalidade de se retirar os subsídios aos funcionários públicos, mas não pode o mesmo governo que por decreto rouba dois salários a milhares de pessoas, ser o primeiro a inventar esquemas para contornar as suas próprias medidas... qual é a credibilidade desta gente depois de algo como isto? E porque nos deixamos nós roubar e enganar assim?
Update: Entretanto a consciência de alguém deve ter acordado e o assunto foi corrigido, ver aqui.
Jorge Soares
Este é um prato que tem sido tema de conversa lá no emprego à hora do almoço, um dia a C. chegou com a novidade que tinha estado a desossar um frango para o fazer recheado... ficamos todos a olhar para ela:
- Desossar?, queres dizer tirar os ossos ao frango?
- Sim, tiro os ossos e depois recheio-o.
- Mas tiras os ossos como?, onde é que tu aprendeste a fazer isso?
- No Youtube!!!
Desde esse dia fiquei com a ideia de que tinha que o fazer, aproveitei que a minha meia laranja esteve uma semana em formação na Alemanha, para lhe fazer a surpresa para a sua chegada no Sábado...
Confesso que não estava muito confiante sobre a possibilidade de desossar o frango sem o desfazer, a minha primeira ideia era comprar dois frangos, se o primeiro saísse mal, o segundo de certeza que estaria aproveitável.... terminou por vir só um.... e ainda bem, porque afinal tirar os ossos ao frango é algo relativamente rápido e simples... a parte mais complicada é mesmo no fim da operação pegar na agulha e na linha para coser o corte por onde saíram os ossos... felizmente tive ajuda nessa parte... e ficou perfeito.
Para quem quiser ver como se desossa o frango, está explicado direitinho no youtube, aqui
Mas vamos à receita.
Frango Recheado com courgette, cogumelos e bacon
Ingredientes:
1 Frango
Alhos
Azeite
Ervas aromáticas
Sal
Pimentão
Para o Recheio
1 Cebola
Alhos
Ervas aromáticas
Azeite
1 Courgette
100 Gramas de Cogumelos Frescos
100 Gramas de Bacon em cubos
1 Caldo Knorr
Depois de tirar os ossos ao frango e de este ter sido cosido com a agulha e a linha, untei-o com o azeite, os alhos, as ervas aromáticas e um pouco de pimentão e deixei a marinar de um dia para o outro.
Para preparar o recheio, pique a cebola e os alhos, junte o azeite e o caldo knorr num tacho e deixe alourar. Junte o bacon, a courgette cortada às rodelas, os cogumelos laminados e as ervas aromáticas. Deixe cozinhar durante uns 10 minutos.
Coloque o recheio dentro do frango, encerre a abertura com palitos e leve ao forno durante duas horas a 180 graus.. tenha atenção que poderá ser necessário acrescentar algo de liquido para que não queime, eu acrescentei um copo de vinho branco.
Apesar de a fotografia não ter ficado nada de especial, a verdade é que estava uma verdadeira delicia, a carne super tenra e gostosa, o recheio estava perfeito... de comer e chorar por mais
Jorge Soares

Os três pediram café; um curto, um carioca e um descafeinado. Rodrigo, homem de poucas e sábias palavras, manteve-se calado a maior parte, enquanto os outros dois…
“Quem é o seu melhor amigo?”, Marcos perguntou.
“Você?”
“Quem livra a sua cara de situações embaraçosas, resgata à meia-noite quando o carro pifa, dorme com você em hospitais, paga a sua fiança, se for necessário, vira o seu fiador, seu guarda-costas, seu pára-raio.”
“Você, você, você.”
“Me conhece, quem é o seu amigo mais fiel?”, insistia Marcos.
“Você.”
“O mais contraditório?”
“Você”
“O mais doido, insatisfeito, incoerente?”
“Você”
“E o mais sedutor?”
“Você. Disparado.”
Chega o café e a conta. Marcos oferece pagar. E narra: “Não sou sedutor ortodoxo convicto, nem tenho o dogma como ideal de vida. Passei a praticar depois que a ex me largou. É um comportamento dúbio: querer me vingar, sair com o maior número de mulheres, e ao mesmo tempo sofrer de escassez amorosa. Nasceram rancores, depois de eu ter sido largado por duas mulheres que eu amo. Amava. Aquelas… Agora, procuro em cada mulher um novo atalho, que me tire desse estado.”
“Que estado?”
“De carência induzida. Procuro uma mulher que me faça esquecer. Como não encontro, testo, e me comparam a um galinha. Só existe uma pessoa que pode me salvar.”
“Quem?”
“A tua mulher.”
“A Lúcia? O que tem a Lúcia?”
“Tudo.”
“Tudo o quê?”
“Tenho pensado nela. Eu queria ter algo com ela.”
“Com a Lúcia?!”
“Você é meu amigo, não fique ofendido.”
“Ter o quê?”
“Uma relação.”
“De amor?”
“Sexual. Eu queria ter um caso com a sua mulher.”
Olharam o garçom passar o cartão e retirar o boleto. Olharam a fumaça do café. Como se nela, um futuro possível.
“Eu queria ir pra cama com…”
“Tá, tá, não precisa repetir. E será a única pessoa que pode te tirar do estado de carência?”
“Ah, você concorda com ele”, disse então Rodrigo.
“Cala a boca! Estou chocado.”
“Comigo?”, perguntou Marcos.
“Com a Lúcia. Não imaginava que ela tinha este poder.”
“De despertar desejos? De curar? Não me leve a mal.”
Ele olhou para Rodrigo, que bebericava o seu carioca.
“O que foi?”, perguntou Rodrigo.
“Você ouviu o que ouvi?”
“Lógico.”
“E você não vai falar nada?”
“O que eu posso fazer?”
“Me ajude a esganá-lo!”
“Mas é o seu melhor amigo. Se não rolar sinceridade entre amigos, não é amizade. E, ora, a Lúcia é um mulherão. Dos três, você é o mais sortudo”, disse Rodrigo.
Era o pacto. Dos três, ele era o único casado. E vivia desdenhando a mulher, Lúcia. Reclamava do seu temperamento, seus temperos, suas tendências, suas crenças. Os amigos Marcos e Rodrigo chegaram antes e combinaram. Porque são os seus melhores amigos. Resolveram provocar e demonstrar interesse em Lúcia, para que o amigo parasse de invejar aquela vida de solitários desquitados quarentões amargurados que, acredita, é mais inspiradora do que a sua de casado.
Rodrigo retomou: “Lúcia sempre foi a melhor e é ainda a mulher mais deslumbrante da cidade. Você não sabe o que ela provoca com aquele sorriso? Ela é interessada em tudo, conversa, faz perguntas, fala de assuntos sem o menor constrangimento, tem humor, uns dentes lindos, sabe se vestir com discrição, sabe como andar, os olhos mel que, quando bate sol, ficam verdes, fora aqueles braços com pelinhos loiros, ela é maluquinha…”
“Tá, tá, tá!”
“É uma coisa, mesmo!”, concluiu Marcos.
“Não fala assim!
“Melhores amigos falam tudo.”
Ele se levantou tonto. Nunca imaginara que Marcos comunicasse uma declaração com proposta tão indecente.
“Nem por um milhão de dólares!”, ele disse e saiu fora.
Os amigos enfim riram da provocação:
“Também, não é a Dennie Moore”.
“Nem você o Robert Redford”.
Ele dirigiu a noite toda pela cidade. O celular tocava, ele via, era Lúcia, não atendia. Guiou por todas as ruas da infância e adolescência. Depois, cruzou viadutos com nomes de militares. Passou por floriculturas e joalherias. Até voltar tarde para casa. Bem tarde. De mãos vazias. Entrou na ponta dos pés, como se um ladrão invadisse uma casa desconhecida.
Lúcia dormia. Que lindo. Olhou para a mulher. Encanto. Ela é deslumbrante mesmo. Lembrou-se das afinidades. Tomou um banho sorrindo. Uma coisa. E se enfiou na cama sem acordá-la.
Então, ao invés de abraçá-la com toda a força, virou-se para o lado e começou a tremer de medo. Pânico. Uma mulher daquela, ele não conseguirá segurar, logo o primeiro que usar as palavras certas a levará, os amigos, o chefe, o professor de meditação, um garçom do Ritz, do Spot, do Habib’s, um cineasta pernambucano, o Rodrigo Santoro, o Tato Malzoni, o Quincy Jones! Eu sou um nada e me casei com a mulher mais charmosa, atraente e discreta da cidade, e nem reparava mais em tanto brilho no olhar, nem nos pelinhos loiros, nem no humor, nos dentes, ela se tornara comum, Lúcia, a patroa, a rotina, o estorvo, o entrave de uma vida sexual variada e dinâmica, e não a divindade que inspira poesia em todos os cantos.
Ele se levantou da cama. Olhou para os lados. O pânico se tornou incontrolável, terror. Suava. Falta de ar. Você não a ama mais. E ela o largará logo, porque é muita areia para o seu… Sem acordá-la, abriu as gavetas e começou a fazer as malas. Deixarei o caminho livre, musa! Quando escutou a voz meiga de Lúcia.
“Môr? Que tá fazendo?”
“Desculpe. É inevitável. Não adianta me impedir. Cedo ou tarde…”
Marcelo Rubens Paiva
retirado de Pequenas neuroses contemporâneas

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Assim de repente, o homem é um gastador... era bom que aprendesse a ser mais poupadinho, não?
Num país em que a grande maioria dos pensionistas recebe pouco mais que o salário mínimo, estas declarações só podem ser a gozar com quem tem que sobreviver a vida toda com salários e reformas de miséria.
Há que referir que para além dos 1300 Euros, o senhor acumula com a reforma de politico que anda pelos 10000 Euros por mês...
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Jerusalém
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. Lazer