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Adopção em portugal

Imagem retirada da internet

 

"Porque é que alguém que mora em Oeiras, se mora do lado da rua que pertence ao conselho de  Oeiras tem que esperar em média 7 anos para que lhe seja atribuída uma criança, mas se viver do lado da rua que está no concelho de Lisboa tem que esperar só um ou dois anos para uma criança com as mesmas características?"

 

Esta pergunta foi feita já ao final do dia por um dos assistentes sociais que faz parte das equipas de adopção de Lisboa e que na passada Segunda feira estava, tal como eu, a participar no Encontro nacional de Adopção que aconteceu em Lisboa.

 

É uma pergunta pertinente, estou inscrito como candidato à adopção vai fazer um ano e meio, desde então já soube de pelo menos dois casais que se inscreveram depois de mim e que receberam uma criança com as características que nós colocamos, ambos os casos em Lisboa. Como se explica isto?

 

Quem assistiu ao encontro na segunda feira consegue perceber, a verdade é que cada serviço de adopção trabalha para si e nas costas dos restantes. Existe um manual de procedimentos que supostamente é seguido, mas que depois cada um adapta à sua maneira e da forma que entende. E isto é válido para todo o processo, desde a forma como se avalia até à forma como se atribuem as crianças. 

 

É claro que isto cria enormes assimetrias, se em Lisboa há muitas crianças, há distritos onde há muito poucas, e os candidatos desses distritos tem que esperar muitos anos, mesmo quando no distrito ao lado há crianças para as que supostamente não há pais.

 

Evidentemente a pergunta com que inicio o post ficou sem resposta, a verdade é que cada serviço de adopção olha para o seu quintal, as suas crianças,  os seus candidatos e é incapaz de fazer um esforço por olhar para o lado, para ver se no quintal do lado há uns pais para aquela criança que está à espera há anos, ou uma criança para aqueles pais que desesperam há anos.

 

A sensação com que fiquei ao fim do dia na passada segunda feira, é que por muita vontade que se tenha, por muitas ideias, por muitos sonhos, a segurança social é uma montanha enorme, há muita gente, muitos quintais, e por muito que se olhe para os problemas, não há na montanha quem tenha vontade de a mover.

 

Dizem que a fé move montanhas, infelizmente neste caso não me parece que exista fé que faça mudar o que quer que seja.. a segurança social, as muitas equipas de adopção são uma montanha grande demais e nem toda a fé do mundo irá mudar esta montanha.

 

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:42

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11 comentários

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De xana a 29.10.2009 às 22:59

Oh Jorge, isso de quintal do lado tem que se lhe diga... como sabes, hoje em dia, é usual colocarem-se cercas bem altas para a vedação do quintal, para ninguém ver o que vai lá dentro... e a segurança social faz o mesmo, cada um põe a cerca do seu quintal à altura que melhor lhe convém... e como tem uma vedação alta no quintal, também não se dão ao trabalho de perceber o que se passa no quintal dos vizinhos, ainda que ouçam a mulher espancar o marido, os filhos, o cão, as visitas, o padeiro, nem que o vizinho mate dia-sim, dia-não um um pedinte (sem ofensa), ninguém se rala com o que se passa no quintal do vizinho... nem sem a dita cerca bem alta... é igual á regulação da partilha da educação das crianças quando há separação dos pais, são sempre os miúdos que sofrem. Todos zaragatam entre si, ofendem-se, usam os filhos como arma de arremesso, para se magoarem uns aos outros e esquecem-se de quem mais interessa, que é a crinaça. Ainda há quem me pergunte se eu um dia não opto por ficar grávida, ser mãe independente... ao que respondo: _ Não, eu não sou egoísta, e jamais usaria uma criança apenas para satisfazer um desejo meu.
Há coisas que nunca terão resposta certa e a adopção de crianças é uma delas...
bjks
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De Maria João a 30.10.2009 às 02:26

Nós vamos derrubar a montanha!
Nós vamos conseguir erguer um Portugal novo em matéria de adopção!
Nós vamos lutar pelo sonho de milhares de crianças!
Nós vamos lutar pela justiça de quem é candidato!
Nós vamos lutar pela liberdade de pensamento e de sentimento num processo de adopção!
Nós vamos lutar para que muitas crianças encontrem a sua família no estrangeiro quando em Portugal se esgotaram as hipóteses!
Nós vamos lutar até ao fim...nós vamos lutar até que a alma nos doa...nós vamos lutar por um Mundo mais justo, mais fraterno e mais respeitador pelo ser mais vulnerável que existe : a criança. E essa nossa luta começa aqui, em Portugal, começa aqui, connosco, todos os dias. Começa aqui e agora, ou melhor, já começou...
Uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo! Cada criança no Mundo é única e irrepetível e por cada uma delas nós vamo-nos dar de alma e coração a esta luta.
Vamos esquecer as caras, os nomes e o que representam. Vamos investir na mudança da estrutura.
"Quem luta pode ganhar mas quem não luta já perdeu"!

Um grande beijinho na noite de hoje para ti.

Maria João
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De Cristina a 30.10.2009 às 14:10

Maria João,

"Quem luta pode ganhar mas quem não luta já perdeu"!
Às vezes precisamos mesmo de ouvir estas coisas. Já estou tão cansada que se não fosse pela Pat já teria deixado de lutar.

Bjs,
Cristina
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De Jorge Soares a 30.10.2009 às 21:58

Acredito João, enquanto restarem pessoas como tu, há esperança, mas olha que depois de assistir a tudo o que ali foi dito.... é preciso um esforço enorme para não baixar os braços

Beijinho amiga
Jorge
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De Jorge Soares a 30.10.2009 às 21:56

Olá Xana

Pois, parece que é o reflexo da sociedade em que vivemos.... felizmente restam pessoas como a Maria João...

Beijinho e bom fim de semana
Jorge
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De Pedro Oliveira a 30.10.2009 às 08:54

Em Portugal e mais em concreto tudo o que seja serviços, nada é uniformizado, num concelho a mesma licença demora dias no outro ao lado meses e assim por diante.Com tantos quintais e quintinhas como é que a nossa agricultura é tão mal tratada?...
abraço Jorge
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De Jorge Soares a 30.10.2009 às 22:00

Pedro.. porque estamos preocupados em construir cercas em lugar de preparar a terra....

Abraço e bom fim de semana
Jorge
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De Teresa a 30.10.2009 às 19:48

Infelizmente é mais uma nódoa a somar a tantas outras do nosso País, já nem me surpreende muito...choca-me como sempre!

"Não gostei" de sentir as tuas palavras, pareces conformado, quase derrotado e esse não é o Jorge que conheço...mesmo que saibamos que não vamos mudar as coisas, porque sozinhos é quase impossível, gosto de pessoas como tu que não se conformam e lutam sempre.

Beijinhos***
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De Jorge Soares a 30.10.2009 às 22:02

Olá

Pois, foi mais ou menos assim que sai de lá, a sentir-me derrotado.

Mas isto passa, até porque estão na forja ideias e projectos...trabalho em prol da mudança das coisas...

Beijinho e bom fim de semana
Jorge
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De Martense a 05.11.2009 às 00:08

Ó Jorge então? Não pareces mesmo tu...
Se até tu desmoralizas onde vamos parar?
O que vale é que a Maria João ainda anda com forças :)
No que eu puder ajudar contem comigo.
Não vamos conseguir mudar tudo, mas algo acredito que conseguimos mudar. Não vai ser fácil mas não vamos desistir.
Força. Um abraço.
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De Jorge Soares a 06.11.2009 às 00:02

Olá Marta

Há dias assim, eu sei que não podemos baixar os braços... mas aquela conversa toda deixou-me de rastos.

beijinho
Jorge

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