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Adopção:Desfazendo mitos 2

por Jorge Soares, em 31.10.08

 

cRIANÇA
 
Uma das questões que me colocam muitas vezes, e que já vi colocada por alguém que já tinha sido aprovado para adopção, é a questão da entrega da criança. A maioria das pessoas acha que um processo de adopção é muito demorado devido às burocracias, na verdade actualmente a maioria dos processos fica concluído dentro do prazo legal de seis meses.  Como já disse aqui, o que faz demorar os processos de adopção é o facto de haver muito mais candidatos para adoptar que crianças em condição de ser adoptadas.
 
Muita gente tem a imagem das crianças que estão num centro de acolhimento, o mito dos coitadinhos sem família, à espera que chegue alguém e os escolha, na realidade isso não acontece, ninguém vai escolher uma criança, as crianças não são mercadorias que estão em exposição.  
 
Quando nos candidatamos colocamos alguns limites: sexo, idade, raça, doenças, quando aparece uma criança que está dentro destes limites, a segurança social fala dessa criança aos candidatos e estes só a conhecem fisicamente após a terem aceite. A forma como é feita a entrega varia de caso para caso, em alguns casos existe um período de alguns dias até que a criança vai viver definitivamente com os pais, noutros nem isso.
 
No nosso primeiro processo ligaram-nos numa terça feira a dizer que queriam falar connosco, vieram cá a casa, falaram do N., após dizermos que sim que o aceitávamos, mostraram-nos uma fotografia e perguntaram se o podiam ir buscar, sem preparação, sem nada, se quiséssemos ficava já connosco.  
 
Como vêem, não há escolhas, estamos a falar de crianças, não de carros, de roupa ou de algo que esteja em exposição,
 
Esta semana soube que entregaram uma criança que estava há três anos à espera de uns pais a uma família que estava há quase três anos à espera de um filho, há algo de muito errado nisto tudo, porquê é que a criança teve que esperar 3 anos se aqueles pais já lá estavam? E como aqueles muitos outros. Para que serve uma base de dados nacional? ela existe mesmo?
 
Jorge
PS:imagem retirada da internet

 

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publicado às 21:36

O Tintin do ridículo

por Jorge Soares, em 30.10.08

 

O nosso primeiro ministro está na cimeira ibero-americana em El Salvador, numa cimeira internacional e principalmente em época de crise, quais os assuntos que esperamos ver tratados? Estratégias concertadas para combater a crise financeira?, possíveis soluções para combater a falta de liquidez dos bancos, a busca de soluções energéticas que nos deixem mais próximas de atingir os objectivos de Quioto? Nada disso, a grande noticia do dia, a abertura dos telejornais,  foi o anuncio publicitário em horário nobre ao famoso Magalhães....aquilo não era um anuncio publicitário?

 

O nosso primeiro ministro gastou mais de 5 minutos a fazer marketing ao Magalhães, segundo ele, o Tintin dos computadores...... se fosse paga quanto custaria esta campanha de marketing internacional?.... é ideia minha ou estamos a cair no ridículo? Sobretudo porque na escola dos meus filhos ninguém faz a mínima ideia de quando ou como chegará o bendito computador.... e que eu saiba, a situação é muito parecida na maioria das escolas de Setúbal... mas houve magalhães para distribuir pelos participantes na cimeira.

 

Estive a dar uma olhadela pelos jornais online... e não encontrei mais nenhuma noticia sobre a cimeira.... além de marketing, serve para quê?

 

Ridículo!

 

Jorge

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publicado às 21:45

O que são diferenças culturais?

por Jorge Soares, em 28.10.08

Crianças

 

No outro dia e a propósito de adopção de crianças de outras raças, num comentário a este post de O Perfume das palavras, dizia a Paola o seguinte:


"Não me considero racista, mas se fosse confrontada com a possibilidade de adoptar uma criança de uma outra de outra latitude, duvido que não optasse pela minha. Não pela cor da pele ou pelo formato dos olhos... Não é só isso que conta. Há valores culturais diferentes, que eu muito respeito, mas que não são os meus... nem os da criança em causa." 

 

O argumento das diferenças culturais é utilizado muitas vezes como desculpa para a definição de critérios de adopção, sobretudo por aqueles que só querem bebés brancos. A mim este argumento faz-me muita confusão, não consigo perceber como é que as definições culturais vem com a cor da pele ou com o formato dos olhos, a cultura é aquilo que transmitimos aos nossos filhos, nem mais nem menos.

 

Eu fui emigrante, vivi 10 anos na Venezuela, lembro-me de estar no liceu publico e ter colegas Colombianos, Chilenos, Espanhóis, Chineses, Libaneses, Judeus, Italianos, Bolivianos, etc,etc. A Venezuela é um pais de emigrantes, todos nos dávamos lindamente, os meus melhores amigos sempre foram negros ou mulatos e nunca ouvi falar de diferenças culturais. Só ouvi falar de cultura africana quando cheguei a Portugal.

 

Como dizia na minha resposta à Paola, o meu filho é mulato, nasceu em Lisboa e por aquilo que sei de pais que nasceram cá, está connosco desde que tem um ano de idade, alguém me quer explicar porque é que vai ter uma cultura diferente da irmã que é branca? O que é que faz dele um africano?, a cor da pele? e eu tenho que o educar com uma cultura diferente da irmã?

 

Do meu ponto de vista a história das diferenças de cultura é algo importado da sociedade americana, da sua mania do politicamente correcto e do segregacionismo que a caracteriza. Serve para criar guetos, para colocar carimbos nas pessoas e para estabelecer diferenças onde elas não existem mais que na cor da pele.

 

Li algures que a sociedade americana tende a ser como a brasileira, com o tempo todos serão mulatos..espero que não demore muito e que também copiemos isso.

 

Jorge

PS:Imagem retirada da internet

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publicado às 21:41

As memórias do meu avô ferreiro

por Jorge Soares, em 27.10.08

Ferreiro

 

 

Parece que o post de ontem deixou muita gente a salivar por morangos, como dizia a Mieepe, falta muito para a primavera, e para os morangos, mas eu vou continuar com as minhas memórias...e com a casa dos meus avós.

 

Por debaixo do quarto onde nasci ficava a oficina do meu avô, uma forja, uma bigorna, muitos martelos, barras de aço e uma pia com água onde era arrefecido o ferro incandescente. O meu avô era ferreiro. Não sei se alguma vez terá feito ferraduras, imagino que sim, mas não foi no meu tempo. Lembro-me sim de que fazia foucinhas, podões, machados, e que reparava enxadas partidas, forquilhas sem dentes e  panelas de ferro. Aquelas panelas de três pés que vemos nos desenhos animados e nos filmes, o meu avô reparava-as.

 

A oficina era um lugar luminoso, tinha uma janela enorme, e lembro-me de ir lá muitas vezes, o meu avô deixava-me dar ar à forja, eu pegava nas duas pontas de madeira, apertava com força e ficava feliz por ver a chama subir e os carvões ficarem vermelhos incandescentes. O metal era colocado ao fogo até que ficava num vermelho vivo, colocado sobre a bigorna e martelado, de novo colocado no calor da forja e de novo martelado,até que ganhava a forma desejada.

 

Tenho a certeza que se procurar bem, em casa dos meus pais ainda há alguma foucinha com a marca do meu avô, e que o podão que me deixou a cicatriz na mão há trinta anos atrás e que continua a servir para cortar a lenha para a lareira, tem essa marca.

 

O tempo passa e com as pessoas morrem as profissões, ferreiros, carvoeiros, tanoeiros, barqueiros, amoladores, aguadeiros, cesteiros, moleiros, sapateiros, cantoneiros, caldeireiros, cadeireiros,.... são tudo profissões que já existiram, que foram úteis, e que morreram. O meu pai é mecânico...será que os meus netos vão saber o que era um mecânico?

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

PS2:Tudo isto vem a propósito deste post da Perfume e do seu avô carvoeiro.

 

 

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publicado às 22:13

Memórias de morangos

por Jorge Soares, em 26.10.08

Morangos Silvestres

 

Imagem de aqui

 

Estes dias dei por mim a pensar que os meus filhos nunca viram um morango silvestre, na verdade eu também não me lembro de quando vi ou provei o ultimo, mas é um daqueles sabores que nos ficam na memória. Doces e a saber a morango, porque para mim o sabor a morango é aquele, podem-me trazer os melhores morangos de Palmela, ou do Algarve, a mim não me sabem a morango... porque na realidade não sabem a morango.

 

Acho que é a minha primeira memória de infância, devia ter 4 anos, antes disso não me lembro de nada, sei que era o dia da festa,  a Senhora da Piedade, devia ser a manhã de Domingo, eu e o meu pai saímos da casa da minha avó pelas traseiras e fomos calcorreando os terrenos agrícolas das redondezas. Íamos andando e colhendo os morangos dos combros e das bermas dos regos da rega comunitária. O meu pai conhecia todos os recantos e os locais dos melhores morangos. Os morangueiros desenvolvem uns fios compridos que saem da pequena planta e que com o tempo servem para que se desenvolva uma nova planta na outra extremidade. A meio do passeio já eu fazia colares de morangos maduros com os fios, escolhia os mais vermelhos, maduros mas não muito para que não se desfizessem e fazia colares com morangos a fazer de contas.

 

Demos a volta ao lugar, passamos pela pequena capela enfeitada para a festa, as pessoas cobiçavam os meus colares de morangos doces e maduros, mas eu não dei, aqueles eram para a minha mãe.

 

Não tenho muitas recordações de coisas que fiz com o meu pai, mas esta perdurou, talvez por ser  a primeira.... os morangos eram doces.... a minha relação com o meu pai nunca foi muito doce... até hoje.

 

Falta muito para a Primavera?..... Está na altura de que os meus filhos conheçam os verdadeiros morangos..e a pequena capela de Nespereira de Cima.

 

Jorge

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publicado às 20:47

É que uma vida demora, senhor padre.

por Jorge Soares, em 25.10.08

 

Desculpa, senhor padre, não estou a joelhar direito, é a minha perna, o senhor sabe: ela não encosta bem junto com o corpo, esta perna magrinha que uso na esquerda.


Venho confessar pecados de muito tempo, sangue pisado na minha alma, tenho medo só de lembrar. Faz favor, senhor padre, me escuta devagar, tenha paciência. Esta é uma história comprida. Como eu sempre digo, carreiro de formiga nunca termina perto.


O senhor talvez não conhece mas esta vila já beneficiou de outra vida. Houve os tempos em que chegava gente de muito fora. O mundo está cheio de paises, a maior parte deles estrangeiros. Já encheram os céus de bandeiras, nem eu sei como os anjos podem circular sem chocarem-se nos panos. Como diz? Entrar direito na história? Sim, entro. Mas não esqueça: eu pedi já um muitozito do seu tempo. É que uma vida demora, senhor padre.

 

Mia Couto in Cada homem é uma raça

Jorge

PS:imagem retirada da internet

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publicado às 21:39

Nada como a vida para percebermos o mundo!

por Jorge Soares, em 22.10.08

Manos

 

Por vezes dou por mim a ser realista, o post da ultima segunda feira descambou, eu tinha pensado falar sobre a escolha de crianças e o racismo, mas não era naquele post, estava à espera de comentários, mas não exactamente aqueles...

 

A realidade é que a grande maioria das pessoas que pensa em adoptar quer uma criança branca,  já discuti mais que uma vez este assunto com grupos de pessoas que são ou foram candidatos à adopção, já ouvi as motivações de muita gente, e estando de acordo ou não, a verdade é que cada um sabe de si..... mas se não é racismo é hipocrisia!

 

Há pouco ouvi uma história que me deixou chocado, na realidade é mais uma, porque já ouvi muitas, mas esta deixou-me mesmo chocado. Não sei muitos detalhes, mas atendendo a que já ando nisto há muito tempo, acho que seria capaz de escrever a historia... que reza mais ou menos assim:

 

Aquele casal era como muitos outros, sonhavam ter um filho, como a natureza não ajudou, decidiram seguir o longo caminho da adopção, como tantos outros tiveram que preencher papeis e fazer escolhas, a escolha deles ia para um bebe, o mais novo possível e claro, branco, como eles. Esperaram muito tempo, talvez anos, mas eles queriam um bebé. Um dia o telefone tocou, o bebe que eles queriam tinha aparecido, estava algures num centro de acolhimento. Imagino que ficaram felizes, o tempo de espera compensava, mas o bebe deles, estava lá.

 

Imagino a assistente social a apresentar o caso, sim, era um bebe de meses, e sim, era branco, eles aceitaram prontamente e foram lá, para o ir buscar. Chegados ao sitio a conversa terá sido assim:

 

-O vosso menino é este, é lindo não é?

- ......

- Ele é um menino querido e é muito lindo!

-Eu não o quero - diz a senhora!

-Não o quer?, mas tínhamos falado e vocês aceitaram!

-Não, eu não o quero.

-Mas porquê?

-Olhe para o nariz dele!

-O que é que tem?

-Tem traços de raça negra, eu não o quero!

-Mas, o miúdo é branco, e é um bebe lindo!

-Não, de certeza que ele tem antepassados negros, olhe para o nariz!

 

Acreditem ou não, esta é uma história real!

 

Agora digam-me,  o que chamariam a esta senhora?

 

Jorge

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publicado às 22:40

Livro:Em busca do carneiro selvagem

por Jorge Soares, em 21.10.08

O carneiro selvagem

 

"Sonhei com uma vaca leiteira. Um animal simpático e dócil entre os da sua espécie, do género que devia ter passado o seu mau bocado nesta vida. Cruzei-me com ela ao atravessar uma ponte. Estávamos na Primavera, numa altura em que começava a cair a tarde. A vaca carregava uma velha ventoinha eléctrica numa das patas dianteiras, e propôs-se  vender-ma por um bom preço. Ao que eu respondi: <<Não tenho dinheiro>> E de facto não era mentira nenhuma. << Se quiseres posso trocar a ventoinha por um alicate>>, propôs-me então a vaca. Até que não era mau negócio...." Página 86.

 
Li este livro de seguida no Hospital, comecei por volta das 4 da tarde e terminei no dia seguinte às 10 da manhã, com pausa para dormir e para não incomodar os vizinhos.  É um livro estranho....., morte, vida, sonho, sexo, amor, traição, gatos, mar, cabana, mistério, obsessão, rotinas...   a estranha história do carneiro com a mancha nas costas, dá para muitos temas e para muito livro.
 
Todos temos algo dentro de nós que não queremos perder, algo que por vezes perseguimos porque faz parte dos nossos sonhos, ou guardamos porque faz parte dos nossos segredos... todos temos um carneiro selvagem que até certo ponto nos controla, algo que queremos adquirir ou que não queremos perder.
 
Não tinha lido nada deste autor, pareceu-me um bom livro e fácil de ler,  tinha alguma curiosidade devido à nacionalidade do Haruki Murakami, a cultura japonesa é muito diferente da nossa, mas no livro há muito pouco dessa cultura, é um livro totalmente ocidental.... bem escrito.
 
Jorge
 
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publicado às 22:15

Somos hipócritas ou sou eu que sou desnaturado?

por Jorge Soares, em 20.10.08

Hipócrita

 

Na passada semana tive duas conversas com uma amiga que me deixaram a pensar em algumas das características actuais da nossa sociedade, das duas vezes ficou claro que temos visões diferentes para este assunto, o tema é até que ponto a opinião dos nossos pais e família devem ou não influenciar algumas das nossas decisões mais intimas.

 

Na primeira conversa o tema versava  o facto de a grande maioria dos candidatos à adopção quererem exclusivamente crianças de raça branca, e na maior parte dos casos utilizarem as reticências da família como desculpa, ou seja "Eu não sou racista, os meus pais é que são". Na segunda conversa falávamos de uma senhora que vivia com um senhor mais velho e que decidiu terminar com a relação porque os pais não aprovavam o companheiro que ela tinha escolhido para a sua vida.

 

A minha amiga acha que a opinião da família é importante, mesmo quando já temos quase 40 anos, continuamos a pedir opiniões e a fazer o que eles decidem, já seja quando falamos dos nosso filhos ou da pessoa que supostamente tínhamos escolhido para a nossa vida. É evidente que respeito as opiniões de todo o mundo, mas tenho outra opinião.

 

Para mim as pessoas não assumem aquilo que são, e utilizam os pais como desculpa, é claro que a  família pode ter opinião, mas que sentido faz ir perguntar aos meus pais sobre os filhos que vou adoptar? Ou sobre a pessoa que escolhi para partilhar a minha vida? É mais fácil culpar outros que assumir os nosso defeitos, ou que afinal não amávamos assim tanto alguém.

 

Da ultima vez que tive a discussão da escolha das crianças esta terminou quando eu disse que se os meus pais não gostassem dos meus filhos, tinha muita pena, mas eles estão criados e os meus filhos precisam de todo o amor e carinho que lhes possa dar.

 

Vivemos num mundo hipócrita em que ninguém assume dos seus erros e defeitos ou sou eu que sou mesmo desnaturado?

 

Jorge

PS:Imagem retirada da internet

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publicado às 21:28

Adopção:Desfazendo mitos I

por Jorge Soares, em 19.10.08

Adopção de crianças

 

Existem em Portugal uma serie de mitos relacionados com a adopção, sinto isso cada vez que falo com alguém sobre o assunto, cada vez que recebo um mail de alguém e mesmo de muitos dos comentários que me deixam aqui ou no nos adoptamos, o mais incrível é que mesmo muitas das pessoas que passam pelo processo de avaliação continuam a acreditar nesses mitos.... e a alimentá-los.

 

No outro dia recebi um mail de uns alunos de uma escola secundária do Porto a pedir ajuda para um trabalho sobre adopção, após uma troca de mails sobre a minha disponibilidade para os ajudar, enviaram-me uma serie de perguntas que eu tentei responder o melhor que sabia. A maior parte dessas perguntas reflecte isso mesmo, os mitos, aquilo que as pessoas acham sobre a adopção e os processos de adopção e que não tem nada a ver com a realidade. 

 

Eu não gosto de posts largos e o tema os mitos da adopção em Portugal  dá pano para muitas mangas, pelo que o assunto será tratado em vários posts, vamos lá à primeira pergunta:

 

1 - Porquê que há tantas crianças para adoptar?

 

Na verdade não há muitas crianças para adoptar, há poucas, durante o ano de 2007 foram adoptadas em Portugal pouco mais de 500 crianças, o numero de crianças em condição de ser adoptada anda à volta disto, 500 crianças por ano. Existem em Portugal mais de 11000 crianças em instituições, mas estas crianças não são para adopção, uma criança só vai para adopção quando o seu projecto de vida é definido para isso, e isto só acontece quando a família ou família alargada (avós, primos, tios) passa mais de seis meses sem aparecer na instituição ou mostrar interesse pela criança.

 

Reparem bem, basta que alguém faça um telefonema para a instituição cada seis meses para que a criança passe a vida inteira sem uma família. A ideia de que existem muitas crianças para adoptar é errada. Na verdade existem muitos mais candidatos, mais  de 3000, que crianças.

 

O principal motivo para que as pessoas tenham que esperar anos até poderem ter um filho, é porque na realidade não há crianças para adoptar, isso e o facto de 90% dos candidatos quererem crianças brancas até três anos de idade. Também é verdade que existem algumas crianças que estão em condições de serem adoptadas e não há candidatos para elas, principalmente quando se trata de dois ou mais irmãos e de crianças com mais de 7 anos, mas são uma pequena minoria.

 

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

 

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publicado às 22:04

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