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Há anuncios fantásticos

por Jorge Soares, em 27.02.09

Hoje não há palavras.... encontrei este vídeo no Cocó na Fralda.

 

 

 

Hola Aitana, me llamo Josep Mascaró y tengo 102 años. Soy un suertudo. Suerte por haber nacido, como tú. Por poder abrazar a mi mujer. Por haber conocido a mis amigos. Por haberme despedido de ellos. Por seguir aquí.

Te preguntarás cuál es la razón de venir a concerte hoy, es que muchos te dirán que a quién se le ocurre llegar en los tiempos que corren, que hay crisis que no se puede… Ja! esto te hará fuerte. Yo viví momentos peores que este, pero al final, de lo único que te vas a acordar es de las cosas buenas.

No te entretengas en tonterias que las hay,  y vete a buscar lo que te haga feliz que el tiempo corre muy deprisa. He vivido 102 años y te aseguro que lo único que no te va a gustar de la vida es que te va a parecer demasiado corta. Estás aquí para ser feliz”.

 

Palavras?.. para quê?

 

Obrigado Sónia

Bom fim de semana

Jorge

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publicado às 22:52

 
Educação sexual
Retirada de: aqui
 
Era hoje que eu ia mesmo falar sobre o Chavez... juro.... mas estava eu em casa a colocar o post do Momentos e olhares quando aparece uma amiga..e a conversa foi mais ou menos assim:  
 
Amiga says:
ainda não foste "banido"?
Jorge says:
Olá
Jorge says:
acho que não
Amiga. says:
eu nunca mais lá entro...
mas confesso que fui ver se ainda lá estava  
Jorge says:
ainda ninguém se queixou
Amiga. says:
são uns meldricas
têm medo de ti
Jorge says:
lá agora
se eu não faço mal a uma mosca!
Amiga says:
que ninguém nos oiça...
se fosses a uma feira e visses a foto
passavas para a barraca do lado
para a tua   não te fazer perguntas em voz alta
sobre que bichofeio era aquele? ahahahahah
Jorge says:
não sei...
mas não armava um escandalo para retirarem aquilo
nem chamava a policia
......
Amiga. says:
a verdade é que nos dedicamos a falar sobre a censura, mas não sobre como reagimos à imagem quando acompanhados por crianças
 
Não sei se perceberam, mas a conversa versava sobre a imagem que encabeçava o post de ontem... 
 
Depois da conversa e enquanto fazia o jantar...fiquei a pensar no assunto... voltando ainda às minhas memórias sobre o Império dos Sentidos e todo o barulho que se armou à sua volta, recordo que o que mais me chocou na altura, foi a quantidade de pais que para além de não terem tido autoridade para impedir que os filhos vissem o filme, confessavam que não sabiam abordar o assunto com eles...
 
A minha filha de vez em quando lê o blog... não seria nada estranho que chegasse cá e deparasse com a fotografia... o que não me impede de a colocar.... se e quando ela a vir, sei que estarei cá para falar com ela e esclarecer o assunto, assim como no outro dia a esclarecemos sobre a virgindade ou sobre a adopção, ou sobre as muitas coisas que ela pergunta... que bem curiosa que é a miúda. Eu não tenho dúvidas, não, não fugiria para o corredor do lado para que eles não vissem o livro... para que fugir da vida?...e é melhor que eles aprendam essas coisas comigo que sozinhas ou com amigos.
 
Hoje debatia-se na SIC a educação sexual nas escolas sim ou não, não vi o programa com atenção, mas deu para ver que na generalidade, a maioria das pessoas são pelo não....são contra as aulas de educação sexual na escola.
 
Eu não consigo perceber, as pessoas são incapazes de tratar o assunto com os filhos, deixam que estes aprendam por si mesmos e muitas vezes da pior maneira...mas depois são contra a educação sexual na escola...... e com argumentos de bradar aos céus....
 
Portanto, amiga, não, se eu tivesse ido à feira em Braga, eu não iria para outro corredor... mas deixo a pergunta aos leitores, vocês mudariam de corredor ou esclareciam os vossos filhos? 
 
Jorge
 
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publicado às 21:24

Pornografia ou arte?

Imagem retirada do Publico

 

Há muito que não ouvia tantas vezes a palavra censura em tão pouco tempo, primeiro foi o caso do Magalhães no carnaval de Torres Vedras de que falei neste post, agora foi o caso do livro com capa de Fotografia Pornográfica que afinal era obra de arte pendurada em Paris.

 

Para além da pretensa censura rapidamente corrigida, há em ambos os casos algo em comum, uma denuncia de cidadãos anónimos que ficaram escandalizados com o que viam. 

 

Tudo isto fez-me voltar muito tempo atrás, estávamos em 1991, e na RTP passou o filme O Império dos sentidos. Na altura o filme caiu como uma bomba  na pacata sociedade Portuguesa. Durante semanas não se falou de outra coisa, lembro-me de um exemplar da revista do Expresso em que vinha uma reportagem sobre o assunto. Entrevistaram um casal que tinha dois filhos com idades por volta dos 10 anos que viram o filme. Evidentemente os  pais estavam escandalizados com o facto de a RTP ter passado o filme.. Porque deixaram os filhos ver?... eles tentaram que as crianças não vissem, mas não os tinham conseguido impedir. Toda a reportagem era assim..de morrer a rir... ou a chorar.

O Império dos sentidos

No meio de todo o barulho que se gerou a seguir, o que mais chamou a atenção foi a frase do arcebispo de Braga... que viu o filme sim senhor e que disse:

 

"Aprendi mais em 10 minutos que na vida inteira" 

 

Coincidência ou não, é de Braga que se fala hoje

 

Mas tudo isto  foi em 1991, já nessa altura eu, recém chegado a Portugal, achei toda a conversa ridícula, e indiciadora de um falso moralismo de bradar aos céus... entretanto passaram 18 anos..... e parece que muito pouco se alterou neste país.  Alguém passa por um carro alegórico com umas fotografias minúsculas e acha que podem ofender as criancinhas, alguém passa por uma feira do livro, olha para a capa de um livro e acha que as criancinhas podem ficar escandalizadas com a  fotografia....Depois a explicação da policia é ainda mais caricata, levaram os livros porque temiam que as coisas fossem a mais.... temiam o quê? que alguém queimasse os livros ou que os pais não conseguissem explicar aos filhos o que era aquilo?

 

Desengane-se quem acha que isto é censura ou o regresso da PIDE... isto é a falsa moral e os famosos bons costumes a vir ao de cima... como dizia a Nave nos comentários ao outro post, somos um país de cromos ignorantes...e tudo isto só pode ser para rir... 

 

Por certo, o Império dos Sentidos é uma seca do principio ao fim... mas se estiverem interessados, podem dar uma olhadela aqui:http://www.youtube.com/watch?v=bk_aOjfkCrY

 

Jorge

PS:Com tudo isto espero que não me censurem o blog

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publicado às 21:45

Rua do Poço dos Negros:O Incêndio

por Jorge Soares, em 24.02.09

 

Incêndio do Chiado

http://amadeo.blog.com/repository/1217051/3449094.jpg

 

Como hoje, era Terça de Carnaval, tinha ido passar o Carnaval à terra,  mas tinha um exame na quarta-feira, tinha por isso vindo cedo durante o dia para Lisboa com a ideia de ainda dar uma olhadela nos apontamentos e claro, dormir e descansar do Carnaval. 

 

Depois do episódio do morto nas escadas de que falei no post do outro dia, a judiciaria tinha limpado a pensão do segundo andar e se exceptuarmos a "menina" barulhenta do terceiro andar, a calma tinha-se instalado no prédio. Por volta da meia noite comecei a ouvir um enorme estardalhaço, portas arrombadas, vidros partidos....  depois acalmou. Passados uns minutos ouvi um carro a travar na rua, alguém a gritar fogo e a campainha da rua a tocar desalmadamente.

 

Levantei-me e olhei pela minha janela, o fumo já tinha invadido o prédio e viam-se claramente as labaredas no segundo andar. Enfiei as calças e uma camisola e saí para o corredor.. onde o resto dos habitantes da casa já andava de um lado para o outro em Pijama.

 

Sair para as escadas estava fora de questão, eu talvez conseguisse chegar à rua, mas as restantes pessoas não. Entretanto chegaram os bombeiros, o fogo já era bem visível, principalmente da parte de trás do prédio. ...e eu estava a ver a coisa complicada. 

 

Passado algum tempo os bombeiros chegaram até ao apartamento, e mandaram vir uma auto escada,... podiam era ter ficado ali connosco. Colocaram a escada numa varanda encostada a uma grade, e nenhuma das outras pessoas conseguia subir para lá, tive que carregar em braços uma a uma. 

 

Entretanto os bombeiros lá conseguiram atacar o incêndio que para além de destruir o segundo andar e causar alguns estragos no terceiro, não alastrou. Por volta das 3 da manhã voltei ao meu quarto...... e não me lembro de ter dormido muito.

 

O incêndio do Chiado era algo que estava bem fresco, no sitio onde hoje está o centro comercial do Chiado havia um enorme buraco, na Rua Garret havia um passadiço para peões e tudo estava ainda destruído.... e eu passava lá quase todos os dias.... não, não foi fácil dormir..... ainda que desta vez não houve mortos nas escadas.

 

Não me lembro como me correu o exame do dia a seguir....

 

Jorge

 

 

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publicado às 21:27

A História da vida real....até à morte

por Jorge Soares, em 22.02.09

Jade GoodyHá uns tempos falava com uma amiga sobre uma série de personagens que só existem porque existe a televisão, são pseudo estrelas que existem porque é necessário encher espaços televisivos e sobretudo porque é necessário encher papel de revista.

 

Jade Goody é uma destas pessoas, concorrente de uma das séries do Big Brother na Inglaterra, fez da televisão e das revistas cor de rosa o seu modo de vida. Em 2007 voltou à ribalta quando foi expulsa de uma nova série do programa por proferir comentários em tom racista sobre uma concursante indiana.

 

Durante as ultimas semanas voltou ao destaque nos  écrans de televisão, foi-lhe detectado um cancro no colo do útero, já em fase terminal, cumpriu um dos seus sonhos, casar. O casamento foi num hotel de luxo, e dizem as más línguas que a venda do exclusivo rendeu a Jade mais de um milhão de Euros.

 

Mas o que levou Jade às noticias foi o facto de se dizer que ela terá vendido os seus últimos dias de vida a uma cadeia de televisão, seguindo assim a sua saga de estrela de reality show.  A história da vida real, levada ao extremo...até à morte.

 

Diz Jade que o dinheiro servirá para assegurar o futuro dos seus filhos.... faz sentido, afinal ela não estará cá para tratar disso. Faz-me alguma confusão que exista uma cadeia de televisão que pague por mostrar a vida real até este extremo, e faz-me muito mais confusão que exista audiência para tal programa da vida real.... vivemos uma época estranha.

 

Entretanto, algo de positivo saiu de tudo isto, na Inglaterra, o numero de pessoas que fez o rastreio do cancro do Colo do útero aumentou exponencialmente, e sabendo-se que a doença é curável quando detectada na sua fase inicial, talvez todo este ruído sirva para salvar algumas vidas....e esepremos que por cá, as mulheres sigam o exemplo das inglesas e acudam em massa a fazer o rastreio

 

Jorge

 

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publicado às 22:26

O gato e o escuro - Mia Couto

por Jorge Soares, em 21.02.09

  

 

Gato preto

 

Vejam, meus filhos, o gatinho preto, sentado no cimo desta história.

Pois ele nem sempre foi dessa cor.

 

Conta a mãe dele que, antes, tinha sido amarelo, às malhas e às pintas.

Todos lhe chamavam o Pintalgato.

 

Diz-se que ficou desta aparência, em totalidade negra, por motivo de um susto.

Vou aqui contar como aconteceu essa trespassagem de claro para escuro.

O caso, vos digo, não é nada claro.

 

Aconteceu assim:

o gatinho gostava de passear-se nessa linha onde o dia faz fronteira com a noite.

Faz de conta o pôr do Sol fosse um muro.

Faz mais de conta ainda os pés felpudos pisassem o poente.

A mãe se afligia e pedia:

- Nunca atravesse a luz para o lado de lá.

 

Essa era a aflição dela, que o seu menino passasse além do pôr de algum Sol. O filho dizia que sim, acenava consentindo.

 

Mas fingia obediência.

 

Porque o Pintalgato chegava ao poente e espreitava o lado de lá.

Namoriscando o proibido, seus olhos pirilampiscavam.

 

Certa vez, inspirou coragem e passou uma perna para o lado de lá, onde a noite se enrosca a dormir.

 

Foi ganhando mais confiança e, de cada vez, se adentrou um bocadinho.

 

Até que a metade completa dele já passara a fronteira, para além do limite.

 

Quando regressava de sua desobediência, olhou as patas dianteiras e se assustou.

 

Estavam pretas, mais que breu.

 

Escondeu-se num canto, mais enrolado que o pangolim.

Não queria ser visto em flagrante escuridão.

 

Mesmo assim, no dia seguinte, ele insistiu na brincadeira.

E passou mesmo todo inteiro para o lado de além da claridade.

À medida que avançava seu coração tiquetaqueava.

Temia o castigo. Fechou os olhos e andou assim, sobrancelhado, noite adentro. Andou, andou, atravessando a imensa noitidão.

 

Só quando desaguou na outra margem do tempo ele ousou despersianar os olhos. Olhou o corpo e viu que já nem a si se via. Que aconteceu? Virara cego?

Por que razão o mundo se embrulhava num pano preto?

 

Chorou.

Chorou.

E chorou.

 

Pensava que nunca mais regressaria ao seu original formato.

Foi então que ouviu uma voz dizendo:

- Não chore, gatinho.

- Quem é?

- Sou eu, o escuro. Eu é que devia chorar porque olho tudo e não vejo nada.

 

Sim, o escuro, coitado. Que vida a dele, sempre afastado da luz!

Não era de sentir pena? Por exemplo, ele se entristecia de não enxergar os lindos olhos do bichano. Nem os seus mesmo ele distinguia, olhos pretos em corpo negro. Nada, nem a cauda nem o arco tenso das costas. Nada sobrava de sua anterior gateza.

E o escuro, triste, desabou em lágrimas.

 

Estava-se naquele desfile de queixas quando se aproximou uma grande gata. Er a mãe do gato desobediente. O gatinho Pintalgato se arredou, receoso que a mãe lhe trouxesse um castigo. Mas a mãe estava ocupada em consolar o escuro. E lhe disse:

- Pois eu dou licença a teus olhos:

  fiquem verdes, tão verdes que amarelos.

 

E os olhos do escuro de amarelaram. E se viram escorrer, enxofrinhas, duas lagriminhas amarelas em fundo preto.

O escuro ainda chorava:

- Sou feio. Não há quem goste de mim.

- Mentira, você é lindo. Tanto como os outros.

- Então porque não figuro nem no arco-íris?

- Você figura no meu arco-íris.

- Os meninos têm medo de mim. Todos têm medo do escuro.

- Os meninos não sabem que o escuro só existe é dentro de nós.

- Não entendo, Dona Gata.

- Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro só mora quem lá inventamos. Agora me entende?

- Não estou claro, Dona Gata.

- Não é você que me te medo. Somos nós que enchemos o escuro com nosso medos.

 

A mãe gata sorriu bondades, ronronou ternuras, esfregou carinho no corpo do escuro.

E foram carícias que ela lhe dedicou, muitas e tantas que o escuro adormeceu. Quando despertou viu que as suas costas estavam das cores todas da luz.

Metade do seu corpo brilhava, arco-iriscando. Afinal?

O espanto ainda o abraçava quando escutou a voz da gata grande:

 

- Você quer ser meu filho?

 

O escuro se encolheu, ataratonto.

Filho?

Mas ele nem chegava a ser coisa alguma, nem sequer antecoisa.

- Como posso ser seu filho se eu nem sou gato?

- E quem lhe disse que não é?

E o escuro sacudiu o corpo e sentiu a cauda, serpenteando o espaço. Esticou a perna e viu brilhar as unhas, disparadas como repentinas lâminas.

O Pintalgato até se arrepiou, vendo um irmão tão recente.

 

- Mas, mãe:

  sou irmão disso aí?

- Duvida, Pintalgatito?

  Pois vou-lhe provar que sou mãe dos dois.

  Olhe bem para os meus olhos e verá.

 

Pintalgato fitou o fundo dos olhos da sua mãe, como se se debruçasse num poço escuro. De rompante, quase se derrubou, lhe surgiu como que um relâmpago atravessando a noite.

 

Pintalgato acordou, todo estremolhado, e viu que, afinal, tudo tinha sido um sonho. Chamou pela mãe. Ela se aproximou e ele notou seus olhos, viu uma estranheza nunca antes reparada. Quando olhava o escuro, a mãe ficava com os olhos pretos. Pareciam encheram de escuro. Como se engravidassem de breu, a abarrotar de pupilas.

Ante a luz, porém, seus olhos todos se amarelavam, claros e luminosos, salvo uma estreitinha fenda preta.

 

Então, o gatinho Pintalgato espreitou nessa fenda escura como se vislumbrasse o abismo.

Por detrás dessa fenda o que é que ele viu?

Adivinham?

Pois ele viu um gato preto, enroscado do outro lado do mundo.

 

Mia Couto, do livro O Gato e o escuro

Texto retirado de aqui:http://lugardaspalavras.no.sapo.pt/prosa/mcouto/gato_escuro.htm

 

Jorge

PS:Fotografia minha retirada de Momentos e olhares

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publicado às 22:05

A espera:O que mudaria na adopção em Portugal?

por Jorge Soares, em 20.02.09

 

todos diferentes...todos iguais

http://img138.imageshack.us/img138/8826/3multi6id2.jpg

 

Esta semana foi meio complicada por estes lados, aconteceu um pouco de tudo, desde uma miuda que espetou um alfinete num pé até ao osso, até um carro que decidiu não pegar mesmo....  

 

A meio da tarde reparei que a Mieepe me deixou um prémio lá no Mieepe Koud, recebi o recado aqui e fui lá espreitar, fiquei meio sem jeito e completamente sem palavras..... com isto:

Jorge - um homem que luta por direitos que tanto me tocam: a Adopção

 

Obrigado Mieepe, eu costumo dizer que as pessoas que adoptam são especiais..... pessoas como tu e a Susana, fazem-me pensar que as adoptadas também.

 

Ao fim da tarde, enquanto esperava o reboque, a P. contava-me que ligou para a Segurança Social de Setúbal, passou mais uma semana e o nosso relatório para a adopção internacional que está pronto há um mês e já deveria estar a caminho de Cabo Verde, continua em cima da secretária da responsável para assinatura.... um mês para assinar um relatório? Agora percebo porque recebemos no fim de Janeiro, um documento que tinha data de Novembro. A responsável da segurança social de Setúbal demora meses a assinar um simples documento...e entretanto as pessoas esperam....e o que é pior...as crianças esperam.

 

No Sábado passado estive em Sesimbra numa conversa sobre adopção promovida pelo Bloco de esquerda, a dada altura uma das pessoas perguntou o que mudariamos nos processos de adopção para que as coisas funcionassem.....a minha resposta foi imediata.... AS PESSOAS. O problema da adopção me Portugal está em primeiro lugar nas pessoas, nas assistentes sociais, nos responsáveis da Segurança Social, nos responsáveis dos centros de acolhimento, nos juizes de familia.....

 

O problema não está na lei, nem na burocracia, ao contrario do que as pessoas pensam, o processo de adopção é uma coisa simples e lógica, ... mas é evidente que não há lei ou processo simples que resista a assistentes sociais que continuam a falar  dos seus candidatos e das suas crianças, ignorando completamente as listas nacionais. Não há lei que resista a responsáveis que demoram meses a colocar uma simples assinatura num documento. E sobretudo, as crianças continuarão institucionalizadas a vida toda enquanto toda esta gente dê primazia às familias biológicas, mesmo que estas se estejam a marimbar para os filhos e não apareçam nunca.

 

Talvez a minha seja uma luta inglória e um pouco egoista, afinal eu estou a lutar pelos meus filhos,.... mas faço o que posso, pelo menos enquanto me restarem blogs e letras...e a vocês que me leem, vos restar paciência para me aturar.

 

Jorge

 

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publicado às 22:14

O magalhães do carnaval de Torres Vedras

Imagem retirada do Publico

 

Há coisas do diabo, ando há uns dias para falar do Chavez, da democracia, da Venezuela e da forma como os senhores que nunca lá puseram os pés e falam de cor do que não sabem, vêem as coisas que por lá se passam. Hoje até estava sem grande vontade de escrever, mas esse era o tema que ia abordar.....e não é que me deparo com esta noticia do Publico:

 

"O presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Carlos Miguel, foi surpreendido ao início da tarde com um fax do Ministério Público no qual era dado um prazo à autarquia para retirar o conteúdo sobre o computador Magalhães, que fazia parte do "Monumento", e onde apareciam mulheres nuas no ecrã do portátil. “Achamos que pela primeira vez após o 25 de Abril temos um acto de censura aos conteúdos do Carnaval de Torres”, lamentou o responsável, em declarações à Antena 1.

“Fomos surpreendidos agora cerca da uma hora com um fax do Ministério Público assinado pela senhora delegada do 1º juízo, a qual nos dá um prazo até às 15h30 para retirar o conteúdo do computador Magalhães”, explicou o autarca, citado pela mesma fonte. Carlos Miguel acrescentou que “o que existe é uma sátira ao computador Magalhães com um autocolante que se pressupõe que seja o ecrã” do portátil e onde é visível uma pesquisa no Google com a palavra-chave "mulheres". Por isso, não entende o pedido para o retirarem do Carnaval e entregaram mais tarde ao tribunal judicial o autocolante."

 

Vá lá, confessem lá que isto é uma brincadeira de Carnaval, alguém decidiu armar-se em engraçadinho e enviou o fax para a Câmara de Torres Vedras.... Recuso-me a aceitar que isto é a sério.

 

Eu não sou lá grande fã do Carnaval, não acho piada, pronto... mas isto é o cúmulo, se isto é a sério, coisa que duvido, fosse eu o presidente da Câmara e não retirava uma porra... Não me parece que seja algo para levar a sério, no fim vamos descobrir que isto foi uma birrinha da senhora delegada que decidiu ser mais papista que o papa....recuso-me a acreditar que isto seja uma ordem de alguém com dois dedos de frente....recuso mesmo. Não, a censura não regressou ao meu país..... não pode ser....e depois falam do Chavez.

 

Jorge ( O incrédulo!)

 PS:Por certo... cá a casa, o Magalhães ainda não chegou, espero que venha antes do fim do ano lectivo...sem censura!

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publicado às 22:12

O anormal sou eu!

por Jorge Soares, em 18.02.09

Hoje fomos brindados com estas pérolas:

 

 

É evidente que tudo isto vem a propósito do facto de o Sócrates ter dito que ia colocar na sua agenda politica a aprovação de uma lei que irá permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

 

Há uma coisa que eu ainda não percebi, porque é que é necessária uma lei para dizer com quem alguém se pode ou não casar? se eu me pude casar com quem entendi e não tive que dar cavaco a ninguém..porque é que há portugueses que não o podem fazer? em que é que eu sou mais que outra pessoa qualquer? 

 

Porque é que existe uma lei que a mim me permitiu casar sem problemas e não o permite a outra pessoa qualquer só porque tem gostos diferentes dos meus?...sim, porque é de gostos que estamos a falar, porque as preferências sexuais não passam disso, gostos, preferências.

 

Tudo isto não passa de discriminação, e até entendo que a igreja entre nestas cruzadas, afinal há umas centenas de anos a igreja católica especializava-se em torturar seres humanos e as pessoas eram queimadas na fogueira por muito menos que isto. Mesmo nos dias de hoje, a igreja prefere que a epidemia da sida alastre pelo continente africano a permitir a utilização de um simples preservativo, condenando assim à morte centenas de milhar de pessoas. 

 

No outro dia neste post do blog Vila Forte, e ante este meu comentário:

 

Se é contra qualquer tipo de casamento, eu percebo... eu também sou, não me parece que seja um papel assinado que faz a diferença nem me torna dono ou súbdito de ninguém.


Se só é contra o casamento entre homossexuais, desculpe lá, isso é discriminação, não percebo o que é que a orientação sexual de alguém tem a ver com o seu direito de se juntar e casar com quem lhe apetecer. Tenho uma filosofia de vida em que acho que os meus direitos terminam exactamente onde começam os direitos dos outros, e se eu não perguntei a ninguém se me podia casar ou não, não percebo porque é que alguém só por ter uma orientação sexual diferente da minha o deve fazer. 

 

O autor do post respondeu-me o seguinte:

 

É descriminação? Como dizia alguém claro que sim! Mas caramba quem é que não é descriminado? Todos os dias em dezenas de situações?

 

Ora, é nisto que estamos a cair.... a discriminação é algo normal....  está visto, o anormal sou eu!

 

Jorge Soares

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publicado às 21:26

Rua do Poço dos Negros:Os Mortos

por Jorge Soares, em 17.02.09

Lisboa, São Bento

 

Vou voltar às minhas memórias dos tempos em que vivi na Rua do Poço dos Negros, e hoje vou falar dos mortos... 

 

Um dia cheguei ao prédio e deparei-me com a porta do apartamento do primeiro andar com umas traves de madeira pregadas de lado a lado... já ali morava há uns dois anos e nunca tinha visto alguém entrar ou sair, nem sabia se vivia lá alguém ... Por norma, o corrupio de gente era mesmo no segundo e terceiro andares com as  visitas ao mercado de substancias ilícitas e às "meninas" respectivamente. Lá me informaram que a senhora que morava no primeiro andar tinha falecido, vivia sozinha há muitos anos...e agora o senhorio tinha selado a casa, não fosse a pensão do segundo andar alastrar. 

 

Passados um ou dois meses,  já perto da meia noite, o pessoal do segundo andar resolveu fazer mais um daqueles escândalos mesmo a sério, como já estava habituado, nem liguei, mais prato ou menos prato a voar, mais grito ou menos grito.. a malta habitua-se... e no dia a seguir era dia de aulas.. como todos os dias.

 

Por volta das sete da manhã, toca-me a Dona Maria à porta do quarto.

 

-Jorge,  ó Jorge! ...está acordado?

 

.. não estava... bom, agora já estava!

 

- Diga dona Maria!

- Vinha-lhe dizer que o melhor é não sair cedo.

-Então porquê dona Maria?

-É que está um homem enforcado nas escadas!

-Como?

-Está um homem morto, pendurado com uma corda pelo pescoço, nas escadas... já chamaram a policia, mas o melhor é não sair.

 

Ora... lá se foi a aula das 8, virei-me para o outro lado... e dormi! Está visto que a mim os mortos não me impressionam nada.

 

Acordei por volta das 9:30, arranjei-me e saí.... o Homem já não estava pendurado nas escadas, estava deitado no chão da entrada do prédio, sozinho, morto .... e algemado. Ainda hoje estou para perceber para que raio algemaram o homem, se ele já estava morto.. estavam com medo que ressuscitasse e atacasse alguém?. Saí para a rua, cá fora estavam dois policias a conversar dentro de um carro patrulha, olharam para mim, eu fui para as aulas e eles continuaram a conversar.

 

Passada uma semana, a judiciária esvaziou a pensão do segundo andar....e o senhorio selou mais um apartamento.... passada mais uma semana.. foi o incêndio.... mas disso falarei outro dia... 

 

No quarto em frente ao meu, dormia uma das irmãs da dona da casa, uma senhora baixinha e muito simpática. Um dia cheguei a casa depois de jantar e estranhamente não havia vivalma.. fui para o meu quarto e passados uns minutos tocou o telefone. Dada a minha condição momentânea de dono da casa, decidi atender o velho aparelho de outros tempos.

 

-Estou?

-Quem fala?

-O Jorge.

-Olá Jorge, sou a sobrinha da Dona Maria, ela não está?

-Não, não está ninguém em casa.

.... - silêncio do outro lado.

-Quer deixar algum recado?

-Não, eu volto a ligar.

 

Desliguei e voltei ao meu livro... passado um ou dois minutos volta a tocar o telefone.... e lá fui eu outra vez.

 

-Estou!

-Jorge, você não sabe?

-Não sei o quê?

-Não sabe o que aconteceu?

-Não, eu saí cedo e cheguei há bocado.. e estranhei não que está ninguém em casa.

-É que a minha tia, a irmã da dona Maria, faleceu durante a noite!

 

Vocês não estão bem a ver a minha cara de parvo a olhar para o telefone.....é que já são mortos a mais para um só prédio!

 

Mas este não foi o ultimo.... mas disso falo outro dia.

Jorge

 PS:Imagem minha, escadinhas em São Bento, retirada do Momentos e Olhares

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publicado às 21:53

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Regressar a Casa

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O Rapaz de Olhos Azuis

Joanne Harris

 

O jogo de Ripper

Isabel Allende

 






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