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Vais votar no dia 7?.... porquê?

por Jorge Soares, em 31.05.09

Votar nas europeias?.. porquê?

 

Estive a ler e reler os comentários ao meu post de sobre a Alexandra, a miúda Russa, não sei se foi eu que não me expliquei, se algumas pessoas não leram o post até ao fim, ou se o que eu disse não faz sentido, .... lá terei que voltar ao tema... mas não hoje.

 

Que me lembre, nunca votei nas eleições europeias, nunca falto a nenhuma das outras eleições, voto sempre nas autárquicas, nas legislativas e nas presidenciais, sempre, nas europeias não voto.

 

Considero-me uma pessoa informada, sei o que é o parlamento europeu e tenho algumas ideias sobre o que por lá se passa. Mesmo assim, nunca me senti impelido a ir votar nestas eleições... porque a verdade, é que não consigo perceber qual a vantagem de votar nuns ou noutros, nunca nenhum dos partidos me conseguiu seduzir, aliás, não me lembro de em alguma das campanhas alguém me ter deixado sequer uma ideia sobre qual a politica europeia que vai seguir, uma ideia que seja. E nestas então, a coisa  é de bradar aos céus, não sei se será estupidez minha, inoperância das equipas das campanhas ou simples falta de ideias politicas por partes dos candidatos, mas até agora, e após ler muitos jornais, ver muitos telejornais e ouvir muitos programas de rádio, eu não consegui apurar uma única ideia sobre politica europeia, algo que diferencie o Bloco de esquerda do CDS, ou o PS do PSD, ou estes do PCP, nada, zero, niente......

 

Eu sou daqueles que acha que votar é importante, porque só votando conseguimos expressar a nossa opinião sobre os políticos que temos, farto-me dizer a quem não vai votar que quem cala consente e se a situação está mal, a culpa também é de quem não vai votar, porque o seu silêncio nas urnas contribui para apoiar quem governa.... sim, eu farto-me de repetir isto, mas quando chega a hora das europeias, não me consigo convencer a mim mesmo.

 

Quero deixar um apelo aos meus leitores, vocês vão votar no próximo Domingo?,  sim?, porquê?, ....não? porquê?... eu não quero saber por quem, só quero saber porquê.....

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

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publicado às 22:30

Alugo-me para sonhar

por Jorge Soares, em 30.05.09

 

Continuação do Conto Alugo-me para sonhar, de Gabriel Garcia Marquez, primeira parte aqui

 

Na realidade, era seu único ofício. Havia sido a terceira dos onze filhos de um próspero comerciante da antiga Caldas, e desde que aprendeu a falar instalou na casa o bom costume de contar os sonhos em jejum, que é a hora em que se conservam mais puras suas virtudes premonitórias. Aos sete anos sonhou que um de seus irmãos era arrastado por uma correnteza. A mãe, por pura superstição religiosa, proibiu o menino de fazer aquilo que ele mais gostava, tomar banho no riacho. Mas Frau Frida já tinha um sistema próprio de vaticínios.

- O que esse sonho significa - disse - não é que ele vai se afogar, mas que não deve comer doces.

A interpretação parecia uma infâmia, quando era relacionada a um menino de cinco anos que não podia viver sem suas guloseimas dominicais. A mãe, já convencida das virtudes adivinhatórias da filha, fez a advertência ser respeitada com mão de ferro. Mas ao seu primeiro descuido o menino engasgou com uma bolinha de caramelo que comia escondido, e não foi possível salvá-lo.

Frau Frida não havia pensado que aquela faculdade pudesse ser um ofício, até que a vida agarrou-a pelo pescoço nos cruéis invernos de Viena. Então, bateu para pedir emprego na primeira casa onde achou que viveria com prazer, e quando lhe perguntaram o que sabia fazer, ela disse apenas a verdade: "Sonho." Só precisou de uma breve explicação à dona da casa para ser aceita, com um salário que dava para as despesas miúdas, mas com um bom quarto e três refeições por dia. Principalmente o café da manhã, que era o momento em que a família sentava-se para conhecer o destino imediato de cada um de seus membros: o pai, que era um financista refinado; a mãe, uma mulher alegre e apaixonada por música romântica de câmara, e duas crianças de onze e nove anos. Todos eram religiosos, e portanto propensos às superstições arcaicas, e receberam maravilhados Frau Frida com o compromisso único de decifrar o destino diário da família através dos sonhos.

Fez isso bem e por muito tempo, principalmente nos anos da guerra, quando a realidade foi mais sinistra que os pesadelos. Só ela podia decidir na hora do café da manhã o que cada um deveria fazer naquele dia, e como deveria fazê-lo, até que seus prognósticos acabaram sendo a única autoridade na casa. Seu domínio sobre a família foi absoluto: até mesmo o suspiro mais tênue dependia da sua ordem. Naqueles dias em que estive em Viena o dono da casa havia acabado de morrer, e tivera a elegância de legar a ela uma parte de suas rendas, com a única condição de que continuasse sonhando para a família até o fim de seus sonhos.

Fiquei em Viena mais de um mês, compartilhando os apertos dos estudantes, enquanto esperava um dinheiro que não chegou nunca. As visitas imprevistas e generosas de Frau Frida na taberna eram então como festas em nosso regime de penúrias. Numa daquelas noites, na euforia na cerveja, sussurrou ao meu ouvido com uma convicção que não permitia nenhuma perda de tempo.

- Vim só para te dizer que ontem à noite sonhei com você - disse ela. - Você tem que ir embora já e não voltar a Viena nos próximos cinco anos.

Sua convicção era tão real que naquela mesma noite ela me embarcou no último trem para Roma. Eu fiquei tão sugestionado que desde então me considerei sobrevivente de um desastre que nunca conheci. Ainda não voltei a Viena.

Antes do desastre de Havana havia visto Frau Frida em Barcelona, de maneira tão inesperada e casual que me pareceu misteriosa. Foi no dia em que Pablo Neruda pisou terra espanhola pela primeira vez desde a Guerra Civil, na escala de uma lenta viagem pelo mar até Valparaíso. Passou conosco uma manhã de caça nas livrarias de livros usados, e na Porter comprou um livro antigo, desencadernado e murcho, pelo qual pagou o que seria seu salário de dois meses no consulado de Rangum. Movia-se através das pessoas como um elefante inválido, com um interesse infantil pelo mecanismo interno de cada coisa, pois o mundo parecia, para ele, um imenso brinquedo de corda com o qual se inventava a vida.

Não conheci ninguém mais parecido à idéia que a gente tem de um papa renascentista: glutão e refinado. Mesmo contra a sua vontade, sempre presidia a mesa. Matilde, sua esposa, punha nele um babador que mais parecia de barbearia que de restaurante, mas era a única maneira de impedir que se banhasse nos molhos. Aquele dia, no Carvalleiras, foi exemplar. Comeu três lagostas inteiras esquartejando-as com mestria de cirurgião, e ao mesmo tempo devorava com os olhos os pratos de todos, e ia provando um pouco de cada um, com um deleite que contagiava o desejo de comer: as amêijoas da Galícia, os perceves do Cantábrico, os lagostins de Alicante, as espardenyas da Costa Brava. Enquanto isso, como os franceses, só falava de outras delícias da cozinha, e em especial dos mariscos pré-históricos do Chile que levava no coração. De repente parou de comer, afinou suas antenas de siri, e me disse em voz muito baixa:

- Tem alguém atrás de mim que não pára de me olhar.

Espiei por cima de seu ombro, e era verdade. Às suas costas, três mesas atrás, uma mulher impávida com um antiquado chapéu de feltro e um cachecol roxo, mastigava devagar com os olhos fixos nele. Eu a reconheci no ato. Estava envelhecida e gorda, mas era ela, com o anel de serpente no dedo indicador.

Viajava de Nápoles no mesmo barco que o casal Neruda, mas não tinham se visto a bordo. Convidamos para mulher a tomar café em nossa mesa, e a induzi a falar de seus sonhos para surpreender o poeta. Ele não deu confiança, pois insistiu desde o princípio que não acreditava em adivinhações de sonhos.

- Só a poesia é clarividente - disse.

Depois do almoço, no inevitável passeio pelas Ramblas, fiquei para trás de propósito, com Frau Frida, para poder refrescar nossas lembranças sem ouvidos alheios. Ela me contou que havia vendido suas propriedades na Áustria, e vivia aposentada no Porto, Portugal, numa casa que descreveu como sendo um castelo falso sobre uma colina de onde se via todo o oceano até as Américas. Mesmo sem que ela tenha dito, em sua conversa ficava claro que de sonho em sonho havia terminado por se apoderar da fortuna de seus inefáveis patrões de Viena. Não me impressionou, porém, pois sempre havia pensado que seus sonhos não eram nada além de uma artimanha para viver. E disse isso a ela.

Frau Frida soltou uma gargalhada irresistível. "Você continua o atrevido de sempre", disse. E não falou mais, porque o resto do grupo havia parado para esperar que Neruda acabasse de conversar em gíria chilena com os papagaios da Rambla dos Pássaros. Quando retomamos a conversa, Frau Frida havia mudado de assunto.

- Aliás - disse ela -, você já pode voltar para Viena.

Só então percebi que treze anos haviam transcorrido desde que nos conhecemos.

- Mesmo que seus sonhos sejam falsos, jamais voltarei - disse a ela. - Por via das dúvidas.

Às três, nos separamos dela para acompanhar Neruda à sua sesta sagrada. Foi feita em nossa casa, depois de uns preparativos solenes que de certa forma recordavam a cerimônia do chá no Japão. Era preciso abrir umas janelas e fechar outras para que houvesse o grau de calor exato e uma certa classe de luz em certa direção, e um silêncio absoluto. Neruda dormiu no ato, e despertou dez minutos depois, como as crianças, quando menos esperávamos. Apareceu na sala restaurado e com o monograma do travesseiro impresso na face.

- Sonhei com essa mulher que sonha - disse.

Matilde quis que ele contasse o sonho.

- Sonhei que ela estava sonhando comigo - disse ele.

- Isso é coisa de Borges - comentei.

Ele me olhou desencantado.

- Está escrito?

- Se não estiver, ele vai escrever algum dia - respondi. - Será um de seus labirintos.

Assim que subiu a bordo, às seis da tarde, Neruda despediu-se de nós, sentou-se em uma mesa afastada e começou a escrever versos fluidos com a caneta de tinta verde com que desenhava flores e peixes e pássaros nas dedicatórias de seus livros. À primeira advertência do navio busca- mos Frau Frida, e enfim a encontramos no convés de turistas já íamos embora sem nos despedir. Também ela acabava de despertar da sesta.

- Sonhei com o poeta - nos disse.

Assombrado, pedi que me contasse o sonho.

- Sonhei que ele estava sonhando comigo - e minha cara de assombro a espantou.

- O que você quer? Às vezes, entre tantos sonhos, infiltra-se algum que não tem nada a ver com a vida real.

Não tornei a vê-la nem a me perguntar por ela até que soube do anel em forma de cobra da mulher que morreu no naufrágio do Hotel Riviera. Portanto não resisti à tentação de fazer algumas perguntas ao embaixador português quando coincidimos, meses depois, em uma recepção diplomática. O embaixador me falou dela com um grande entusiasmo e uma enorme admiração. "O senhor não imagina como ela era extraordinária", me disse. "O senhor não resistiria à tentação de escrever um conto sobre ela." E prosseguiu no mesmo tom, com detalhes surpreen- dentes, mas sem uma pista que me permitisse uma conclusão final.

- Em termos concretos - perguntei no fim -, o que ela fazia?

- Nada - respondeu ele, com certo desencanto. - Sonhava.

Março de 1980

Retirado de:EDMUNDO CARÔSO - DE MIM E DAS COISAS

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publicado às 21:48

Adopção

 

Sei que há muita gente que se pergunta porque é que ainda não falei do caso da Alexandra, a menina que foi com a mãe para a Russia,  os temas familia de acolhimento e adopção são recorrentes no blog e ao contrario do que já alguém comentou, este caso não me passou ao lado.

 

Ando há uns dias para pegar no assunto, ainda não o fiz por vários motivos, um dos quais foi a troca de comentários em que participei no Cheiro a  Pólvora e que me deixou a Pensar, a Carla Cruz, acusou-me de estar a defender as famílias adoptantes  e não as crianças... ora, isto é algo grave, e tive que ler, reler, olhar para trás e pensar. Não me parece que isso seja verdade.

 

Durante estes dias tenho lido e até comentado vários posts que falam do assunto, tirando o post de hoje do Cocó na Fralda, a maioria das pessoas limita-se a criticar a decisão do juiz, eu também critico, a lamentar que a criança tenha sido entregue à mãe, eu também lamento, e a achar que a criança devia ter ficado com a pretensa "família de acolhimento"... ora, aqui está a parte em que discordo completamente.

 

Para começar, aquele casal não é uma família de acolhimento, as famílias de acolhimento recebem as crianças da segurança social e são controladas por esta, esta criança foi entregue ao casal por um amigo da mãe, ninguém explicou porquê, ou a troco de quê, simplesmente foi-lhes entregue.

 

Isto só por si constitui uma ilegalidade, as crianças não podem ser simplesmente entregues a pessoas, não é o caso, mas e se em vez de a tratarem bem, eles a maltratassem?, ou a vendessem, ou ela simplesmente desaparecesse?, afinal, ninguém sabia que ela estava com eles, tudo foi feito às escuras e contra a lei. 

 

Vamos lá ver, eu não digo que a criança não estava melhor com eles que com a mãe, de certeza que estava, o que eu digo, é que não podemos permitir que este tipo de coisas aconteça, porque estabelece uns péssimos precedentes, se este tipo de coisas passar a ser legal, vamos ter muita gente que em lugar de adoptar, vai passar a ir ali à esquina, arranja alguém que lhe trafique uma criança, ou que rapte uma para si, ou vai ao Brasil e numa das favelas compra um bebe, ou.... depois, basta esperar uns anos, ir ao tribunal e chamar a comunicação social para fazer uma telenovela, já vimos isto várias vezes... veja-se o caso Esmeralda que é exactamente igual a este.

 

Queremos ter um sistema paralelo de adopção em Portugal com compra e venda de crianças?, se a resposta é sim, avisem-me, que eu desisto já do meu processo de adopção e vou ali à esquina arranjar uma criança.

 

Acho que já contei isto aqui, quando estava no meu primeiro caso de adopção, alguém me tentou convencer a entrar por um esquema destes, alguém que até estava em posição de me arranjar uma criança, alguém que me tentou convencer que ir por esses caminhos era muito melhor que estar anos à espera para adoptar. Evidentemente, fiz-me o desentendido e passei a evitar essa pessoa, a vida dos meus filhos tem muito valor para mim como para os fazer passar por esquemas destes.... Sim, estou a falar a sério, este tipo de coisas acontece mesmo...e muito mais vezes que aquelas que queremos aceitar.

 

Portanto Carla, eu não olhei para o lado, também a mim me marcaram as lágrimas da Alexandra, também a mim me chocou a atitude parva da mãe a bater na criança na televisão, também a mim me chocam estas coisas, só que eu acho que o que se está a fazer, todos estes pedidos para mudar a lei, todo este barulho em favor das familias de acolhimento, é de quem não está por dentro das coisas, de quem não viu todas as perspectivas.

 

Estas coisas só vão mudar quando a segurança social passar a fazer realmente o seu papel, quando as leis forem cumpridas e as crianças deixarem de passar anos em acolhimento quando existe um tempo máximo para isso na lei, quando os juizes deixarem de dar primazia à família biológica, quando os centros de acolhimento fizerem o seu trabalho como deve ser.....e claro, quando as pessoas deixarem de entrar em esquemas para ter filhos que afinal não são seus.

 

Entetanto, em nome da Missão criança e após uma troca de mails com o Rui Martins colaborei na elaboração do texto  de uma petição online que diz o seguinte:

 

Por uma alteração legislativa que impeça que as crianças estejam mais de 6 meses em famílias de acolhimento e que, logo, os Tribunais não as retirem a estas ao fim de vários anos

 

Por favor vão lá assinar, é aqui:

 

http://www.gopetition.com/online/28059.html

 

Jorge Soares

PS:Agora podem bater à vontade, é para isso que existe o blog, para trocar ideias, e há muita gente com ideias.

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publicado às 21:27

Dia de casamento.. ou, O homem dos cabides!

por Jorge Soares, em 26.05.09

Casamento molhado.....

 

Hoje recebi mais um mail do História Devida da Antena 1... mas já falarei disso, entretanto estive a ouvir o programa onde leram a minha historia do menino valente e lembrei-me que deixei a meio a saga do meu casamento, que tinha começado naquele post que falava de pedidos de casamento.

 

Naquela altura a igreja cá do sitio era num pavilhão pré-fabricado, que para além de igreja servia de sala de catequese e de salão paroquial, na parede havia desenhos feitos pelas crianças. É claro que quando lá fomos dizer que nos queríamos casar, e que nos queríamos casar ali, receberam-nos de braços abertos, em todos os anos de vida da igreja tinha sido  celebrado um casamento antes do nosso.  As pessoas querem-se casar no que eles acham que é uma igreja a sério, não num salão pré-fabricado a servir de casa do senhor. Não houve problemas de datas nem exigências de nenhum tipo, foi entregar os documentos obrigatórios e escolher a data, 16 de Dezembro.

 

Nunca existiu um noivo mais descontraído que eu, levantei-me, fui buscar o bolo e levar ao restaurante,  passei o resto da manhã por ali. O dia era de chuva. A igreja era ao virar da esquina, à hora marcada lá estávamos, eu e os poucos convidados: pais, irmãos,  padrinhos e um ou dois amigos, que nem eu nem a P. gostamos de confusões.

 

Passado meia hora eu continuava descontraído e na conversa, o padre é que já deitava fumo com o atraso da noiva, lá fora chovia, muito. Ela  terminou por chegar com quase uma hora de atraso, mas chegou. Lá começou a cerimonia, a meio a chuva era tanta no telhado de lusolite, que mal se ouvia o que o padre dizia, casamento molhado casamento abençoado, não é o que costumam dizer?... o nosso foi bem molhado.

 

Depois lá fomos para o restaurante, lá chegados, mais uma originalidade, éramos poucos, duas mesas corridas, uma para os pais... outra para os noivos, os padrinhos e os irmãos.

 

A meio da tarde lá parou de chover e até deu para o meu irmão nos tirar umas fotografias.

 

Tínhamos a viagem de lua de mel marcada para o dia seguinte a meio da manhã, decidimos ir passar a noite de núpcias na Ericeira, naquele hotel que está mesmo junto ao mar. Estava uma noite de nevoeiro.. bem romântica, chegamos cedo, jantamos e fomos para o Hotel.

 

É difícil explicar o que senti quando nos mostraram o quarto, era algo de outros tempos... não, não era no bom sentido, parece que tudo aquilo tinha sido retirado directamente dos anos 40, o quarto estava limpo, mas o resto do hotel era algo indescritível, acreditem ou não, conseguíamos ver as nossas pegadas no pó da alcatifa do corredor... estou a falar a sério.

 

Passados 5 minutos já nós nos interrogávamos porque é que não tínhamos ficado em casa, bem mais quente e aconchegante que aquele quarto sórdido. Mas já lá estávamos, restava aguentar.

 

Lá nos deitamos, afinal era a nossa primeira noite de casados, por volta das 11 da noite o insólito aconteceu, pareceu-nos que alguém batia à porta

 

- Jorge, estão a bater à porta.

-Não estão nada.

...

 

Passados uns momentos voltaram a bater.... levantei-me, vesti qualquer coisa e fui abrir a porta, era um dos empregados (???) do hotel.

 

-Desculpe, vim entregar os cabides!

 

Jorge Soares

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publicado às 22:16

João Saçaviza, Arena

Hoje ia falar de algo muito triste.... mas decidi que já está bom de mau feitio, e de ser inconveniente, e de ir contra o mundo.... afinal, o mundo não pode estar errado, se calhar sou eu que estou.... hoje não me apetece.

 

Hoje apetece-me falar de algo positivo.... não, não vou falar do Porto e do Tetra... neste blog não se fala de futebol... 

 

Ao contrario do que por vezes parece, em Portugal também se trabalha bem, também há quem faça coisas positivas, coisas que são valorizadas para além do nosso pequeno mundo.

 

Na semana Passada decorreu o festival de cinema de Cannes e por primeira vez Portugal teve direito a uma Palma de Ouro, vejamos o que diz o Publico nesta noticia

 

João Salaviza vence grande prémio de Cannes para Curtas-Metragens

 

Foi certamente uma surpresa para o realizador, que ontem mesmo dizia ao PÚBLICO, em Cannes, que “Arena” não era um filme “para ganhar aqui”. Mas ganhou. A sua curta-metragem venceu o Grande Prémio da competição de curtas-metragens, lançando para o centro das atenções a obra deste jovem realizador de 25 anos, ainda estudante de cinema no Conservatório.

 





Parabéns para o autor e e para todos os que de alguma forma participaram nesta obra, que este seja o primeiro de muitos prémios

 

Jorge Soares

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publicado às 21:51

Preservativos nas escolas?, porque não?

 

As noticias sobre a discussão que está a acontecer na assembleia da republica sobre se devem ou não distribuir preservativos na escola fez acordar as minhas memórias.

 

Eu fiz a escola secundária na Venezuela, um país muito mais latino que o nosso, com uma cultura muito mais religiosa e em torno da família que a nossa, mas que em muitas coisas está a milhas... prá frente, é claro.

 

Andava eu no 9 ano, algures a meio da década de 80 do século passado, e tinha uma disciplina que se chamava Puericultura. Era nesta disciplina que se falava de educação sexual. Lembro-me que tivemos que fazer um trabalho de grupo que terminava com uma apresentação à turma sobre métodos anticonceptivos, já não me lembro qual nos calhou, mas sei que andamos pelos centros de saúde e  os hospitais a falar com os médicos e a recolher informações.  No fim, ficamos todos especialistas pelo menos num dos métodos e a grande maioria ficou a perceber muito bem as vantagens e perigos de cada um deles. E diga-se de passagem que esses conhecimentos me fizeram brilhar mais que uma vez, quando já regressado a Portugal e já na universidade, constatei que a maioria dos meus colegas mal sabia como é que funcionava o preservativo, quanto mais os outros métodos.

 

A educação sexual faz parte da educação, o sexo é um tema como outro qualquer, faz parte da vida e da cultura, e como tudo o resto na vida e na cultura, deve ser tratado em casa e na escola e não percebo porque é que há tanta gente que vê problemas nisso. Haveria que perguntar a quem é contra, se alguma vez abordou o tema com os seus filhos, e se o fez, como é que o fez...se calhar íamos logo perceber muitas coisas.

 

Ontem estava a ler o DN de Sábado e no caderno gente encontrei um artigo de Fernanda Câncio  onde se falava da distribuição de preservativos na escola. O artigo fala de pelo menos 3 escolas onde  desde há vários anos que há um gabinete de entendimento onde se respondem a dúvidas colocadas pelos alunos e se distribuem preservativos, isto porque desde há 10 anos que  a lei 120/99  o permite...e quanto a mim, muito bem.

 

Todas as pessoas envolvidas nos projectos das escolas retratadas falam do sucesso da iniciativa e da forma positiva como pais e alunos aderiram. Fiquei contente, porque uma das escolas é a Escola do Viso aqui em Setúbal, a escola secundária da minha área de residência.

 

Depois de ler isto fiquei a pensar, a assembleia da republica está a discutir uma coisa que já é permitida e legal há 10 anos, será que os senhores deputados não terão coisas mais importantes para discutir?, alguém me explica o que é que tem de mal a distribuição de preservativos nas escolas? alguém me explica o que é que tem de mal que se fale de sexo na escola? ou será que os pais preferem mesmo que os seus filhos aprendam por si e da pior maneira?

 

Jorge

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publicado às 22:20

Alugo-me para sonhar

por Jorge Soares, em 23.05.09

Gabriel Garcia Marquez

 

Conto de Gabriel Garcia Marques, retirado de EDMUNDO CARÔSO - DE MIM E DAS COISAS

 

Às nove, enquanto tomávamos o café da manhã no terraço do Habana Riviera, um tremendo golpe de mar em pleno sol levantou vários automóveis que passavam pela avenida à beira-mar, ou que estavam estacionados na calçada, e um deles ficou incrustado num flanco do hotel. Foi uma explosão de dinamite que semeou pânico nos vinte andares do edifício e fez virar pó a vidraça do vestíbulo. Os numerosos turistas que se encontravam na sala de espera foram lançados pelos ares junto com os móveis, e alguns ficaram feridos pelo granizo de vidro. Deve ter sido uma vassourada colossal do mar, pois entre a muralha da avenida à beira-mar e o hotel há uma ampla avenida de ida e volta, de maneira que a onda saltou por cima dela e ainda teve força suficiente para esmigalhar a vidraça.

Os alegres voluntários cubanos, com a ajuda dos bombeiros, recolheram os destroços em menos de seis horas, trancaram a porta que dava para o mar e habilitaram outra, e tudo tornou a ficar em ordem. Pela manhã, ninguém ainda havia cuidado do automóvel pregado no muro, pois pensava-se que era um dos estacionados na calçada. Mas quando o reboque tirou-o da parede descobriram o cadáver de uma mulher preso no assento do motorista pelo cinto de segurança. O golpe foi tão brutal que não sobrou nenhum osso inteiro. Tinha o rosto desfigurado, os sapatos descosturados e a roupa em farrapos, e um anel de ouro em forma de serpente com olhos de esmeraldas. A polícia afirmou que era a governanta dos novos embaixadores de Portugal. Assim era: tinha chegado com eles a Havana quinze dias antes, e havia saído naquela manhã para fazer compras dirigindo um automóvel novo. Seu nome não me disse nada quando li a notícia nos jornais, mas fiquei intrigado por causa do anel em forma de serpente e com olhos de esmeraldas. Não consegui saber, porém, em que dedo o usava.

Era um detalhe decisivo, porque temi que fosse uma mulher inesquecível cujo verdadeiro nome não soube jamais, que usava um anel igual no indicador direito, o que era mais insólito ainda naquele tempo. Eu a havia conhecido 34 anos antes em Viena, comendo salsichas com batatas cozidas e bebendo cerveja de barril numa taberna de estudantes latinos. Eu havia chegado de Roma naquela manhã, e ainda recordo minha impressão imediata por seu imenso peito de soprano, suas lânguidas caudas de raposa na gola do casaco e aquele anel egípcio em forma de serpente. Achei que era a única austríaca ao longo daquela mesona de madeira, pelo castelhano primário que falava sem respirar com sotaque de bazar de quinquilharia. Mas não, havia nascido na Colômbia e tinha ido para a Áustria entre as duas guerras, quase menina, estudar música e canto. Naquele momento andava pelos trinta anos mal vividos, pois nunca deve ter sido bela e havia começado a envelhecer antes do tempo. Em compensação, era um ser humano encantador. E também um dos mais temíveis.

Viena ainda era uma antiga cidade imperial, cuja posição geográfica entre os dois mundos irreconciliáveis deixados pela Segunda Guerra Mundial havia terminado de convertê-la num paraíso do mercado negro e da espionagem mundial. Eu não teria conseguido imaginar um ambiente mais adequado para aquela compatriota fugitiva que continuava comendo na taberna de estudantes da esquina por pura fidelidade às suas origens, pois tinha recursos de sobra para comprá-la à vista, com clientela e tudo. Nunca disse o seu verdadeiro nome, pois sempre a conhecemos com o trava-língua germânico que os estudantes latinos de Viena inventaram para ela: Frau Frida. Eu tinha acabado de ser apresentado a ela quando cometi a impertinência feliz de perguntar como havia feito para implantar-se de tal modo naquele mundo tão distante e diferente de seus penhascos de ventos do Quindío, e ela me respondeu de chofre:

- Eu me alugo para sonhar.

Continua

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publicado às 22:05

Marinho Pinto e Manuela Moura Guedes na TVI

por Jorge Soares, em 23.05.09

Ouçam com atenção

 

 

E mais nada, haja alguém com tomates para ir lá dizer o que pensamos todos.

 

Marinho Pinto e Manuela Moura Guedes na TVI

 

Jorge Soares

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publicado às 01:02

Em que século vivemos mesmo?

por Jorge Soares, em 22.05.09

Hoje foi o dia das noticias estranhas, à hora do almoço deparei-me com isto:

 

Pastor da Covilhã diz ter sido escravizado durante dez anos

 

A noticia, que passou por práticamente todos os jornais online, fala de um homem que foi explorado e maltratado durante 10 anos e que foi finalmente libertado pela Policia Judiciária... palavras para quê?

 

Ao fim do dia, nos meus habituais 45 minutos de viagem para casa, ouvi a seguinte noticia na antena 1:

 

Tribunal prova que existiu agressão e tortura mas não consegue decidir qual dos 3 inspectores foi o culpado, foram os 3 ilibados.

 

As  palavras não foram exactamente estas, e não consegui encontrar a noticia no site da antena 1, mas a ideia que passaram foi esta.

 

Entretanto, no Publico podemos ler  que Gonçalo Amaral foi considerado culpado de mentir e de ocultar as agressões e foi condenado.

 

É no minimo curioso, os culpados da suposta agressão sairam em liberdade, mas alguém foi condenado porque tentou esconder o delito de que eles eram acusados...hummm, a justiça Portuguesa é um must.... provaram que existiu delito, não condenam os culpados, mas condenam alguém..  pelo menos não sairam todos a rir.

 

Dá que pensar, até porque esta vez foi ela, amanhã pode ser um de nós, afinal os agressores sairam em liberdade e vão continuar a fazer o seu trabalho

 

Depois de uma semana em que passamos horas a ouvir gravações de uma professora de história a falar orgias e de sexo numa aula, terminamos com estas duas noticias....

 

Este país existe?

 

Jorge

 

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publicado às 22:18

A comunicação social que temos

por Jorge Soares, em 20.05.09

A mafalda e o mau jornalismo

 

Há uns tempos atrás, alguém me chamou a atenção para um artigo de um jornal da Madeira que na sua edição online dizia que por lá não havia crianças adoptadas e devolvidas, fui ler o artigo e este de uma ponta à outra era feito de lugares comuns e ideias erradas. Por mero acaso a coisa estava assinada e o jornal disponibilizava o email da jornalista.

 

Enviei um email onde desfiz os lugares comuns, corrigi as coisas erradas e apresentei a minha pena pelo facto de a jornalista não se ter dado ao trabalho de verificar os dados. Para meu grande espanto passados poucos minutos tive resposta.  Dizia a senhora que realmente eu tinha razão, que o que eu dizia fazia sentido, mas  que ela se tinha limitado a ver uma noticia na RTP Madeira  e a tinha transcrito!!!! e claro que lamentava não ter verificado os dados... .. não deixa de ser de admirar tamanha honestidade!

 

É claro que fiquei chocado, já era suficientemente mau que o artigo estivesse cheio de conceitos errados, mas é muito mau quando percebemos que existe um jornalismo em Portugal que se limita a ver os noticiários da televisão e a transcrever para o papel, ou neste caso para as edições online.

 

Eu costumo ler os jornais online,  e invariavelmente a conclusão a que chego é que basta ler um, a maioria das noticias tem a chancela da lusa e depois é Copy Paste para as edições online e para o papel. Para que são necessários jornalistas?, qualquer estagiário consegue fazer copy paste.

 

Mas o problema não fica por aqui, há dois dias atrás quando li a noticia da Professora de história (hummm, afinal saiu mesmo o terceiro post) no Publico, achei que o titulo era bombástico demais para o que vinha no texto, do Publico online passei para o Expresso, depois para o Sol , depois para os outros jornais online , todos tinham a mesma noticia com o titulo mais ou menos bombástico em que a palavra "orgias" aparecia em destaque.

 

Parece que a preocupação era fazer a noticia sair e sublinhar o facto de a professora ter falado de orgias numa aula. Eu, simples mortal com aspiração a bloguer, tive o cuidado de tentar ouvir as já famosas gravações para tentar perceber se estávamos ante mais um caso de pais exageradamente pudicos como é tantas vezes costume, mas os jornalistas (???) não tiveram essa preocupação, limitaram-se a transcrever a noticia da Lusa tal qual, havia dois jornais em que a noticia era igual palavra por palavra.

 

É claro que quando finalmente consegui ouvir parte das gravações na TSF, fiquei duplamente chocado, primeiro por aquilo que lá ouvi, e segundo, pela ligeireza com que os jornais deste país trataram uma noticia, dando um enfoque completamente errado da coisa, chamando a atenção para o lado sexual da noticia quando o que ali estava era bem mais grave e muito ao lado.

 

Todos nós sabemos que falar de sexo traz leitores, rapidamente aprendemos que utilizar a tag sexo é garantia de muita gente a ler... mas isso é válido para nós, simples amadores que nos divertimos nos blogs... não pode servir para fazer jornalismo e vender jornais ... pelo menos não deveria.

 

É esta a comunicação social que temos? a comunicação social do Copy Paste e do sensacionalismo barato?... é triste.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:12

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