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A crioula que meus olhos beijaram a medo

por Jorge Soares, em 28.02.10

Mulher de Cabo Verde, Cidade da praia, Plateau

Imagem do Momentos e Olhares

 

O lugar é a Praça Alexandre Albuquerque, no Plateau, podia ser uma praça qualquer numa qualquer cidade de Portugal, no centro há uma fonte com agua a correr, há canteiros com flores, bancos de ferro com assentos e espaldares de  madeira daqueles que vemos em tantas das nossas praças, árvores a toda a volta, há até um posto de Turismo num dos cantos. Nos bancos de madeira  ou sentados na fonte há gente com computadores portáteis, deve haver Wireless gratuito. Mas há algo que a distingue das nossas praças, debaixo das árvores há quem faça pela vida, dois ou três engraxadores, jovens que vendem agua e refrigerantes conservados frescos em gelo, crianças que vendem doces, senhoras que vendem bolachas em pacotes coloridos,....  ela estava entre eles, sentada frente a uma pequena mesa com bijutaria...  a fazer pela vida.

 

 

Vida

 

A crioula que meus olhos beijaram a medo

perdeu-se na confusão de um porto francês

 

Ela sorria continuamente, erguendo no seu riso uma canção extraordinária.

 

Não foi um romance de amor

nem mesmo um pequeno segredo entre ambos.

 

Somente, quando Ela falava ao pé de mim, eu sentia:

um aprazível devaneio

pela maravilha escultural duma Mulher Perfeita.

 

Depois,

a Vida separando Nós-Dois

a confusão, os ruídos, os braços agitando-se

e o vapor levando para outros mares, 

outros portos, 

a graça, o mistério, o perfume e os cantares 

da crioula que meus olhos beijaram a medo 

no tombadilho daquele vapor francês. 

 

  (Clima, 1963)

 

Onésimo Silveira

 
Cidade da Praia, Cabo Verde
Fevereiro de 2010
 
Jorge Soares

 

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publicado às 22:01

Conto:Cartas de amor atraiçoado

por Jorge Soares, em 27.02.10

A mãe de Analía Torres morreu de uma febre delirante quando ela nasceu, o pai não suportou a tristeza e duas semanas mais tarde deu um tiro de pistola no peito. O irmão Eugênio administrou as terras da família e dispôs do destino da pequena órfã segundo o seu critério.

 

Até aos seis anos, Analía cresceu agarrada às saias de uma ama índia nos quartos de serviço da casa do seu tutor e depois, mal teve idade para ir à escola, mandaram-na para a capital, interna no Colégio das Irmãs do Sagrado Coração, onde passou os doze anos seguintes. Era boa aluna e amava a disciplina, a austeridade do edifício de pedra, a capela com a sua corte de santos e o seu aroma de cera e lírios, os corredores nus, os pátios sombrios. O que menos a atraía era o bulício das pupilas e o cheiro acre das salas de aula. Todas as vezes que tentava enganar a vigilância das freiras, escondia-se num canto, entre estátuas decapitadas e móveis partidos, para contar contos a si mesma.

 

Nesses momentos roubados, afundava-se no silêncio com a sensação de se abandonar a um pecado.

 

De seis em seis meses recebia uma curta carta do tio Eugênio recomendando-lhe que se portasse bem e honrasse a memória de seus pais, que tinham sido dois bons cristãos em vida e ficariam orgulhosos de que a sua única filha dedicasse a sua existência aos mais altos preceitos da virtude, quer dizer, entrasse como noviça para o convento. Mas Analía fez-lhe saber, desde a primeira insinuação, que não estava disposta a isso, mantendo a sua postura com firmeza simplesmente para o contradizer, porque no fundo gostava da vida religiosa. Escondida sob o hábito, na solidão última da renúncia a qualquer prazer, talvez pudesse encontrar paz perdurável, pensava; no entanto o seu instinto advertia-a contra os conselhos do tutor. Suspeitava que as suas acçöes eram motivadas pela cobiça das terras, mais do que pela lealdade familiar. Nada vindo dele parecia digno de confiança, em qualquer canto estava a armadilha.

 

Quando Analía fez dezasseis anos, o tio foi visitá-la ao colégio pela primeira vez. A madre superiora chamou a rapariga ao escritório e teve de os apresentar porque ambos tinham mudado desde a época da ama índia dos pátios traseiros e não se reconheceram.

 

 - Vejo que as Irmãzinhas têm cuidado de ti, Analía - comentou o tio, mexendo a chávena de chocolate. - Estás sã e até bonita. Na minha última carta disse-te que a partir da data deste aniversário receberás uma mesada para os teus gastos, tal como foi estipulado no testamento pelo meu irmão, que descanse em paz.

 

- Quanto?

- Cem pesos.

- É tudo o que meus pais me deixaram?

- Não, claro que não. já sabes que a fazenda te pertence, mas a agricultura não é tarefa de mulher, sobretudo nos tempos de greves e revoluçöes. Por agora far-te-ei chegar uma mensalidade. Depois veremos.

- Veremos o quê, tio?

- Veremos o que mais te convém.

- Quais são as minhas alternativas?

- Precisarás sempre de um homem que administre o campo, menina. Eu fi-lo todos estes anos e não foi tarefa fácil, mas é a minha obrigação, prometi-o a meu irmão na sua última hora e estou disposto a continuar a fazê-lo por ti.

 

- Não deverá fazê-lo por muito mais tempo, tio. Quando me casar tomo conta das minhas terras.

- Quando se casar, foi o que a moça disse? Diga-ma, madre, ela tem algum pretendente? 

- Não pense nisso, senhor Torres! Cuidamos muito das meninas.

-É só uma maneira de falar. Esta rapariga diz cada coisa! 

 

Analía Torres pôs-se de pé, alisou as pregas do uniforme, fez uma leve reverência com uma careta, e saiu. A madre superiora serviu mais chocolate ao cavalheiro, comentando que a única explicação para aquele comportamento descortês era o pouco contacto que a jovem tivera com os seus familiares.

 

- Ela é a única aluna que nunca vai de férias e a quem nunca mandaram um presente de Natal - disse a freira num tom seco.

- Eu não sou homem de mimos, mas asseguro-lhe que estimo muito a minha sobrinha e tenho cuidado dos seus interesses como um pai. Mas a irmã tem razão, Analía necessitava de mais carinho, as mulheres são sentimentais.

 

Antes de passarem trinta dias, o tio apresentou-se de novo no colégio, mas nessa ocasião não pediu para ver a sobrinha, limitou-se a dizer à madre superiora que o seu próprio filho desejava manter correspondência com Analía e pedia-lhe que lhe fizesse chegar as cartas para ver se a camaradagem com o primo reforçava os laços de família.

 

As cartas começaram a chegar regularmente. Simples papel branco e tinta preta, uma escrita de traços grandes e precisos. Algumas falavam da vida no campo, das estaçöes e dos animais, outras de poetas já mortos e dos pensamentos que eles escreveram. às vezes o sobrescrito incluía um livro ou um desenho feito com os mesmos traços firmes da caligrafia.

 

Analía resolveu não as ler, fiel à ideia de que qualquer coisa que tivesse a ver com o tio escondia perigo, mas no aborrecimento do colégio as cartas eram a sua única possibilidade de voar. Escondia-se no canto, não já para inventar contos improváveis, mas para reler com avidez as cartas enviadas pelo primo, até conhecer de memória as inclinaçöes das letras e a textura do papel. A princípio não lhes respondia, mas ao fim de pouco tempo não pôde deixar de o fazer. O conteúdo das cartas foi-se tornando cada vez mais útil para enganar a censura da madre superiora, que abria toda a correspondência. Cresceu a intimidade entre os dois e depressa conseguiram pôr-se de acordo quanto a um código secreto com o qual começaram a falar de amor.

 

Analía Torres não se recordava de ter visto alguma vez esse primo que assinava Luis, porque quando ela vivia em casa do tio o rapaz estava internado num colégio da capital. Tinha a certeza de que devia ser um homem feio, talvez doente ou aleijado porque lhe parecia impossível que uma sensibilidade tão profunda e uma inteligência tão precisa desse origem a uma situação tão atraente. Tentava desenhar na sua mente uma imagem do primo: gordo como o pai, com a cara picada pelas bexigas, coxo e meio calvo; mas quantos mais defeitos lhe juntava mais começava a amá-lo. O brilho do seu espírito era a única coisa importante, a única que resistiria à passagem do tempo sem se deteriorar e que iria crescer com os anos, a beleza desses heróis utópicos dos contos não tinha qualquer valor e até podia tornar-se em motivo de frivolidade, concluía a rapariga, embora não pudesse evitar uma sombra de inquietação no seu raciocínio. Perguntava a si própria quanta deformidade seria capaz de tolerar.

 

A correspondência entre Analía e Luis Torres durou dois anos, ao fim dos quais a rapariga tinha uma caixa de chapéus cheia de sobrescritos e a alma definitivamente entregue. Se alguma vez lhe chegou a passar pela cabeça a ideia de que aquela relação poderia ser um plano do tio para que os bens que ela herdara do pai passassem para as mãos de Luis, pô-la de parte imediatamente, envergonhada da sua própria mesquinhez. No dia em que completou dezoito anos, a madre superiora chamou-a ao refeitório porque havia uma visita à sua espera. Analía Torres adivinhou quem podia ser e esteve quase a esconder-se no canto dos santos esquecidos, aterrada ante a eventualidade de enfrentar finalmente o homem que tinha imaginado durante tanto tempo. Quando entrou na sala e ficou em frente dele necessitou de vários minutos para vencer a desilusão.

 

Luis Torres não era o anão retorcido que ela tinha construído em sonhos e aprendera a amar. Era um homem bem apessoado, com um rosto simpático de traços regulares, a boca ainda infantil, uma barba escura e bem cuidada, olhos claros de longas pestanas, mas vazios de expressão. Parecia-se um pouco com os santos da capela, demasiado bonito e um pouco bobalhão. Analía refez-se do impacte e decidiu que, se tinha aceitado no seu coração um marreco, com maior razão podia querer a este jovem elegante que a beijava na face, deixando-lhe um rasto de lavanda no nariz.

 

Desde o primeiro dia de casada, Analía detestou Luis Torres. Quando ele a estendeu entre os lençóis bordados de uma cama demasiado macia, soube que se tinha apaixonado por um fantasma e que nunca poderia passar essa paixão imaginária para a realidade do matrimónio. Combateu os seus sentimentos com determinação, a princípio afastando-os como um vício e depois, quando lhe foi impossível continuar a ignorá-los, fez por chegar ao fundo da alma para os arrancar de vez. Luis era gentil e até divertido por vezes, não a incomodava com exigências sem sentido nem quis modificar a sua tendência para a solidão e silêncio. Ela própria admitia que com um pouco de boa vontade da sua parte podia encontrar nessa relação certa felicidade, pelo menos tanta como tivera debaixo de um hábito

de freira. Não tinha motivos precisos para essa estranha repulsa pelo homem que amara durante dois anos sem conhecer. Nem conseguia pôr em palavras as suas emoçöes, mas se o tivesse podido fazer não teria tido ninguém para o comentar.

 

Sentia-se enganada por não poder conciliar a imagem do pretendente epistolar com a daquele marido de carne e osso. Luis nunca mencionava as cartas e quando ela tocava no assunto, ele fechava-lhe a boca com um beijo rápido e uma ou outra observação ligeira sobre esse romantismo tão pouco adequado à vida matrimonial, na qual a confiança, o respeito, os interesses comuns e o futuro da família importavam muito mais que uma correspondência de adolescentes. Não havia entre os dois uma verdadeira intimidade. Durante o dia cada um desempenhava os seus afazeres e à noite encontravam-se entre as almofadas de penas, onde Analía acostumada ao catre do colégio julgava sufocar. às vezes abraçavam-se à pressa, ela imóvel e tensa, ele com a atitude de quem cumpre uma exigência do corpo que não pode evitar. Luis adormecia imediatamente, ela ficava de olhos abertos no escuro e um protesto atravessava-lhe a garganta. Analía tentou diversos meios para vencer a recusa que ele lhe inspirava, desde o recurso do fixar de memória cada pormenor do marido com o propósito de o amar por pura determinação, até o de esvaziar a mente de todo o pensamento e mudar-se para uma dimensão onde ele não pudesse alcançá-la. Rezava para que fosse apenas uma repugnância passageira, mas passaram os meses e em vez do alívio esperado cresceu a animosidade até se transformar em ódio. Uma noite, surpreendeu-se a sonhar com um homem horrível que a acariciava com os dedos manchados de tinta negra.

 

Continua ...

 

Isabel Allende in Contos de Eva Luna

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publicado às 20:00

Não, não aconteceu nada!

por Jorge Soares, em 26.02.10

Não, não me aconteceu nada

 

Imagem do Público

 

“Não aconteceu nada.” Repito e repito a quem liga. Estou intacta, os “meus” estão intactos, suponho que não aconteceu nada.

 

Mas é um “nada” cheio de pessoas desaparecidas, é um “nada” repleto de cadáveres sujos, é um “nada” com muitas despedidas, com filhos perdidos, com mãos vazias.

 

E, sim, tenho lama até à cintura e pedregulhos no coração. E à noite, entre sonhos e pesadelos, tenho a casa inundada, filhos a escaparem-me dos braços e gritos maternos ecoam-me no peito e caem no colo saqueado.

 

E, sim, quando a chuva cai, em gotinhas miudinhas e inofensivas, não consigo respirar, vejo-me presa no carro vazio e sou arrastada para o fim do mundo e nada me prende e morro uma e outra vez.

 

E, sim, de vez em quando, vou a correr para casa e espero que ela lá esteja, rezo para que ela lá esteja, que as fotos de quem eu era, de quem os avós eram, esses que já cá não estão, lá estejam. Porque tenho medo de não ter mais passado, de sucumbir no meio da lama, da terra, do entulho e de me tornar invisível. Medo de acordar e já não existir.

 

E, sim, quando ando na rua olho de soslaio a ribeira, que vai murmurando baixinho, e as montanhas imponentes, que recortam o céu, e já não lhes adivinho nenhuma beleza…oiço-as troçar de mim, dos que choram, dos que partiram, dos que ficaram.

 

E, sim, a cada passo que dou, as pontes e as estradas parecem abrir buracos e as fendas invisíveis atormentam-me e não me surpreenderia cair no vazio e perder-me de mim, dos outros e não mais me encontrar ou ser encontrada.

 

E, sim, espero que me salvem e admira-me que me vejam a lama até à cintura, os pedregulhos na alma e não chamem ninguém para ajudar, espanta-me que na minha casa, inundada e vazia, não haja bombeiros atarefados, jornalistas curiosos a relatar ao mundo a tragédia que me assolou, que nos assolou a vida.

 

Parece que as ruas vão ficando limpas, algumas…e parece que decretaram que temos de sorrir e acenar e andar e comer e trabalhar e, de novo, sorrir e até, quem sabe, rir.

“Não, não aconteceu nada.”

 

Texto escrito e enviado por Lena Câmara Pacheco

Advogada/Madeira

 

Via Meninos de Ninguém

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publicado às 17:15

Crianças passam muitas horas no infantáriosO Dias do Avesso é um programa da Antena 1 em que a Isabel Stilwell e o Eduardo Sá falam de coisas da vida em modo de conversa descontraída, tornei-me ouvinte quando passei as 3 semanas em Macau e passava os meus dias ligado à internet a ouvir a Antena 1.

 

O tema de hoje era as crianças e os infantários, dizia o Eduardo Sá que algures um estudo (eu procurei, mas não encontrei)  constatou que as crianças portuguesas passam em média 9 horas por dia nos infantários, o que é um exagero, segundo ele, no máximo deveriam passar  6 horas.  

 

Disse também que as educadoras passam muito tempo nos infantários, tem muitas crianças em cada sala e que segundo o mesmo estudo, 70% das crianças, as nossas crianças, passam uma boa parte do dia a ver televisão nos infantários... , terminou dizendo que em média, pagamos quase 400 Euros por mês, um verdadeiro exagero.

 

Deixou-me a pensar, lembro-me que quando estávamos grávidos da R. foi uma verdadeira odisseia  arranjarmos lugar para ela, foi de tal modo que ela nasceu em Outubro, entrou para o Infantário em Fevereiro, mas nós estávamos a pagar desde Setembro, ainda ela estava bem aconchegada na barriga da mãe e já nós estávamos a pagar infantário.... é ridículo, mas é a mais pura verdade, consequências do sistema educativo e do apoio social que temos.

 

Tanto a R. como o N., sempre passaram 9 ou 10 horas no infantário, ambos trabalhamos, e não há avós ou tios por perto, e como a generalidade das famílias portuguesas não ganhamos para abdicar de um dos empregos ou ter empregada para ficar com as crianças. Eu estou de acordo com o Eduardo Sá, as crianças não deveriam passar tanto tempo nos infantários, mas a realidade em que vivemos é esta, por muito que este (pretensamente) seja um estado social, não há condições para que seja de outra maneira.

 

Estes dias fomos à Segurança Social tratar do processo da D. a assistente social disse logo que nem pensar em a colocar no infantário nos próximos meses e até que o processo esteja concluído...  uns 7 a 8 meses no mínimo, acho que vamos tirar à sorte a ver quem se despede do emprego para ficar em casa com ela...depois pensamos em como a alimentamos e aos irmãos..... há pessoas que devem viver noutro mundo.

 

Quanto ao facto de as crianças verem televisão, também sentimos isso, as nossas também viam, sempre fomos contra e quando achávamos que era exagero chamávamos a atenção para o assunto. A verdade é que a maioria do infantários não tem pessoal em quantidade suficiente e/ou  com as qualificações necessárias, muitas vezes as educadoras só passam uma parte do dia com as crianças e depois ficam as auxiliares... e a forma mais fácil de entreter as crianças é sentá-las frente à televisão.. 

 

Em suma, os infantários em Portugal são caros, tem pouco pessoal e muitas vezes sem as qualificações necessárias, as crianças passam muito  tempo lá e nós, os pais, não temos alternativas nem condições para que seja de outra forma.

 

Faltou falar das condições físicas de muitos dos infantários.. mas o post já vai largo.

 

É ao estado que compete fiscalizar e verificar que se cumpram as leis a todos os níveis, assim como é ao estado que compete zelar para que todas as crianças tenham as mesmas oportunidades, o que faz o estado?

 

 

Jorge Soares

PS:Imagem da internet

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publicado às 21:24

Tragédia na Madeira

Imagem do Público

 

O que aconteceu na Madeira é lamentável, é sempre de lamentar quando se perdem vidas humanas, e na Madeira perderam-se muitas vidas humanas em poucos minutos.

 

É evidente que o nosso planeta está a mudar, podemos achar que as noticias sobre o aquecimento global e as alterações climáticas são mais ou menos exageradas, mas a verdade é que assistimos cada vez mais a fenómenos extremos, fenómenos que cada vez nos afectam de forma mais próxima e violenta.

 

Tenho estado a acompanhar as noticias através da televisão, hoje estive em casa e as imagens que nos vão chegando são sem duvida impressionantes e brutais.  Agora é hora de confortar os afectados, reparar os danos e seguir em frente, porque a vida segue sempre.

 

É claro que nestes dois dias as opiniões sobre o que aconteceu e sobre as suas causas, são mais que muitas, 99% das opiniões apontam para além da chuva, a incúria de quem decide. O 1% restante vem de uma única voz, alguém que para além de não aceitar as opiniões dos técnicos, diz que não fez nada de mal e que vai continuar a fazer o mesmo....  esta afirmação é para além de irresponsável, criminosa!

 

Ontem um dos repórteres mostrava uma rua convertida em rio e alguém dizia que aquele era o leito do  original do  rio, só que alguém o tinha desviado e encanado há uns anos, e no antigo leito do rio havia agora uma rua e muitas casas,  que evidentemente foram destruídas pela força das aguas que voltaram ao seu leito natural.

 

Este é o exemplo típico de aquilo que aconteceu na Madeira, leitos de rios desviados ou fechados entre 4 paredes, todo o espaço de cheia ocupado com ruas, casas, rotundas e até edifícios com um rio que os atravessa.... 

 

Se isto não é incúria, é o quê? Que o Sr. Alberto João Jardim é arrogante e desbocado nós já sabíamos, o que não sabíamos é que também é cego... sim, porque não há pior cego que o que não quer ver.

 

Por certo, ontem ao fim do dia havia 40 mortos declarados, durante a amanhã passou para 42, entretanto encontraram mais 5 de uma família que foi esmagada por uma grua...mas a contagem continua em 42..... não foi o Salazar que mandou mentir sobre os mortos das cheias na Lezíria?

 

Mas o que aconteceu na Madeira deveria de servir-nos a todos de exemplo, porque PDM's desrespeitados e/ou desenhados ao gosto do freguês imobiliário, há em todo o país.... assim como chuva, rios e ribeiras.

 

Podem ver neste post, como podem ajudar a Madeira.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:38

Cidade da Praia com o Farol dona Maria Pia ao Fundo

 

Nós por cá seguimos muito bem, a D. é uma daquelas crianças que por onde passa deixa charme, sempre pronta para um sorriso e um olhar maroto,  fez hoje 15 dias que ela chegou, e está completamente adaptada, continua uma comilona e uma dorminhoca de primeira, apesar de alguma resistência a comer a sopa....

 

Hoje vou voltar aos postais de Cabo verde, como já disse num dos posts anteriores, se há algo que é diferente em Cabo Verde, é a calma das pessoas, as coisas são para fazer nas calmas.. outra das características dos Cabo Verdianos.... pelo menos de alguns Cabo Verdianos, são os primos, eles são todos primos.... pelo menos foi o que a mim me pareceu.

 

Hoje vou falar do Z., ele é  Cabo Verdiano, mas vive algures em Portugal há muitos anos, e o Z e a mulher também adoptaram uma criança em Cabo Verde e como tínhamos o mesmo advogado, fomos juntos. Nós sabíamos que ele tinha família na Praia, não sabíamos é que a população da Praia era toda da família dele....

 

Logo na segunda Feira, andávamos à procura de um restaurante onde almoçar, paramos num sitio a perguntar e quando dei por mim, estávamos os 4 sentados no gabinete do chefe do lugar, que para além de ser uma pessoa muito simpática, era primo do Z.  Reparem, nós entramos num sitio a perguntar onde podíamos almoçar.. ele descobriu um primo. Na conversa descobrimos que o Hotel onde eles estavam alojados, era de um outro primo dele... 

 

No dia a seguir fomos levar as coisas que a Associação Meninos do Mundo nos tinha entregue para uma das instituições de crianças, o taxista levou-nos ao sitio errado, fomos parar a outra instituição, mas a pessoa que nos abriu a porta ...adivinhem, era prima do Z. e recordava-se dele e da família dele... e foi muito simpática porque nos levou ao sitio certo.

 

Nos dias seguintes descobrimos que o advogado não era primo, mas era amigo da família e ainda mais um ou dois primos que foram aparecendo.

 

Mas o Z, para além de primos, tem uma capacidade de desenrascanço que é de louvar. Em todo o processo, o mais critico, para além dos erros nos documentos oficiais do tribunal, era o facto de termos que pedir visto para as crianças poderem entrar em Portugal. As coisas na embaixada de Portugal nem sempre correm bem e o visto tanto pode demorar dois ou três dias, como 15. Os nossos demoraram umas horas.

 

Fomos ao Consulado, levávamos o nome do Cônsul e a conversa com o segurança da entrada foi mais ou menos assim:

 

-Queríamos falar com o Dr. XXXXX

-O Senhor XXXX já não é cônsul cá!

-Não? Ohhh, e quem é agora?

-É a Dr.ª Raquel .......

-Curioso, ela foi minha colega na faculdade - Diz o Z., e nós a olharmos para ele incrédulos - Podemos falar com ela?

-Só um momento..

 

O homem liga lá para dentro, pergunta o nome e lá vamos os 4 directos ao Gabinete da Drª Raquel.... que foi de uma simpatia extrema, levou-nos directamente à funcionária Consular e a partir daqui as coisas correram sobre rodas, e o visto só não ficou no mesmo dia porque não havia maneira de os documentos virem do tribunal com os dados certos.

 

Moral da história, O Z. tem muitos primos e quando não tem, inventa-os.

 

Apesar de a probabilidade de alguma vez passaram por cá ser pequena, aproveito para deixar um enorme bem haja à Dr.ªa Raquel e à Mónica do consulado de Portugal em Cabo Verde por toda a sua simpatia e sensibilidade, ,..... , e um enorme abraço ao Z. e aos seus muitos primos.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:29

Conto: A despedideira

por Jorge Soares, em 20.02.10

A despedideira, Mia Couto

 

Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas.

No resto, quero que tenha medo e me deixe ser mulher, mesmo que nem sempre sua. Que ele seja homem em breves doses. Que exista em marés, no ciclo das águas e dos ventos. E, vez em quando, seja mulher, tanto quanto eu. As suas mãos as quero firmes quando me despir. Mas ainda mais quero que ele me saiba vestir. Como se eu mesma me vestisse e ele fosse a mão da minha vaidade.

Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém. Às vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei, tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.

Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeirissímo dia, dei conta de que, até então, nunca eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comercia palavra, em negoceio de sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre o abismo. Falar é outra coisa vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra e me divinizei. Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada

Lembro desse encontro, dessa primogénita primeira vez. Como se aquele momento fosse, afinal toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por a parava. A brisa sem voar, quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a sua única viagem tivesse sido para a minha vida.

No entanto, algo nele aparentava distância. O último escapava entre os seus dedos. Não levava o cigarro à boca. Em seu parado gesto, o tabaco aí mesmo se consumia.

Ele gostava assim: a inteira cinza tombando intacta no chão. Pois eu tombei igualzinha àquela cinza. Desabei inteira sob o corpo dele Depois, me desfiz em poeira, toda estrelada no chão. As mãos dele: o vento espalhando cinzas.

Nesse mesmo pátio em que se estreava me coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher havendo Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. Eu insisti, louca de tristeza. Não havia mesmo outra mulher? Não havia. O único intruso era o tempo, que nossa rotina deixara crescer e pesar. Ele se chegou me beijou a testa. Como se faz a um filho, um beijo longe da boca. Meu peito era um rio lavado, escoado no estuário do choro.

Era essa tarde, já descaída em escuro. Ressalvo. Diz-se que a tarde cai. Diz-se que a noite também cai. Mas eu encontro o contrário: a manhã é que cai. por um cansaço de luz, um suicídio da sombra. Lhe explico. São três os bichos que o tempo tem: manhã, tarde e noite. A noite é quem tem asas. Mas são asas de avestruz. Porque a noite as usa fechadas, ao serviço de nada. A tarde é a felina criatura. Espreguiçando, mandriosa, inventadora de sombras. A manhã, essa, é um caracol, em adolescente espiral. Sobe pelos muros, desenrodilha-se vagarosa. E tomba, no desamparo do meio-dia.

Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e ainda morro vazia, sem gota.

Porque eu não sou por mim. Existo reflectida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora, distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.

Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos, tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida. Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu amor.

Assim, ele virá para renovar despedidas. Quando a lágrima escorrer no meu rosto eu a sorverei, como quem bebe o tempo. Essa água é, agora, meu único alimento. Meu último alento. Já não tenho mais desse amor que a sua própria conclusão. Como quem tem um corpo apenas pela ferida de o perder. Por isso, refaço a despedida. Seja esse o modo de o meu amor se fazer eternamente nosso.

Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.

Ninguéns.

 

Mia Couto, In O Fio das Missangas

 
 
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publicado às 21:25

Livro:A Ilha debaixo do Mar - Isabel Allende

por Jorge Soares, em 19.02.10

A ilha debaixo do mar -Isabel Allende

 

 «Todos temos dentro de nós uma insuspeita reserva de força que emerge quando a vida nos põe à prova.»

                           Isabel Allende, A Ilha Debaixo do Mar

 

Comprei este livro no inicio do ano, ainda antes do terramoto,  como já estava a ler 3, este ficou guardado, depois foi o terramoto e o Haiti entrou de um momento para o outro no nosso vocabulário do dia a dia de uma forma brutal e avassaladora.

 

Levo sempre um livro quando vou de viagem, foi este o que escolhi para levar para Cabo Verde... em boa hora, porque passei uma semana de enorme tensão e o livro funcionou como um escape.

 

Sou fã da Isabel Allende, acho que li tudo o que ela escreveu e cada um dos seus livros é uma nova descoberta, adoro a forma como nos envolve nas historias e no ambiente do livro.

 

Este não é um livro sobre o Haiti, é um livro sobre o povo do Haiti, mais que um romance é um livro de historia, que nos descreve o auge e a queda da mais rica das colónias francesas e a forma como de uma enorme mistura de culturas  se  tece o passado e o futuro de um povo.

 

O livro descreve a vida nas plantações de cana de Açúcar, o ouro branco das Antilhas,  a forma como eram  tratados os escravos, a forma como conseguem preservar algumas das suas tradições que darão origem ao Vudu que sobrevive até aos dias de hoje, a forma como das suas fraquezas fazem força e com elas enfrentam todo o poderio de uma nação europeia até a vergarem.

 

Como já disse noutro post, o Haiti foi a primeira nação a obter a sua independência na América latina, uma independência conseguida à custa de muito sangue, de muita vingança, de muita destruição que deixou marcas até ao dia de hoje... tudo isso é mostrado no enredo do livro através das vidas das personagens e da forma como vivem e morrem num meio que antes de mais, é sempre hostil e selvagem.

 

Em Suma, um excelente livro que está  à altura de todos os outros desta autora.

 

Sinopse:

 

Para quem era uma escrava na Saint-Domingue dos finais do século XVIII, Zarité tinha tido uma boa estrela: aos nove anos foi vendida a Toulouse Valmorain, um rico fazendeiro, mas não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana, nem a asfixia e o sofrimento dos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver, e a conhecer as misérias dos amos, os brancos. Zarité converteu-se no centro de um microcosmos que era um reflexo do mundo da colónia: o amo Valmorain, a sua frágil esposa espanhola e o seu sensível filho Maurice, o sábio Parmentier, o militar Relais e a cortesã mulata Violette, Tante Rose, a curandeira, Gambo, o galante escravo rebelde… e outras personagens de uma cruel conflagração que acabaria por arrasar a sua terra e atirá-los para longe dela. Quando foi levada pelo seu amo para Nova Orleães, Zarité iniciou uma nova etapa onde alcançaria a sua maior aspiração: a liberdade. Para lá da dor e do amor, da submissão e da independência, dos seus desejos e os que lhe tinham imposto ao longo da sua vida, Zarité podia contemplá-la com serenidade e concluir que tinha tido uma boa estrela.

 

Jorge Soares

 

 

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publicado às 22:08

Os meninos dos carrinhos de arame, Cabo Verde

 

Há coincidências na vida bem curiosas, hoje de manhã abri um mail que recebi há um ou dois dias da Eugénia, o Subject era:Obrigatório Ler... , lá dentro um Texto de Fernando Nobre em que se fala do valor do salário mínimo nacional e dos valores altos das pensões, no geral é um texto com o que concordo, efectivamente o Salário Mínimo é baixo quando comparado com muitos dos países da Europa comunitária e há pensões que são um escândalo. Mas o que me chamou a atenção e me levou a responder à Eugénia foi a seguinte frase:

 

"Os números dizem 18% de pobres... Não me venham com isso. Não entram nestes números quem recebe os subsídios de inserção, complementos de reforça e outros. Garanto que em Portugal temos uma pobreza estruturada acima dos 40%, é outra coisa que me envergonha..."

 

O sublinhado não é meu.

 

Dei por mim a pensar na conversa do Taxista numa das viagens para o interior da ilha em Cabo Verde. "O Salário mínimo são 9000 Escudos, mas eu conheço pessoas que ganham metade disso" Para obter o valor em Euros basta dividir por 100. Tudo na vida é uma questão de perspectiva, se tivermos em conta que o preço das coisas nos supermercados custa o mesmo ou mais que cá, se chamamos pobres a 40% da população portuguesa, o que dizer do povo de Cabo Verde? E dizia-me alguém que Cabo Verde é dos países com melhor nível de vida em África.

 

Curiosamente a meio da tarde vi esta noticia do Público em que o senhor diz que é candidato à Presidência da República. ... Para alguém que é presidente da AMI, alguém que deve ver muitas vezes situações piores que as de Cabo Verde, acho que as afirmações acima estão completamente fora de perspectiva.... e só as entendo se as enquadrar na pré-campanha eleitoral.

 

Quando estava em Cabo Verde e apareceram as crianças das fotografias com os carrinhos feitos de arame, lembrei-me de uma conversa com o meu pai, em que ele contava que quando era criança fazia os seus próprios brinquedos com arames e madeira, tal qual os que as crianças traziam. Reparem, o meu pai tem mais de 60 anos, estamos a falar do Portugal de há  de 50 anos atrás.... .. é essa a situação actual das crianças em Cabo verde. E eu vi muitas crianças nas ruas e nas estradas, mas para além de uma ou outra bola, não vi mais brinquedos que estes...e não me lembro de ter visto uma loja de brinquedos, ou um centro comercial.. aliás, para além de dois ou 3 supermercados e muitas lojas de chineses, não vi lojas.

 

Tudo na vida é uma questão de perspectiva,eu também acho que deve ser difícil viver com 450 Euros por mês, e concordo que o salário mínimo deveria ser aumentado, mas não me digam que 40 % das pessoas em Portugal são Pobres, nunca neste país se viveu tão bem, alguém deveria dizer ao senhor o que é ser pobre, e todos deveríamos de vez em quando visitar Cabo Verde, ou outro país onde realmente exista pobreza... só para entrarmos em perspectiva.

 

Quanto ao Sr Fernando Nobre, é cedo para a campanha eleitoral..e se como presidente da Ami ainda não conseguiu colocar-se em perspectiva sobre a realidade do mundo em que vivemos, o melhor é que se continue a dedicar à Medicina e deixe a politica de lado.

 

Jorge Soares

 

PS:imagens minhas do Momentos e Olhares

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publicado às 21:31

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Nós por cá tudo bem.

 

Voltamos há pouco mais de uma semana de Cabo Verde, mas se não contarmos ninguém diria, a D. é uma criança bem disposta e que vai distribuindo charme pelo mundo, não há quem não fique imediatamente conquistado.

 

Hoje dou a palavra à minha meia laranja que escreveu o seguinte na lista de mail sobre adopção:

 

"o que eu já sei da minha filha...apos 15 dias!


Sei que é generosa...e com uma alegria sem limite...

Sei que gosta de correr pela casa...saltar em cima da cama dos pais.

Sei que é determinada e que não gosta nada de ser contrariada.

Sei que gosta muito de comer...e não é nada esquisita...mas prefere peixe, carne, arroz e massa a sopinha. 

Sei que as comidas preferidas é banana e iogurtes.

Sei que adora bolas, balões e carrinhos pequeninos do mano Nuno.

Sei que gosta Barbies, mas não gosta nada de Nenucos, nem bonecos de peluche.

Sei que adora colares e ganchinhos para o cabelo.

Sei que gosta de construir torres com legos e fazer desenhos com lápis de cor.

Sei que gosta de dormir aconchegada a uma almofada, mas sem meias calçadas.

Sei que gosta de dançar e ouvir música.

Sei que tapa os olhos com as mãos quando está envergonhada, ou fez uma asneira.


Pois, todos os dias, são ainda dias de descoberta."

 

Uma das coisas que mais preocupa os candidatos à adopção é a adaptação das crianças, esta foi retirada do seu ambiente natural de um dia para o outro, em poucos dias mudou de família;de país;de cultura, passou do calor do verão para o gelo deste inverno em poucas horas, mas todas as pessoas que já a conheceram, desde as assistentes sociais até ao pediatra, acham incrível a forma como ela está adaptada e como é feliz.....

 

Jorge Soares

PS:Imagem minha, não é a D., são crianças de Cabo Verde

 

 

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publicado às 21:45

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