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Voamos qual gaivotas ....

por Jorge Soares, em 31.08.10

Voamos qual gaivotas, lado a lado.

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Voamos qual gaivotas, lado a lado...

 

Faz algum tempo, e o tempo inteiro,

Você elogia meu porte altaneiro!

Eu, o seu vôo sedutor e delicado!

 

E em círculos a nos observar,

Voamos. Falo de sua sutil graça,

Você do meu saber e assim passa,

Todo o tempo, e a gente a voar...

 

E será assim por toda nossa vida!

Pois a nós dois falta com certeza,

Coragem para na praia dar partida

 

Ao ritual de amor, se acasalando!

 

Mas talvez seja esta a grande beleza,

De juntos envelhecermos nos amando!

 

 

Pedro Paulo da Gama Bentes

 

Algarve, Março de 2009
Jorge Soares
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publicado às 20:27

por Jorge Soares, em 30.08.10

Folha sobre os seixos no Portinho da Arrábida

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

 

Não fui, na infância, como os outros

e nunca vi como outros viam.

Minhas paixões eu não podia

tirar de fonte igual à deles;

e era outra a origem da tristeza,

e era outro o canto, que acordava

o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.

Assim, na minha infância, na alba

da tormentosa vida, ergueu-se,

no bem, no mal, de cada abismo,

a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,

da rubra escarpa da montanha,

do sol, que todo me envolvia

em outonais clarões dourados;

e dos relâmpagos vermelhos

que o céu inteiro incendiavam;

e do trovão, da tempestade,

daquela nuvem que se alteava,

só, no amplo azul do céu puríssimo,

como um demôno, ante meus olhos.

 

Edgar Allan Poe

 

Tradução de Oscar Mendes

 

Portinho da Arrábida, Setúbal

Janeiro de 2010

Jorge Soares

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publicado às 20:25

Auto-Retrato

por Jorge Soares, em 29.08.10

Gato

 

 

Poeta é certo mas de cetineta 
fulgurante de mais para alguns olhos 
bom artesão na arte da proveta 
marciso de lombardas e repolhos. 

Cozido à portuguesa mais as carnes 
suculentas da auto-importância 
com toicinho e talento ambas partes 
do meu caldo entornado na infância. 

Nos olhos uma folha de hortelã 
que é verde como a esperança que amanhã 
amanheça de vez a desventura. 

Poeta de combate disparate 
palavrão de machão no escaparate 
porém morrendo aos poucos de ternura. 

Ary dos Santos, in 'Fotosgrafias'

 

Porque é mais ou menos assim que me sinto.

 

Gato no Miradouro de São Domingos

Setúbal, Março de 2009

Jorge Soares

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publicado às 10:14

Conto: Estranha beleza

por Jorge Soares, em 28.08.10


"Por entre os passos que se julgam, não há mais sentido
de justiça que o próprio caminho que se decidiu descobri".



A manhã surgira como num primeiro pequeno ritual. Aquele que atinge o auge da sua beleza quando o próprio sol dá ao dia a imagem que descobre no simples facto de não existir mais uma desculpa que possa inventar, para não oferecer o seu empurrão pessoal ao dia que está quase para nascer. Naquelas paredes cheira a vingança! A porta viaja de ponta a ponta numa melodia acesa no belo que pode existir em ouvir dobradiças oxidadas. Cada pedaço de som mostra o atrevido quanto baste, para ofertar aqueles momentos em que de forma inexplicável sentimos o vigor de um arrepio, como se fossemos resgatados à letargia de um momento e lançados de novo no caos da realidade.

Uma densa nuvem emerge de meia dúzia de euros mal gastos em tabaco de qualidade duvidosa. Esconde também aproximadamente meia dúzia de recordações calculadas e mal perdidas; num hall que se espera, seja só já mais de saída. Por momentos, arrancado à existência mergulhada numa passividade inebriante, Patrício Euclides, reconduz a frequência de um nunca mais. Descobre cada palavra imposta não se sabe muito bem quando e encontra cada sentido como uma decisão contundente, fingida e extremamente correcta.

De novo o hall, que é entrada também. Antecede o que se pode chamar de sala. Uma mesa, a cadeira que ampara quase pateticamente o traseiro pesado do Patrício e uma dezena mal contada de papéis riscados, a fingir um chão. Estranha beleza esta, a que pode existir num local, que já tratou a porcaria por outro nome mais ordinário.

Patrício Euclides teima em descobrir a sala. Revela as velocidades que os seus olhos verde melão perdem em contemplação. Como se uma qualquer taça velha e mal cheirosa, uma imitação barata de cristal francês, pudesse arrancar da penumbra uma garrafa meia vazia e o espaço restante que se consegue inventar para sonhar acompanhasse a viagem daquela solução oxigenada.

Os lábios que já beijaram o amor do Patrício, soltam pequenas palavras inodoras. A embriaguez lava o sentido que qualquer outra, interpretação, procurasse encontrar por entre o hálito impregnado de uma aguardente que melhor ele usara para sarar a ferida que teima em enfeitar-lhe de escarlate aquele joelho demasiadas vezes flectido.

O Patrício sabe o significado daquela sensação. É assim como se pudesse repetir uma palavra, no segundo que se segue à hora de ir embora e saber de cor a resposta que ouviu mais vezes. Porque foi ele mesmo que a inventou, e a coragem para fazer aquela pergunta sabe ao mesmo amargo que fere agora o seco que arrasta nos seus lábios.

Segura com medo. Treme bastante ao ouvir os sons que não consegue compreender e descobre nos apêndices dos seus braços, o refúgio que procura no vazio. Talvez mesmo o abraço que se foi adiando. Nada do que tem hoje lhe parece melhor do que aquilo que pode sonhar para possuir, quando amanhã for aquele momento para saber tudo o que poderia ter conquistado. Das mãos que então tremerem, os olhos verdes dificilmente poderão julgar qualquer movimento que não compreenderem, para além de uma necessidade absurda de sentir o sabor de um abraço

No verde dos seus olhos, haverá quem jure vê-los grandes, como se pudessem rivalizar duas nozes, perdidos e inflamados, como um grito quando desvenda o mistério da tristeza que se encontra há demasiado tempo numa ressaca que se foi evitando.

Os olhos verdes despertam paixão. Também sabem dizer quando é tempo de ficar sozinho e as mãos ainda a tremer e a cabeça que não para de pender, faz toda a vontade às pernas que seguem um caminho inventado de passos improvisados. Lá fora apenas uma brisa que imite os seus pés pode correr na escuridão encontrada e roubada às luzes da cidade e da sua solidão. Não existe uma única rua que se possa confundir com a sua e ao primeiro vómito, as luzes que se confundem nos olhos que não se querem agarrar à estrada que se decidiu arrastam-se para uma queda que se torna inevitável.

Aperta o que há de seu entre os braços que conhece bem demais, pelas marcas que foi juntando. Uma a uma, como se cada beijo no asfalto fosse premiado com uma recordação para exibir com vaidade. Recebe o ar fresco da madrugada como se fosse uma medalha e contempla as luzes que por fim se vão tornando recordações. Como se procurasse uma metade de amor-próprio que pudesse exibir orgulhoso no caminho que fingisse saber para casa.

Invade-se de uma vontade de sentir um toque em todo o seu corpo. Assim como se houvesse uma capacidade de amar que estivesse escondida, a uma distância abaixo da sua epiderme. Necessita desesperadamente de um banho. Inventa um mar tão conveniente, rebola pela areia da praia com as dunas do esquecimento por cenário e adormece os olhos já salgados demasiadas vezes. E quase sonha. Desperta. Como se houvesse no seu sonho sensações que o queimassem, o que resta da garrafa que chamou de sua ao sair daquele bar oferece-lhe a companhia de que precisa para o único encontro que terá até ao fim daquela noite. A música. Quase pode ouvir ao partilhar o ultimo momento de prazer que se pode descobrir no fundo de uma garrafa, no vício que há nas suas mãos, um segundo de uma alegria imensa que não se pode compreender.

O vento volta a soprar, o carrasco das longas estradas empoeiradas, finge-se de um impulso como se estivéssemos a falar de novidades e uma nova história nascesse deste momento quase hipócrita. Quem ouve o vento sabe que não o pode compreender com a facilidade daqueles que conhecem o seu toque. Quem conhece o vento no auge da madrugada tem apenas que descobrir que não se pode esconder. Aqueles que sabem a verdade escondem a dor nas garrafas que vão amando. Os outros ajeitam o corpo entre o quente e a segurança que se pode encontrar no abraço que se rouba ao segurar a mão de quem está junto e partilha o leito. Como se a verificar da possibilidade do assalto da solidão. Quem ouve assim o vento simplesmente volta as costas e volta a dormir.

O Patrício sabe quem é. Sabe de que lado do seu sonho escuta ele aquele vento. O som seco de uma porta que se fecha acorda o que ainda se pode traduzir por alerta, num ínfimo espaço do seu ser. O som do motor, a velocidade que se inicia, a janela que se abre e o criar do seu próprio vento. Aquele que não poderá pertencer a mais ninguém. Talvez fosse possível naquele mesmo segundo, lado a lado poder retirar daquele momento os dias que já se foram, aquilo que quis esquecer. Tudo somado ao possível do hoje com a certeza das horas passadas e descobrir que o erro existe, na conta que se desconhece, só porque nunca se segurou a vontade necessária para um dia mais tarde tornar melancolia aquela noite. Tão estranha por ser tão repetida.

 

Luis Garcia

 

Retirado de Releituras

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publicado às 21:05

Sou um evadido

por Jorge Soares, em 28.08.10

Fim do caminho, pontão em Milfontes

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

 

Sou um evadido.

Logo que nasci

Fecharam-me em mim,

Ah, mas eu fugi.

 

Se a gente se cansa

Do mesmo lugar,

Do mesmo ser

Por que não se cansar?

 

Minha alma procura-me

Mas eu ando a monte,

Oxalá que ela

Nunca me encontre.

 

Ser um é cadeia,

Ser eu é não ser.

Viverei fugindo

Mas vivo a valer.

 

Fernando Pessoa

 

Vila Nova de Milfontes

Junho de 2009

Jorge Soares

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publicado às 20:19

Mulher da vida

por Jorge Soares, em 27.08.10

Mulher da vida

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

 

Mulher da Vida, minha Irmã.

 

De todos os tempos.

De todos os povos.

De todas as latitudes.

Ela vem do fundo imemorial das idades e

carrega a carga pesada dos mais

torpes sinônimos,

apelidos e apodos:

Mulher da zona,

Mulher da rua,

Mulher perdida,

Mulher à-toa.

 

Mulher da Vida, minha irmã.

 

Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.

Desprotegidas e exploradas.

Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.

Necessárias fisiologicamente.

Indestrutíveis.

Sobreviventes.

Possuídas e infamadas sempre por

aqueles que um dia as lançaram na vida.

Marcadas. Contaminadas,

Escorchadas. Discriminadas.

 

Nenhum direito lhes assiste.

Nenhum estatuto ou norma as protege.

Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,

pisadas, maltratadas e renascidas.

 

Flor sombria, sementeira espinhal

gerada nos viveiros da miséria, da

pobreza e do abandono,

enraizada em todos os quadrantes da Terra.

 

Um dia, numa cidade longínqua, essa

mulher corria perseguida pelos homens que

a tinham maculado. Aflita, ouvindo o

tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,

ela encontrou-se com a Justiça.

 

A Justiça estendeu sua destra poderosa e

lançou o repto milenar:

“Aquele que estiver sem pecado

atire a primeira pedra”.

 

As pedras caíram

e os cobradores deram s costas.

 

O Justo falou então a palavra de eqüidade:

“Ninguém te condenou, mulher...

nem eu te condeno”.

 

A Justiça pesou a falta pelo peso

do sacrifício e este excedeu àquela.

Vilipendiada, esmagada.

Possuída e enxovalhada,

ela é a muralha que há milênios detém

as urgências brutais do homem para que

na sociedade possam coexistir a inocência,

a castidade e a virtude.

 

Na fragilidade de sua carne maculada

esbarra a exigência impiedosa do macho.

 

Sem cobertura de leis

e sem proteção legal,

ela atravessa a vida ultrajada

e imprescindível, pisoteada, explorada,

nem a sociedade a dispensa

nem lhe reconhece direitos

nem lhe dá proteção.

E quem já alcançou o ideal dessa mulher,

que um homem a tome pela mão,

a levante, e diga: minha companheira.

 

Mulher da Vida, minha irmã.

 

No fim dos tempos.

No dia da Grande Justiça

do Grande Juiz.

Serás remida e lavada

de toda condenação.

 

E o juiz da Grande Justiça

a vestirá de branco em

novo batismo de purificação.

Limpará as máculas de sua vida

humilhada e sacrificada

para que a Família Humana

possa subsistir sempre,

estrutura sólida e indestrurível

da sociedade,

de todos os povos,

de todos os tempos.

 

Mulher da Vida, minha irmã.

 

Cora Coralina

 

Jorge Soares

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publicado às 21:05

A Mulher

por Jorge Soares, em 26.08.10

Mulher - Florbela espanca

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

A mulher

 

Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!
Quantas morrem saudosa duma imagem.
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem 
Enquanto a boca rir alegremente!
Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!
Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

 

Florbela Espanca

 

Setúbal

Março de 2010

 

Jorge Soares

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publicado às 20:10

O Poema que não há

por Jorge Soares, em 25.08.10

Balada do poema que não há, rosa

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Balada do Poema que não há

 

Quero escrever um poema 
Um poema não sei de quê 
Que venha todo vermelho 
Que venha todo de negro 
Às de copas às de espadas 
Quero escrever um poema 
Como de sortes cruzadas 

Quero escrever um poema 
Como quem escreve o momento 
Cheiro de terra molhada 
Abril com chuva por dentro 
E este ramo de alfazema 
Por sobre a tua almofada 
Quero escrever um poema 
Que seja de tudo ou nada 

Um poema não sei de quê 
Que traga a notícia louca 
Da história que ninguém crê 
Ou esta afta na boca 
Esta noite sem sentido 
Coisa pouca coisa pouca 
Tão aquém do pressentido 
Que me dói não sei porquê 

Quero um poema ao contrário 
Deste estado que padeço 
Meu cavalo solitário 
A cavalgar no avesso 
De um verso que não conheço

 

Manuel Alegre

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publicado às 20:13

Quando uma rosa morre

por Jorge Soares, em 24.08.10

Quando uma rosa morre

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Quando uma rosa morre
Outra cresce em seu lugar
Para onde o rio corre
Não é sempre o mesmo mar.

O sentido é um desvio
E a verdade um acidente
Não é sempre o mesmo rio
Não é sempre a dor que sente.

Quando uma rosa morre
Outra lua se anuncia
Não é sempre a mesma luz
Nem o mesmo fim do dia.

O sentido é um desvio
E a verdade um acidente
Não é sempre o mesmo rio
Não é sempre a dor que sente.

Quando uma rosa morre...

 

Rádio Macau

 

Outubro de 2009

Jorge Soares

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publicado às 20:09

O futuro, uma sombra mentirosa

por Jorge Soares, em 23.08.10

Pescadores em Cabo Verde

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Sempre o Futuro, Sempre! e o Presente

 

Sempre o futuro, sempre! e o presente 
Nunca! Que seja esta hora em que se existe 
De incerteza e de dor sempre a mais triste, 
E só farte o desejo um bem ausente! 

Ai! que importa o futuro, se inclemente 
Essa hora, em que a esperança nos consiste, 
Chega... é presente... e só á dor assiste?... 
Assim, qual é a esperança que não mente? 

Desventura ou delirio?... O que procuro, 
Se me foge, é miragem enganosa, 
Se me espera, peor, espectro impuro... 

Assim a vida passa vagarosa: 
O presente, a aspirar sempre ao futuro: 
O futuro, uma sombra mentirosa. 

Antero de Quental, in 'Sonetos'

 

 

 

Pescadores da Cidade Velha, Ilha de Santiago

Cabo Verde

Fevereiro de 2010

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publicado às 20:07

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