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Ano novo, alegria e optimismo

por Jorge Soares, em 30.12.10

Mafalda, alegria e optimismo

 

Deve ser da idade, mas já não consigo olhar para a vida e dividi-la em fatias de 12 meses, não sou capaz de olhar para trás e pensar se este foi um bom ou mau ano, assim como não consigo olhar em frente e desejar que o próximo seja bom.. ou melhor, não consigo fazer planos a tanto tempo, nem desejos para mais uma fatia da vida... Acho que cheguei a uma fase em que simplesmente quero viver, ir passo a passo, viver cada dia pela positiva, a passagem do ano não é mais que uma passagem do calendário e um motivo para festejar... o tempo passa é verdade.. mas passa todos os dias... deveríamos festejar cada um deles, porque é sinal de que já o vivemos... e cada manhã mais uma oportunidade para vivermos.

 

Os últimos 12 meses  fizeram mudar a minha vida porque com eles veio o concretizar de um desejo antigo e uma nova vida cá para casa, com ela veio o recordar, por vezes saber as coisas não é suficiente, é necessário ver mesmo, que existem mais mundos e mais realidades para além da que vemos e vivemos todos os dias... ir a Cabo Verde e ver a realidade na que vivia a minha filha mostrou-me que há muito por fazer no mundo para que este seja realmente justo.... agora, há que fazer por isso... fazer que o mundo seja mais justo.

 

Ontem estava a ver a série Ossos (Bones, no original) e alguém dizia que não festejava o natal porque não fazia sentido nenhum festejar algo que na realidade terá acontecido algures em Março ou Abril.. é claro que é só uma forma de levar o significado do natal demasiado à letra.. mas deixou-me a pensar... todas estas festas, ano novo incluído, davam muito mais jeito se em lugar de no solstício de inverno fossem por exemplo no  de verão, não acham?.. afinal a ideia é só festejar, ninguém sabe realmente quando ou onde supostamente nasceu Jesus, logo, 25 de Dezembro ou 25 de Junho... e solstício por solstício, qualquer um é bom.... e vão por mim, que já passei vários, passar o natal na praia... tem muita pinta...

 

Desejo a todos os que por aqui passam o mesmo que desejo para mim e os meus, que sejam felizes... sempre, todos os dias.. durante o próximo e  todos os anos seguintes.. façam lá o que diz a Mafalda... ela é que sabe... e já agora, cuidado com os excessos.

 

 

 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:58

 

Acabo de chegar dos meus mil Kms do natal, este ano a volta foi ligeiramente diferente, mas foram na mesma os mil kms, depois de conduzir umas 4 horas cheguei cansado e sem muita cabeça para a escrita, de modos que nem ia escrever nada, mas de repente dei por mim a encontrar a blogosfera e por arrasto a comunicação social, em alvoroço... tudo porque parece que a ensitel esqueceu que quando nada mais resta, ainda há o direito à indignação.

 

Eu sigo o blog da Jonas, porque ela além de escrever muito bem, tem mau feitio,  e tal como eu faço muitas vezes, utilizou o blog para em vários takes  narrar algo que lhe aconteceu na compra de um telemóvel.

 

Algo que se deveria ter resolvido na simples e trivial troca de um aparelho defeituoso por um em bom estado, redundou numa telenovela que terminou em tribunal, sendo que o tribunal considerou que a Jonas não tinha razão, coisa que a Jonas explicou no seu blog, mostrou a sua indignação e deu o assunto por encerrado, deu ela, porque parece que a ensitel decidiu que não deve existir o direito à indignação e vai daí, decidiu colocar uma providência cautelar para obrigar a Jonas a retirar os posts.

 

Quando não nos resta mais por fazer resta-nos o direito à indignação, ora, o direito à indignação da Jonas em dois dias espalhou-se pelas redes sociais como fogo em palha seca, a esta hora o caso passou da blogosfera e das redes sociais para a comunicação social e de uns milhares de leitores do blog da Jonas para todo o país e até para o mundo.

 

Imagino que os senhores da ensitel já devem ter percebido, mesmo depois de terem apagado os primeiros comentários negativos  na sua página do facebook, que já não interessa nada se ela retira os posts ou não, neste momento há na internet milhares de pessoas a dizer que não compram mais nada na ensitel e o nome da empresa está pelo chão.

 

Eu estou de acordo com a Jonas: A Ensitel está a precisar de contratar uma empresa de Relações Públicas, mais do que uma sociedade de advogados. Triste é que, passado tanto tempo, ainda não tenham percebido isso.

 

Para quem tiver pachorra para a novela toda, é seguir os links.

 

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Take 5

Take 6

 

Jorge Soares

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publicado às 22:15

Conto, O bolo rei

por Jorge Soares, em 25.12.10

 

Todos os anos, quando os velhos Reis Magos acabam de atravessar a pequena estrada de areia que se esboça entre caminhos de musgo e lagos feitos de bocados de espelho partido; quando a estrela de prata que se suspende entre os dois exemplares de “A Paleta e o Mundo” de Mário Dionísio se recolhe para regressar à velha caixa de papelão, com trinta anos de viagens, cheia de bocados de jornal amachucados que ainda guardam notícias de dias que já foram e onde se embrulham os cordeirinhos, os pastores, as oferendas várias que o Menino Jesus recebeu, apesar de já lhe faltar a mãozinha direita que alguém partiu em excesso de limpeza; todos os anos, dizia, recordo a história que o Fernando Midões me contou, certa tarde em que misturámos poemas com lágrimas.
De calças à golfe, lacinho à Baptista Bastos, fato de ver a Deus e celebrar o Dia de Reis, Fernando foi com a mãe jantar a casa das senhoras, gente de talher de prata, criadas de avental branco e crista engomada, cheias de silêncios e reverências.
Com olhos de amora madura, esse sorriso que ainda hoje conserva, sempre molhado de uma melancolia que tem de adivinhar-se mais do que ver-se, Fernando entrou na sala de jantar das anfitriãs, cujas portas só o espírito natalício abria, raros que eram os gestos de caridade e partilha. Assim se explicava a presença do rapazinho e sua mãe, viúva recente e que ali trabalhava de manhã à noite, para que a vida se assemelhasse ao que já fora.
Servidos os manjares da época: a canja onde as bolhas de gordura lembravam pequenos sóis fumegantes, o leitão de maçã vermelha na boca que olhava Fernando em gritos de sufoco que só ele, poeta em germinação, conseguia ouvir; os fritos vários que nas travessas exibiam a abastança, chegou finalmente e foi colocado em lugar de honra, no centro da mesa, ladeado por dois castiçais onde as velas vermelhas ardiam, o bolo-rei, roda magnífica de cores, frutas, pinhões, bocados de açúcar que lembravam neve e cujo esplendor ofuscava o dourado das filhós, os reflexos das garrafas de licor, o brilho dos copos de cristal.
Fernando, pequenino, queixo tocando a toalha de renda, olhava aqueles mistérios de cor e perfume e falava, falava, dizia coisas tão a propósito que as senhoras, enlevadas, não se cansavam de sorrir e felicitar a mãe que tal filho tinha. Então, a mais velha, cabeção de renda e camafeu de marfim a fechar as golas, pega na faca de prata e com solenidade, meticulosamente, parte o bolo. A criada ajuda à distribuição nos pratinhos de sobremesa.
— Agora, não se esqueçam: aquele ou aquela a quem calhar a fava terá de pagar o bolo-rei no ano que vem!
E entre comentários de enlevo, gula, elogios à tessitura e ponto ideal do levedo da massa, à abundância das frutas, à maciez e agrado do paladar, se comeu a sobremesa.
A prenda calhou à criada.
— Que sorte! Mostre lá!
— Olhe que medalha tão bonita! Parece uma libra de verdade. Até pode usar no fio que ninguém diz que não é autêntica.
— E tu, Fernandinho, não acabas de comer a tua fatia de bolo?
— Come que está bom e fofinho!
Fernando, subitamente silencioso, abanava a cabeça em negativas.
— Então, filho! Não sabes falar? Responde às senhoras: queres mais um bocadinho de bolo?
— Ao menos acaba esse!
— Está cansado, coitadinho! Deixe-o lá.
Fernando baixava a cabeça, cabelos lisos na testa. A noite ia adiantada. A Miguel Bombarda, onde moravam, ainda ficava longe. Sim, minha senhora, amanhã às oito cá estarei, se Deus quiser, para cortar o vestido novo e pôr em prova a saia do “tailleur”. Foi uma noite muito bonita. Muito obrigada! Fernando dá um beijo às senhoras e agradece. Diz obrigado, Fernando!
Fernando deu o beijo às senhoras, esticou a cara, pôs-se em bicos dos pés, encheu os olhos de gratidão.
— Diz obrigado, filho! Mas o que te aconteceu?
— Deixe-o lá, coitadinho, perdeu a língua. É o sono, não é?
Descem o elevador, abrem a porta da rua. A mãe, agastada, ralha:
— Mas que vergonha! Umas senhoras tão boas, recebem-nos como família, estavas a portar-te tão bem e agora isto, nem uma palavra de agradecimento, nem boa noite, é esta a educação que te tenho dado? Se o teu pai fosse vivo…
Então, já na rua, o frio de Janeiro a gelar-lhe as mãos e o nariz, a névoa a transfigurar a rua e as pessoas, Fernando, finalmente, abre a boca e lá do fundo deixa voar o mistério da sua inesperada mudez:
— É que me calhou a fava, mãezinha. Eu sei que tu não tens dinheiro para, no ano que vem, comprares um bolo-rei igual àquele.
E, na palma da mão pequenina, cuspiu a fava que ali nascia, quente ainda, do esconderijo em que estivera.
E ainda hoje, nas horas mais dolorosas, quando se esquece de mastigar a comida que arrefece no tabuleiro da cantina e prefere viajar no país da infância, Fernando Midões, meu irmão mais antigo, sente a ternura solidária do abraço e o húmido das lágrimas com que a mãe o aconchegou junto de si.
Sem palavras, mãe.
Sem palavras.

 

Maria Rosa Colaço
Viagem com Homem dentro (adaptação)

 

Retirado de Contos de Aula

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publicado às 20:00

A todos um bom natal

por Jorge Soares, em 25.12.10

 

 

 

Pois é isso, que seja um bom natal para todos vós

 

 

João Só & Abandonados, a todos um bom natal

 

 

Jorge Soares

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publicado às 18:00

Chove. É dia de Natal

por Jorge Soares, em 23.12.10


Natal

 

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

Há dias assim, não me saem as palavras, eu ia falar do natal em Nova Iorque.. ou do que dele passei.. mas por mais voltas que lhe dê, não sai, fica para outro dia... depois do natal talvez. Amanhã vou seguir as palavras do poeta e tentar comprovar que é verdade, lá para norte é melhor... Este ano o natal no Alentejo foi mais cedo, de modos que vai haver menos Kms, amanhã rumo a Oliveira de Azeméis e depois do natal uns dias em Seia. Desejo a todos um feliz natal, cheio de gente, de alegria, de prendas, de comida, de tudo o que mais desejarem...  cuidado com os excessos.. mas a alegria nunca fez mal a ninguém, divirtam-se.

 

 

Chove. É dia de Natal
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

 

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

 

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.

 

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

 

 

Fernando Pessoa

 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:50

Em Setúbal as crianças não foram às cantinas escolares abertas no natal

Imagem do Público

 

Há noticias que nos deixam a pensar, nós como humanos temos tendência a criar imagens e estereótipos, Setúbal tem colada a si uma imagem de desemprego, pobreza e até miséria que por muito tempo que passe não muda. Imagem que é alimentada pela comunicação social e, como vimos ontem num dos debates entre candidatos à presidência da República, até aproveitada politicamente. A mim faz-me alguma confusão, porque não é essa a imagem que tenho da cidade onde vivo nem dos seus habitantes.

 

A medida foi anunciada pela presidente da câmara e teve direito a noticia em jornais e telejornais,  Setúbal irá manter abertas as cantinas das escolas durante a época do natal, a medida foi tomada porque "os professores tinham alertado o município para o facto de haver dezenas de crianças com carências alimentares", muitas destas crianças não teriam condições para tomar outras refeições fora da escola.

 

Na escola do Casal das Figueiras fizeram-se preparativos para serem dadas refeições a 50 crianças... hoje a noticia no público era:

Setúbal: refeitórios de escolas abertos nas férias de Natal ainda não receberam nenhuma criança carenciada

É isso, ao fim do segundo dia, das esperadas 50 crianças nenhuma se dirigiu à escola para almoçar, nem a esta escola nem ao Centro Paroquial da Anunciada, o outro local na cidade onde seriam dadas as refeições. Não me parece que se possa alegar desconhecimento da medida, esta foi noticia em tudo o que é meio de comunicação e imagino que terá sido anunciada ás crianças na escola. Haverá de certeza uma lição a tirar de tudo isto...

 

Eu sou da opinião que esta crise existe sobretudo na comunicação social, se calhar a realidade não é assim tão má... sobretudo se apesar dela, acontecem coisas como esta:

 

Entre 13 de Novembro e 19 de Dezembro registaram-se 17 milhões de pagamentos de compras por multibanco, no valor de 772 milhões de euros. Estes indicadores da SIBS revelam uma subida de 4,8 por cento em valor face a idêntico período de 2009, e um crescimento de sete por cento em número de operações.

 

Como é que explicamos noticias como estas? Pobres mas pouco!, será?

 

Jorge Soares

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publicado às 21:36

A Itália, os italianos... as italianas!

por Jorge Soares, em 21.12.10

La Befana

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Vou começar por eles... e elas, já aqui falei do assunto, foi neste post e  agora confirmei a opinião que já tinha. Ao contrário da opinião geral, que até já foi dada nos comentários dos posts anteriores, eu continuo na minha, não lhes acho nada de especial. É claro que há mulheres bonitas, como há em todos lados, mas aquela ideia da beleza e do glamour, de que em cada italiana há uma Sofia Loren, é o maior mito que há em Roma. Para quem acha que vai a Roma e vai andar de queixo caido e sem saber para onde se virar, desengane-se, não, não há uma morena de cortar a respiração em cada porta.. aliás... continuo a dizer, quem que ver mulheres bonitas e de fazer desviar os olhares... vá a Caracas, ou na Europa, a Praga.

 

Acabo de descobrir por acaso, nesta noticia do ionline que na Itália quem entrega os presentes não é o pai natal é La Befana, uma bruxa simpática. Isto explica porque é que na Feira da Piazza Navona e um pouco por toda Roma, havia imensas bruxinhas à venda, uma outra forma de viver o natal e o menino Jesus. De resto, apesar de já estarmos em Dezembro, havia poucas ruas com iluminações de natal e não vi nem pais natais a subir pelas janelas nem pendões com o menino Jesus.

 

Os italianos serão o povo mais parecido connosco que existe, estar em Roma é um bocadinho como estar em casa, tirando que a maioria das coisas são um pouco mais caras. Das coisas que mais me impressionaram, para além dos monumentos e da monumentalidade da cidade, foi o preço das casas, nas montras das imobiliárias não se conseguia encontrar um apartamento por menos de 800000 (oitocentos mil) euros, sendo que a maioria ia muito para além do milhão, o mesmo para os alugueres, alugar um estúdio em Roma não custa menos que 1500 euros por mês. Se alguém está a pensar mudar-se para lá, trate de ganhar o euromilhões antes, é que se por cá para ter casa é preciso ficar a pagar o resto da vida... com preços destes, nem imagino como seja possível.

 

Das coisas que mais estranhamos é a forma como eles não param nas passadeiras, e não importa se está lá a policia ou não, as ruas são das motas e dos carros e as passadeiras estão lá para que se saiba onde é a zona que temos para tourear as motas, scooters, lambretas e tudo o que anda sobre rodas em Roma...eles não param... e os peões se não querem ser atropelados, tem que saber correr.

 

A comida é um capitulo especial, come-se bem em Roma, não será preciso dizer que as pizzas e as pastas são omnipresentes, é claro que a grande maioria dos restaurantes e trattorias está formatada para o turismo, mas com alguma paciência consegue-se encontrar sítios mais tradicionais e a um preço mais ou menos razoável. Nós o máximo que pagamos por um jantar para duas pessoas foi 50 Euros.

 

Para andar na cidade recomenda-se os transportes públicos, especialmente os autocarros, o Metro passa mais ou menos distante do centro, só há duas linhas. Uma coisa que me chamou a atenção foi o aspecto deste, muito parecido com o Metro escuro e cinzento que encontrei em Lisboa em 1990.. que nada tem a ver com o que existe actualmente. O preço é único para autocarros e metro, 1 Euro, por 4 Euros compra-se um bilhete válido para um dia.

 

Jorge Soares

PS:Ainda não estão lá todas, mas as fotografias de Roma, estão aqui

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publicado às 21:59

Sócrates dá tolerância de ponto outra vez.. então e a crise?

Primeiro-ministro decreta tolerância de ponto na 6.ª feira e tarde de dia 31 de Dezembro

Alguém contou quantas tolerâncias de ponto deu o governo este ano?.. e alguém consegue fazer as contas quanto dinheiro custou isso ao país? .. e quanto contribuiu para o défice que vai fazer descer os salários e aumentar os impostos em Janeiro? Então e a crise?

 

Jorge Soares

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publicado às 13:32

Catalina Pestana  e a adopção em Portugal

 

"Famílias de adopção, “a maior confusão do mundo”

 

Para a ex-provedora, as famílias de adopção também não são uma boa solução. "São a maior confusão do mundo", afirmou.  E com a frontalidade que a caracteriza, acrescentou: "Enquanto for permitido ir devolver as crianças adoptadas, eu sou contra a adopção". De acordo com Catalina Pestana, há casais, alguns dos quais católicos, que adoptam uma criança e quando ela chega à adolescência e começa a dar problemas, vão devolve-la à instituição. "E isto é permitido legalmente", afirmou, interrogando: Como é que fica interiormente uma criança que foi abandonada duas vezes? Para Catalina Pestana, os casais que têm este tipo de atitude "não adoptam pela criança, adoptam por eles", porque “nunca se tem saudades daquilo que nunca se teve”."

 

In Noticias de Fátima

 

É caso para dizer, Porque no te callas? Catalina Pestana devia saber que a adopção é uma medida definitiva, depois de decretada não há volta atrás, não há devolver crianças nem jovens às instituições. Que estas coisas sejam ditas por alguns jornalistas, eu até já me habituei, mas que sejam ditas por alguém que passou quase toda a sua vida profissional  ligada ao acolhimento infantil é muito grave.

 

É claro que isto não é permitido legalmente, depois de decretada a adopção não há diferença nenhuma entre filhos adoptados e biológicos, e como é evidente, não existe algo que se chame devolução de filhos, a isso chama-se abandono e é penado por lei... não permitido. Existe sim, devolução de crianças no período de pré-adopção, periodo que deverá ter no máximo seis meses. Catalina Pestana deveria explicar de que adopções está ela a falar.

 

Há muitas pessoas que se perguntam porque há tantas crianças institucionalizadas em Portugal, tantas crianças que entram para as instituições e são simplesmente esquecidas, nunca são adoptadas nem devolvidas às famílias biológicas que simplesmente se esquecem que tem filhos, bom, são atitudes como esta que fazem que isso aconteça. Pela amostra Catalina Pestana não faz a menor ideia sobre como funciona a adopção, mas ela é contra, assim como são contra muitos responsáveis de instituições em Portugal, são contra a adopção e as famílias que adoptam,  não sabem do que falam, mas são contra.... haveria que perguntar de que são a favor? das crianças, da sua felicidade e do melhor para elas não é de certeza.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:17

O natal, afinal, o que é o natal?

por Jorge Soares, em 19.12.10

Natal, afinal, o que é o natal?

Imagem minha, do Momentos e Olhares

 

Este post da Manu deixou-me a pensar, o post e os comentários, assim como este da Rita, e hoje uma troca de ideias com a Sandra no Facebook. Ao contrario da maioria das pessoas, eu não tenho grandes recordações do natal da minha infância, por muito que tente não me consigo lembrar de nenhuma prenda... mentira, lembro-me que havia sempre um chapéu de chuva de chocolate... curiosamente lembro-me dos carrinhos e camiões, dos legos e demais brinquedos de moda que os meus primos recebiam.. e que invariavelmente eu invejava quando no dia 25 nos encontrávamos em casa da minha avó.

 

Quer isto dizer que os meus natais eram tristes? não, claro que não, eram simplesmente os natais humildes das pessoas humildes, em minha casa havia árvore de natal, presépio e luzinhas, e havia batatas e bacalhau e bolo rei... mas o facto de haver menos consumismo, menos prendas,  menos coisas, fazia do meu natal de então um natal melhor que o de hoje? É que por vezes fico com a sensação que assim é, que o natal de hoje como tem muitas coisas, muitas prendas, muita comida, muito consumismo, é mau.

 

Lendo os comentários ao post da Manu ficamos com a sensação que as pessoas  resistem a ser felizes,  a aceitar que um natal cheio de coisas, cheio de prendas, cheio de consumismo é um natal mau... não é natal, porquê? O que tem de mal que as pessoas possam comprar, dar prendas, partilhar?

 

Eu olho para trás e resisto-me a pensar que o natal dos meus filhos seja pior que os meus, não, resisto a acreditar que o facto de que os meus filhos tenham tudo aquilo que eu sonhava e não podia ter seja mau...eu sou muito feliz porque ao contrário dos meus pais, eu posso dar-me ao luxo de comprar para os meus filhos muitas coisas.

 

As pessoas dirão que se perdeu o significado do natal... pois a isso eu respondo que o natal, para além de ser quando o homem quiser, também significa o que quisermos. Eu sou ateu, evidentemente não festejo o nascimento de um menino numa manjedoura, mas festejo o momento, a presença da família, se quiserem, festejo a alegria de poder ter um natal, de poder comer, comprar, gastar.... porque o natal já era natal antes de supostamente ter nascido um menino algures a Oriente... e como vão as coisas, daqui a 3 ou 4 gerações já poucos pensarão nesse menino, mas aposto que o natal continuará a ser festejado.. e espero que com muito mais luz, muito mais festa... muito mais alegria...

 

Jorge Soares

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publicado às 21:45

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