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Barrigas de aluguer já são um negócio em Portugal.

 

Imagem do Público  

 

Já se tinha falado sobre isto por cá, foi neste post, hoje voltamos ao assunto. Ficámos a saber que alugar a barriga de uma mãe pode custar entre 30 e 100 mil Euros e pelos vistos acontece muito mais que aquilo que estaríamos à espera. Como dizia no primeiro post, não tenho uma opinião formada sobre o assunto, haverá quem o faça por altruismo e a pensar em ajudar quem desespera por ter um filho, haverá quem o faça por necessidade, há de certeza quem o faça porque é só mais uma maneira de vender o seu corpo.

 

O aluguer do útero é desde 2006 “punido com pena de prisão até dois anos ou pena de multa até 240 dias” O trabalho de investigação é da Jornalista Sandra Martinho, da Lusa, e pode ser lido aqui, o assunto é tratado em profundidade e nas suas várias vertentes.

 

Na verdade nada do que lemos na noticia me estranha, há uns dias estava a olhar para os logs aqui do blog e seguindo o google, fui parar a um fórum brasileiro onde para além de muitas senhoras a oferecerem-se para serem barrigas de aluguer, encontrei um casal português que se oferecia para "com urgência, contratar uma barriga de aluguer ou comprar uma criança", era o que estava lá escrito preto no branco e com telefone para contacto.

 

O trabalho jornalístico é interessante e permite retirar algumas conclusões, do que foi dito e sobretudo, do que não foi dito. Podemos discutir se será mais ou menos ético, mas de uma coisa não há dúvida, é ilegal!.

 

Sendo ilegal levantam-se algumas questões, a começar por, como registam estas pessoas a criança? partimos do principio que quem entra num esquema destes vai querer registar a criança, ninguém paga cem mil Euros para depois ficar com um filho de outra pessoa, por outro lado, o estado português é picuinhas nestas coisas, não descansa até saber quem é o pai e a mãe das crianças.

 

A principal conclusão que eu retirei, é que há alguém, um hospital?,  uma clínica?, um médico?, que está a fazer desta situação um negócio. Não só as pessoas pagam pelo aluguer da barriga, como pagam pelo esquema de legalização da criancinha.

 

Parece que depois da legalização do aborto e com o fim de uma galinha dos ovos de ouro, outra terá nascido, é urgente que o estado português se debruce sobre este assunto, não vale a pena fazer de conta que não se passa nada, as mulheres portuguesas e os seus filhos não se podem tornar numa mina de ouro para gente sem escrúpulos. É urgente um debate aberto sobre tudo isto.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:22

Quem ganha com a abstenção?

por Jorge Soares, em 31.05.11
Vote, não se abstenha
Imagem de aqui
A maioria das pessoas com quem falo e que assume que não vai votar, explica que não vai lá porque está farto destas politicas e destes políticos, porque são sempre os mesmos e sempre igual.... peço-lhes que vejam com atenção o seguinte vídeo que encontrei no Arrastão, que por sua vez o havia encontrado no Minoria Relativa, talvez depois pensem duas vezes.
Quem ganha com a abstenção?, quem está agarrado ao poder e não o quer largar por nada, quem perde, o país, todos e cada um de nós.... não deixes de ir votar.
Jorge Soares
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publicado às 14:10

Preso por ter cão e por não ter

Imagem do Público

 

Preso por ter cão, preso por não ter.

 

Há um programa na Antena 1 que explica a origem de frases e ditados populares, por certo haverá uma explicação para a origem deste preso por ter e preso por não ter.

 

Não há como não ficar chocado quando vemos vídeos como o da agressão de que falei neste post, ou quando lemos que por um telemóvel uma jovem de 14 anos foi esfaqueada por outra, são casos que causam espanto e indignação e que nos deixam a pensar sobre a sociedade que estamos, todos nós, a construir.

 

Por estes dias ficámos a saber que uma das agressoras e o jovem que filmou e colocou o vídeo no facebook foram rapidamente identificados, presentes ao juiz e para meu grande espanto, ficaram em prisão preventiva.

 

Quando na sexta feira os jovens foram detidos e foi noticiado que seriam presentes ao juiz no Sábado, pensei para os meus botões que esse adiar de um dia teria sido a forma de os fazer passar umas horas atrás das grades, no dia a seguir o juiz ditaria uma daquelas medidas que servem para mandar os arguidos para casa e a vida continua. Quantas vezes já vimos isso acontecer em casos que a maioria de nós não duvidaria de qualificar como mais graves?

 

Não vou alinhar pelo mesmo diapasão de Marinho Pinto, que não duvida em qualificar tudo isto como justiça da idade média, mas confesso que estranhei tanto zelo, e não deixo de me perguntar até que ponto o facto de estarmos em plena campanha eleitoral e de este ser um caso que se tornou mediático, não terá pesado na forma como o caso foi avaliado. Será que noutra altura, sem tantas televisões e jornais em cima da notícia, a justiça teria tido uma mão tão pesada?.. tenho sérias dúvidas.

 

Não é fácil a vida dos juízes em Portugal, neste caso haveria sempre criticas, tivesse ele mão leve ou pesada,  ou seja, preso por ter cão e por não ter...

 

E eu acho que eles estão muito bem atrás das grades... o que não me impede de pensar no assunto.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:05

O futebol é um jogo de equipa....

por Jorge Soares, em 29.05.11

Messi e o Barcelona ganharam a champions league

Imagem do Público

 

O futebol é um jogo de equipa, o Barcelona ganhou a liga dos campeões com justiça no jogo de hoje, mesmo com pouca justiça na forma como chegou à final. Amanhã vai-se falar do tiki taka, muita gente falará da melhor equipa de sempre e aumentará de tom a discussão sobre o melhor jogador da actualidade e de sempre. Hoje o Barcelona foi a melhor equipa e quem jogou melhor, mas este Barcelona está longe de ser Messi e mais dez.

 

Sempre achei que este tipo de discussões, melhor equipa de sempre e melhor jogador de sempre, não faz o menor sentido, o futebol é um jogo que evolui todos os dias em todos os sentidos: na forma de jogar, na forma de treinar, as próprias regras mudam constantemente, e muito importante, muda o comportamento profissional dos jogadores.

 

Do muito futebol que já vi, a equipa que mais prazer me deu ver jogar foi a selecção do Brasil do Mundial de 1982, uma equipa que tinha Zico, Falcão, Sócrates, Bebeto e que jogava um futebol de sonho e que curiosamente não ganhou nada. Foi eliminada por uma equipa que só continuava no mundial porque o guarda redes dos Camarões escorregou e porque no dia em que jogou contra o Barsil, apareceu um tal Paolo Rossi que fez o jogo da vida dele. A itália foi campeã mundial nesse ano, mas hoje 30 anos depois, isso não interessa nada, porque quem viu aquele mundial o único que recorda é o futebol de sonho do Brasil.

 

Hoje discute-se se este Barcelona será a melhor equipa de sempre, se Messi será o melhor jogador de sempre, o futebol é um desporto com mais de 100 anos de história, ninguém viu jogar todas as equipas, assim como ninguém viu todos os jogadores. O Barcelona é uma grande equipa, a mim não me encanta como me encantou o Brasil de 82, nem sequer me encanta como me encantou o Porto de Madjer, Jaime Pacheco, Jaime Magalhães e Sousa... mas será sem dúvida a equipa que hoje em dia joga o melhor futebol, a que tem mais e melhores argumentos.. mesmo que com outros árbitos, hoje não estivesse ali a disputar a final... Há no futebol um senhor que se chama Mourinho e que sabe como travar esta equipa.

 

Quanto a mim, não existe algo chamado a melhor equipa ou o melhor jogador de sempre, existirá talvez a melhor equipa do momento e o melhor jogador do momento, sendo que nem sempre o melhor jogador está na melhor equipa e nem sempre quem joga mais bonito, que não é bem a mesma coisa de quem joga melhor, ganha.

 

Parabéns a quem ganhou com justiça  e honra aos vencidos... todos os vencidos.

 

Jorge Soares

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publicado às 00:57

Conto, Mais esquecido do esquecimento

por Jorge Soares, em 28.05.11

Mais esquecida do esquecimento

 

Ela deixou-se acariciar, silenciosa, gotas de suor na cintura, cheiro a açúcar queimado no corpo quieto, como se adivinhasse que um só o podia mexer nas suas recordações e deitar tudo a perder, esse momento em que ele era uma pessoa como todas, um casual que conheceu de manhã, outro homem sem história pelo seu cabelo de palha, a sua pele sardenta ou a grande chocada das suas pulseiras de cigana, um outro que a abordou na rua e desatou a andar com ela sem rumo preciso, a fazer comentários sobre o tempo ou o tráfego e observando a multidão, com aquela confiança um pouco forçada dos compatriotas em terra estranha, um homem sem tristeza, nem rancores, nem culpas, límpido como o gelo, que desejava simplesmente passar o dia com ela a vaguear por livrarias e parques, tomando café, celebrando a sorte de se terem conhecido, falando de nostalgias antigas, de como era a vida quando ambos cresciam na mesma cidade, no mesmo bairro, quando tinha catorze anos, lembras-te, os Invernos de sapatos molhados pela geada e os aquecedores de petróleo, os Verões de pêssegos, lá no país proibido. Talvez se sentisse um pouco sozinha ou lhe parecesse que era uma oportunidade de fazer amor sem perguntas e por isso, ao fim da tarde, quando já não tinha mais pretextos para continuar a caminhar, ela pegou-lhe na mão e levou-o a casa. Partilhava com os outros exilados um apartamento sórdido, num edifício amarelo no fim de uma ruela cheia de latas de lixo. O seu quarto era estreito, um colchão no chão coberto com uma manta às riscas, prateleiras feitas com tábuas apoiadas em fileiras de tijolos, livros, cartazes, roupa sobre uma cadeira, uma maleta a um canto. Foi ali que ela tirou a roupa sem preâmbulos, com atitude de menina complacente.

 

Ele fez por amá-la. Percorreu-a com paciência, resvalando pelas suas colinas e ribanceiras, abordando sem pressa os seus caminhos, amassando-a, suave argila sobre os lençóis, até que ela se entregou, aberta. Então ele recuou com muda reserva.

 

Ela voltou-se para o procurar, esquecida sobre o ventre do homem, escondendo a cara, como que empenhada no pudor, enquanto o apalpava, o lambia e o fustigava. Ele quis abandonar-se de olhos fechados e deixou-a fazer por um instante, até que a tristeza o venceu, ou a vergonha, e teve de a afastar. Acenderam outro cigarro, já não era cumplicidade, tinha-se perdido a antecipada urgência que os unira durante esse dia, e só ficavam sobre a cama duas pessoas desvalidas, com a memória ausente flutuando no vazio terrível de tantas palavras caladas. Ao conhecerem-se nessa manhã, não ambicio-naram nada de extraordinário, não tinham pretendido muito, apenas um pouco de companhia e um pouco de prazer, nada mais, mas na hora do encontro foram vencidos pelo desconsolo.

 

Estamos cansados, sorriu ela, pedindo desculpa por aquele peso instalado entre os dois. No último esforço de ganhar tempo, ele tomou a cara da mulher entre as mãos e beijou-lhe as pálpebras. Estenderam-se lado a lado, de mão dada, e falaram das suas vidas naquele país onde se encontravam por casualidade, um lugar verde e generoso onde, no entanto, seriam sempre estrangeiros. Ele pensou em vestir-se e dizer-lhe adeus, antes que a tarântula dos seus pesadelos lhes envenenasse o ar, mas vendo-a jovem e vulnerável quis ser seu amigo. Amigo, pensou, não amante, amigo para partilhar alguns momentos de sossego, sem exigências nem compromissos, amigo para não estar sozinho e para combater o medo. Não decidiu partir nem soltar-lhe a mão. Um sentimento cálido e brando, uma tremenda compaixão por si mesmo e por ela fez-lhe arder os olhos. A cortina enfunou como uma vela e ela levantou-se para fechar a janela, imaginando que a obscuridade os podia ajudar a recuperar as forças para estarem juntos e o desejo de se abraçarem. Mas não foi assim, ele necessitava desse reflexo da luz da rua, para não se sentir apanhado de novo no abismo dos noventa centímetros sem tempo da cela, fermentando nos seus próprios excrementos, demente. Deixa a cortina aberta, quero ver-te, mentiu-lhe, porque não se atreveu a confiar-lhe o terror da noite, aquando o venciam de novo a sede, a ligadura apertada na cabeça como uma coroa de espinhos, as visões de cavernas e o assalto de tantos fantasmas. Não podia falar-lhe disso, porque uma coisa leva a outra e acaba por se dizer o que nunca se disse. Ela voltou para a cama, acariciou-o sem entusiasmo, passou-lhe os dedos pelas estranhas marcas, explorando-as. Não te preocupes, não é nada contagioso, são só cicatrizes, riu ele quase num soluço. A rapariga percebeu o seu tom angustiado e deteve-se, o gesto suspenso, alerta.

 

Nesse momento, ele devia dizer-lhe que aquilo não era o começo de um novo amor, nem sequer de uma paixão passageira, era apenas um instante de trégua, um breve momento de Inocência, e que dentro em pouco, quando ela adormecesse, ir-se-ia embora; devia dizer-lhe que não haveria planos para eles, nem telefonemas furtivos, não deambulariam juntos outra vez de mão dada pelas ruas, nem partilhariam jogos de amantes, mas não conseguiu falar, a voz ficou-lhe agarrada ao ventre como uma garra. Soube que se afundava. Quis segurar a realidade que lhe fugia, ancorar o espírito em qualquer coisa, na roupa em desordem em cima da cadeira, nos livros empilhados no chão, no cartaz do Chile na parede, na frescura daquela noite do Caribe, no ruído surdo da rua; tentou concentrar-se naquele corpo oferecido e pensar apenas no cabelo espalhado da jovem, no seu cheiro doce. Suplicou-lhe sem voz que, por favor, o ajudasse a salvar aqueles segundos, enquanto ela o observava da ponta mais afastada da cama, sentada como um faquir, os claros mamilos e o olho do umbigo olhando-o também, registando o seu tremor, o bater dos dentes, o gemido. O homem ouviu o silêncio crescer no seu interior, soube que a alma se lhe partia, como tantas vezes lhe acontecera antes, e deixou de lutar, soltando a última amarra ao presente, caindo a rebolar por um desfiladeiro inacabável. Sentiu as correias enterradas nos tornozelos e nos pulsos, a descarga brutal, os tendões rebentados, as vozes a insultar exigindo nomes, os gritos inesquecíveis de Ana torturada a seu lado e dos outros, pendurados no pátio, pelos braços.

 

Que se passa, meu Deus, que se passa contigo?, chegou-lhe de longe a voz de Ana. Não, Ana ficou atolada nos pantanais do Sul. Julgou ver uma desconhecida nua, que o sacudia e o chamava pelo nome, mas não conseguiu desprender-se das sombras onde se agitavam chicotes e bandeiras. Encolhido, tentou controlar as náuseas. Começou a chorar por Ana e pelos outros.

 

Que se passa contigo?, a rapariga a chamá-lo outra vez, de qualquer parte. Nada, abraça-me!... pediu e ela aproximou-se tímida e envolveu-o nos seus braços, embalou-o como a um menino, beijou-lhe a testa, disse-lhe chora, chora, estendeu-o de costas sobre a cama e deitou-se crucificada sobre ele.

 

Ficaram mil anos assim abraçados, até que lentamente se afastaram as alucinações e ele regressou ao quarto, para se descobrir vivo apesar de tudo, respirando, palpitando com o peso dela a descansar no seu peito, os braços e as pernas dela sobre os seus, dois órfãos apavorados. E, nesse instante, como se soubesse tudo, ela disse-lhe que o medo é mais forte que o desejo, o amor, o ódio, a culpa, a raiva, mais forte que a lealdade. O medo é qualquer coisa total, concluiu, com as lágrimas a escorrer pelos seios. Tudo parou para o homem, tocado na ferida mais oculta. Pressentiu que ela não era apenas uma rapariga disposta a fazer amor por comiseração, que ela conhecia aquilo que se encontrava escondido mais para lá do silêncio, da completa solidão, mais para lá da caixa selada onde ele se tinha escondido do coronel e da sua própria traição, mais para lá da recordação de Ana Díaz e dos outros companheiros denunciados, a quem foram traindo um a um de olhos vendados. Como pode saber ela tudo isto? A mulher endireitou-se. O seu braço magro recortou-se contra a bruma clara da janela, procurando o interruptor às apalpadelas.

 

Acendeu a luz e tirou uma a uma as pulseiras de metal, que caíram sem ruído sobre a cama. O cabelo cobria-lhe metade da cara quando lhe estendeu as mãos. Também a ela, cicatrizes brancas atravessavam os pulsos. Durante um interminável momento, ele observou-as, imóvel, até compreender tudo, amor, e vê-la atada com as correias sobre a grelha eléctrica e então puderam abraçar-se e chorar, famintos de pactos e de confidências, de palavras proibidas, de promessas de amanhãs, partilhando, por fim, o mais recôndito segredo.

 

Isabel Allende in Contos de Eva Luna

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publicado às 19:21

Que aborto de politica e de políticos.

por Jorge Soares, em 26.05.11

O aborto deve ser uma opção da mulher

 

Noticia do Público às dez da manhã : Passos Coelho quer reavaliar lei do aborto e admite novo referendo 

 

Noticia do público às duas da tarde:  Passos rejeita apresentar mudanças à lei do aborto

 

Pelo meio pudemos ouvir as muitas reacções, todas contrárias excepto a do Paulo Portas, pudemos inclusive ouvir Francisco Louçã vaticinar que pela hora do almoço Passos Coelho viria rectificar, tão previsível que ele já é .

 

As últimas sondagens dizem que 36% dos portugueses querem este senhor para primeiro ministro, alguém que é incapaz de debitar uma ideia com pés e cabeça, alguém que todos os dias é noticia não porque tenha explicado uma medida para o país, para combater a crise, para resolver o problema do desemprego, para debater as medidas da troika. Não, o senhor todos os dias é noticia porque disse mais uma asneira que contradiz algo que tinha feito e/ou dito antes.... Das duas uma, ele não tem ideias e vai repetindo o que lhe vão dizendo ao ouvido sem se preparar e sem pensar no diz, ou  tem ideias que são tão diferentes das do partido que cada vez que as deita cá para fora, tem os assessores a puxarem-lhe as orelhas e ele tem que vir desdizer.... 

 

Sobre a questão da lei do aborto, convém recordar que na altura do segundo referendo, ele foi um dos deputados do PSD que vei a terreiro dizer que era a favor do sim...... agora coloca a hipótesse de um novo referendo, porquê?, quer os votos do Partido pró vida? Este senhor é no minimo patético.

 

A lei do aborto serviu sobretudo para impedir que milhares de mulheres abortassem em vãos de escada, na maioria das vezes sem o mínimo de condições, colocando em risco a sua liberdade e até muitas vezes a sua vida. Não será uma lei perfeita, nem tudo funcionará como devia, mas só de pensar que há pessoas que querem voltar aos vãos de escada e às mulheres presas ou mortas porque decidiram que naquele momento não podiam ser mães, fico horrorizado.

 

Faltam menos  15 dias para as eleições, continuo sem certezas sobre em quem vou votar, mas cada dia que passa fico com mais certezas sobre em quem não vou votar.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:09

Vandalismo Camaradas, isso é vandalismo.

por Jorge Soares, em 25.05.11

Vandalismo Politico em Setúbal

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Antes de mais quero esclarecer o seguinte, este não é um post politico, fosse outro o partido e podem ter a certeza que o meu sentimento seria exactamente o mesmo.

 

É público que eu não gosto de grafittis, vai fazer dois anos em que no post Grafittis, arte ou vandalismo? o deixei bem claro aqui no blog. Não é difícil perceber porquê, basta dar uma volta pela baixa de Setúbal... por toda a cidade, para perceber que não é possível gostar. Nesta cidade não há o mínimo respeito por paredes, montras, janelas, prédios novos, prédios antigos, muros, ... qualquer espaço é bom para mais uns riscos, mais um boneco. 

 

Dito isto é evidente que não posso gostar de imagens como a que apresento aqui, para muita gente será propaganda politica, para mim é puro vandalismo. Pintar uma consigna politica numa parede em pedra de um prédio privado e habitado não é fazer politica, é vandalismo, não é fazer propaganda politica, é vandalizar propriedade privada.

 

escadarias da universidade de Coimbra vandalizadas

E do meu ponto de vista, o mesmo se aplica ao que fizeram em Coimbra nas escadarias da Universidade, para muita gente será propaganda politica, para mim é vandalismo e uma enorme falta de respeito pelo património da universidade e da cidade. Haverá quem diga que isso sempre aconteceu, que acontece em todas as eleições, pois, talvez, mas isso não faz com que não seja errado, há imensas coisas que sempre se fizeram e que agora consideramos errado e não o admitimos, exemplos é o que não falta.

 

E não, este post não é uma tentativa de censura de nada, simplesmente mostra a minha opinião sobre uma prática que não tem justificação possível. Vivemos na era da comunicação, os partidos tem tempos de antena, páginas no Facebook, blogs, twitter, mil e uma formas de passar a sua mensagem, atrevo-me a dizer que em lugar de ganhar votos, coisas como as que vemos na minha fotografia, tendem a afastar as pessoas.

 

E antes que me acusem de ser movido por motivos políticos, não, não sou filiado em nenhum partido, nunca fui e não penso ser...  e continuo sem saber em quem vou votar no dia 5 de Junho.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:27

 

Violência, é este o futuro do nosso país?

 

Imagem do Público 

 

Não é fácil que algo me deixe sem palavras, confesso que ver isto me deixou sem palavras, há coisas que que são difíceis de entender. O que vemos ali é violência pura, algo que tem todo o ar de ter sido premeditado e pensado com o objectivo de atacar e agredir. O detalhe de haver quem esteja até preparado para filmar é quase macabro e assustador.

 

Ouvi algures que a mãe da agredida não quer apresentar queixa,  e diz o Procurador Geral da República que não tem meios para investigar este tipo de crimes... pelos vistos os jornais têm, o autor do vídeo é identificado por nome e apelido tanto na noticia do Público como na do Expresso, alguém deveria mandar o senhor procurador geral ler os jornais, ou contratar os jornalistas para que investiguem, se calhar este tipo de coisas deixava de estar impune e de se repetir uma e outra vez.

 

Estas coisas devem deixar-nos a pensar sobre a forma como estamos a educar os nossos filhos, sobre o nosso futuro como país. É este o futuro que queremos?, Violência gratuíta divulgada e aplaudida como se de um espectáculo se tratasse?... e se a seguir em lugar das mãos elas decidem utilizar uma arma?, e se a próxima vez morre uma criança?, ou um professor?, ou um pai?

 

Este tipo de coisas não deve nem pode passar impune, a mensagem que se passa ali é forte e má demais para que possa passar impune, se queremos pensar num futuro melhor para nós e para os nossos filhos, não podemos simplesmente tolerar que este tipo de coisas aconteça.

 

Acho que está na altura de nós, como pais, como responsáveis pela educação de toda uma geração, comecemos a pensar o que estamos a fazer de errado, porque não tenham dúvida, a culpa é nossa, não é de mais ninguém. Hoje eles não respeitam os professores porque já não respeitam os pais e amanhã não vão respeitar ninguém.

 

 

Jorge Soares 

Update: Entretanto parece que afinal apareceram os meios, foram todos identificados, esperemos que não se perca nos meandros da justiça

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publicado às 22:19

Donde comem dois ... não comem três!

por Jorge Soares, em 23.05.11

Donde comem dois.... não comem 3

Imagem minha do Momentos e olhares

 

A notícia é do Público e começa logo mal no título :  Há menos pessoas a adoptar crianças e a culpa pode ser do ambiente de crise, na verdade não há menos pessoas a adoptar, nos dois últimos anos diminuiu o número de novos candidatos inscritos, o que dado o estado actual das coisas, não muda nada, o número de candidatos inscritos continua a ser muito superior ao número de crianças para adoptar... e não é a crise que vai fazer isso mudar... não há crise que mude mentalidades de juizes, procuradores e pais irresponsáveis.

 

Mas há algo de verdade na notícia, como estão as coisas é bom que as pessoas pensem muito bem antes de decidirem ter filhos, eu sei do que falo, afinal cá em casa vamos em três. Acho que já todos ouvimos aquela frase que diz, "Onde comem dois comem três, é só juntar mais água à sopa". Tretas, está-se mesmo a ver que quem inventa estas coisas nunca teve filhos, até porque se forem todos como a minha mais pequena, a sopa nem com muita nem com pouca água.

 

Só em duas alturas da  minha vida me lembro de chegar ao fim do mês a contar os tostões, mesmo quando estava sozinho em Lisboa e a viver da mesada dos meus pais, sempre consegui fazer com que algo sobrasse no fim do mês. Curiosamente de ambas as vezes foi a seguir ás adopções.  Da primeira vez tínhamos acabado de mudar de casa e de carro, tínhamos uma criança de 18 meses e há muito que não ouviamos notícias sobre o processo de adopção, a coisa foi de um dia para o outro e fomos apanhados desprevenidos. Quando as contas de infantários, fraldas, médicos etc, etc, etc, duplicaram, andámos uns meses a fazer contas.. até que as coisas acalmaram e começaram a sobrar uns tostões.

 

A segunda vez está a ser agora, passar de um para dois não foi lá muito fácil, até porque eram os dois bebés e passou tudo a ser a dobrar, ora, passar de dois para três, não é mais fácil... não é só juntar mais água na sopa. Desta vez não fomos apanhados desprevenidos, antes de voltar a adoptar pensámos em tudo, incluindo trocar casa e carro.. mais uma criança implica mais necessidade de espaço. Pois, por algo dizem que o homem é o único animal que tropeça duas vezes  na mesma pedra. {#emotions_dlg.blushed}

 

Certo é que os infantários estão pela hora da morte e nós não temos a opção de mandar para casa dos avós, na verdade, são os infantários, os ATL's, os livros, as roupas das crianças, a alimentação... tudo está pela hora da morte e mesmo com dois salários razoáveis cá em casa, ter 3 filhos com o mínimo de condições, sai muitooooooo, mesmo muito caro. Vão por mim. E se alguém lhes disser que onde comem dois comem três, digam-lhes que as crianças actuais não gostam de sopa nem de sardinhas.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:27

Tomatina em pamplona

Imagem de aqui

 

Não tenho nada contra Espanha ou os Espanhois, aliás, basta ver que é normalmente o meu destino de férias no Verão, acho que nuestros hermanos são um povo muito mais terra a terra que nós, que vivem de uma forma muito mais intensa as suas cidades e as suas tradições, muito senhores de si e da sua cultura.

 

Nós valorizamos muito menos o que é nosso e temos uma enorme tendência a copiar, muitas coisas, até algumas que não lembram nem ao menino jesus...  e dito isto, faço minhas as palavras do Shark, no Charquinho

 

"Cada um de nós vive em função da conjuntura, da personalidade, da formação pessoal, de uma série de factores que nos distinguem por dentro e por fora, a influência do exterior que nos educa e acaba por nos encaminhar para determinada forma de estar que encaixa ou não nos valores que subscrevemos.

Essa diferença que nos torna únicos não impede que exista uma interacção, o apelo social irresistível que lima as arestas ou fornece os pretextos para ultrapassarmos aquilo que nos distingue e pode, pelo conflito de interesses ou mera incompatibilidade de vivências ou de características, afastar.

 

Por vezes as tais diferenças podem tornar-se obstáculos incontornáveis, quando o comportamento dos outros colide de forma frontal com a escala de valores que abraçamos. O conflito pode (embora não deva) nascer dos termos em que manifestamos a nossa opinião, esse exercício de liberdade de que podemos usufruir enquanto estiverem salvaguardados os seus limites mais ou menos consensuais.

Por isso confesso que estou a fazer um esforço para reprimir a expressão linear do repúdio que uma das notícias para encher chouriço de uma televisão qualquer me provocou, tentando moderar as emoções que as palavras deveriam transmitir.

 

Em causa está uma iniciativa levada a cabo em Braga, nomeadamente uma tomatada que um grupo de cerca de mil pessoas entendeu copiar dos espanhóis.

Durante dois ou três minutos vi no ecrã a forma como largas centenas de pessoas investiram a sua energia, o seu tempo e recursos, toneladas de comida, que poderiam salvar vidas noutro lugar qualquer. Mais de mil pessoas, numa praça, divertidas a arremessarem comida umas às outras apenas porque lhes deu para aí e não para encherem contentores com os seus projécteis improvisados e tratarem de os fazer chegar às bocas de outras pessoas que, neste mesmo país, jamais se divertiriam daquela forma por não terem com o quê. Nem força anímica para o conseguirem.

 

Podia agora dissertar uma moral qualquer, a minha, acerca do que está implícito de hostil na brincadeira tão pueril daquela gente minhota.

Mas prefiro entregar a ti que lês este texto a conclusão que a tua visão das coisas, a tua escolha, entenda extrair.

 

Já disse o que precisava de dizer."

 

Há tantas coisas de jeito que podiamos copiar da Espanha, porque escolher logo uma destas?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:42

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