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Conto, O primeiro dia - Miguel Sousa Tavares

por Jorge Soares, em 31.03.12

O primeiro dia, Miguel Sousa Tavares

 

 

 

Imagem da Internet


O que o acordou foi o silêncio. Primeiro, o do despertador que não tocou à hora combinada todas as manhãs. Depois, o de outra respiração, que devia ouvir e não ouvia. Estendeu a mão para o quente do outro lado da cama e encontrou o frio. Apalpou e encontrou vazio. Então, sim, despertou completamente.

Um prenúncio de tragédia desceu por ele abaixo, como um arrepio. O que acabara de se lembrar era que não acordara só por acaso ou por acidente: aquele era o primeiro dia, a primeira manhã da sua separação — o primeiro de quantos dias? — em que acordaria sempre sozinho, com metade da cama fria, metade do ar por respirar.

Era Abril, sábado e chovia. Sentado na cama, lembrou-se das instruções que dera a si mesmo para aquela manhã: fazer peito forte à desgraça. Nada é inteiramente bom, mas nada é inteiramente mau - pensou. Posso ler à noite até me apetecer sem me mandarem apagar a luz, posso dormir atravessado na cama, posso-me livrar daquele rol de cobertores com o qual ela me esmagava, fizesse sol, chuva ou frio, porque as mulheres são mais friorentas que eu sei lá, posso usar a casa-de-banho todo o tempo que quiser, posso espalhar as roupas, os jornais e os papéis pelo quarto à vontade e até - oh, suprema liberdade — posso fumar à noite na cama.

Levantou-se para se olhar ao espelho da casa-de-banho. Sorriu à sua própria imagem, ensaiou-a calma, tranquila, confiante. Imaginou mentalmente o texto que poderia redigir sobre si mesmo para a secção de anúncios pessoais do jornal: “Divorciado, 40 anos, bom aspecto, licenciado, rendimento médio-alto, casa própria e espaçosa, desportos, ar livre, terno e com sentido de humor”. Mulheres compatíveis? Deus do céu, dezenas delas! Sou um partidão — concluiu para o espelho.

Calmo, tranquilo e confiante, passou aos outros aposentos da casa para dar uma vista de olhos ao resultado da partilha dos móveis, aliás feita sem grandes problemas, como é próprio de gente civilizada. Por alto, entre oliving, o hall, o escritório, a cozinha, o quarto de casal e as duas casas-de-banho, estimou nuns setecentos contos o preço da reposição das coisas em falta. Mais metade dos livros e dos CD's, quase todas as fotografias dos últimos dez anos das suas vidas e algumas outras coisas cujo verdadeiro valor era o vazio que encontrava se olhasse para o lugar onde elas costumavam estar.

“Até agora vou-me aguentando”, considerou ele. Entre perdas e danos e a certeza adquirida de que nada dura para sempre, restavam-lhe várias razões e objectos e sentimentos para olhar em frente sem um sobressalto.

Enquanto fazia, com um prazer insuspeitado, o seu primeiro pequeno-almoço de homem só, passou à fase seguinte do que chamara o “plano de sobrevivência”: desfolhar a agenda de telefones em busca de amigos igualmente sós com quem fazer “programas de homens” ou de antigas namoradas, que se tinham separado ultimamente ou outras que achava acessíveis mas que nunca tivera a coragem e a oportunidade de aproximar. A primeira desilusão foi com os amigos: de A a Z, realizou que só tinha dois amigos sem mulher e, para agravar as coisas, com nenhum deles lhe apetecia sair e entrar numa de “anda daí e mostra-me lá como é o mundo lá fora”. Quanto às mulheres que julgava sortables, sempre eram cinco, mas o resultado foi quase patético. Duas já não moravam naqueles telefones, outra tinha-se casado entretanto, e o marido estava ao lado a ouvir a conversa, o que o deixou completamente idiota a inventar pretextos absurdos para o telefonema. Do número da quarta atendeu uma criancinha e ele desligou e foi só na última da lista que finalmente teve sorte: sim, a Joana morava ali, era ela própria ao telefone. Não, não estava casada nem, pelo que, esforçadamente, percebeu, tinha namorado. Sim, ok, por que não irem jantar logo, para falar do projecto que ele tinha e onde ela poderia caber. “Ah, a tua mulher não vem? Separados? Não, não sabia. Recente? Pois, essas coisas são tão chatas, mas ainda bem que reages e tens projectos novos e tudo! Ok, às oito e meia vens-me buscar”. Ele teria desligado quase em êxtase, não fosse a frase final dela, à despedida, que o deixou verdadeiramente abalado. “Olha, vais-me achar uma grande diferença. A idade não perdoa a ninguém, não é?”

Enfim, sempre era um date. O primeiro, certamente, de uma longa lista. O que interessa se for um flop — achas que ias encontrar uma mulher super logo ao virar da esquina? É preciso é entrar no circuito, pá, começar a sair, a ser visto, fazer com que as pessoas saibam que estás disponível. O resto vem por arrasto.

Passeou-se pela casa, pensativo, fumando o primeiro cigarro do dia. De repente lembrou-se que ainda não tinha visto o quarto do filho. A cama e a escrivaninha tinham ido, assim como praticamente todos os brinquedos. Sobrava um boneco de peluche, três ou quatro carrinhos semi-partidos, unslegos e um quadro para fazer desenhos, com os respectivos marcadores, pousados, à espera de uma mão de criança. A mesa-de-cabeceira ficara e parecia absurda no meio do quarto, sem a cama nem os outros móveis, com um retrato dele e do filho numa praia do Algarve, sorrindo, abraçados um ao outro. Sem saber porquê, sentou-se no chão encostado à parede, muito devagar, a olhar para a fotografia. Duas grossas lágrimas escorregaram-lhe pela cara abaixo e caíram na madeira do chão, entre as pernas. Foi só então que ele percebeu que estava a chorar.

 

Miguel Sousa Tavares

 

Retirado de Releituras

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publicado às 22:03

Ascendi OM - Organização Mafiosa

por Jorge Soares, em 31.03.12
Ascendi roubo à mão armada

 

 

O seguinte texto que é da autoria de Susana Varela, foi retirado do Facebook, vinha acompanhado pela imagem acima.... leiam com atenção, a maioria de nós tinha pago 117 Euros quando o valor real, multa incluída, é de 18.

 

Gostaria de esclarecer alguns pormenores, tendo em conta comentários que li, aqui e em shares que fizeram:

1) Não concordo com o pagamento das Scut, mas o meu objectivo aqui não é sequer contestar a legitimidade do mesmo. Pretendo apenas expôr o abuso por parte da Ascendi na cobrança de portagens e sucessivas multas.

2) Estes 3,5€ iniciais tentei pagá-los numa payshop, como habitualmente faço em tempo útil, (leia-se 5 dias úteis). Acontece que por várias vezes não estão disponíveis no sistema as passagens realizadas.

3) Quando se paga numa payshop, não aparece o registo das passagens, ou seja não há correspondência ao dia e hora sobre as passagens cobradas. É utilizado um sistema arcaico e ineficiente tipo a minha matricula é esta, veja aí quanto é que devo.

4) Um mês depois destas passagens recebi uma multa de cerca de 18€ via carta registada, com 15 dias úteis para pagar via multibanco, foi o que tentei fazer para evitar problemas (embora contactasse a Deco posteriormente, para apresentar queixa deste comportamento abusivo). Ao fazer o pagamento via internet, este foi recusado, tendo ainda 8 dias úteis pela frente.

5) Após este episódio contactei a Ascendi sucessivas vezes via telefónica, nunca tendo conseguido falar com um operador, mas sempre com uma gravação que informa que não é possivel atender e pede para deixar o nº de telefone, para o qual entrarão em contacto num prazo de 48 horas. Depois de dezenas de tentativas e euros gastos, nunca me telefonaram de volta.

6) Eis que passados 6 meses recebo esta multa, por não ter pago!!! Relembro que tentei pagar dentro do tempo útil quer o valor inicial, quer a primeira multa.

7) Dirigi-me à Ascendi para tratar do assunto pessoalmente, levando a factura do telefone para comprovar os telefonemas e um print da tentativa de pagamento multibanco via internet que foi recusado. Recebi hoje uma carta da Ascendi, a dizer que afinal “só” tenho de pagar os 18,13€ da primeira multa e que o pagamento via multibanco não foi possível devido a uma anomalia. Se eu não tivesse reclamado tinha pago o valor mencionado na factura acima.

8) O funcionário da Ascendi informou-me que era melhor pagar nos CTT e que à Sexta-feira era o melhor dia pois havia menos probablidade de haver falhas. 

Se as payshops são falíveis, então porque é que são consideradas como uma forma de pagamento? 
Desde quando é que há um dia mais favorável para o pagamento e onde é que essa informação é oficial ou tem alguma lógica? 
Porque é que só estão disponiveis 5 dias para pagar, sendo que nos 2 primeiros nunca está disponível? 
Porque é que existem custos administrativos de 0,31€ por pórtico e não por pagamento? 
Porque é que não são enviadas facturas mensalmente à semelhança de outros serviços?

9) A única “lógica” que encontro nisto tudo é obrigar os utilizadores das SCUT a adquirirem a Via Verde ou o DEM para evitarem “chatices”, e a isto eu dou outro nome – Chantagem. Relembro que foram as providências cautelares que atrasaram a início da cobrança nas SCUT, devido às dúvidas na legalidade do sistema de chips no que diz respeito à protecção de dados. Foram depois criadas as alternativas de pagar via payshop ou CTT.

10) Mais, tenho mais 2 facturas com multas que não consegui pagar, mas como utilizei uma ATM, nao tenho como provar que o pagamento foi recusado (estou a tentar que o banco forneça essa informação). Nestas reclamações a Ascendi diz que tenho de pagar, (é a minha palavra contra a deles)

11) Como este caso há muitos que pude comprovar através da ida à Ascendi e de pessoas conhecidas.

12) O carteiro da minha zona costumava entregar as cartas numa moto, agora leva uma carrinha dado o volume das cartas da Ascendi. (Não é anedota, foi o que o carteiro me disse, que entrega entre 100 a 200 cartas da Ascendi por dia).

13) Já sei que podemos ir a correr tirar a Via Verde ou o Dem, para não termos problemas. A isso eu chamo ceder à chantagem implícita nestes processos. Independentemente dos utilizadores decidirem por esta opção, é injusto o que se está a passar, um abuso e deve ser denunciado. Nada justifica que 3,5€ se transformem em 205€ em 6 meses - são 1680% de acréscimo!!

14) Se agirmos isoladamente e pagarmos estas multas absurdas, estamos a ceder e a deixar que esta situação injusta se instale com a maior das naturalidades. Estes casos têm de ser denunciados, pois ainda por cima têm o aval do estado que ameaça com penhoras da viatura a quem não pagar as portagens/multas.

15) Por último, não quero fazer disto um caso pessoal, mas sim apelar à comunidade que se una contra o que considero ser uma tirania.

 

Susana Varela.

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publicado às 09:40

 

 

Letra

 

Anda comigo ver os aviões levantar voo
A rasgar as nuvens
Rasgar o céu

Anda comigo ao porto de leixões ver os navios
a levantar ferro
a rasgar o mar

Um dia eu ganho a lotaria
Ou faço uma magia
(mas que eu morra aqui)
Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti

Anda comigo ver os automóveis à avenida
A rasgar nas curvas
A queimar pneus

Um dia vamos ver os foguetões levantar voo
A rasgar as núvens
A rasgar o céu...

Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
Mas que eu morra que aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à lua
Nem que eu roube a lua,
Só para ti


Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
Mas que eu morra que aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti

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publicado às 22:48

Conhecer o nosso Portugal: Évora

por Jorge Soares, em 29.03.12

Évora, o templo de Diana

 

Imagem minha do Momentos e Olhares 

 

Prezo-me de conhecer e de gostar muito do meu país, não há muitos recantos deste rectângulo à beira mar plantado onde eu não tenha estado, Portugal é um país cheio de coisas para ver e conhecer, cheio de gente simpática empreendedora e que sabe receber... como o que é bom é para ser partilhado, acho que de vez em quando vou passar a partilhar aqui. O fim de semana passado, aproveitámos a disponibilidade dos avós para ficarem com as crias e fomos passar um fim de semana ao Alentejo.

 

Évora é uma cidade tipicamente Alentejana, com uma parte antiga muito bem preservada, cheia de lugares e recantos para visitar e conhecer. É uma cidade para se conhecer a pé, andando por ruas e travessas, com calma, paciência e sem pressas. E foi isso que fizemos, deixamo-nos perder pelos empedrados das velhas ruas e ruelas aproveitando a excelência do tempo primaveril.

 

Há bastante que ver na cidade, igrejas, monumentos e museus, nós não íamos nesse espírito, ficamo-nos mesmo por ruas e praças, e claro, pela fantástica gastronomia, principalmente eu que tirei a barriga de misérias dos pratos alentejanos: Pezinhos de coentrada no Sábado ao Almoço, um ensopado de borrego delicioso ao Jantar e umas migas de porco no Domingo... tudo bem regado com tinto Alentejano. Come-se muito bem, ainda que não seja precisamente dos sítios mais baratos em que já estive.

 

Ao contrário da baixa de Setúbal onde praticamente restam as lojas dos chineses, o centro de Évora está cheio de vida, não faltam as lojas de marca  que convivem com muito comércio tradicional, cafés e esplanadas. 

 

No Domingo e já de passagem para Portalegre para ir buscar as crias, ainda deu para passar, conhecer e visitar, Arraiolos e Evoramonte.

 

Por fim, uma palavra para o lugar onde ficamos, a Albergaria do Calvário, para além da excelente localização dentro das muralhas da cidade, do excelente quarto e do ambiente e decoração fantásticas, deve ter sido o lugar com o pessoal mais simpático, amável e prestável em que já estive. Todos muitos jovens e de uma simpatia e disponibilidade fantásticos.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:50

... mas tem pilinha, está ali, vês?

por Jorge Soares, em 28.03.12

A miúda

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

De entre as muitas actividades planeadas na escolinha para celebrar o dia do pai, não podia faltar a exposição de desenhos em que cada criança mostrava a sua perspectiva sobre o seu pai.

 

É claro que orgulhosa dos seus feitos a D. não descansou enquanto não levou a mãe a ver a sua obra de arte, e lá estava eu desenhado de todas as cores e colado na parede lado a lado com o resto dos pais.

 

O primeiro que saltou à vista é que a D. tinha desenhado o pai despido, segundo a minha meia laranja, era o único desenho em que não sobressaiam as calças e a camisola.

 

- Ó D., então o pai não tem roupa?

-Pois não, mas tem pilinha, vês?, está ali!

 

 

Não faço ideia se a educadora terá questionado ou não a D. sobre isto, mas fico a imaginar a sua cara e a das auxiliares....  cheira-me que esta miúda ainda me vai dar muitas dores de cabeça.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:09

O Benfica representa o futebol Português?

por Jorge Soares, em 27.03.12

Real Madrid Apoel

 

Imagem do El Pais

 

Hoje jogou-se a liga dos Campeões em Lisboa e no Chipre, o Benfica jogou e perdeu com o Chelsea, o Real Madrid jogou e ganhou ao Apoel, claramente o patinho feio desta fase da Champions e de má memória para o Porto.

 

Quem me lê sabe que sou portista, mas hoje eu era benfiquista, nas competições europeias quero sempre que ganhem as equipas portuguesas, sejam elas quais forem.

 

Mas hoje não era fácil, porque se é verdade que o Benfica é uma equipa de Portugal, que representa o país na liga dos campeões, será que é mesmo uma equipa que representa o futebol Português? vejamos:

 

Como vemos na imagem acima, no Chipre no Apoel - Real Madrid, no início do jogo havia seis portugueses em Campo, a saber:  Paulo Jorge, Hélder Sousa e Nuno Morais defenderam as cores do Apoel,  Cristiano Ronaldo, Pepe e Fábio Coentrão pelo Real Madrid...  No Apoel na segunda parte entrou ainda Hélio Pinto, outro Português.

 

No estádio da Luz havia 60000 Benfiquistas nas bancadas, no inicio do jogo havia dois portugueses: Paulo Ferreira e Raul Meireles, mais tarde entrou o Bosingwa, todos pelo Chelsea, pelo Benfica não jogaram Portugueses, havia dois no banco.

 

Ou seja, no Chipre jogaram sete Portugueses, em Lisboa jogaram três, nenhum pelo Benfica, destas quatro equipas qual é mais representativa do futebol Português? 

 

Não tenho nada contra a utilização de bons jogadores estrangeiros pelas equipas portuguesas, vivemos num mundo globalizado onde manda o poder económico e o futebol não é uma ilha, mas ante este estado de coisas o que será do futebol português e dos jogadores portugueses?  O que será da nossa selecção se exceptuando as estrelas, os restantes seleccionáveis jogam em equipas e em palcos menores?

 

De que serve ao Benfica, ao Porto, ao Sporting gastarem milhões em academias e formação se depois as suas equipas principais raramente tem um jogador formado em casa? Que futuro pode haver para os jovens portugueses que desde tenra idade optam pelo futebol deixando de lado os estudos, a família e qualquer outra perspectiva de vida, se depois mal chega o verão,  é ver os dirigentes dos clubes portugueses, dos mais ricos aos mais pobres, em autênticas excursões ao Brasil, à Argentina, ao Uruguai, à Colômbia... em busca de jogadores que salvo raras excepções pouco trazem ao futebol nacional?

 

Hoje o Benfica representava o futebol Português? temos dos melhores jogadores do mundo, porque não cabem eles nas equipas portuguesas?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:10

Jovem morre em LLoret del Mar

Imagem do Público

 

Vínhamos em Viagem quando ouvimos a notícia na rádio, em LLoret del mar, Espanha,  um jovem de 17 anos natural de Castro Verde, morreu ao cair da janela do quarto do Hotel onde estava hospedado.

 

Infelizmente esta não é uma noticia nova, já aqui falei do assunto o ano passado, já é pelo menos a segunda vez que uma viagem de finalistas termina em tragédia. Nesta altura multiplicam-se este tipo de viagens, os preços baratos de hoteis, bebidas e lugares de diversão, levam todos os anos milhares de jovens portugueses e de outras nacionalidades até esta já famosa localidade da Catalunha.

 

Estas viagens já se converteram  num negócio de milhões e numa forma de turismo de massas em época baixa, infelizmente também se converteu numa fonte de problemas e dores de cabeça para muita gente, especialmente para os pais.

 

Mesmo quando as noticias não são tão trágicas como esta, todos os anos há pais que tem que ir  buscar os filhos detidos pela policia depois das queixas de hoteis e lugares de diversão, mesmo assim não há quem ponha mão neste assunto e as viagens e os problemas repetem-se ano após ano.

 

Tal como no ano passado a GNR decidiu tentar prevenir, revistas minuciosas aos autocarros à saída do país, operação Ibiza, foi como lhe chamaram as autoridades,  abreviaram a viagem a pelo menos sete jovens que irão passar uns tempos não em Lloret del Mar ou em Ibiza e sim num qualquer calabouço, acusados de tráfico de drogas.

 

Hoje li algures que a escola nem teve nada a ver com a organização da viagem, os jovens, todos ou quase todos menores de idade, organizaram-se e viajaram por sua conta.... e os pais autorizam tal coisa?...e agora pedem responsabilidades a quem?  evidentemente a si mesmos. 

 

Ontem após ouvirmos a noticia eu e a minha meia laranja chegamos a um consenso imediato, por muito que nos vá custar a nós e aos nossos filhos, não vai haver viagens destas por ninguém... 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:37

 

Imagem do Público 

 

Ouvi falar do assunto durante a semana na Rádio Espanhola, na altura mais que a noticia, eles comentavam o facto de se ter passado um mês desde o assassinato de Trayvon Martin, até que a pressão da sociedade fez com que fosse aberta uma investigação... e isto só aconteceu depois de Spike Lee e outras figuras importantes da comunidade negra (desculpem mas eu não gosto do termo Afro-Americano) terem vindo para a rua e os meios de comunicação, clamar por justiça.

 

A história é simples, num dia de chuva, um jovem com um capuz na cabeça volta a pé para casa, é interpelado na rua por um senhor armado que não se sabe bem porquê, o mata com um tiro no peito. Chamada a policia, esta deixa ir George Zimmerman, o assassino,  em liberdade com base  numa lei que prevê que nos Estados Unidos qualquer pessoa ao sentir-se ameaçada, pode puxar de uma arma e disparar.

 

De mais está dizer que o morto é negro e quem matou é branco. Alguém tem alguma dúvida que caso fosse ao contrário, a polícia americana não teria o menor pejo em prender o negro que matou o branco e não haveria lei ou alegação que o protegesse?

 

Apesar de que os brancos são cada vez mais uma minoria nos Estados Unidos, a sociedade americana continua a ser profundamente racista onde negros e hispânicos continuam a ser olhados de lado. Não importa muito o que irá resultar das várias investigações que a pressão pública obrigou a que se abrissem, a realidade é que Trayvon morreu porque era negro e teve a infeliz ideia de andar a pé à noite por um bairro de brancos... morreu porque em pleno século XXI, mesmo com um presidente negro nos Estados Unidos, o país que é suposto servir de exemplo para a Democracia, não há uma verdadeira igualdade, continua a haver uma enorme segregação e qualquer jovem negro é visto como um potencial delincuente.

 

Infelizmente, em pleno século XXI, esta é a sociedade que construímos e da que fazemos parte, uma sociedade em que não há uma verdadeira justiça e igualdade e em que ainda há quem acredite que existe uma coisa chamada raça, como se não fossemos todos seres humanos...

 

Jorge Soares

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publicado às 22:07

Conto, Madame Morgana

por Jorge Soares, em 24.03.12

Madame Morgana

Imagem de aqui

 

 

Lia-se no cartaz: "Madame Morgana traz o seu amor de volta em três dias, por apenas R$ 10,00".

Toninho se animou. Rosinha fora embora fazia um mês, a falta da amada lhe partia o coração. Lembrava com nitidez o rosto daquela pela qual seu coração batia forte, cabelos compridos, cacheados, os olhos de amêndoa, o rosto delicado, o amor era tanto que de tão grande não lhe permitia enxergar um único defeito. Mas quando lembrava do dia em que ela o deixara, seu coração quase parava de tanta dor, a tristeza fazia sua alma sucumbir, nunca se imaginara sem aquela doce presença, ele que era tão feliz, se viu a pessoa mais triste do mundo.

Mas ali estava a oportunidade de sua vida, Madame Morgana traria a sua amada de volta, não sabia o que ela faria, quais seriam seus métodos, mas sabia que traria seu amor de volta em três dias e por apenas R$ 10,00.

Entrou na sala se achando estranho, as cortinas vermelhas e a pouca luz do local faziam sua vista doer. Entrou tateando os móveis, pelo canto, tinha apenas uma mulher sentada num espaço que parecia uma recepção.

— Preciso falar com Madame Morgana!

— Sim, senhor, aguarde um momento!

Ele se sentou no sofá, aguardando a sua vez. Enquanto esperava, pensou na tão sonhada felicidade que viria. Rosinha, tão bela, ali, bem pertinho, frente à frente, como se nada tivesse ocorrido, como se nunca houvessem se separado, os dois, lado a lado, revivendo um amor que ele jamais deixara de sentir, o cheiro da pele dela invadindo novamente a sala, sua alegria se expandindo, suas mãos se tocando, seus lábios se encontrando...

— Senhor, sua vez, Madame Morgana o chama! — A mulher o chamou, abrindo a cortina que separava os dois ambientes.

Ele entrou um pouco desconfiado, viu uma mulher um pouco velha, morena, com um lenço vermelho na cabeça, seus olhos lhe encaravam, o que o fez ficar um pouco amedrontado, mas ele não se deteve, entrou e sentou-se de frente para a mulher. Então, o senhor quer seu amor de volta?!

— Sim, senhora, quero muito!!

— Você é muito apaixonado por ela, não é verdade?

— Sim, sim, senhora, Madame Morgana!

— Mas, ela o deixou, não foi?

— Foi, foi sim!

— Então, vamos trazê-la de volta!

— Sim, sim!

— Eu vou precisar de um fio de cabelo seu e outro dela para executar esse trabalho.

— Hã?! Pra quê?

— Para trazê-la de volta.

— E como é que um fio de cabelo meu e um dela pode fazer isso?

— Eu vou juntar os dois e fazer os meus arranjados e ela vai se apaixonar por você!

— Mas ela já é apaixonada por mim.

— Mas então o senhor veio fazer aqui o quê?

— Vim por causa do cartaz.

— Mas é para ela voltar pra você.

— Mas é isso mesmo que eu quero!

— Como? Se você me diz que ela já o ama?

— Mas é que ela tá muito longe, a muitos quilômetros de distância daqui. Vindo de ônibus dá sete dias de viagem e ainda paga R$ 200,00, se a senhora consegue me trazer ela de volta em três dias por R$ 10,00 é muito melhor, né não?


Delirose Lima

 

Retirado de Releituras

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publicado às 21:44

Não é com violência que se muda o mundo ....

por Jorge Soares, em 23.03.12

Jornalista agredido pela Polícia

Imagem do El País

 

A PSP diz que vai investigar porque foram ontem agredidos jornalistas em Lisboa, acho que não devia ser só a PSP, o que se passou ontem em Lisboa deixou uma imagem muito má da polícia, do governo e do país.Não é nada agradável dar-mos uma volta pelos meios de comunicação da Europa e ver quea noticia não é a greve geral, a notícia é uma fotografia de uma jovem jornalista a ser agredida por um polícia enraivecido.

 

Não vou aqui discutir se havia ou não motivo para a carga policial, eu vinha a ouvir as noticias na Antena 1 e alguém falava de manifestantes que primeiro lançavam ovos e lixo contra bancos e instituições financeiras e depois pedras e cadeiras contra a policia. Que eu saiba as pessoas vão para as manifestações participar, gritar consignas contra o governo e as suas medidas, não me parece  que atirar ovos e lixo faça parte...

 

Por estas e por outras é que eu me fico quase sempre pela vontade de ir às manifestações... porque sinceramente não me revejo neste tipo de comportamentos que além de não servirem para nada, ainda levam a que o resto da população se afaste dos movimentos que as convocam e os vejam sempre como um bando de arruaceiros...

 

Mas nada disto justifica uma carga em a polícia varre completamente tudo o que lhe aparece à frente, porque uma coisa é tentar controlar a ordem pública e outra muito diferente é avançar a correr de cassetete em punho agredindo tudo o que mexe. Alguém dizia num comentário algures que a polícia está farta de ver as suas acções  espalhadas pela internet e é por isso que arremetem contra tudo o que tem uma máquina fotográfica ou uma câmara de filmar... Se calhar era bom que alguém lhes explicasse que a melhor forma de evitar ver-se espalhada pela internet é não ter comportamentos que o justifiquem... 

 

Olhamos para a fotografia e o que vemos são dois jovens desamparados a ser violentamente agredidos por um polícia, fosse a imagem de Angola ou da Venezuela e não faltaria quem clamasse contra os ditadores e os seus governos autoritários que não gostam dos jornalistas, como a coisa é em Lisboa procuramos motivos que desculpem tal comportamento.... lamento, para mim não há desculpa para isto. Por muito provocada que tenha sido a PSP, nada desculpa que se arremeta contra alguém desta forma... e muito menos contra quem ali está porque tenta fazer o seu trabalho.

 

Eu sempre que vou a Lisboa levo a minha máquina fotográfica, olho para a imagem e não consigo deixar de pensar que se estivesse ali eu estaria a tirar fotografias... e tal como aqueles jovens jornalistas, poderia estar ali a ser agredido, pelo simples facto de estar a tirar fotografias num lugar público de um acontecimento público.

 

Acho que tanto as autoridades como os movimentos cívicos devem perceber que não é com violência e provocação que se muda o mundo.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:49

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