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Zuvi Zeva Novi (Mler Ife Dada)
Deve ser a letra mais estranha que alguém já escreveu para uma música mas a seu tempo foi um sucesso... vá lá a gente perceber estas coisas... pois bem, eles estão de volta... e o Zuvi Zeva Novi até já se voltou a ouvir na rádio e não me estranharia nada que voltasse a ser um sucesso... por muito que ninguém perceba nada do que eles digam
Letra

Zuvi! zuvi zevá, vá vanovi!
Zuvi zevá! vá, vá, vá vanovi.
Zuvi zeva novi? zuvi zeva novi.
Zuvi zava zivi zeva novi!…

 

Salta no ar, rebola de lado!
Sépia salmão, cheiro alvado…
Salta no ar, rebola de lado!
Sépia salmão, cheiro alvado…

 

Ele aí cai, zuvi vai ver,
Mirar a montra, sorrir de prazer,
Caixinha, cor, mar, corinto, então?
Ainda a dança jinga na mão!

 

Taste a mar, hortelã gel,
Rola no ar, patinha no mel!
Taste a mar, hortelã gel,
Rola no ar, patinha no mel!

 

Ele aí está, zuvi vai ter
Hálito bombom, bom a valer!
Caixinha, cor, mar, corinto, então?
Ainda a dança jinga na mão!

 

Zuvi zeva zuvi zeva zuvi zeva novi,
Zuvi zava zivi zeva novi ah!
Zuvi zeva zuvi zeva zuvi zeva novi,
Zuvi zava zivi zeva novi ah!

 

Âh!…Ah!…Zuvi zeva novi?
Ah!…Ah!…Zuvi zeva! (x2)

 

Zuvi zeva zuvi zeva zuvi zeva novi,
Zuvi zava zivi zeva novi ah!
Zuvi zeva zuvi zeva zuvi zeva novi,
Zuvi zava zivi zeva novi ah!

 

Taste a mar, hortelã gel,
Rola no ar, patinha no mel!
Taste a mar, hortelã gel,
Rola no ar, patinha no mel!

 

Ele aí está, zuvi vai ter
Hálito bombom, bom a valer!
Caixinha, cor, mar, corinto, então?
Ainda a dança jinga na mão!

 

Zuvi zeva zuvi zeva zuvi zeva novi,
Zuvi zava zivi zeva novi ah!
Zuvi zeva zuvi zeva zuvi zeva novi,
Zuvi zava zivi zeva novi ah!

 

Zuvi! zuvi zevá, vá vanovi!
Zuvi zevá! vá, vá, vá vanovi.
Zuvi zeva novi? zuvi zeva novi.
Zuvi zava zivi zeva novi!…

 

Âh!…Ah!…Zuvi zeva novi?
Ah!…Ah!…Zuvi zeva! (x2)

 

Zuvi! zuvi zevá, vá vanovi!
Zuvi zevá! vá, vá, vá vanovi.
Zuvi zeva novi? zuvi zeva novi.
Zuvi zava zivi zeva novi!…

 

Zuvi zeva zuvi zeva zuvi zeva novi,
Zuvi zava zivi zeva novi ah!
Zuvi zeva zuvi zeva zuvi zeva novi,
Zuvi zava zivi zeva novi ah!

 

Âh!…Ah!…Zuvi zeva novi?
Ah!…Ah!…Zuvi zeva! (x2)

 

Zuvi zeva zuvi zeva zuvi zeva novi,
Zuvi zava zivi zeva novi ah!
Zuvi zeva zuvi zeva zuvi zeva novi,
Zuvi zava zivi zeva novi ah!

 

 

Mais música dos Mler Ife Dada no A música Portuguesa

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publicado às 23:46

Santander

 

Imagem do El Pais

 

É a liga das estrelas, a liga dos recordes, a liga dos 91 milhões de Cristiano Ronaldo, dos 90 de Bale, dos 100 (??) de Neymar que já levaram ao afastamento do cargo ao presidente culé... a verdade é que tal como por cá e como em muitos outros países, a Liga Espanhola é cada vez mais a dos (muito) ricos, contra os remediados.

 

Desde há anos que a grande maioria dos clubes espanhóis, clubes que participam na liga dos milhões, estão falidos, na sua grande maioria vão vivendo  do que vão conseguindo sacar ao estado, já seja pela via das regiões autónomas ou das autarquias ... o problema é que o estado espanhol está tão ou mais falido que os clubes e a teta secou, o que deixou muitos dirigentes a ver como o enorme buraco em que estão enterrados está cada vez maior.

 

Hoje por primeira vez um jogo não aconteceu porque ao contrário do que costuma acontecer, por lá e principalmente por cá, os jogadores não foram nem em conversas nem em ameaças e recusaram-se a continuar a participar na farsa. Sem receber à meses,  entraram em campo equipados, juntaram-se no centro e quando o árbitro apitou para o inicio do jogo, simplesmente não se mexeram.. passados poucos segundos o jogo foi suspenso.

 

O futebol é uma industria que movimenta milhões, mas tal como no resto da sociedade, os milhões estão quase todos nos bolsos dos mesmos e cada vez é maior o fosso entre clubes ricos como o Real Madrid e o Barcelona, e o resto, que na sua grande maioria estão cada vez mais endividados... e no fim quem termina por pagar a factura são os futebolistas que vão saltando de clube em clube e em muitos casos nunca vêem a cor do dinheiro.

 

Todos temos a imagem do jogador de futebol que ganha e gasta milhões, isso representa uma minoria e para quase todos os outros os salários não são grande coisa, sobretudo se tivermos em conta que eles tem uma carreira que termina no máximo aos 35 anos... isto quando conseguem receber algum.

 

Hoje em Santander os jogadores mostraram ao mundo que o rei vai nú, veremos quanto tempo demora a acontecer por cá onde vai tudo nu.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:45

Praxes em Coimbra

 

Imagem de aqui 

 

Vi a noticia no Público e fiquei para além de incrédulo, curioso com  o seguinte:

 

"dux da Universidade de Coimbra, João Luís Jesus, defende que em muitas instituições do ensino superior não há “algo que justifique as suas praxes”, fazendo cópias "com desvios" do que é feito na mais antiga universidade portuguesa. "Noutros sítios, sujam-se os caloiros com lama, ovos ou farinha, quando isso, em Coimbra, é expressamente proibido"

 

Em primeiro lugar a fotografia acima é das praxes em Coimbra, de onde tirei esta há mais do mesmo estilo, sobre aquela parte de não se sujarem os caloiros com lama, ovos ou farinha, estamos conversados.

 

Em segundo lugar fiquei perplexo com as 24 matriculas, em Lisboa no Técnico em que eu andei e noutras universidades que conheço, há algo que se chama prescrição, normalmente os alunos tem que aprovar um certo número de créditos num determinado tempo para se poderem inscrever no ano seguinte, pelos vistos em Coimbra não é assim, caso contrário ninguém conseguiria acumular 24 inscrições...e sim, as dele são seguidas.

 

Fui ao Google e meti o nome do senhor, os dados são públicos e estão ao alcance de quem quiser ver, pelo que não estou a revelar segredo nenhum... e descobri que ele entrou para a universidade em 1989, precisamente o mesmo ano em que eu entrei da primeira vez... vai fazer 25 anos.

 

Ora nestes 25 anos eu tirei de um curso superior e enquanto estudava trabalhava nos tempos livres, arranjei emprego, casei-me, mudei de emprego, tive um filho, adoptei outro, entrei para outra universidade, tirei outro curso superior, adoptei outro filho.... ou seja, passei 25 anos a tentar construir uma vida.

 

Ele é dux e até dá entrevistas para os jornais.

 

Alguém me explica como é que se consegue estar 25 anos na universidade? Evidentemente eu não tenho nada a ver com a vida do senhor, cada um vive como quer e do que quer ... mas 24 matriculas? A sério?

 

Jorge Soares

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publicado às 23:27

Passaram 17 anos, onde está o Rui Pedro?

por Jorge Soares, em 28.01.14
Rui Pedro

 

https://www.facebook.com/dia28


Rui Pedro is missing since 1998. He was 11, today is his 27th birthday. His mother never stopped looking for him. Have you seen him?


O Rui Pedro desapareceu em 1998, com 11 anos. Hoje faz 27 anos. Filomena nunca desistiu de procurar o seu filho. Se o tiver visto, diga-nos por favor.

 

 

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publicado às 22:06

O Dux? mas afinal o que é um Dux?

por Jorge Soares, em 26.01.14

Praxes

 

Imagem de aqui 

 

Dux ... a palavra entrou-nos de repente pela porta dentro, apesar das minhas duas passagens pelo ensino superior, nunca a tinha ouvido até agora, sempre achei que as praxes eram simplesmente manifestações espontâneas de parvoíce generalizada em que os alunos do segundo ano se vingavam nos caloiros pelo que tinham sofrido no ano anterior. Foi por isso com um enorme espanto que percebi que afinal as praxes são os mecanismos de iniciação a qualquer coisa que tem mais a ver com seitas e religião que com o ensino superior e academia.

 

Pelos vistos no topo da seita há alguém que se faz chamar Dux e que tem entre as suas prerrogativas a de iniciar os vários responsáveis pela iniciação do povo.

 

Tenho estado a seguir com atenção os comentários ao Post "Carta aberta a um dux" primeiro no Pés no Sofá (onde os comentários foram encerrados)  e depois no Pontos de vista onde continuam abertos e a coisa aqueceu. Fico parvo com algumas coisas que se dizem, há quem defenda as praxes com unhas e dentes e há até quem  entenda que  que o que aconteceu no Meco não interessa a mais ninguém que a quem lá estava e às famílias, como se a morte de seis pessoas pudesse de alguma forma ser um assunto privado.

 

Vi também com alguma atenção o documentário Praxis de Bruno Moraes Cabral que nos mostra alguma da realidade das praxes e onde dá para perceber perfeitamente o espírito da coisa, o que se vê ali não passa de um mostruário de abusos e humilhações cometidas por uns supostos doutores sobre os pobres estudantes que acham que tem que passar por aquilo tudo, e tudo podem ser muitas coisas, para serem aceites.

 

O documentário foi filmado de norte a sul do pais em várias universidades diferentes e o espírito é o mesmo em todos lados, não é uma amostra do pior que se faz, é uma amostra de uma parte do que se faz e que para mim não foi novidade nenhuma, as minhas recordações do que vi nas duas faculdades em que andei eram mais ou menos à volta do que foi mostrado: abusos e humilhação pura e completamente gratuita.

 

Há muito que quem diga que as praxes foram essenciais para a sua integração e formação pessoal, ora o masoquismo é uma tara conhecida, não fazia ideia é que estava tão generalizada na sociedade portuguesa, dizer que é preciso ser sujeito a abusos e humilhações para se crescer como estudante e pessoa só pode ser sinal de masoquismo.

 

Acredito que existam praxes e praxes e que nem tudo será assim tão mau, como pai e cidadão preocupa-me seriamente que na maioria dos casos as praxes não passem disso, de humilhação e abusos e que por trás de tudo isto já exista uma organização que foge ao controlo das faculdades e até da sociedade.

 

Não sei o que se passou no Meco, tenho sérias duvidas que alguma vez se saiba sem sombra de dúvida, até porque não sabemos se o Dux alguma vez sairá do seu estado amnésico, ou se quando o fizer recordará o que se passou, o que ele acha que se passou ou o que ele desejava que se tivesse passado.  

 

Sei que estivessem eles num ritual à beira mar ou em simples conversa na areia, nada disto se teria passado desta forma se não existissem uma comissão de praxes a ser iniciada e um Dux, e sei que queiram ou não os defensores das praxes e do que lhes está associado, está na altura que as universidades ou em seu lugar o a sociedade e todo país, tomem consciência do que se está a passar, até porque não é a primeira vez que há mortos, feridos e processos em tribunal associados às praxes.

 

Infelizmente o documentário não está disponível na net, mas deixo um trailer e a opinião do realizador

 

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:53

Conto - Ivovivo

por Jorge Soares, em 25.01.14

Ivo vivo

 

Na sala de espera do consultório do dentista, um menino aguarda o retorno da mãe ao fim da consulta. A secretária distraída mal percebe a presença da criança que balança as pernas no ar, sentada na beira da cadeira. Inquieto, João tem pouco menos de cinco anos e olhos muito redondos e piscantes. Vê, então, um aquário de verdade pela primeira vez. Levanta e encosta mãos e nariz no vidro. Fica a encarar o pequeno peixe laranja. 

 

Se fosse meu, chamaria de Ivo, pensou. Será que gosta de arco-íris, de bolhas de sabão, de estilingue, de colecionar tampinhas de refri, de gelatina de morango, pergunta para dentro. O peixe nada devagar entre paredes transparentes. Parece triste demais para o gosto de João. O bicho além de preso vive sozinho, sem mãe para passear de mão. O coitado nem tem mãos, mas perto da cabeça tem uns pontinhos azuis tão bonitos e brilhantes, que devem ter sido feitos de canetinha, conclui. 

 

João enfia a mão na água, lá no fundo, e caça o peixe. A secretária não repara, concentrada que está em mascar chiclete e enrolar a caneta na mecha fina de cabelo. Guardou o então Ivo dentro do bolso grande do macacão. Agora esse peixe vai ver o que é bom, pensou satisfeito. A mãe não demorou. Vamos, filho? Lá se foram João e o peixe: o primeiro pela mão com a mãe, cheia de pressa, e o segundo, seguro e aquecido no bolso do macacão. 

 

João, feliz, imaginava como seria na escola, ele de uniforme, com cadernos e giz de cera, mochila, lancheira e Ivo o acompanhando. Cantariam Escravos-de-Jó, aprenderiam a amarrar cadarços de tênis, recortariam anjos e corujas de papel para colar na parede do quarto. Fariam coisas incríveis juntos e quando adultos viajariam pelo litoral de Santa Macarina, ou Catarina, de jipe – já havia entendido que na tevê litoral era o mesmo que praia, e jipe um tipo diferente de chapéu. O nome da santinha é que não tinha ouvido bem.

 

Em casa, engoliu o leite achocolatado que a mãe mandou tomar e saiu. Correu para mostrar a novidade aos companheiros das partidas de bolinhas-de-gude. Ofegante ainda, João catou do bolso o que trazia. Olhou para aquilo tão surpreso quanto os amigos. Fechou as mãozinhas em concha, Ivo aconchegado no fundo da mão, estático. Ele se mexia, bem rápido, eu tenho certeza. Vocês tinham que ver como abanava essas coisinhas penduradas que parecem rabo, tinham que ver… – disse, fazendo um esforço danado para não chorar.

 

Os guris riram e foram embora. João sentou no cordão da calçada sem desfazer a concha das mãos. Os planos desfeitos, nada de anjos, corujas, jipes ou Escravos-de-Jó. Daí o João chorou bem forte para a mãe chegar. Eu só queria que ele fosse feliz assim, mãe, que nem eu... Entendo, filho. Vamos consertar as coisas? Antes de o dia acabar, o aquário do consultório do dentista recebeu novo hóspede laranja e o quarto do João ganhou mais um morador miúdo, dentro de uma casa de vidro azul: o Ivovivo.

 

Andréia Pires

 

Retirado de Samizdat

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publicado às 21:26

Só de mim, só de ti ..

por Jorge Soares, em 24.01.14
O "Só de mim", conta a história de alguém que já teve tudo, e que só se apercebeu disso depois de perder. Uma história improvável para um dia feliz, contada com a linda cidade de Lisboa como pano de fundo.
Este é o vídeo de uma rapariga que perdeu o seu amor.
De alguma forma perdeu-o.
E hoje decidiu mostrar-lhe o quanto ele significou e ainda significa, aconselhando todas as raparigas a não cometerem os mesmos erros que ela.

Porque o amor existe e é mais simples do que pensamos.
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publicado às 23:11

Salgueiro Maia

Já deixei aqui a minha opinião sobre o facto de Amália estar no panteão nacional e sobre a forma rápida e até atabalhoada se decidiu que Eusébio para lá irá. 

 

Salgueiro Maia foi um dos exemplos que utilizei na resposta a alguns dos comentários do post sobre o Eusébio, como sendo uma das personalidades que eu entendia que juntamente com Saramago ou Fernando Pessoa, teriam lá lugar antes de jogadores de futebol ou cantantes de fado. Ontem quando ouvi Manuel Alegre sugerir que este fosse para lá trasladado fiquei curioso sobre qual seria a reacção do mesmo parlamento que há tão pouco tempo decidiu de forma consensual a entrada de Eusébio.

 

Por muito importantes que fado e futebol tenham sido para o país e para os sonhos e ilusões de muita gente, acho que a democracia é de certeza muito mais importante e quem sabe como a ela teríamos chegado sem a acção forte e decidida de Salgueiro Maia no dia 25 de Abril de 1974.

 

Para mim o consenso gerado no parlamento à volta de Eusébio tem mais a ver com o Benfica e com oportunismo político que com o verdadeiro sentimento dos deputados ou mesmo do país.

 

Curiosamente os mesmos senhores deputados que tão rapidamente decidiram há uns dias, agora já tem dúvidas e até acham que não se pode banalizar a coisa, segundo o líder parlamentário do PSD deve ser criado "um procedimento que não faça desenvolver no país uma tentação de poder agora a cada semana ou a cada mês haver uma proposta para uma trasladação para o panteão nacionall".

 

Será que os senhores deputados não percebem que foram eles que abriram a porta da banalização do Panteão nacional ao aceitarem a entrada de Amália e Eusébio?

 

Para muita gente Amália e Eusébio são símbolos imortais do país, pelos vistos Salgueiro Maia é só mais um português banal. O que podemos pensar de um país que eleva à tribuna de heróis a jogadores de futebol e fadistas, mas deixa morrer no esquecimento a quem se dispôs a dar a vida pela democracia e a liberdade de todos.

 

Concordo plenamente que o Panteão não pode ser um passeio da fama, mas para mim isso aplica-se a Eusébio e Amália, nunca a Salgueiro Maia.

 

Sempre achei que o país foi de uma enorme ingratidão com um homem que teve um papel fulcral no 25 de Abril, ingratidão que começou em vida e que pelos vistos se mantém após a sua morte.

 

De resto faz-me uma enorme confusão que Eusébio gere consenso entre os partidos e Salgueiro Maia não, há de certeza algo de errado na forma como lidamos com a nossa história contemporânea.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:31

A vida num hospital português perto de si

por Jorge Soares, em 22.01.14

A vida num hospital Português perto de si

 

Há quem diga que Portugal é um país desenvolvido, do primeiro mundo, pena que isso seja só no papel, porque quem no dia a dia tem que sofrer a realidade não é isso que sente, há coisas que acontecem por cá que mais parecem retiradas de um filme de terror do século passado.

 

O seguinte relato foi escrito em primeira pessoa pela Golimix no Eu tento, mas meu tento não consegue! e é o segundo capítulo, o primeiro pode ser lido aqui.

 

Esta é a segunda fase dos meus relatos das experiências passadas com meus pais. Deixei este para último porque é o mais difícil de escrever e o mais difícil de recordar, já que não é só uma recordação mas algo que ainda sobrevive ao dia-a-dia.

 

Em  agosto de 2012, e depois de muitas peripécias que qualquer dia contarei, foi diagnosticado ao meu pai, nos Hospitais de Coimbra, uma Demência de Corpos de Lewy, que qualquer pesquisa simples na net vos elucidará do que se trata. Menos frequente que o Alzheimer e com progressão mais rápida e igualmente difícil, quer para o portador da doença quer para os seus familiares. E chega a um ponto que sobretudo para os seus familiares.

 

Podem dizer-me "Faço ideia do que estás a passar". Eu respondo a esta frase, não. Não fazem a mínima ideia do que é ver o nosso pai (neste caso) ser portador de uma demência. Do que é vê-lo a não ser ele, do que é vê-lo a ir-se e o seu corpo ainda estar presente. Dói mais do que a morte. Porque é uma morte lenta e insidiosa. Leva-o todos os dias. Tira cada dia um pouco e cada dia o leva para mais longe. Não é ele que está ali...

 

Alguém me dizia aqui há uns tempos. Não digas isso, ainda o podes abraçar. É verdade. Ainda o posso abraçar, ainda tolera os abraços que nunca me deu e agora dá, porque agora não tem o travão mental de não demonstrar carinho. Ainda tolera abraços porque ainda me conhece, ainda não está agressivo. Mas que preço tem este abraço? Um preço que não vale a pena pagar... Estarei a ser crua ou realista de mais? Vejo as coisas de dentro e não de fora. Tão simples quanto isso.

 

Este tipo de Demência está associada a sintomas Parkinsónicos. Ambas as doenças são de cariz neurológico e associadas a geriatria mas como exibem alterações de comportamento levam a um internamento na psiquiatria. Se tem ou não lógica não sei. O certo é que o serviço de neurologia não está preparado para receber estes doentes e não existe outro serviço adequado para pessoas que necessitam de uma vigilância constante, quer pelo seu sentido de orientação alterado, quer pela sua parte cognitiva já com muitas falhas. E é deste serviço, da psiquiatria de um Hospital em Trás-os-Montes, um grande Hospital considerado de "qualidade", onde o meu pai esteve internado que vou falar o que muitos calam. Calam por vergonha de dizer que estiveram lá internados, por vergonha de ter tido um familiar lá internado, por pruridos de uma sociedade hipócrita e mesquinha.

 

Ao entrar naquele serviço parece que recuamos no tempo. Depois de questionar algumas pessoas, nomeadamente profissionais de saúde que trabalham em outros locais e nesta área, pude constatar que felizmente não é frequente a existência de locais que funcionam como aquele serviço em particular, género psiquiatria de há um século atrás. Ali as mulheres e homens estão no mesmo espaço físico, à noite estão em dormitórios separados mas de dia não. Outra particularidade é que os doentes durante o dia não têm acesso à sua enfermaria, o que dificulta o acesso aos seus pertences, como roupa e produtos de higiene. Ali não se lava os dentes a menos que se ande com a escova e pasta à tiracolo. Não se tem roupa própria, porque nem sei se existe onde a guardar, já que não vi as enfermarias, e me disseram para não levar a roupa dele. Disseram que tinham pijamas no serviço e fatos de treino e tudo o que fosse preciso. Ok...

 

O que se vislumbra são pijamas a cair pelas pernas abaixo dos utentes, e se há os que conseguem ir puxando a roupa atempadamente, há os que, por força da lentidão produzida pela medicação não o conseguem fazer, portanto estão a ver o aspecto que dá pessoas com as calças a cair e com ar de que não estão bem neste mundo?

Além disso, todas as patologias também estão juntas, é tudo ao molhe e fé em Deus. Quem é internado por uma depressão sai dali mais deprimido, isso é certo. Terapeuticamente controlado, mas mais deprimido. Como não se podem deitar, porque as enfermarias estão fechadas se bem se lembram, e a medicação dá pedrada vemos pessoas deitadas pelos cadeirões num desconforto que dá dó. O ar andrajoso que transmitem é gritante. Cheguei a ver um senhor no chão do corredor a bater com a cabeça na parede e ali esteve um bom bocado.

 

A única casa de banho que serve todos os utentes tem o papel higiénico fora da proteção, exigida num estabelecimento público, que estava ausente e pelo que constatei há muito partida. A figura em que estava o papel higiénico, que andava nas mãos de todos, estava indescritível! O aspecto físico degradante do serviço era notório! E era notório que era um serviço esquecido há muito pela administração do Hospital que sabe que doentes psiquiátricos não se queixam e se o fazem ninguém lhes dá crédito. Triste, mas a pura realidade. E triste que a própria sociedade também parece forçar a esse esquecimento. Pois bem, ninguém está livre, isso assusta não é? Não fujam porque o que têm medo ainda vos pega!

 

Num dos dias quem que visitei meu pai ele estava vestido com um roupão que tenho a sensação que nem o meu cão se deitaria ali! Aliás, tenho a sensação quem nem um cão de rua se aproximaria daquilo! Se o roupão lhe tirou o frio e providenciou o conforto necessário? Acho que sim. Mas e a dignidade humana? Mesmo sujeita a perder um roupão vesti-o com outra coisa que não aquilo! Soube depois que outros doentes se encarregavam de ajudar o meu pai a não perder o acessório.

 

E agora o que mais me custou. Estive uns dias sem realizar a visita. Habito longe e tive que trabalhar. Quando fui lá constatei o que a minha prima me dizia pelo telefone. O seu estado era deplorável! Ele necessita de ajuda para realizar as actividades mais básicas como o cuidar da sua higiene. Fá-lo, mas precisa de ajuda. Precisa de ajuda até para lavar a cara e escovar os dentes. Que se lhe diga "agora lave a cara", e ele lava. "Agora escove os dentes". Embora tenhamos que colocar a pasta e dizer quando bochechar e cuspir fora. A cara dele não era lavada há séculos!!! Estava cheia de crostas, unhas sujas, dentes cheios de comida,... a descrição pode estar a ser nojenta, mas foi com esse aspecto mal cuidado que o encontrei!

 

No dia da alta para o vestir mandaram-nos para a tal casa de banho usada por todos os utentes (foi aí que eu vi o estado da coisa) para vestir um senhor de idade, com dificuldades motoras, que não tinha onde se sentar para se vestir e que tinha dificuldade em estar de pé. E nem que não tivesse! Felizmente levava companhia para nos ajudar. Penoso... custava ter-nos levado a uma enfermaria? A um lugar mais aprazível do que aquele?

 

Trabalhar ali não deve ser fácil. Num serviço rejeitado e com rejeitados pela sociedade. É o que vi. Se há bons e maus profissionais, claro! Como em todo o lado. Não me esqueço, no entanto, de uma situação em específico numa das minha deslocações para a visita. Não esqueço da cara da besta, desculpem o termo, mas não tenho outro melhor e que descreva tão bem a energúmena, que ao me abrir a porta do serviço sempre fechado à chave, se apercebe que o meu pai está atrás dela, e ela não sabia que aquele era o significado da minha presença, se vira para ele com ar agressivo e diz "Chegue para lá quero abrir a porta!" depois olha para as suas calças pingadas de sopa, que faz notar a sua falta de destreza, e diz com ar arrogante "Olhe para aí todo sujo e pingado! Que vergonha!". Não vou dizer o que me apeteceu fazer àquela não-pessoa, que fez meu pai olhar com ar confuso para as calças e ansioso para mim. O que fiz foi entrar, passando pela cavalgadura, segurar o meu pai e levá-lo até à entrada da casa de banho de onde tirei um papel e lhe limpei as calças. Podem imaginar o ar com que a peça ficou ao ver que era por "aquele" a razão que eu estava ali.  

 

Ele detestava estar ali e eu detestava que ele ali estivesse. Dizia que o tratavam mal, mas não conseguia explicar as situações.

Espero não voltar a precisar daquele serviço mas sei que poderei vir a precisar... O que fazer? Escrever? Falar? Não sei. As minhas energias não dão para todas as lutas.

 

Neste momento tenho que lidar com o meu pai institucionalizado, e que não sabe que é ali que vai ficar... Que pensa que um dia irá voltar à sua casa que fez com as suas mãos. Como lhe explicar o que ele não entende? Como lhe dizer que ali é onde ele está melhor? Ali tem a vigilância que precisa, os cuidados que necessita e até o carinho que lhe faz bem. Até agora nisso parece que tivemos sorte... Alguma há que tentar chegar até ele.

 

Só tenho pena que ela não tenha escrito o nome do hospital, porque este tipo de coisas só pode acabar se forem denunciadas e não há crise ou cortes nos orçamentos que possam explicar coisas como estas, isto é uma vergonha que não tem explicação nem desculpa

 

Jorge Soares

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publicado às 23:40

Morreram 5 estudantes no Meco

 

Imagem do Público 

 

Era capaz de jurar que já aqui falei deste assunto no passado, e mais que uma vez, mas não consegui encontrar os posts entre os mais de 2100 que já escrevi...

 

Passei pela universidade duas vezes, nunca fui praxado e confesso que não sei como iria reagir se alguém tentasse, da primeira vez estava recém chegado da Venezuela onde nunca ninguém ouviu falar de tais parvoíces e evidentemente não tinha vontade nenhuma de me submeter ao que via fazer aos meus futuros colegas... A minha altura, o meu cabedal e a barba de uma semana devem ter intimidado, porque apesar de haver muito quem olhasse para mim, ninguém se atreveu a dizer-me o que quer que fosse.

 

Dizem que as praxes são uma forma de integração na universidade, quando eu entrei para o IST em Lisboa a coisa durava no máximo dois ou três dias na primeira semana e acabava ali até ao ano seguinte em que quem tinha sido praxado no ano anterior, se vingava nos caloiros. Agora as coisas piam mais fino, em cada faculdade há  uma comissão de praxes e estas pelos vistos duram um ano inteiro.

 

Não há ano nenhum em que estas não sejam noticia pelos piores motivos, desde queixas em tribunal por violência física e psicológica que deixam sequelas para a vida, até estudantes que chegam ao suicídio.

 

Ouvi no outro dia uma jovem que dizia na televisão que as praxes a fizeram crescer e integrar-se melhor na universidade, alguém me explica como é que a humilhação e o escárnio contribuem para o crescimento e a integração? Posso garantir que a mim nada disso me fez falta nenhuma e eu gostei mesmo de andar na universidade.

 

Agora suspeita-se que os estudantes da Lusófona que morreram na praia do Meco, estariam ali numa acção que tinha a ver com as praxes académicas. Todas as jovens que infelizmente foram levadas pela onda "pertenciam à Comissão Organizadora da Praxe Académica e estavam com o dux, a figura com mais poder na hierarquia da praxe". 

 

Dificilmente saberemos alguma vez o que realmente se passou, certo é que ninguém poderá devolver a vida às jovens nem tirar a dor às famílias que perderam de uma forma estúpida os seus filhos, mas já está na hora que alguém ponha cobro a tanta estupidez. O que será mais necessário para que alguém acabe com as praxes académicas de uma vez por todas?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:18

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