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Soldados Russos na Crimeia

 

Imagem do Público

 

Russia tem o controlo actual sobre a Crimeia?

 

Sim. As forças russas controlam todos os pontos estratégicos da península e cercaram o quartel-general do exército ucraniano.


Até agora não houve nenhum conflito armado e, provavelmente nunca será disparado um único tiro: as forças ucranianas sabem que não têm nenhuma hipótesse de vitória se começar uma guerra.

 

E as pessoas têm muito medo dos russos ?


Não. Muito pelo contrário . A maioria da população da Crimeia está muito feliz com a chegada dos russos.


Lembrem-se que a maioria da população é de origem russa e foi contra as  manifestações na praça de Kiev. Ficaram em pânico quando o governo de  Yanoukovich caiu.


Aqueles que agora estão com medo na Crimeia são as minorias ucranianas e tártaras .


Os Tártaros são os povos autóctones da Crimeia. Durante a Segunda Guerra Mundial alguns colaboraram com o exército nazista. Stalin acusou todo povo Tatar  de "colaboração" e deportou-o para o Uzbequistão, a milhares de quilómetros de distância. Em 1947 os Tártaros tinham desaparecido da Crimeia. Desde a queda da União Soviética milhares de Tártaros voltaram, mas ainda continuam a ser uma minoria.


Vêem-se  tanques nas ruas ?


Não. A vida nas ruas das cidades da Crimeia continua com o seu ritmo normal. Todas as lojas estão abertas, as pessoas vão para o trabalho e as crianças à escola .


Desde aqui seria impossível pensar que todas as televisões do mundo olham para este lugar como sendo uma "zona de guerra".


A situação é muito diferente nas bases a uma dezena de quilómetros da capital. Lá os soldados russos cercam os soldados ucranianos.


O Kremlin ainda não confirmou que enviou tropas para a Crimeia e os meios de comunicação dizem que as tropas que cercam os quartéis não possuem identificação, tu tens a certeza que são russos?


Sim, sem dúvida. São forças especiais do exército russo.


As matriculas dos veículos são do exército russo, a sofisticação dos equipamentos de comunicação que eles usam, o tipo de armas, a disciplina táctica e a organização, deixam claro que não é um "pequeno grupo" de  paramilitares pró-russo.

 

Embora o Kremlin não o tenha confirmado, aqui  todas as pessoas  (tanto a maioria que é a favor da intervenção, como as minorias da oposição) tem a certeza que são forças russas


É muito comum que as forças especiais do exército não utilizem emblemas distintivos. Isso dá ao seu governo "o tempo diplomático" para criar factos no terreno antes de negociar com outros países.


Por exemplo, a equipa de  Navy SEALs que os Estados Unidos enviaram ao Paquistão para matar Bin Laden não usava nenhum distintivo. Se a operação tivesse corrido mal, Obama teria negado que essas tropas ( que entraram sem autorização num país soberano) fossem suas.

 

O governo de Kiev descreveu como "ato de guerra" a intervenção da Rússia e disse que vai responder militarmente. Haverá uma guerra pela libertação da Crimeia?


Acho que não.


Eu acho que o presidente em exercício na Ucrânia fez estas declarações para chamar  a atenção do mundo para a situação em seu país, para que a Europa e os EUA vão em seu auxilio, principalmente com ajuda financeira. As reservas do Banco Central da Ucrânia estão quase a zero neste momento.


O governo está ciente de que Kiev perdeu a Crimeia. O problema para eles não são só as tropas do Kremlin, mas também que a maioria da população apoia o governo russo e considera ilegítimo o de Kiev.


A única coisa que poderia desestabilizar a Crimeia são as minorias, que Os Tártaros ucranianos formem algum tipo de  comando de guerrilha ou de autodefesa. Por enquanto não há notícias que indiquem que isso irá acontecer

 

Alberto Sicilia desde Semfirópol (Crimeia)

 

Traduzido por Jorge Soares a partir de Principia Marsupia

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publicado às 11:25

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1 comentário

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De Dona das Chaves a 06.03.2014 às 00:15

Pois, eu continuo na dúvida... os russos estão mortinhos por começar uma guerra em qualquer lado, para medirem forças com os americanos. Os americanos já alardearam os nomes de países que estão do mesmo lado que eles, tais como o Japão (o que eu duvido em caso de haver confusão) logo, isto é um jogo de empurra entre russos e ucranianos e pode rebentar por coisa nenhuma. E não é um jogo de vamos lá meter medo ao mundo, como fez a Coreia do Norte, que desses já ninguém tem medo. Depois, é o vamos ver... porque no meio disto há petróleo e gáz natural, que a Europa necessita. Logo, de uma coisa tenho certeza, vamos pagar mais por estes combústiveis, quer a coisa piore ou fique como está. Espero sineceramente que se resolva a situação, mas a Rússia está mortinha por mostrar poder, e quer se queira quer não, não se intimida com os americanos e aliados, e os ucranianos querem é ser apoiados pela Europa e pela América, com ou sem guerra e estão por tudo, por isso tanto lhes faz... A ver vamos... Até esta crise mundial ter começado, sempre disse a pelnos pulmões que não acreditava numa nova guerra a nível mundial, agora já tenho dúvidas... e a começar, é por uma coisa pequena que depois alastra como uma peste, e esta pode bem ser uma dessas situações, porque envolve duas grandes potências mundiais (uma em parte, a América, e outra no todo, a Rússia) do armamento de guerra. Eles não andam a fabricar armas para as terem armazenadas, isto um dia dá para o torto, e não são os conflitos "menores" na África e no Médio Oriente, que gastam todo o armamento produzido por este dois grandes produtores mindiais. Foi durante 2ª Guerra Mundial que a América desenvolveu a indústria do armamento, e da energia nuclear, ao que se seguiu a Rússia, o Japão, a China e as Coreias. Logo mais dia menos dia, pode degenerar em algo a que nós não queremos estar cá para assistir. Espero que nunca aconteça, mas o ciclo a história teima em repetir as coisas más... se não for por causa da Ucrânia, será por outra causa parecida, noutra altura, noutro lugar, mas entre americanos e russos um dia dá molho. Desculpa a onda negativa, mas depois desta crise mundial está tudo com os nervos à flor da pele, e a miníma coisa faz rebentar um conflito. E o mundo como está, não vai adiante nos próximos tempos, aida há muita tensão no ar, apesar de todo o mundo alardear que o pior da crise já passou, que já há crescimento económico, etc e tal. Eu ainda vejo tudo muito negro... mas quem sabe, sou só eu que vejo assim, e isso já é um sinal positivo, porque o resto do mundo já vê a luz ao fundo do túnel.
Xana :-)

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