Ter
28 Out
2008

Crianças

 

No outro dia e a propósito de adopção de crianças de outras raças, num comentário a este post de O Perfume das palavras, dizia a Paola o seguinte:


"Não me considero racista, mas se fosse confrontada com a possibilidade de adoptar uma criança de uma outra de outra latitude, duvido que não optasse pela minha. Não pela cor da pele ou pelo formato dos olhos... Não é só isso que conta. Há valores culturais diferentes, que eu muito respeito, mas que não são os meus... nem os da criança em causa." 

 

O argumento das diferenças culturais é utilizado muitas vezes como desculpa para a definição de critérios de adopção, sobretudo por aqueles que só querem bebés brancos. A mim este argumento faz-me muita confusão, não consigo perceber como é que as definições culturais vem com a cor da pele ou com o formato dos olhos, a cultura é aquilo que transmitimos aos nossos filhos, nem mais nem menos.

 

Eu fui emigrante, vivi 10 anos na Venezuela, lembro-me de estar no liceu publico e ter colegas Colombianos, Chilenos, Espanhóis, Chineses, Libaneses, Judeus, Italianos, Bolivianos, etc,etc. A Venezuela é um pais de emigrantes, todos nos dávamos lindamente, os meus melhores amigos sempre foram negros ou mulatos e nunca ouvi falar de diferenças culturais. Só ouvi falar de cultura africana quando cheguei a Portugal.

 

Como dizia na minha resposta à Paola, o meu filho é mulato, nasceu em Lisboa e por aquilo que sei de pais que nasceram cá, está connosco desde que tem um ano de idade, alguém me quer explicar porque é que vai ter uma cultura diferente da irmã que é branca? O que é que faz dele um africano?, a cor da pele? e eu tenho que o educar com uma cultura diferente da irmã?

 

Do meu ponto de vista a história das diferenças de cultura é algo importado da sociedade americana, da sua mania do politicamente correcto e do segregacionismo que a caracteriza. Serve para criar guetos, para colocar carimbos nas pessoas e para estabelecer diferenças onde elas não existem mais que na cor da pele.

 

Li algures que a sociedade americana tende a ser como a brasileira, com o tempo todos serão mulatos..espero que não demore muito e que também copiemos isso.

 

Jorge

PS:Imagem retirada da internet

sinto-me: Multicultural
música: Al Norte del Sur - Ilan Chester

publicado por Jorge Soares às 21:41
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24 comentários:
De xana a 28 de Outubro de 2008 às 23:33
"a sociedade americana tende a ser como a brasileira, com o tempo todos serão mulatos.."
Tem de começar por algum lado... parece que vão começar pelo próximo presidente...
beijinho


De Jorge Soares a 31 de Outubro de 2008 às 20:55
Olá Xana

E vão começar muito bem..., acho eu.

Beijinho
Jorge


De Maria Eugénia Pinto a 29 de Outubro de 2008 às 11:11
Olá Jorge
Sabes que partilho incondicionalmente da tua opinião, porque ambos temos filhos biológicos brancos e mulatos (adoptados). É evidente que existem culturas diferentes da nossa, é evidente que existem comportamentos diferentes dos nossos mas essas culturas são transmitidas de pais para filhos, verdade? Logo a cultura e os costumes dos nossos filhos há-de ser aquilo que nós lhes transmitirmos e, será igual para todos os filhos.
Essas são (mais uma) desculpas de quem ainda não percebeu qu independentemente da cor da pele, do formato dos olhos, do tipo de cabelo, etc, uma criança é uma criança... e as necessidades das crianças são todas iguais seja onde for neste planeta... todo o amor que uma FAMILIA lhe pode dar.
Beijos


De Jorge Soares a 31 de Outubro de 2008 às 20:58
Olá

Um dia de estes tu e eu vamos estar em desacordo em algo..... é mesmo isso, a cultura é aquilo que transmitimos aos nosso filhos, independentemente de onde vem ou para onde vão... o resto são desculpas esfarrapadas.

Beijinho
Jorge


De Miepeee a 29 de Outubro de 2008 às 16:54
Pois claro, a crianca vem da India e nos passamos a adorar Buda, se for de uma tribo Africana fazemos a danca da chuva, se vier de um pais mulcumano passamos a rezar a Alá.

Oh hipocresia de um raio, porque é que as pessoas nao admitem que sao racistas e deixam de inventar desculpas esfarrapadas???

Eh pa eu tive uma sorte do caracas, ja era portuguesa e branca (estou a ser sarcastica como podes imaginar).

Beijo.


De Jorge Soares a 31 de Outubro de 2008 às 21:00
Olá

Pois.... voltamos ao inicio, hipócricia e racismo.. ainda bem que há mais quem pense como eu... já ,me começava a sentir estranho.

beijinho
Jorge


De Cristina a 29 de Outubro de 2008 às 20:52
Olá,

As diferenças culturais existem. São elas que nos distinguem, muito mais do que a nacionalidade ou a cor da pele. E claro que somos nós que transmitimos determinados valores e referências culturais aos nossos filhos e por isso essa questão não é chamada para a adopção.

Mas quando falamos de adopção internacional, será que não deveríamos ponderar a questão cultural, principalmente no caso de crianças mais velhas? Esta é uma questão que nada tem a ver com a cor da pele mas que por vezes me deixa a pensar.

Cristina




De Jorge Soares a 31 de Outubro de 2008 às 21:04
Cristina, as diferenças culturais existem, entre pessoas que cresceram e foram educadas numa determinada cultura, agora pensa lá, como é que uma criança que saiu da china com meses de idade absorveu alguma cultura chinesa? Uma criança que cresce em Portugal no seio de uma família portuguesa, só pode ser portuguesa, e qualquer tentativa de inculcar cultura chinesa é artificial. E quem diz chinesa, diz africana, ou brasileira, ou ....

Beijinho
Jorge


De Cristina a 2 de Novembro de 2008 às 18:02
Sim, Jorge, isso foi o que eu disse. O que eu questiono (no sentido de reflectir) é a adopção de uma criança mais velha que vive num contexto cultural muito distinto daquele para onde é levada. É lógico que com uma criança de tenra idade a questão cultural não se coloca da mesma forma.

Cristina


De maria joão louro a 9 de Novembro de 2008 às 21:20
Eu tenho duas filhas (adopção internacional) e a cultura delas é esta, a cultura deste país em que estão inseridas. Não falam nenhum dialecto , não sabem a dança do ventre, não gostam de picante, entre outras coisas que não são, ou que não fazem ou que não gostam e que são características da sua cultura de "origem".
Uma criança é uma criança em qualquer parte do Mundo. Garanto-vos. Têm as mesma necessidades, choram e riem exactamente da mesma maneira.

Maria João Louro


De Paola a 29 de Outubro de 2008 às 23:55
Jorge,

Quanto ao meu comentário, já te disse que concordo no geral contigo, fiz um pouco de "advogada do diabo". É lógico que uma criança oriunda de um qualquer país se pode aculturar totalmente desde que chegue muito nova. Que o meio é determinante no seu desenvolvimento. Que "herda" a cultura da família que a recolher... Não falava disso. A questão que tu colocaste prendia-se com o início do processo, falavas em hipocrisia... e eu acrescentei que não era necessariamente isso, que existem razões plurais... E eu, que nunca adoptei nenhuma criança, não acredito que a questão das culturas/raças não seja uma das variantes a equacionada e também penso que não é por racismo. Da mesma forma que considero "normal" adoptarem-se crianças de origem "estrangeira", seja a que for, também considero "normal" que a opção recaia sobre "nacionais". É um direito que assiste a qualquer pessoa, creio. A escolha é mais que normal. O que não aceito é que se usem argumentos racistas e preconceituosos. Isso é outra coisa.
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Jorge, <BR><BR>Quanto ao meu comentário, já te disse que concordo no geral contigo, fiz um pouco de "advogada do diabo". É lógico que uma criança oriunda de um qualquer país se pode aculturar totalmente desde que chegue muito nova. Que o meio é determinante no seu desenvolvimento. Que "herda" a cultura da família que a recolher... Não falava disso. A questão que tu colocaste prendia-se com o início do processo, falavas em hipocrisia... e eu acrescentei que não era necessariamente isso, que existem razões plurais... E eu, que nunca adoptei nenhuma criança, não acredito que a questão das culturas/raças não seja uma das variantes a equacionada e também penso que não é por racismo. Da mesma forma que considero "normal" adoptarem-se crianças de origem "estrangeira", seja a que for, também considero "normal" que a opção recaia sobre "nacionais". É um direito que assiste a qualquer pessoa, creio. A escolha é mais que normal. O que não aceito é que se usem argumentos racistas e preconceituosos. Isso é outra coisa. <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Bjos</A>


De Paola a 29 de Outubro de 2008 às 23:57
Desculpa as garatujas, mas não sei que aconteceu...

Bjo


De Jorge Soares a 31 de Outubro de 2008 às 21:07
Amiga

As pessoas, pelo menos as que eu conheço, só optam pela adopção internacional porque o tempo de espera em Portugal é muito longo. Conheço crianças que vieram da adopção internacional e são tão portuguesas como os meus filhos. As crianças são aquilo que lhes transmitimos, nem mais nem menos.

Beijinho
Jorge


De smootha_girl a 30 de Outubro de 2008 às 01:16
5 Estrelas!
Beijo


De Jorge Soares a 31 de Outubro de 2008 às 21:08
Olá


Beijinho
Jorge


De anamariacharrua a 30 de Outubro de 2008 às 15:42
"A nossa casa é onde mora o nosso coração".
Jorge, adorei o teu texto, concordo completamente contigo, mas a Paola não deixa também de ter razão, num contexto mais vasto....
A frase, olha, apareceu no meu pensamento, enquanto te lia....
Bjs


De Jorge Soares a 31 de Outubro de 2008 às 21:09
Olá

Nem mais, e ante isso não há cultura que valha.

Beijinho e obrigado pela simpatia.
Jorge


De Sofia a 30 de Outubro de 2008 às 20:12
E lá está...conseguem-se encontrar as mais variadas desculpas para esconder o racismo e o medo de enfrentar a sociedade por fazer uma escolha diferente!!

Faz-me lembrar aquela velha anedota, de um casal que não queria adoptar um recém nascido de origem alemã, porque depois ele falava alemão e eles não o entendiam.

Beijinho*


De Jorge Soares a 31 de Outubro de 2008 às 21:11
Olá

Ora, ai está algo novo, o medo de assumir as diferenças... algo muito real, por incrível que pareça, é uma das perguntas que mais me fazem, o que sinto quando ficam a olhar para mim.

Não sinto nada, porque tenho mais que fazer que estar a ver quem olha para mim..dar amor aos meus filhos, por exemplo.

Beijinho
Jorge


De marta a 3 de Novembro de 2008 às 17:19
Estava aqui a por a leitura em dia e não podia deixar de dizer neste post que concordo absolutamente.
Que cultura? Eu sou o que sou graças à forma como me educaram, às experiências que tive e ao meio em que vivo.
Se tivesse sido educada na China, não nascida, apenas educada, seria "Chinesa", apesar dos olhos mais arredondados!



De Jorge Soares a 5 de Novembro de 2008 às 22:37
Olá Marta

Nem mais.

Beijinho
Jorge


De Sílvia a 4 de Novembro de 2008 às 11:20
Jorge
Quando tenho tempo dou uma vista de olhos no teu Blog. E gostei muito deste post. Aquilo que eu chamo uma opinião sensata. O que poderá a melanina ter a ver com os valores culturais ? Eu educo a minha flha de acordo com os meus padrões culturais, que se inserem no país onde vivemos, para ela crescer sem ambiguidades e integrar-se no meio onde vive. Apenas porque adoptei no estrangeiro não vou educá-la da mesma maneira que os emigrantes educam os seus filhos em Portugal. Não tenho de lhe transmitir uma cultura que não é nossa, e que não é dela. Acabaria por ser pouco natural. Vai estar sim aberta a todas as culturas, até porque cada vez mais somos todos cidadãos do mundo.
Bjs
Sílvia


De Jorge Soares a 5 de Novembro de 2008 às 22:39
Olá Silvia

Completamente de acordo.

Obrigado pelas visitas e pelo comentário

Jorge


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