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A ministra da Justiça e as drogas leves

por Jorge Soares, em 08.02.15

paulateixeiradacruz.jpg

 

Imagem de aqui 

 

“Os negócios da droga são profundamente rentáveis” e “se estiver disponível nas farmácias, se a puder comprar”, há “ganhos para os cidadãos”

"Está demonstrado — e para mim isso ficou muito claro com a lei seca nos EUA — que a proibição leva a que se pratiquem não só aqueles crimes, mas também outros, associados”

 

Paula Teixeira da Cruz à TSF

 

A julgar pela reacção do primeiro ministro, a esta hora a senhora ministra deve ter as orelhas a arder, não sei se haveria no PSD e mesmo em Portugal, muita gente à  espera de ouvir estas palavras, foi claro o incomodo de Passos  Coelho e a pressa em demarcar-se da opinião da Paula Teixeira da Cruz.

 

Entende-se a pressa de Passos Coelho, a despenalização das drogas leves tem sido uma bandeira do bloco de esquerda, está longe de ser uma questão pacífica, dificilmente será do agrado dos eleitores mais à direita e em ano de eleições não se pode facilitar.

 

Eu sou dos que concordo a cem por cento com esta opinião da ministra, em Portugal uma enorme percentagem dos pequenos crimes, principalmente os pequenos furtos e assaltos a casas ou automóveis, estão ligados ao consumo e tráfico de drogas, a despenalização da venda das drogas leves iria fazer descer os preços da droga e iria de certeza fazer diminuir este tipo de crimes. 

 

Como é mais que evidente, a proibição e criminalização do tráfico para pouco serve, não é o facto de as drogas serem proibidas  que impede que alguém consuma, todo o mundo sabe onde elas estão e para uma enorme percentagem da população, o consumo é aceite e quase algo normal, logo, os únicos que na realidade lucram com a proibição são os traficantes.

 

Como disse a ministra na entrevista, todos teríamos a ganhar com a venda livre, também concordo que deveria ser nas farmácias, das drogas leves. Haveria um controlo real sobre quem consome, os preços seriam mais baixos, os traficantes deixariam de ter o poder que tem, baixaria o crime associado ao consumo e tráfico.

 

Evidentemente, em paralelo o estado deveria garantir que o tema do consumo de drogas fosse tratado com um enfoque preventivo e educativo (sobre a droga) nas escolas e na sociedade.

 

Louve-se o valor da ministra para expressar assim em público e em directo de uma opinião que estará longe de ser consensual entre os portugueses.

 

Vídeo com as declarações da ministra:

 

 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:44

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2 comentários

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De golimix a 10.02.2015 às 22:38

Também sou a favor da despenalização nos moldes que falas. A toxicodependência não é um tema fácil.
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De Kok a 12.02.2015 às 11:20

Os portugueses não têm emenda; juntam-se a uma mesa para falar sobre um determinado assunto e palavra p'rá qui, palavra p'ràcolá e em pouco tempo já se fala de outra coisa que nada tem a ver com o motivo para que se juntaram.
Não fugindo à regra, é isso que acontece com os ministros deste governo que navega sem um verdadeiro timoneiro.
O combate às drogas deveria ser uma prioridade. Não sendo possível a solução, aliás uma solução poderá ser?, liberalizar uma que seja leve? Não sei mas admito que sim, sem que isso se reflita menos roubos e assaltos.
Mas o que seria de esperar é que os ministros deifinissem um caminho antes de se manifestarem publicamente e depois outros ministros desdizerem o que antes foi dito.
2 exemplos: este (de resto foi +um) da ministra da justiça e o do acordo assinado com os trabalhadores da TAP.
Estamos entregues aos bichos!
1 abraço pah.

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