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eduardoboté.jpg

 

Imagem do Facebook 

 

Não conheço Eduardo Beauté de lado nenhum, só sei que existe porque me interesso pelas questões da adopção e sei que ele e a pessoa com quem casou (lamento mas não faço ideia de como se chama) adoptaram duas crianças e que tal como muitos outros casais homossexuais, estão à espera que neste país se termine o preconceito e discriminação mesquinha para que se torne legal aquilo que já existe de facto.

 

Há pouco encontrei este texto no Facebook e não posso deixar de o partilhar, peço que, conhecendo ou não os senhores ali da fotografia, eu confesso que nem sei qual dos dois é Eduardo Beauté, e em consciência pensem no que ali está escrito e no sentido que faz... retirei o título do post do ultimo parágrafo e gostava de perguntar a quem é contra este tipo de adopções, aos deputados e legisladores deste país e a cada uma das pessoas que por aqui passa: Como se diferencia o amor?

 

Jorge Soares

 

Após ver as notícias de hoje, sinto-me completamente triste e indignado pelo que acabo de assistir: ainda se coloca em questão a possibilidade de se legalizar, em plena Assembleia da República, a adopção por parte de casais do mesmo sexo.

 

Em Portugal, e cada vez mais nos tornamos rapidamente numa excepção, uma família só é considerada legal e normal se tiver um Pai e uma Mãe. Existem mentalidades que ainda não conseguem aceitar a ideia de Família e Amor como algo Universal, independente de quantos Pais ou quantas Mães tiver.

 

Pelos vistos na nossa Assembleia todos têm famílias ditas “normais” e são todos amados e amam pessoas do sexo oposto. Ainda vou mais longe… Pelos vistos quem manda nas nossas leis, quem faz com que o nosso País progrida e se desenvolva, não tem o Amor como algo que acontece entre Seres de uma mesma espécie, independente de sexo, cor, escolhas, orientações.

 

Que País é este em que eu vivo e trago os meus filhos para viver? País que ainda o escrevo e descrevo com letra grande, pois ainda acredito estar embrulhado num pesadelo e amanhã será tudo mentira. Que País é este no qual os MEUS filhos não podem ter o meu nome?

 

Que País é este no qual eu não posso ser um PAI? Eu e o Luís temos 2 filhos e vamos a “caminho” do terceiro. É importante contar-vos as suas histórias.

 

O Bernardo tem 4 anos, prestes a fazer 5 aninhos no próximo dia 13 de Maio. Veio para nós com 11 meses. Tem Trissomia 21. Veio de uma família carenciada, a qual não tinha a disponibilidade de oferecer afecto e muito menos proporcionar a vida saudável que o menino precisa e que neste momento tem (escola, tratamentos específicos, actividades). O desenvolvimento do Bernardo tem sido fantástico desde que se juntou a nós.

 

A Lurdes tem 3 anos, acabados de fazer no dia 8 de Janeiro, no mesmo dia em que comemoro o meu aniversário. Veio da Guiné. Era uma criança que tinha UMA refeição por dia, refeição a qual não era nem de perto nem de longe suficiente para sequer alimentá-la naquela meia hora que se passava. Hoje em dia é a criança com maior nível de desenvolvimento da sua Escola.

 

Agora, vem aí o Eduardo que nasceu no passado dia 4 de Novembro. Vai fazer 3 meses. Eduardo nasceu na Instituição na qual fui buscar a Lu. Ligaram-me no dia em que ele nasceu dizendo que tinha nascido uma rapazinho lindo e como forma de me mostrarem o quanto estavam agradecidos pela vida e saúde da Lurdes, iriam baptizá-lo como o meu nome. Fiquei emocionado. Passou-se uma semana ligaram-me novamente: o pequeno Eduardo tinha sido internado com graves problemas de saúde e não sabiam como seria a sua vida dali para a frente. Depois do choque, recompus-me e pedi que me deixassem apadrinhá-lo. Consegui, graças a Deus, cuidar deste bebé de longe e poder de alguma forma contribuir para a sua VIDA. Passaram se 3 semanas e o pequeno Eduardo voltou para a Aldeia (Instituição).

 

O Líder ligou-me novamente e disse-me que o menino estava estável e que esperava agora que ele tivesse a mesma sorte que a Lu, já que iria ficar ali com eles até aparecer alguém que o quisesse, adoptasse, o enchesse de amor. Não hesitei e no mesmo segundo respondi: “ O Eduardo já tem a mesma sorte que a Lu e o Bernardo, porque nós queremos adoptar o Eduardo!”. E assim estamos: à espera de o poder trazer.

 


Três histórias de três crianças que não tinham família, amor, uma casa, refeições diárias, escola, roupa, saúde… E por aqui poderia ficar horas a escrever. Agora multipliquem estas 3 crianças por milhares que estão, infelizmente, espalhadas pelo Mundo em lugares que nós nem sabemos que existem. Agora, imaginem quantas famílias as podem ou querem adoptar. O número não é igual, pelo contrário, é menor a quantidade de famílias em espera para adopção do que as crianças que estão à espera para serem adoptadas. Desse número vamos eliminar os casais homossexuais e os pais solteiros/mães solteiras. Ficamos como? Meu Deus… O que será de tantas crianças?


Gostaria e juro por Deus que faço questão que me expliquem o que a minha família tem a menos do que uma família onde os pais são heterossexuais? Como se diferencia o Amor? Sim, porque não estamos a falar das possibilidades materiais, estamos a discutir AMOR. Enfim… O meu sonho: que os meus 3 filhos sejam felizes e com muita saúde sempre… e que um dia, no meu País que eu tanto amo, possam assinar BORGES FERREIRA.

 

Eduardo Beauté

 

Retirado do Facebook

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publicado às 22:02

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7 comentários

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De mãe de coração a 22.01.2015 às 11:25

Já tinha ouvido parte da história desta família, mas nunca tinha lido o texto, obrigado Jorge por partilhá-lo.
Quanto aos nossos legisladores nem sei que diga. Gostaria também que algum deles desse a cara e explicasse claramente qual é a justificação para se discriminar o amor num país que se diz democrático!
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De Cris a 22.01.2015 às 11:53

Infelizmente acho que ainda não vai ser desta... A maior parte dos nossos deputados é medíocre a nível intelectual, social, emocional, etc...
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De Kok a 22.01.2015 às 11:59

Não entendo o porquê (ou os porquês) que rodeiam esta situação. Porque não li o suficiente para perceber o que alegam os deputados e legisladores e que justifiquem "as dificuldades" na aprovação da lei em causa? Admito.
Em tempos houve um deputado que afirmou em pleno parlamento: fornicar só para procriar! (que saudades de Natália Correia).
Pelos vistos, trinta anos depois as mentalidades continuam arrastando-se em preconceitos e ideias retrogradas; são deputados mas incapazes (não todos, felizmente), de verem além da ponta do próprio nariz, ou "acagaçados" pelas criticas (ou reprimendas) dos seus chefes.
Porque o amor só é importante para quem ama.
1 abraço pah!
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De Joana Moreira a 23.01.2015 às 11:57

O que eu gostaria de saber é como faz a adopção na Guiné!!! Porque estou a tentar há algum tempo e não vejo as coisas assim tão facilitadas como parecem ser para estes senhores. Alguém me pode ajudar?
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De Patricia a 24.01.2015 às 11:54

Aconselho-a a contactar a associação meninos do mundo : www.meninosdomundo.org,
que poderão dar-lhe informações mais especificas sobre o assunto.

Do que sei, os critérios que é preciso reunir para adotar na Guiné são muitos restritivos (10 anos de casamento por exemplo). Penso que o caso que se refer este POST não cumpre os requisitos legais.

Patrícia
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De Padrinhos Civis a 24.01.2015 às 15:05

Segundo me disseram na Segurança Social, surgindo a conversa a propósito de casos de apadrinhamento no nosso país, trata-se de apadrinhamento civil, apenas por um dos cônjuges. No tocante ao menino português, cumprirá todas as regras. Quanto aos meninos guineenses, não sei como se conjuga com a legislação local.
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De Joana Moreira a 26.01.2015 às 10:55

Olá Patrícia,

eu já os contactei há algum tempo e sempre me disseram que o processo tem que dar início na Segurança Social. Não faço ideia se é o que estes senhores fazem, mas pela forma como colocam o assunto dá a entender que vão busca-los e que fazem a caridade com esta atitude. Sou plenamente a favor da adopção seja ela feita por quem a faça, mas desde que cumpra com as obrigações legais no noss país e no país de adopção!

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