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De entre as muitas coisas que já fiz na vida está o ter sido empregado de bar e discoteca já lá vão uns anos, e se há coisa que não me esqueço é da quantidade de miúdos e miúdas que tive que arrastar para o ar livre porque já não se aguentavam em pé devido ao consumo ecessivo de bebidas alcoólicas.

 

Sempre me fez confusão como é que havia tanta gente que mal tinha entrado na adolescência e que bebia como gente grande, desde cerveja até absinto, valia tudo e muitos bebiam mesmo até cair para o lado... literalmente.

 

Nunca percebi como é que há dois anos o governo cedeu aos lóbis da cerveja e do vinho e fez  uma lei que não fazia sentido nenhum. Alguém percebe a diferença de ser ir cambaleando pela rua porque se bebeu meia dúzia de shots ou uns litros de cerveja? Há alguma diferença entre estar embriagado porque se abusou no vinho ou noutra bebida qualquer? E as consequências para os hábitos de longo prazo não são as mesmas?

 

Quero pensar que alguém no governo olhou para o mundo e percebeu que aquela lei tinha ficado curta. E agora, em ano de eleições, resolveu emendar a mão, o álcool é todo igual e se consumido sem moderação, tanto faz mal o que está na cerveja como o que está em qualquer outra bebida branca ou de uma cor qualquer.

 

É claro que nada disto serve para nada se como aconteceu até agora, não existir vontade de fazer cumprir a lei, nenhuma lei serve para absolutamente nada se não existir fiscalização e se não  forem aplicadas as medidas nela previstas para quem não a cumprir. 

 

O alcoolismo é um problema real que afecta muitos portugueses, entre os jovens com menos de 15 anos somos o 11 país do mundo com maior consumo, a lei por si só não irá resolver o problema que é real e grave, a longo prazo o consumo excessivo leva ao risco de desenvolver dependência ou doenças como cirrose e cancro do fígado.

 

Para além desta lei e da vontade de a fazer cumprir, é necessário que se aposte na educação e no esclarecimento.

 

Jorge Soares 

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publicado às 22:16

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2 comentários

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De Maria a 15.04.2015 às 00:23

A lei não faz sentido algum, a meu ver. Isto porque nem todo o jovem que bebe apanha bebedeiras. Comecei a beber álcool significativamente cedo (provei tudo em casa, com o consentimento dos meus pais, em doses muito mais pequenas do que shots - provava, sabia do que gostava e do que não gostava, se era forte ou não, mais ou menos doce, etc.). Comecei a sair à noite com 16 anos e fui a única do meu grupo de amigos que já tinha conhecimento das bebidas que existiam, quais eram mais ou menos fortes, as que gostava e as que eram detestáveis. Bebia (ainda que de forma ilegal, não é verdade?) e sempre bebi bebidas brancas: não gosto de vinho, não gosto de cerveja. Fui a única que não apanhou bebedeiras nas saídas à noite: sabia o que estava a beber, sabia os meus limites, não estava perante uma novidade. Aturei bebedeiras, levei os meus amigos a casa, deixei-os ficar em minha casa, tirei-lhes bebidas da frente quando os via a exagerar, reprovava os comportamentos excessivos. Fui para a Faculdade com 18 anos acabados de fazer. Era gozada por não beber cerveja nem vinho, gastava mais dinheiro na noite porque a água custa 1€ ou 2 mas os finos existem desde 30 cêntimos (numa última festa que fui eram a 10 cêntimos até x hora, depois subiam para 50, vejam lá!) mas lá continuei a aturar bebedeiras, levar pessoal a casa, dar-lhes dois berros, tirar-lhes as chaves do carro, etc.
Hoje tenho 21 anos. Aos domingos, no almoço de família (somos muitos, parece sempre uma festa) lá beberico uma caipirinha do copo de uma tia ou um gin (bebida tipicamente servida lá em casa, nada de modas...) do copo do pai e é isso. Gosto de beber uma sangria bem fresca nos almoços na praia com os amigos ou em situações mais esporádicas. Gosto muito de uma caipirinha bem feita, um gin bem feito, uma piña colada, etc. Bebo raramente porque só bebo quando me apetece, não por "obrigações das circunstancias".
Se em vez de se preocuparem com leis que não vão ser cumpridas se preocupassem em educar, em dar conhecimento, em proibir menos e explicar mais, talvez o sucesso fosse maior.
O fruto proibido vai ser sempre, sempre, o mais apetecido!
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De Anonimo a 16.04.2015 às 11:55

Concordo plenamente com o comentario anterior. Alias o Estado patrocina essas medidas, impondo-as, de facto aos cidadãos, como se pudesse arvorar-se em representante do bem, da virtude. O Estado arroga para si uma função que não deveria ser dele, pelo menos na perspectiva de cidadãos que exercem a sua liberdade de escolha, sendo, portanto, responsáveis por aquilo que fazem.

O Estado termina por assumir uma função propriamente “ética”, ditando aos cidadãos o que deve ou não ser feito, o que deves comer, o sal que deves usar, o acuçar que deves tomar, os alimentos “gordos” de que te deves abster etc. etc. etc. isto resulta de uma mentalidade de controlar os cidadãos ( e que ja foi imposta e teve origem nos fascismos/nazismos) naquilo que são mais livres os costumes e comportamentos, sendo esse dever seguido de medidas jurídicas, tornando obrigatórios tais comportamentos, sob pena de multas e punições em geral.

Um slogan nazista utilizado sobretudo para os alimentos dizia: “O seu corpo pertence à nação! O seu corpo pertence ao Führer! Você tem a obrigação de ser saudável! Alimento não é uma coisa privada.” se o corpo do indivíduo pertence à nação, ele pertence a seu dirigente máximo, o Führer, que sabe, em sua omnisciência, o que é melhor para todos os cidadãos. O Führer encarna a sabedoria, os cidadãos, a ignorância. A obrigação é a primeira de suas virtudes e a única forma que lhes é reservada de escapar do vício.

A saúde do corpo deixa de ser algo individual, objeto de preocupação própria de cada um, e torna-se uma política de Estado, devendo ser simplesmente seguida. A proibição sabe-se da historia,quem sabe de historia, que nunca resolveu nada, muito do crime e das fortunas dos grandes gansgters dos anos 30 no america derivaram duma proibição, a “lei seca”.

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