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É muito fácil educar os filhos dos outros

por Jorge Soares, em 29.05.14

Educar

 

Imagem gamada à Golimix.. que a tinha gamado algures na net

 

Anda a circular pelas redes sociais uma entrevista a Carlos González,  um pediatra espanhol, um senhor que até já escreveu uns livros, e que pretende desmistificar uma série de coisas e de formas de educar que são usadas pela maioria dos pais, para ele, de forma errada.

 

Parece que há muita gente que se esquece que a educação não é uma ciência exata, aliás, cada vez me convenço mais que criar e educar um filho tem muito pouco de ciência e teoria e muito de improviso, de ensaio e erro e até de sorte na distribuição dos genes.

 

Tenho dois filhos praticamente da mesma idade, cresceram juntos e sujeitos às mesmas normas e regras, infelizmente para mim (e para eles) o resultado não podia ter sido mais diferente, a forma de ser, de estar na vida e o comportamento dos dois, não podia ser mais diferente, algo assim como água e fogo.

 

Uma das coisas que o senhor diz é que os castigos não servem para nada... à primeira vista tendo a concordar, cá em casa os castigos são o pão nosso de cada dia, os mais variados e das mais variadas formas, funcionam uns mais que outros... é verdade que eu dou por mim muitas vezes em desespero e a perguntar-me para que servem tantos castigos se voltamos (quase) sempre ao mesmo? ... mas será que a questão a fazer é: Para que servem os castigos?", ou, "Como seria a nossa vida se fraquejássemos e não impuséssemos castigos e disciplina?"

 

Educar deve sempre pelo amor e pelo exemplo, mas cá em casa exemplo só há um e o amor é distribuído de forma equitativa ... então porque é que eu tenho duas criaturas tão diferentes?

 

Depois há aquela parte da comida, segundo ele, não devemos obrigar as crianças a comer, isso é fácil de dizer quando temos filhos que não gostam de uma ou outra coisa, mas o que fazemos quando temos uma criança que simplesmente não come nada do que lhe aparece à frente? 

 

Uma criança que não come é das coisas mais complicadas que existe, cá em casa também passamos por isso, vão ler este post, não obrigar e/ou só apresentar à criança o que ela gosta é sempre uma opção, mas o que se faz quando ela não gosta mesmo de nada? (sim há casos desses). E como se evita que a criança cresça só a comer bifes e batatas fritas? Ele diz que quando crescemos passamos a gostar de tudo, está visto que ele não conhece o meu irmão e muitos dos meus colegas...

 

Educar crianças "normais" é muito fácil,  a maior parte do que ele e muitos outros autores de livros dizem aplica-se a essas crianças, se calhar para elas nem seria necessário livro nenhum, acredito que amor sensibilidade e bom senso são mais que suficientes.

 

O problema é que para além dessas crianças há todas as outras e para essas não se escrevem livros. A quem não lhe aconteceu ver uma birra na rua e pensar: "se fosses meu filho não fazias isso" Educar os filhos dos outros é fácil, todos nós nos achamos os melhores pais do mundo, eu também achava e pensava que havia coisas que nunca me iriam acontecer.. até que elas  acontecem e não há como fugir à realidade da vida. E acreditem, às vezes é muito difícil mesmo, sobretudo porque tenho a certeza que não é por falta de amor, de atenção, de insistência e de muita preocupação.

 

Cada criança é uma criança e cada caso é um caso, e ao contrário do que parece resultar das palavras do senhor na entrevista, não há receitas nem fórmulas mágicas, nem mágicas nem de nenhum tipo, há ensaio e erro, doses enormes de paciência e muita muita insistência... e algum cuidado para não enlouquecer de vez.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:52

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6 comentários

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De Anónimo a 30.05.2014 às 01:18

cá em casa sempre seguimos o lema "ninguém morre de fome com comida à frente". A comida vai para a mesa na hora das várias refeições. Quem quer comer, come, quem não quer, espera até os outros acabarem e segue a sua vida. Na refeição seguinte voltava-se ao mesmo... E está cá toda a gente para contar a história!
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De Joana Mendonca a 30.05.2014 às 10:24

Nem a medicina nem a educação são ciências exatas, como tu dizes. Por exemplo, eu não tenho a mesma leitura que tu do mesmo texto. Eu não acho que ele diga que as formas de educar dos pais são erradas. Ele defende alguns aspectos, mas até diz a certa altura que a escolha deve ser a que mais confortável é para os pais, sem culpas. Acho que ele dá uma corrente diferente, e cada pai/mãe deve fazer as escolhas com as quais se identifica mais, e cada pediatra pode apresentar aquilo que defende. Não vejo problema nenhum nisso, nem percebo porque revolta tanto as pessoas aquilo que ele escreve. Quanto à comida, eu felizmente tenho a minha própria experiência. Em criança não comia NADA, nem bifes com batatas fritas. A unica coisa que ingeria era leite. A pobre da minha mãe lá aguentou a minha infância sem comer, e sim, a tentar fazer as coisas que eu mais gostava para que eu comesse. às vezes tentava misturar e disfarçar ingredientes e eu sentia-os e já não comia. A dada altura comecei a comer. Porque a minha mãe sempre fez uma alimentação saudável, hoje em adulta é isso que eu faço. Não foi preciso obrigar-me. Por isso, tendo a concordar com ele nesse aspecto. Mas não leio nas palavras dele uma ordem ou regra que tem que ser cumprida. Como diz o Spock no seu livro: "Trust yourself"
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De energia-a-mais a 30.05.2014 às 16:40

li a entrevista e digo-te que concordo com muita coisa do que diz, sabes que não sou apologista de uma disciplina férrea desde o berço, com regras parvas como não dar colo, não dar mimos e dizer que não a tudo o que a criança pede! essa de dizer que «a criança deve ser habituada desde tenra idade a ouvir não para se habituar porque vai ouvir muitos não em adulto» tem tanta lógica como ser humilhado numa praxe porque pela vida fora vamos ser humilhados muitas vezes! se alguém me conseguir provar que uma criança a quem se nega tudo e a quem não se dá mimos será um adulto feliz e realizado, talvez mude de ideias....de qualquer modo, acho que se faz muito alarido por pouco ou quase nada de novo que este pediatra trouxe! os pais de hoje tendem a ler em demasia para fazer tudo muito bem, por norma acabam por fazer tudo mal. Em vez de perder tempo a ler tanta sugestão diferente, deviam passar mais tempo com os filhos, ouvi-los, respeita-los desde que nascem e sim, educar pelo exemplo. Ninguém deve deixar de lado o bom senso e o instinto! se a regra da casa é comer de tudo, ter variedade de pratos à mesa, peixe, carne, legumes, etc, a criança acaba por comer também - pode não gostar à primeira, pode não gostar de tudo...mas acaba por ter uma alimentação variada, sem ser necessário impor. E sei do que falo, um Asperger com relutância a vários alimentos e até à disposição da comida no prato, deu-me algum treino! e de resto até parece que em adultos não cometemos «pecados» ou que gostamos de tudo...Tal como dizes cada criança é única e só os pais podem realmente conhecer a sua e educá-la de modo único. O que resulta com uns não resulta necessariamente com outros. Para mim a palavra chave é Amor, sempre com as doses realistas de firmeza, limites e claro, respeito!

Teresa
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De golimix a 30.05.2014 às 19:52

Subscrevo, se me permitir, este seu comentário na íntegra!

Claro que se lermos a entrevista só com o olhar de "eu vou apanhar-te", não se consegue ter um certo olhar crítico. O que ele diz não é de facto novidade. Embora acho que ele tenha uma certa tendência para o exagero.
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De golimix a 30.05.2014 às 20:22

Estava a ver que não saía do forno este teu post! ;)
Em primeiro, o que eu me ri com a da imagem gamada!

E agora o post. Pois é Jorge, não somos perfeitos e cometemos tantos, mas tantos erros, que até doi! Mas a vida é mesmo isso. Uma susseção de erros e acertos. Mas na educação dos nossos filhos não nos permitimos a errar, simplesmente porque buscamos o que não conseguimos atingir, a perfeição. E talvez, por isso, caímos muitas vezes no sentimento de culpa, que também é do pai.
O que penso é que uma certa dose de bom senso, muito amor e respeito levar-nos-ão a um bom porto. Quanto à palmada educativa e na hora certa. Quanto a isso já sabes a minha opinião. E escreverei para breve um outro artigo sobre isso.

E claro, educar os filhos dos outros é muito fácil, sempre detestei a frase "se fosse meu filho...". Aliás tive uma chatice bem grande quando uma tia do meu marido e a avó do meu filho (minha do sogra, que respeito e gosto), estavam a intrometer-se numa indicação que eu tnha dado ao meu pequenote, e que ele tinha cumprido, apesar de as senhoras adultas terem feito força para que ele não cumprisse! Contrariaram tanto a minha opinião de uma forma tão, digamos, deselegante, que acabei a discussão com um, "o filho é meu, quem o educa sou eu. Vocês já educam, ou já educaram, os vossos esta é a minha oportunidade! Que certa ou errada, é a que eu sinto que é a melhor!"

Posso dizer-te que a indicação que eu tinha dado ao meu fiho, na altura com 6 anos, era que não saísse sozinho sem companhia de um adulto, isso incluía a prima de 12 anos, eu também não queria que saísse só com ela, já que eles na altura se pegavam por tudo e por nada e não me parecia aconselhável ela tê-lo à sua responsabilidade. Falo de uma altura de férias numa Vila Transmontana pejada de gente pelas ruas que não se conhece de parte alguma. A segurança já não é o que era, até para este Trás-os-Montes. E a minha sogra queria que ele fosse à livraria sozinho e ele disse-lhe que não ía nem sozinho, nem com a prima porque eu lhe pedi para não o fazer. Não imaginas a discussão que isto deu!!! E para quê?
A opinião dos pais deve ser respeitada por mais que não estejemos de acordo. Pode tentar-se fazer ver outros ponto de vista, que podem muito bem ser válidos, mas nunca afrontanto o que uma mãe ou um pai diz! Bem... desculpa, isto quase foi um post....

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