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Morreram 5 estudantes no Meco

 

Imagem do Público 

 

Era capaz de jurar que já aqui falei deste assunto no passado, e mais que uma vez, mas não consegui encontrar os posts entre os mais de 2100 que já escrevi...

 

Passei pela universidade duas vezes, nunca fui praxado e confesso que não sei como iria reagir se alguém tentasse, da primeira vez estava recém chegado da Venezuela onde nunca ninguém ouviu falar de tais parvoíces e evidentemente não tinha vontade nenhuma de me submeter ao que via fazer aos meus futuros colegas... A minha altura, o meu cabedal e a barba de uma semana devem ter intimidado, porque apesar de haver muito quem olhasse para mim, ninguém se atreveu a dizer-me o que quer que fosse.

 

Dizem que as praxes são uma forma de integração na universidade, quando eu entrei para o IST em Lisboa a coisa durava no máximo dois ou três dias na primeira semana e acabava ali até ao ano seguinte em que quem tinha sido praxado no ano anterior, se vingava nos caloiros. Agora as coisas piam mais fino, em cada faculdade há  uma comissão de praxes e estas pelos vistos duram um ano inteiro.

 

Não há ano nenhum em que estas não sejam noticia pelos piores motivos, desde queixas em tribunal por violência física e psicológica que deixam sequelas para a vida, até estudantes que chegam ao suicídio.

 

Ouvi no outro dia uma jovem que dizia na televisão que as praxes a fizeram crescer e integrar-se melhor na universidade, alguém me explica como é que a humilhação e o escárnio contribuem para o crescimento e a integração? Posso garantir que a mim nada disso me fez falta nenhuma e eu gostei mesmo de andar na universidade.

 

Agora suspeita-se que os estudantes da Lusófona que morreram na praia do Meco, estariam ali numa acção que tinha a ver com as praxes académicas. Todas as jovens que infelizmente foram levadas pela onda "pertenciam à Comissão Organizadora da Praxe Académica e estavam com o dux, a figura com mais poder na hierarquia da praxe". 

 

Dificilmente saberemos alguma vez o que realmente se passou, certo é que ninguém poderá devolver a vida às jovens nem tirar a dor às famílias que perderam de uma forma estúpida os seus filhos, mas já está na hora que alguém ponha cobro a tanta estupidez. O que será mais necessário para que alguém acabe com as praxes académicas de uma vez por todas?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:18

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10 comentários

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De golimix a 21.01.2014 às 08:37

Elucida-me que eu estou um pouco confusa, já que não acompanhei (sabes porquê) o desenvolvimento das notícias como devia ser.
Então eles não eram todos da Comissão de Praxes? Um de cada curso?
É que se eram não podiam estar a ser praxados!
O que eu entendi é que estariam ali numa reunião para falar ou "regulamentar" as praxes.

Quanto às praxes em si. Devo dizer-te que fui praxada. Se gostei?
Algumas coisas, como os jogos populares que a turma que me praxou decidiu fazer achei engraçado, outras não achei piada nenhuma. Mas o que não achei piada não fiz. Como darem-me um copo com algo, que eu não sabia o que era, a beber e que eu encostei os lábios e posei o copo não bebendo e o anormal do praxante me grita "Bebe!" e eu respondi num tom pouco amigável e com olhar fulminante "Como!? Já bebi não bebo o que não quero!" o que sei é que os burros que beberam passaram uns tempos giros no WC.
Colocaram um colega meu de cuecas, que foi imensamente gozado porque as cuecas estavam descosidas, a medir a entrada da Escola, com fósforos. Mas aí um professor que passou impôs-se e mandou-o ir vestir-se passando um sermão aos que praxavam.
Houve coisas que vi fazerem aos meus colegas e que foram absurdas! Mas quando foi a minha turma a praxar ainda mais absurdas foram. Tanto que me insurgi contra a praxe que estava a ser feita e fui colocada dali para fora. Arranjei sarilhos mas disse o que pensava daquela parvoíce pegada.

Se acho que há praxes engraçadas?
Devem existir, mas ao que parece a parte animalesca das pessoas fala mais alto!
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De nuno a 21.01.2014 às 17:16

Concordo com o golimix, tenho dificuldade em acreditar que estavam a ser praxados, principalmente sendo todos da comissão.

Eu também fui praxado, claro que não era obrigado a fazer tudo, mas sempre fiz. Fiz, porque acreditei que isso é que me iria ajudar a integrar, a fazer amigos, a conhecer pessoas. Depois de acabar o ano de caloiro, ainda fui algumas vezes trajado, mas cansei-me da estupidez, do facto de não estarem a integrar, e de simplesmente funcionar tudo por "amiginhos".

Pensei que fosse na praxe que ia aprender algumas coisas da faculdade (escolher os melhores profs. estar a par das atividades que haviam na faculdade, como me inscrever nos exames, etc) pensei que fosse ter grandes amizades, mas em vez disso foi uma desilusão completa.... Só que demorei imenso tempo para ver isso.....
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De golimix a 21.01.2014 às 17:40

Mas porque é que toda a gente me trata por O Golimix?!
É A. A Golimix

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De Matilde a 21.01.2014 às 20:54

Como mais uma, eu sou estudante universitária e com todo o orgulho do mundo posso dizer que fui praxada duas vezes em dois cursos. E praxei durante um ano. Se gostei? Adorei! Gostei bem mais da experiência de ser praxada, tal como a maioria dos meus colegas, do que a de praxar.
Quem nunca passou por isso, não devia falar.
Há muito que as praxes mudaram, é óbvio que há excepções, mas a maioria dos cursos/ faculdade procuram fazer praxes sociais, de integração do que própriamente praxes humilhantes.
Com a experiência que tenho em praxes eu não vejo mal nenhum, e diga-me você se vê algum mal, em jogos para conhecer o nome dos colegas, mascarar os caloiros segundo quadros e artistas uma vez que é um curso de artes, fazer um quizz de modo a eles conhecerem quem os praxa melhor, fazer jogos que apelam à imaginação como a criação de uma telenovela. Relativamente ás praxes sociais, posso dar o exemplo de ajudar pessoas que estão na rua, dar dinheiro comida a mendigos etc...
Todas estas praxes constam num plano feito com a devida antecedência, e ninguem faz ou manda ninguem fazer seja la o que for, que nao conste neste plano.
Agora dizer que é uma hierarquia e que somos "doutores", sim e somos... Somos doutores e veteranos com uma hierarquia fixa e de respeito entre os diferentes escalões e para que fique bem claro, em momento algum nas praxes se obriga seja lá quem for a fazer seja lá o que for. Ninguem é obrigado a nada, e quem não quiser pode se acusar e sentar de lado enquanto os colegas fazem.
Agora, informe-se antes de dizer barbaridades.
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De Jorge Soares a 21.01.2014 às 21:52

Desculpe lá, mas esqueceu-se de dizer em que faculdade é essa maravilha que descreve, pena que o que vemos no dia a dia na grande maioria dos lugares não seja assim, basta ir ao google colocar "praxes+tribunal" ou "praxes+humilhação" e vai ver que encontra uma outra realidade muito diferente dessa imagem idílica e perfeita da que fala... e não é uma nem duas noticias, são dezenas de noticias dos mais variados anos e das mais variadas faculdades do Minho ao Algarve.

Acha que eu falo sem saber?... olhe que eu acho que a senhora vive num mundo qualquer de fantasia.

Jorge Soares
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De Matilde a 21.01.2014 às 22:59

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=683933&tm=8&layout=122&visual=61

http://www.ulisboa.pt/fa-realiza-praxe-solidaria-com-criancas-deficientes/

http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=59424

alguns exemplos do que falo do meu mundo de fantasia
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De Mariana a 25.01.2014 às 03:13

LOL, gostei do facto do senhor a baixo ter dito que eram fantasias,... é porque eu também tou numa faculdade, que provavelmente não é a mesma que a tua, e a praxe é SUPER CALMINHA. Será que sou esquizofrénica e tbm são fantasias? Teoria da batata: quem gosta de praxe tem fantasias esquisofrénicas. Adorei o teu comentário, disseste tudo Matilde. Generalizam sempre a praxe, só porque existem cabrões que não sabem praxar. Para além do mais, acho ironico os discursos de merda dos anti-praxe que se fazem de santos, que já tentaram agredir colegas minhas na rua, só por estarem trajadas. Depois os violntos somos nós. By the way, está na praxe quem quer e todos temos direito a dar a nossa opinião, mas não me venham com falsos moralismos devido a mau jornalismo. Blicas para vocês ;)
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De Sandra Faria a 16.02.2014 às 12:59

Informe-se antes de dizer barbaridades. Como e que um miudo de 18 anos em frente a 5 ou 6 marmanjoes de 24, 25 ou 26 anos vai dizer que nao? Como e que uma miuda de 17 anos vai dizer que nao, quando ve a sua amiga de 18 anos a ser arrastada pelo mesmo grupo, sozinha? Estes casos nao sao excepcoes. Toda a praxe e uma humilhacao desnecessaria!
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De linda a 22.01.2014 às 12:27

E eu, que não me importava nada que os meu filhos não aderissem a essa coisa da praxe... Azar o meu! Mas, ainda me conforta a ideia de que não são parvos, não se sujeitam a tudo e que é só para quem quer. Quanto a estes excessos, incomoda-me imenso! Dizes tu, e muito bem, há que por cobro a estas barbaridades... Não consigo imaginar a dor dos familiares :(
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De Sandra Faria a 16.02.2014 às 13:03

Os caloiros que se sujeitam a praxe nao sao parvos, sao mesmo e intimidados. Intimidacao nao afecta so pessoas com falta de inteligencia. Numa cidade nova, um adolescente confrontado com a "normalidade" da praxe sente-se ameacado por grupos que so funcionam porque sao feitos de muitos. Intimidacao fisica acontece em todas as praxes, so porque os doutores e veteranos andam sempre em grupos, coitadinhos.

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