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ébola, do 8 ao 80, agora nem Excalibur escapa

por Jorge Soares, em 07.10.14

Teresa R e Excalibur

Imagem do El Pais

Até ontem era tudo confiança, hoje após o primeiro caso de transmissão na Europa tudo é desconfiança, a meio da tarde era noticia nos principais meios de comunicação espanhóis um apelo do marido da enfermeira infectada com ébola para que se impedisse o sacrifício de Excalibur, o cãozinho ali da fotografia.

 

As autoridades espanholas agora jogam pelo seguro, com a enfermeira e o seu marido colocados de quarentena, o cão está sozinho no apartamento em que ambos viviam, antes de ir para o hospital, Javier o marido da enfermeira, assegurou-se de que o cão tivesse água e comida suficientes para vários dias, mas a comunidade de Madrid não está pelos ajustes, a casa está selada pela polícia e será em breve descontaminada, tal como as áreas comuns do edifício.

 

Entretanto pediram a Javier autorização para abater Excalibur, ninguém sabe se o cão está ou não infectado, também não há certezas sobre se o animal poderá ou não transmitir a doença, mas na dúvida não estão com meias medidas, se Javier não autoriza o abate, será obtida uma ordem judicial e o cão será abatido em nome da saúde pública, e quer-me parecer não haverá apelos que o salvem

 

Entretanto ninguém faz ideia de quantas pessoas terão contactado com a doente, sabe-se sim que apesar de esta ter informado mal chegou ao hospital que poderia estar contaminada com ébola, passou várias horas nas urgências  com fitas e biombos a fazer a separação das outras dezenas ou centenas de pessoas que por ali passavam.

 

Só após a confirmação das análises se tomaram medidas de protecção e terá mesmo sido atendida por pessoal médico sem nenhuma protecção. E mesmo depois de se ter confirmado a doença, o marido andou horas livremente pelo hospital.

 

Com tudo isto e tendo em conta que a enfermeira já tinha alguns dos sintomas há dois ou três dias, será quase um milagre se não houver mais casos de infectados.

 

O que se percebe de tudo isto é que em Espanha, apesar dos dois falecidos com a doença e de todo o aparato montado quando da chegada de ambos, na realidade nas unidades de saúde não se terá dado a atenção necessária ao caso e o resultado está à vista.

 

Agora, em Espanha e no resto do mundo, corre-se contra o prejuízo, e nem o pobre cão irá escapar, pena que o mal já está feito, resta saber se ainda se irá a tempo de parar a doença.

 

Custava alguma coisa colocar o cão de quarentena?

 

Por certo, hoje já ouvi dizer que nos Estados Unidos já há quem peça a interdição dos voos de e para  países com infectados... veremos quanto tempo irá demorar a que se ponha em prática

 

Jorge Soares

Ps: Número de dias sem gritar - 4

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publicado às 22:32

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6 comentários

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De Maria a 08.10.2014 às 00:47

Gostei muito de ler este texto (http://www.publico.pt/ciencia/noticia/virus-ebola-o-embuste-1668502), um ponto de vista diferente do generalizado sobre a doença. Esperemos que tenha razão (:
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De Jorge Soares a 08.10.2014 às 00:56

Artigo interessante, enquanto estive na Espanha em Agosto ouvi e li várias coisas pelo estilo.... acho que foi esse tipo de opiniões que fizeram baixar a guarda e agora deu no que deu.... vou guardar o link e o nome do senhor... mas para ser sincero, não estou muito esperançoso em que ele tenha razão.

Há pelo menos uma coisa em que não concordo com ele, isto não tem nada a ver com o que aconteceu com a gripe de 2005, a começar pelo facto que aqui dificilmente as farmacêuticas irão ter uma vacina antes de 5 ou 10 anos e a terminar em que a gripe tem um índice de mortalidade de 1 ou 2 % e o ébola vai dos 50 aos 90%, ou seja, se o número de infectados for 10 % dos que estiveram com gripe, o número de mortes será 90 % maior.. .e isso são muitas mortes

Jorge

Jorge
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De Sofia Margarida a 08.10.2014 às 10:08

Fiquei em choque quando vi esta notícia. Então porque não "abatem" todos os que têm Ébola? E querem apenas abater um pobre animal que nem sequer sabem se está contaminado. Gente sem coração. Concordo consigo, devia ser metido em quarentena e verificado se realmente está infectado. E não morto para o bem da ciência...

Matar um cão pela saúde pública, mas deixar andar de livre vontade pessoas contaminadas já não é caso de saúde pública. Vá a gente perceber...
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De Cristina a 08.10.2014 às 17:50

Correndo o risco de dizer algum disparate, o que percebi do que li é que os cães podem ser infectados mas não manifestam sintomas. Daí, a quarentena não servir de muito. Teria de ser feito o teste e manifestamente não há vontade disso. Depois das falhas todas, a estratégia é reduzir o risco ao máximo.

Cristina M.

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De Sofia Margarida a 09.10.2014 às 11:28

Então, mas... Se há possibilidade de estar infectado deveria estar de quarentena longe de toda a gente de forma a não poder passar de nenhuma forma o virus. Porque mesmo sem sintomas, a saliva transmite o virus. E aí sim, que fizessem o exame. Mas para fazer o exame é preciso matar o cão? Já fizeram tantas falhas com essas pessoas que estão infectadas e agora reduzir o risco é matar um cão?

De longe querer ir contra a sua opinião... mas eu não entendo como se mata um animal sem qualquer piedade, é uma vida tão digna quanto muitos que por ai se passeiam de duas pernas.
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De DyDa/Flordeliz a 08.10.2014 às 23:09

- Já "foste" Excalibur.
Os humanos são assim - passam por cima do elo mais fraco. Só nao mataram a enfermeira e o marido porque ainda ninguém (ousou) teve coragem.
Visionário foi Saramago. Retratou o ser humano como ele é: primeiro eu e os outros que se cuidem se conseguirem.
Só que...na maior parte das vezes, feitiço e feiticeiro gostam de pregar partidas. Somos cegos de conveniência.

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