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Lido por ai: Farkhunda

por Jorge Soares, em 12.04.15

Farkhunda.jpg

 Imagem de aqui

 

Farkhunda tinha 27 anos e pelos vistos cumpria escrupulosamente os conservadores preceitos da mulher afegã. Rosto e corpo totalmente cobertos, sempre. E seria assim que circulava no centro da capital do Afeganistão, no dia 19 de março.

 

A burka que usava não deixava ver a coragem de que era feita. Coragem que, pelos vistos, a levou, ao passar pela Mesquita, a dirigir-se o Imã que estava à porta e confrontá-lo com uma prática sua com a qual ela não concordava.

 

Consta que o Imã venderia amuletos aos pobres, iludindo-os sobre os poderes mágicos que teriam. Farkhunda, mulher coragem, naquele que é apontado por muitos como o mais perigoso país para as mulheres, atreveu-se a contestar um líder religioso na rua. E só uma mulher afegã sabe o que quer dizer afrontar um líder religioso, e logo no meio da rua.

 

Durante a discussão, com certeza por total ausência de argumentos, o Imã terá começado a gritar, dizendo que Farkhuna havia queimado o Corão, que não era uma verdadeira muçulmana, e que não respeitava o livro sagrado.

 

Em breve Farkhunda se vê cercada por homens que começam a apedrejá-la, agredi-la, pontapeá-la. Num ápice a barbárie: depois das várias agressões atam-na a um carro, arrastam-na pelas ruas da cidade, atiram-na para a beira do rio de Cabul e atiçam-lhe fogo.

 

A violência sobre as mulheres, em diferentes graus e origens e em vários pontos do mundo está, infelizmente, na ordem do dia. Mas a forma como a ela se vai reagindo, sobretudo em zonas do mundo onde os direitos das mulheres ainda não são devidamente reconhecidos, essa sim vai mudando. E o caso de Farkhunda vem demonstrar isso.

 

Pela primeira vez no Afeganistão (e segundo noticia o The Guardian no seu artigo sobre o assunto, talvez pela primeira vez em todo o mundo Islâmico), um morto foi carregado por mulheres para ser enterrado.

 

Esta é uma tarefa tradicionalmente atribuída aos homens, mas desta vez as corajosas mulheres afegãs não o permitiram. A coragem de Farkhunda inspirou um pequeno grupo de mulheres que se colocou em torno do seu corpo sem vida, impedindo os homens de lhe tocarem, dizendo-lhes: “Este corpo não é vosso. Farkhunda pertence a todas as mulheres de Cabul, do Afeganistão. O seu corpo pertence a todas as mães afegãs”.

 

Dias depois, milhares de pessoas – mulheres, homens, jovens e menos jovens – manifestavam-se em Cabul contra a barbárie e exigindo justiça. É aqui que está o único sinal de esperança, numa história a que precisamos dar voz, para que aconteça cada vez menos.

Falem disto, por favor.

 

Retirado de Sul Informação

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publicado às 22:44

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4 comentários

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De s o s a 12.04.2015 às 00:02

consta-se que é assim por aquelas bandas. Mas é tradicionalmente assim. Nós, nesta banda, já há muito nos libertamos, nos livramos da tirania religiosa. Apesar do dito, o texto, a noticia, vale para que as que querem ser livres, o consigam. Mas a estoria do que a mulher fez, confrontando o ima, nao é crivel, como nao é crivel que a mulher desejasse ser assassinada.
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De Jorge Soares a 12.04.2015 às 22:44

Tinha visto este texto dois ou três dias antes de o publicar, o primeiro que fiz foi tentar perceber se a história era real ou não, é muito simples, basta ir ao google, eu fui, o número de noticias que encontrei fez-me pensar que a historia seria real... não sei se se terá passado exactamente como está descrita no texto.... mas também não interessa muito, porque se não aconteceu exactamente assim, podia ter acontecido, casos como este em que as mulheres são mortas pelo simples facto de serem mulheres acontecem nos países muçulmanos, e não só, todos os dias... e nunca está demais chamar a tenção para isso.

Jorge Soares
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De Anónimo a 12.04.2015 às 10:25

Ok então eu falo disto.

Porque falar em direitos das mulheres e não em direitos humanos, abrange as mulheres mas não só, abrange tudo que não respeita os direitos humanos, do ser humano.

A propósito:

“Continua a polémica entre a Arábia Saudita e Suécia. Depois de Riade ter conseguido impedir que a ministra sueca dos Negócios Estrangeiros discursasse na cimeira árabe - Margot Wallstrom tencionava falar sobre Direitos Humanos, em especial a situação das mulheres no reino saudita - agora foi um jardim zoológico local a recusar uma oferta há muito acordada. O zoo Skansen, em Estocolmo, ia enviar quatro macacos pigmeus da Amazónia a um zoo em Riade, mas este último acabou por dizer que não. “

Os macacos em questão são minúsculos, pesando cerca de 100 gramas cada um, mas o gesto dos sauditas vai ter um eco desproporcionado, até porque se segue ao cancelamento de um grande contrato de armamento e a bloqueios nos vistos para empresários suecos.

Conforme explica o diretor do zoo Skansen, "é um pouco cómico". "Vou ter de esperar até voltarem a dar vistos a homens de negócios. Talvez aí os macacos também recebam vistos", comentou.

http://expresso.sapo.pt/arabia-saudita-recusa-oferta-de-quatro-macacos-por-suecia-falar-em-direitos-humanos=f919305#ixzz3X5Kg2RbE

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De Jorge Soares a 12.04.2015 às 22:47

Concordo, mas é um facto que na maioria dos países muçulmanos as mulheres são tratadas como seres humanos inferiores, e não, não é só nos que estão em guerra como a Síria e o Afeganistão, e a Arábia Saudita infelizmente não é exemplo pelos melhores motivos.

Jorge Soares

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