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Mãe, o que é ir à missa?

por Jorge Soares, em 25.02.15

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Um destes dias, já não sei a propósito de quê, a D na sua infinita curiosidade saiu-se com o seguinte:

 

- Mãe, o que é ir à missa?

 

A minha meia laranja ia tendo um fanico, e a seguir teve mesmo quando olhou para mim e eu disse:

 

- Finalmente à terceira fizemos o trabalho como deve ser! 

 

Ela ainda tentou argumentar, mas eu como quem não quer a coisa, lembrei-lhe como tinha corrido a experiência do N. e a R. com os escuteiros e a catequese (ver este post), deve ter funcionado, não se voltou a falar do assunto.

 

Os meus filhos são os três baptizados, a mais nova já tinha sido baptizada quando chegou cá a casa e os mais velhos são porque a P. e uma parte da  família faziam questão, a mim tanto se me dá que o sejam ou não, a educação que sempre pensei para os meus filhos não tem nada a ver com religião. Sempre tentei educar com o exemplo e se possível ensinando os meus filhos a pensar por sí, se no fim eles por si e pela sua cabeça chegarem a uma religião qualquer, isso é problema deles, mas se for pelo meus exemplo, não irão de certeza absoluta precisar de igreja ou religião para nada.Eu não preciso mesmo.  Ninguém é melhor pessoa por acreditar ou não em deus, pessoas boas e más há em todas as religiões do mundo e evidentemente entre os ateus.

 

Porque é que me lembrei de tudo isto, porque hoje pelo meu facebook passou o seguinte artigo: Famílias sem religião estão fazendo um trabalho melhor do que as demais

 

Trata-se evidentemente de um artigo sobre vários estudos feitos nos Estados Unidos, vale o que vale, mas não deixa de ser interessante olhar para as várias conclusões, vejamos:

 

-apresentam muito mais solidariedade e proximidade emocional entre pais e filhos

 

-A maioria parecia viver vidas plenas caracterizadas por uma direcção moral e um sentido de que a vida possui um propósito.

 

-têm seus próprios valores morais e preceitos éticos, entre eles a solução racional de conflitos, autonomia pessoal, livre-pensamento, rejeição de punições corporais, um espírito de questionar tudo e, principalmente, empatia

 

- tratar os outros como gostaríamos que fôssemos tratados. Este é um imperativo ético antigo e universal, e não há nada nele que force a crença no sobrenatural

 

-Quando estes adolescentes se tornam adultos, eles tendem a apresentar menos racismo que seus colegas religiosos

 

-Os adultos seculares têm uma tendência maior a compreender e aceitar a ciência do aquecimento global, a apoiar a igualdade feminina e os direitos dos gays.

 

-No cenário internacional, países democráticos com os menores níveis de fé religiosa são também os que têm as menores taxas de crimes violentos e gozam de bem estar social relativamente alto

 

Ora, a mim parecem-me argumentos suficientes, mas muito mais importante que tudo isto é o facto de eu querer que os meus filhos aspirem a ser pessoas cultas e integras com consciência, não por medo às consequências do pecado ou aos castigos divinos e sim porque essa é a forma correcta de se viver.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:25

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5 comentários

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De energia-a-mais a 26.02.2015 às 08:30

loool! revi-me em tudo, tudinho! por cá também se educa apontando exemplos e se possível construindo espírito crítico sem impor, talvez só uma diferença em relação a ti Jorge, eu espero que os meus encontrem por eles próprios não uma religião mas a Fé que para mim não tem a ver com a Igreja Católica em sim mas tem muito a ver com uma imagem que me é inspirada por Cristo e pelos Seus ensinamentos e Valores. De resto aqui educa-se para a solidariedade, para o respeito e para a gratidão, algo que acho ser fundamental para ser boa pessoa!
e aqui também não vão à catequese e não o mais velho nunca foi à missa...o mais novo é que já pediu e foi e disse-me que gostava de Jesus

Teresa
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De golimix a 26.02.2015 às 11:31

Revejo-me nas tuas ideias, ideais, e concordo com a tua posição, que de resto é a nossa cá por casa.
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De Cris a 26.02.2015 às 12:37

Parece-me que os pontos apresentados pelo estudo mostram uma forma universalmente correcta de se estar neste mundo.
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De naterradosplatanos a 26.02.2015 às 18:39

Jorge, mas que respondeste à D.? A avó está curiosa!
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De Jorge Soares a 26.02.2015 às 23:17

Olá

Nã ome lembro exactamente, mas não foi uma resposta muito explicativa, a P estava tão em choque que nem se conseguiu explicar

Jorge

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