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Na Ucrânia luta-se por quê?

por Jorge Soares, em 18.02.14

Ucrânia

Imagem do Público 

 

Um destes dias ante as imagens terríveis que chegavam da Síria via televisão, a minha filha mais velha perguntava-me porque é que aquilo acontecia e porque é que os outros países deixavam.... confesso que tive alguma dificuldade em lhe explicar, talvez porque mesmo a mim me custa a entender.

 

Hoje ao ver as imagens que nos vão chegando desde Kiev lembrei-me dessa conversa. A Ucrânia caminha a passos largos para uma situação parecida com a da Síria, com a agravante de que a Ucrânia é muito maior que a Síria, na Europa só a Rússia é maior, e há evidentemente interesses muito mais complicados e delicados que na Síria.

 

Recordemos que tudo isto começou quando o governo afecto aos interesses Russos, se negou a assinar com a União Europeia um tratado que servia de preparação para a entrada do país na União.

 

Na Ucrânia a luta não é pelo poder, é principalmente uma luta de interesses, de um lado está o governo que defende os interesses da Rússia e do outro está a oposição e uma parte do povo que defendem uma aproximação à união Europeia. 

 

Da forma como as posições estão extremadas, dificilmente haverá uma saída que não envolva um banho de sangue e enquanto policias e manifestantes se enfrentam na praça da liberdade de Kiev, a União europeia e a Russia esforçam-se em culpar-se mutuamente pelo que está a acontecer.

 

A Ucrânia tem 44 milhões de habitantes, não é um pequeno país do norte de África ou do médio Oriente, o que quer que venha a acontecer nos próximos dias terá de certeza efeitos no resto da Europa, esperemos que sejam efeitos positivos e que eu não tenha que voltar a explicar à minha filha o motivo porque há milhares de pessoas a serem massacradas sem que ninguém faça nada.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:51

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42 comentários

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De Cris a 19.02.2014 às 08:45

Parece que o banho de sangue já começou... Resta saber se não se alastra. Tantos milhares de anos e o Homem não aprendeu nada...

"esperemos" é tudo junto, Jorge.
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De Jorge Soares a 19.02.2014 às 09:30

Olá

Obrigado Cris, é o que dá estarmos a escrever à pressa.

É verdade, infelizmente parece que o banho de sangue já começou

Jorge
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De Zé da Burra o Alentejano a 19.02.2014 às 15:03

Pois! a guerra civil já começou e o sinal foram assaltos a depósitos de armamento e o início de deserções nas forças armadas e polícias.
E agora, qual será a atitude militar da UE e da Rússia?; e depois dos EUA e da China?
Não desejo que o rastilho infelizmente já aceso para a guerra civil na Ucrânia o seja também para o resto do mundo.
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De Jorge Soares a 19.02.2014 às 22:40

Quando escrevi o post as coisas ainda não tinham evoluído desta maneira...

Jorge
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De Zé da Burra o Alentejano a 02.03.2014 às 20:45

Pois é! mas a Ucrânia faz fronteira com a Rússia e a Crimeia tem uma maioria de população russa. Não estará o Ocidente a exagerar quando testa a Rússia sobre uma sua eventual reação à deposição pela força de um governo que lhe era favorável e que até tinha sido eleito democraticamente?
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De Caio Enobarbo a 21.02.2014 às 22:39

Já começou e ainda não acabou... Provavelmente só quando o Presidente abandonar o poder o banho de sangue acabará. Os manifestantes, ao conseguirem uma coisa, querem logo outra... o que eles também querem é poder!
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De Paulo a 19.02.2014 às 09:18

"O motivo proque"??? Já não me recordo de um dia sem ler notícias em jornais (online ou em papel) que não tivesse erros ou gralhas. Considero isso desleixo grosseiro e falta de respeito pelos leitores. Há revisores desempregados; contratem-nos.
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De Jorge Soares a 19.02.2014 às 09:29

Tem a certeza que sabe o que é um blog?

Isto não é um jornal, ninguém me paga por escrever, faço isto pior gosto, evidentemente isso não explica os erros ortográficos nem os torna aceitáveis.

Obrigado pelo aviso, já agora, sobre o assunto do post, tem alguma coisa a dizer?

Jorge Soares
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De golimix a 20.02.2014 às 08:40

Há por aí tanto entendido.... e com dor de cotovelo.
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De Bento 2014 a 19.02.2014 às 09:50

Uma vela mesmo torta por defeito ou distração não dá menos luz do que outra toda polida e enfeitada. Aqui, eruditos e iluminados vem incomodar e incomodar-se porque?
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De Rui a 19.02.2014 às 13:01

Boca santa!!! ;)
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De Bento 2014 a 19.02.2014 às 09:41

Quem comanda o quê ?
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De Jorge Soares a 19.02.2014 às 22:50

Acho que neste momento os interesses Russos comandam a policia e a parte do exército que não tem escrúpulos de lutar contra o povo.... o povo tenta comandar-se a si próprio na defesa do que eles acham que é o caminho para um futuro melhor e sem fantasmas do passado.

Jorge Soares
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De Makiavel a 19.02.2014 às 10:21

O que se está a passar na Ucrânia é apenas a versão soft da frente leste alemã da 2ª Guerra Mundial: o espaço vital europeu (alemão) precisa de se expandir para leste, hoje como em 39-45. 60, 70 anos não são muito tempo para que as coisas mudem assim tanto. Nem sequer a questão democrática ou de direitos humanos se pode colocar nesta situação, como hipocritamente se coloca na questão síria e se colocou na questão líbia. Que eu saiba, houve eleições na Ucrânia e a oposição perdeu.
(uma pequena correcção: a primeira pessoa do plural do conjuntivo do verbo esperar escreve-se "esperemos")
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De Jorge Soares a 19.02.2014 às 22:56

"primeira pessoa do plural do conjuntivo" acho que em espanhol não havia esse tempo verbal... é por estas e por outras que eu fui parar a Matemática aplicada em lugar de a qualquer coisa relacionada com letras :-)

Mas eu agradeço sempre as correcções.

É verdade, houve eleições na Ucrânia e alguém ganhou e alguém perdeu, mas quem governa não pode governar sempre contra o povo, e muito menos decidir desistir de acordos que já estavam feitos no último dia...e muito menos desistir em nome de interesses dúbios e contrários aos interesses do país e do povo.

Fosse há 30 ou 40 anos atrás e já os tanques Russos teriam resolvido a questão, vamos ver quem resolve desta vez.

Jorge Soares

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De Makiavel a 20.02.2014 às 11:13

Não sei se existe em espanhol ou não, nem vem ao caso; a questão não é saber o nome do tempo do verbo, a questão é mesmo saber escrevê-lo. Os tempos dos verbos aprendem-se (aprendiam-se) algures no 1º ciclo do ensino básico. Quem vai para matemáticas aplicadas (ou para trolha ou outra qualquer profissão) deve saber escrever a língua em que se expressa. Mais ainda se se expressa num blog. Mas isto é perfeitamente colateral. Estava mal escrito, ponto final. Todos erramos.
Quanto ao assunto do post, como em todos os assuntos de política internacional, tenho alguma dificuldade em comprar o que os media vendem em matéria de democracia, direitos e liberdades. E neste caso, repito, houve eleições, uns perderam outros ganharam. Se me perguntar se o poder na Ucrânia está a lidar bem com o assunto, direi que não. Mas pergunto como Paris, Berlim ou Washington lidariam com uma situação idêntica nos seus países, com 2 meses de acampamento e barricadas no centro das suas capitais, com oposição armada e tentativas de invasão das suas instituições.
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De Pedro Silva a 20.02.2014 às 15:40

"Se me perguntar se o poder na Ucrânia está a lidar bem com o assunto, direi que não. Mas pergunto como Paris, Berlim ou Washington lidariam com uma situação idêntica nos seus países, com 2 meses de acampamento e barricadas no centro das suas capitais, com oposição armada e tentativas de invasão das suas instituições."

Nem é preciso ir tão longe. Basta que nos recordemos como reagiu Madrid à famosa ocupação da Puerta del Sol. Não deu tanto nas vistas mas foi parecido.
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De Zé da Burra o Alentejano a 12.11.2014 às 13:19

Pois houve eleições na Ucrânia em tempo de guerra e isso significou que ficaram feridas de morte porque várias partes do território não puderam votar. Eleições nestas condições não legitimam ninguém ou pelo menos a sua legitimidade não se estende àqueles territórios.
Também não foram divulgados em Portugal quais foram os resultados dos referendos feitos depois naqueles territórios em que se punha à população a questão de permanecer ou não na Ucrânia, porquê?
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De Bento 2014 a 19.02.2014 às 10:25

Deixei de conseguir aceder aos comentários. Será problema com o meu equipamento?
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De Bento 2014 a 19.02.2014 às 10:27

Já está. Com este ultimo abriu tudo.
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De Pedro Silva a 19.02.2014 às 10:39

Bom dia Jorge.

O problema da Ucrânia é, a meu ver, simples e ao mesmo tempo complexo.

Como dizes a Ucrânia é um País muito grande. A sua História foi marcada por Guerras violentas com os seus vizinhos, a ocupação nazi devastou o País e a URSS de Estaline fez daquele País um laboratório, um estaleiro e "carne para canhão" nas suas tresloucadas Guerras (a Guerra contra a Finlândia, por exemplo, foi levada a cabo por tropas proveniente da Ucrânia e tinha de se vencer ou morrer a tentar).

Isto para te dizer que estamos a falar de uma Nação que poucas vezes conheceu a Paz.

Para mais a Ucrânia é um País com muitos recursos mas não é auto sustentável. Precisa do Gás da Rússia para sobreviver por exemplo. E é também um País onde os Direitos Humanos praticamente não existem, a Liberdade é coisa rara e a pobreza foi algo que foi muito bem disfarçado no último EURO.

Em resumo, temos aí um País com uma História violenta, com um território muito vasto e com uma População razoavelmente qualificada e amplamente dividida entre a "falsa" liberdade que a União Europeia lhe acena e a sua vizinha Rússia que o ajuda a manter a sua Independência.

Para mais sempre que algum Político Ucraniano tenta romper com Moscovo ou tenta aproximar-se de Bruxelas acaba como a Sra. Yulia Volodymyrivna Tymoshenko.

Não admira que o aquilo esteja como está. Algum dia o barril de pólvora ia ter de rebentar. E depois tanto a UE como a Rússia ajudam à Missa porque do lado Europeu há uma necessidade clara de se expandir para um mercado onde a mão de obra é qualificada e barata e a Rússia não quer de forma alguma libertar-se de um dos seus mais importantes Parceiros Económicos e Comerciais.

Acho que já tinha escrito sobre isto no meu Blog. Ainda a procissão ia no adro e já eu previa este cenário.

Vamos a ver como vai isto acabar embora eu tenha as minhas dúvidas de que tudo termine numa Guerra Civil, mas nada é certo.

Um abraço.
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De Jorge Soares a 19.02.2014 às 23:09

Pedro, este teu comentário dava um post.... mesmo

Abraço e obrigado.

Jorge
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De Pedro a 19.02.2014 às 12:35

"extremada" vem de "extremo", logo escreve-se com "x" e não com "s"
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De Jorge Soares a 19.02.2014 às 13:20

Por acaso segundo o priberam, é exactamente ao contrário, veja aqui:

http://www.priberam.pt/dlpo/estremada

Jorge Soares
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De Jorge Soares a 19.02.2014 às 13:22

Mas tem razão, eu tinha escrito a forma errada, obrigado pelo aviso
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De José Nobre a 19.02.2014 às 13:58

Tal como você sou um cidadão atento e preocupado.
Infelizmente haveria muito para dizer sobre este tema.
Digo apenas que os europeus poderão estar à beira de abrir uma caixa de "Pandora" na Europa.
Tal como a história nos tem dito, os grande conflitos bélicos mundiais começaram com este tipo de situações no velho continente.
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De Jorge Soares a 19.02.2014 às 23:12

O problema é que eu acho que a caixa já está aberta...e agora vai ser o cabo dos trabalhos para a voltar a fechar...

Jorge
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De Treu a 19.02.2014 às 15:17

Não foi a "falsa liberdade" da União Europeia que permitiu que toda a Europa ocidental estivesse em paz durante 50 anos e que permitiu o crescimento económico e social de todos os países?

Lá por estarmos em crise agora (e muita da crise da União Europeia é uma crise de superabundância e excesso de produção do mesmo tipo de produtos) não signifique que tenha sido sempre assim.

O problema da Ucrânia é que parte do país sabe que podia ser outra coisa, isto é, ser uma potência por si só. A Ucrânia é o maior país inteiramente europeu, o que por si só lhe dá alguma importância.

Não será que os Ucranianos, com acesso a um mundo mais aberto, não querem o mesmo que a maioria dos outros eslavos? Mais democracia, poder de decisão e crescimento económico e deixar de ser um mero protectorado russo?
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De Pedro Silva a 19.02.2014 às 15:50

Treu só um pequeno esclarecimento que eu achei não ter sido necessário na minha intervenção.

A Falsa Liberdade da União Europeia é um fruto recente de uma cosa chamada Tratado de Lisboa e EURO que veio retirar equilíbrio a uma Europa Unida.

De resto concordo com a sua opinião. O problema é que nem a Europa quer ajudar a Ucrânia a ser mais Democrática nem a Rússia está interessada em a libertar.
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De Jorge Soares a 19.02.2014 às 23:17

Estava aqui a ler os comentários e a pensar o seguinte:

Estive em Dezembro na Hungria e vi um país cheio de vida, Budapeste é uma cidade completamente ocidentalizada, com obras por todo lado, com ruas restauradas e cheia de vida.

Nunca lá tinha estado mas fiquei com a ideia que a maioria das obras eram financiadas pela união Europeia e que os húngaros tinham ganho muito com a adesão à Europa comunitária.... não será isto que querem os ucranianos?

Será que ligados à Russia tem as mesmas hipóteses de evoluir e de conseguir o estilo de vida de alguns dos seus vizinhos que já estiveram na esfera Russa?


Jorge
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De Pedro Silva a 20.02.2014 às 15:48

Jorge os Ucranianos dizem querer isto a que te referes.

O que uma parte da Ucrânia quer realmente é cortar o cordão umbilical com Moscovo porque simplesmente não suporta a Rússia (as razões já foram por mim aaui evidenciadas).

Quanto ao que escreveste sobre a Hungria, agora é tudo muito bonito dado que a "torneira" está a aberta e o dinheiro entra no País. Deixa-os atingir um determinado nível de desenvolvimento e a dita "torneira" fechar e vais ver o que vão fazer os Húngaros.

Mais uma vez aquele abraço!!!
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De Eduardo Ferreira a 20.02.2014 às 02:07

Creio que está em falta nesta discussão um aspecto importante: porque estão neste momento tantos países com problemas sociais e políticos graves? Basta pensar nas cenas de violência da Venezuela e nos problemas do Norte de África...
A questão é que existe uma grave crise económica mundial em curso. Para os ocidentais é uma crise no meio da abundância, mas para outros países a situação social torna-se insustentável. E quando falta pão todos brigam e ninguém tem razão.
Mesmo o nosso país não está a caminho de superar a crise, porque não lidou com o problema principal: energia.
Basta analisar a nossa balança comercial, que é positiva quando se retiram as importações petrolíferas.
Logo faria todo o sentido reforçar a utilização da electricidade, uma fez que se fez um grande investimento em renováveis. E o que faz o governo? Vende a EDP a interesses externos...
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De Zé da Burra o Alentejano a 06.10.2014 às 06:25

Mas as zonas em conflito têm ama população esmagadora de origem russa e por isso querem ligar-se de novo à sua pátria.
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De maisvaleumaboaquarentona a 19.02.2014 às 17:16

Isto é-me tudo tão familiar, um déjà-vu... não paro de pensar nas Balcãs e na grave crise financeira que antecedeu a II Grande Guerra... confesso que me sinto um pouco assustada com isto tudo :(
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De Jorge Soares a 19.02.2014 às 23:21

Hoje a meio d atarde quando me apercebi como as coisas tinham piorado também dei por mim a lembrar-me dos Balcãs .

Isto é mesmo assustador.

Jorge

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