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escola.jpg

 

Imagem retirada de Petição Pública

 

Há uns dias Jorge Ascensão, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), veio para a comunicação social defender que tal como os adultos, as crianças deveriam ter onze meses de aulas e um mês de férias... 

 

Hoje deparei-me com a existência de uma petição online (aqui) em que "Pais e cidadãos" se manifestam contra a proposta da CONFAP.

 

Demais está dizer que nem tanto ao mar nem tanto à terra, fiquei curioso e fui ler (aqui) o que na realidade disse o senhor da CONFAP, depois de ler, não sei se discordo assim tanto dele.

 

É claro que se nos ficarmos pelos títulos das noticias, todos somos contra termos as crianças na escola durante onze meses, se nos dermos ao trabalho de ler com alguma atenção, o que verificamos é que o senhor na realidade não pede mais tempo de aulas, pede sim, melhor tempo de escola, ou se quisermos, uma forma diferente de se estar na escola.... convenhamos que é difícil estar contra essa ideia.

 

Tenho três filhos em idade escolar, a maior parte do tempo o que sinto é que hoje em dia para os nossos filhos a escola está convertida numa corrida de obstáculos em que muitas vezes se luta contra o tempo e quase nunca se conseguem atingir todos os objectivos.

 

Os programas são cada vez mais extensos e exigentes e a maioria das crianças divide o seu tempo entre a escola, os ATL e os locais de apoio ao estudo, para onde são despejados mal saem das aulas, sendo que o tempo para brincar e ser criança é cada vez menos e de menos qualidade.

 

Quando eu era criança, já choveu muito e muitas coisas mudaram desde essa altura, tinha aulas de manhã, ia e vinha a pé  para e da escola, a minha mãe estava em casa e  tratava do almoço, eu fazia os trabalhos de casa e  tinha o resto do dia para mim e para os amigos. Hoje em dia os meus filhos saem de casa às oito da manhã, pouco depois de mim e voltam quando eu ou a mãe os vamos buscar depois dos empregos, já seja à escola ou ao ATL.

 

Não sei se a solução terá que passar por onze meses de escola ou não, mas numa coisa concordo com o senhor, há muitas coisas a mudar nas nossas escolas, eu diria que há uma revolução por fazer, muitas coisas a repensar, os nossos filhos tem direito a ser crianças e entre nós e a escola, estamos a negar-lhes esse direito.

 

É claro que muito disto passa por opções nossas e não da escola, mas o que podemos fazer quando ambos os pais temos que trabalhar e não há avós ou família por perto? E o que fazemos com as crianças durante estes três meses de férias quando temos que ir trabalhar e não há com quem as deixar? Felizmente eu posso pagar ATL's e tempos livres, mas o que faz quem não pode? Deixa as crianças sozinhas em casa?

 

Os  números da fotografia acima parecem esclarecedores, mas a realidade é que podem ser enganadores, menos horas de aulas não necessariamente tem que significar menos tempo na escola.

 

Se lermos as declarações de Jorge Ascensão com atenção reparamos que o que ele quer não é mais escola, é sim uma escola melhor e mais equilibrada.... há alguém que não concorde com essa ideia?

 

Jorge Soares

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publicado às 23:11

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24 comentários

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De energia-a-mais a 18.06.2015 às 09:32

Sabes Jorge, eu ainda não tinha comentado porque tal como tu, primeiro quis ler o que disse realmente o Jorge Ascensão e acabei por achar que até tem alguma razão. Aliás já tive oportunidade de estar algumas vezes com pessoal da CONFAP e com o próprio Jorge e sei que tem uma visão esclarecida do assunto. Assinei uma petição para a alteração das metas curriculares, isso sim, um absoluto delírio do ME e concordo inteiramente que deve existir uma mudança de sistema - uma mudança equilibrada, que permite alterar a forma como são vistas as escolas e como são ensinadas as nossas crianças. Acho legítima a preocupação dos pais e sou das primeiras a dizer que mais tempo, não significa mais qualidade! mas quero chamar a atenção para a falta de estrutura familiar e de recursos das famílias e de como isso é preponderante para que todo o suporte funcione - sem novas bases, não podem existir alternativas!

Teresa
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De Niki a 18.06.2015 às 10:57

Não discordo totalmente de só terem um mês de férias, mas discordo em parte porque isso é mágico e libertador mas numa realidade de antigamente, onde íamos passar férias com os avós e primos ou então tínhamos sempre um progenitor presente.
Hoje em dia temos de analisar e muitos pais tem de colocar os filhos em tempos livres e ATL´s que apesar de serem diferentes as crianças olham para estas como se fosse uma obrigação. Onde tudo é pensado e estruturado.
Podemos ver hoje em dia se colocarmos um grupo de crianças juntas sem brinquedos elas ficam a olhar para nós e querem que façamos o que?! As nossas crianças perderam o espírito da brincadeira livre, porquê hoje em dia é tudo estruturado e organizado... de facto os pais apenas tem 22 dias de férias e as crianças tem muito mais tempo que isso.
No meu caso quando a minha filha tiver idade eu espero ainda ter os meus pais e sogra viva para que ela possa viver a magia de viver com os avós nuns tempos e brincar na aldeia e aprender a brincar sem ter de estar agarrada a um qualquer brinquedo.
Por isso não acho que a solução passe por mais tempo escolar, pode até passar, mas nunca a ter aulas mas sim em actividades e muita brincadeira. Gostaria que aliviassem um pouco a quantidade astronómica de matéria que as crianças são obrigadas a aprender. E convenhamos hoje em dia nos pais olhamos para os manuais e não nos lembramos de metade do que é leccionado. Não digo que seja importante, mas por exemplo será que História tem de ser obrigatoriamente dada com aquele rigor e com aquelas datas e tratados todos?! Podemos conhecer a história de Portugal com visitas de estudo e as crianças aprendem melhor, e em vezes de vários testes não era mais úteis trabalhos e apresentações?!
São pequenas coisas mas que podiam mudar muito o país... e a diferença entre mim e o meu pai é que ele sabe mais de matemática e raciocínio lógico do que eu. Eu sei mais sobre ciências da vida e informática e novas tecnologias... foi a escola e a universidade que me deram estas competências, sim em parte mas muito foi a vida que me ensinou.
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De Princess Beauty a 18.06.2015 às 11:43

Acabei à cerca de um ano o meu percurso académico, e concordo sim em haver só um mês de férias...Para quê ter 9 meses intensos sem parar e de repente 3 meses a "coçar a micose"?! Mais reestruturar os períodos lectivos, com menos carga horária diária e com mais dias de descanso ao longo do ano... Pelo menos eu tinha aproveitado muito mais, e certamente teria tido ainda melhor aproveitamento escolar :)
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De Maria a 18.06.2015 às 13:40

Acabou há cerca de um ano? Precisa de mais algum tempo.
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De Princess Beauty a 18.06.2015 às 14:06

Preciso de mais tempo para? Se me pagar o doutoramento, uma vez que é o único grau académico que me falta, terei todo o gosto!
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De José a 18.06.2015 às 14:22

A Maria certamente referia-se ao erro ortográfico flagrante que cometeu. Não é "à muito tempo", mas "há muito tempo" (experimente em português, "havia um ano atrás, acabei a escola", é uma forma possível para decorar que aí se utiliza o "há" do verbo "haver" e não "a+a"). Daí ela dizer que precisa de mais tempo.

PS: Não teria ligado a isto, mas ao dizer que é mestre (ou portadora de mestrado) tem algumas responsabilidades no modo como escreve.
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De Princess Beauty a 18.06.2015 às 14:40

Certamente que nunca se enganaram :) Seres perfeitos é o que pretendemos no nosso país!!
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De Marina a 19.06.2015 às 09:40

Uma Princess Beauty tão deselegante que até dói. Safa!
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De Afonsinho a 18.06.2015 às 14:59

Ó Princess Beauty ... está visto que precisa de mais tempo na escola, sim ... nem consegue perceber o comentário de Maria a 18.06.2015 às 13:40?????? É que de todo o tempo que passou na escola ... (nem consigo perceber como "terminou" o percurso "académico"!!!!) não foi o suficiente para aprender a ... escrever ... e saber a diferença entre ... "à" e ... "há" ... então eu dou só um arzinho de esclarecimento ... "acabei HÁ cerca de um ano" ... se vai para um doutoramento a escrever com erros crassos e é aprovado/a... então tenho que reconhecer que a qualidade da certificação portuguesa está mesmo pelo nível do ... cano esgoto!!!!!!
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De Princess Beauty a 18.06.2015 às 15:07

Pois para que saiba terminei o meu percurso académico no quadro da minha faculdade, assim como pertenci sempre ao quadro de alunos de mérito das escolas em que fui passando.

Mas como não estou para aturar "gentinha" sem nada que fazer que só sabem apontar o dedo aos outros, FUI
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De euclix@clix.pt a 18.06.2015 às 15:27

Pois reitero o que já afirmei ... é lamentável que se atribua mérito a quem no final de um percurso académico dá erros crassos ... se se sente orgulhoso/a ... eu ... teria vergonha ... mas eu devo ser dinossauro e estou em vias de extinção!!!!!!
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De Adolfinho a 18.06.2015 às 15:31

E se não tem capacidade para "encaixar" um reparo, nem tem argumento ... e só o consegue fazer ofendendo, pois ... poderá ir chamar "gentinha" aos progenitores ... que não a/o souberam educar ... é por haver gente sem pingo de caráter neste país que os resultados das escolhas são o que são!!!!
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De Jorge Soares a 18.06.2015 às 16:23

O post é sobre a escola e a educação, não sobre erros ortográficos nem sobre mérito ou demérito académico de ninguém, podemos continuar com a discussão do assunto e esquecer o resto?

Jorge Soares
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De Maria Lopes a 18.06.2015 às 16:29

Educação é tal e qual como uma ereção: quando se tem, nota-se. No seu caso, não há nada a fazer, minha querida. Talvez um pouco de modéstia lhe ficasse bem. Não se amofine e emburre tal qual uma petiz de 5 anos. Quem puxou dos méritos, foi a menina. Agora, agradeço que nunca, mas nunca vá dar aulas. É descrédito para o ensino da língua portuguesa. E para querer parecer, há que saber ser. M.Lopes
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De Carlos Guimarães a 18.06.2015 às 16:41

Vai e não voltes!!!
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De André a 18.06.2015 às 13:05

Completei o 12 ano em 1996. Desde a 3 classe que os meus pais não estavam em casa durante o dia todo (o meu pai trabalhava longe e a minha mãe chegava a fazer 10 horas de trabalho diário). Por isso, posso dizer que vivi a parte que agora a Confap diz querer mudar. O prospecto do "11 meses ocupados e 1 mês de férias para se adequarem aos pais".
(só para esclarecer, não tenho filhos, o que sei da escola é pela minha namorada que é professora primária)
Os currículos tem sido esticados porque os pais pedem mais tempo de aulas. Em 2008, na região de Lisboa, foram mais de 19000 famílias que assinaram um pedido para as escolas passarem a ter os alunos em 2 turnos, de 210 minutos cada, em aulas diárias, desde a 1 classe. Segundo um estudo que apareceu na altura, os alunos ficavam muito melindrados com a mudança da escola primária para a preparatória, por isso era melhor começar a 1 classe logo com o regime geral prolongado.
Mesmo agora, muitos pais reclamam que os filhos passam pouco tempo na escola... e reclamam quando existem interrupções lectivas para reuniões. Alguns continuam a defender que os professores não fazem nada desde meados de Junho até meados de Setembro (e são cada vez mais a dizer isso... o que é estranho, ver pessoas com doutoramentos e 30 anos de idade, a dizerem isso em reuniões com os professores dos filhos).
Já passei 2 anos na Finlândia e posso dizer que se metade do que lá se faz, se fizesse cá, íamos ter professores a ser assassinados à porta da escola. Sabem que as escolas finlandesas só tem 1 funcionário por cada 150 alunos? Que a limpeza das salas de aula é responsabilidade dos alunos desde a 1 classe até ao final do ensino selectivo (equivalente ao nosso 11 ano)? Que a última hora de escola é com os alunos a arrumarem e limparem todas as divisões da escola? A limpeza mais aprofundada é feita aos domingos por uma empresa especializada.
E os pais gostam de ver que os filhos se preocupam com isso logo desde pequenos. Imaginem se isso fosse feito cá... E o número de horas de aulas lá é influenciado pela altura do inverno. Nessa altura os alunos entram as 11 e vão para casa ás 15. A escola está aberta durante aquelas horas, se querem outra coisa tem de ser fora da escola. ( no "verão" é das 10 ás 17)
Outra coisa é as "junções". Em vez de carros, são criados percursos que passam por pontos centrais da cidade. O professor vai a pé e faz o percurso recolhendo os alunos que caminham até à escola. Principalmente aos sábados (lá a semana de aulas é de segunda a sábado) costuma ser assim que os alunos vão para a escola.
Por isso não podemos comparar o nosso sistema de ensino com o deles.

Há muitos pais que percebem o que você diz, infelizmente são cada vez menos. Muitos pais querem depositar os filhos na escola e deixá-los lá o máximo de tempo possível. E não é só por não terem tempo para tomar conta deles... muitos "encarregados de educação" não querem (ou não sabem) o que isso significa. Por isso, a escola que ensine e eduque as crianças. Depois, temos quase 93000% no crescimento de diagnósticos de "hiperactividade", nos últimos 15 anos. Já são 13 em cada 30 alunos que recebem esse diagnóstico. Nalgumas escolas já aparecem valores acima de 50% de "hiperactividade" dos alunos. Algo aqui está mal e é preciso resolver, só que não será com mais tempo passado nas escolas.
(e os tempos de andar na rua a jogar à bola ou ir para um campo jogar, já tem pouca possibilidade de acontecer. Ir para a rua, está cheia de automóveis. Ir para um campo, é preciso pagar o aluguer. As crianças querem é ir para discotecas e bares mal fazem 12 anos de idade...)
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De energia-a-mais a 18.06.2015 às 13:26

Se metade do que se faz na Finlândia se fizesse cá, teríamos uma sociedade mais cívica, mais equilibrada e mais feliz - o facto das crianças serem responsáveis pela limpeza das salas faz parte dum equilíbrio cívico que passa pelo exemplo prático e não pelas teorias (já agora na escola - privada - do meu filho mais novo isso acontece e não sei de nenhum professor que tenha sido assassinado!) tal como o facto de existirem «poucos» funcionários por aluno(dado que os professores assumem responsabilidades que por cá não querem assumir - como estar com os alunos nos intervalos e serem responsáveis pelas refeições por exemplo). O horário escolar não se compara ao de portugal, tal como o horário laboral dos pais permite que estes acompanhem os filhos em várias atividades - coisa que por cá é uma miragem! comparar o incomparável não me parece uma coisa correta...quanto à «hiperatividade» das crianças que fala não é o mesmo que ter uma criança com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (a taxa de prevalência da patologia não tem nada de comparável) e isso porque se confunde irrequietude com «diagnóstico» - hiperativas são todas as crianças que dentro duma sala de aula «respirem» mais alto ou se «atrevam» a colocar uma questão que dê dor de cabeça ao professor...

Teresa
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De André a 18.06.2015 às 14:03

Está bem enganada... O horário laboral não é assim tão bom por lá. No verão eu entrava ás 8 da manhã e saía do trabalho ás 11 da noite. Em dias em que o tempo estava limpo, chegava a fazer 2 turnos de 10 horas de trabalho com 1 hora de descanso e 30 minutos para almoço e 30 minutos para jantar. E só mesmo nas actividades de serviços do centro da cidade é que os horários eram, mais ou menos, parecidos com os da escola. No resto (até mesmo nos transportes) o horário de inverno era muito reduzido (também com 26 graus negativos pouco ou nada se podia fazer...) no verão compensava-se.
Acerca dos intervalos também não é como diz. A grande diferença de lá para cá é que os intervalos são "com a porta aberta". O professor está na sala e os alunos podem entrar e sair conforme lhe apeteça. Fora da sala, o professor só faz alguma coisa caso seja chamado pelos alunos. O funcionário costuma ser o porteiro. Sim, porque lá os pais só podem entrar na escola quando tem uma convocatória. Se quiserem falar com o professor tem de enviar o pedido e esperar pela convocatória. (nisso tem razão, os pais de lá são muito mais civilizados que muita gente de cá...)
Mas, as regras também se estendem aos trabalhos. Os meus colegas, que tinham filhos, tinham justificação de 8 horas mensais para irem a reuniões da escola. Bastava deixarem cópia da convocatória e tinham 2 horas para irem falar com o professor. (coisa que muitas empresas de cá não aceitam)

E acerca de questões, deixo-lhe uma que um rapaz de 8 anos de idade fez à professora: "Professora, porque temos de aprender a fazer essa conta no papel? O telemóvel dá o resultado em 1 segundo." O rapaz está medicado contra a hiperactividade...
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De energia-a-mais a 18.06.2015 às 14:45

André, conheço o sistema nórdico de ensino pela tese de doutoramento e porque conheço pessoalmente professores e psicólogos desse país. Tem alguma razão no que diz, sobretudo em termos de horário, lógico que as condições laborais são diversas, consoante os casos (tal como cá) mas não estou tão enganada assim - as mães que conheço sempre tiveram flexibilidade para acompanharem os filhos, as escolas promovem ações bem diferentes das do nosso país e muitos pais conseguem colocar as crianças em atividades; as diferenças de ser «atendido» na escola pelo professor, não são muitas - cá estamos reduzidos ao «horário de atendimento» muitas vezes incompatível com o nosso horário de trabalho, muitos pais só conhecem os professores titulares de turma na entrega de notas ou se existem «problemas» que obriguem a ser atendidos noutros horários.
Quando falei em «questões» que dão dor de cabeça aos professores, não falava desse tipo de questões - conheço bem demais as nossas escolas, sei muito bem como «quem sai do padrão» é rotulado (não me admira nada que esse miúdo esteja medicado, duvido é que tenha resultados com a medicação, coitado) e já agora, se sabe a pergunta do miúdo, também sabe dizer qual foi a resposta da professora? talvez seja necessário repensar os métodos sim, talvez seja por isso que na Finlândia os alunos conseguem estar sempre muito mais adaptados e terem excelentes resultados (basta ver os resultados desses estudantes no PISA). É claro que tudo isso é fruto de políticas estruturadas e duma base educativa que cá não temos, assente numa formação exigente dos próprios professores. Os professores finlandeses são bem preparados e os cursos obrigam a uma carga pedagógica muito forte e sólida. Além da preparação prática (colegas meus em Erasmus tiveram oportunidades que eu nunca tive) http://www.theguardian.com/education/2015/jun/17/highly-trained-respected-and-free-why-finlands-teachers-are-different?CMP=fb_gu
Não quero no entanto monopolizar o post do Jorge, tão pouco argumentar e contra argumentar, dei a minha opinião sobre um assunto pelo qual tenho desde há anos uma visão feita de experiências pessoais e profissionais, respeito opiniões diferentes, aceito muito do que diz em relação ao «desprendimento» dos pais e do facto de muitos verem a escola como um depósito - só que temos de olhar às tais alternativas e isso condiciona muito o que se passa por cá!! Só não discuta (ou por outra, não misture) por aqui um assunto como a «hiperatividade» - isso são outras «estórias» e eu talvez muito melhor do que o André, sei bem do que falo

Teresa
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De euclix@clix.pt a 18.06.2015 às 15:22

Objetivos do ensino básico, plasmados na Lei de Bases do Sistema Educativo português, que não é feito para tapar os buracos do pai/mãe A, B, C ou D ... ou ... ou ....

a)Assegurar uma formação geral comum a todos os portugueses que lhes garanta a descoberta e o desenvolvimento dos seus interesses e aptidões, capacidade de raciocínio, memória e espírito crítico, criatividade, sentido moral e sensibilidade estética, promovendo a realização individual em harmonia com os valores da solidariedade social;
b) Assegurar que nesta formação sejam equilibradamente interrelacionados o saber e o saber fazer, a teoria e a prática, a cultura escolar e a cultura do quotidiano;
c) Proporcionar o desenvolvimento físico e motor, valorizar as atividades manuais e promover a educação artística, de modo a sensibilizar para as diversas formas de expressão estética, detetando e estimulando aptidões nesses domínios;
d) Proporcionar a aprendizagem de uma primeira língua estrangeira e a iniciação de uma segunda;
e) Proporcionar a aquisição dos conhecimentos basilares que permitam o prosseguimento de estudos ou a inserção do aluno em esquemas de formação profissional, bem como facilitar a aquisição e o desenvolvimento de métodos e instrumentos de trabalho pessoal e em grupo, valorizando a dimensão humana do trabalho;
f) Fomentar a consciência nacional aberta à realidade concreta numa perspetiva de humanismo universalista, de solidariedade e de cooperação internacional;
g) Desenvolver o conhecimento e o apreço pelos valores característicos da identidade, língua, história e cultura portuguesas;
h) Proporcionar aos alunos experiências que favoreçam a sua maturidade cívica e sócio afetiva, criando neles atitudes e hábitos positivos de relação e cooperação, quer no plano dos seus vínculos de família, quer no da intervenção consciente e responsável na realidade circundante;
i) Proporcionar a aquisição de atitudes autónomas, visando a formação de cidadãos civicamente responsáveis e democraticamente intervenientes na vida comunitária;
j) Assegurar às crianças com necessidades educativas específicas, devidas, designadamente, a deficiências físicas e mentais, condições adequadas ao seu desenvolvimento e pleno aproveitamento das suas capacidades;
l) Fomentar o gosto por uma constante atualização de conhecimentos;
m) Participar no processo de informação e orientação educacionais em colaboração com as famílias;
n) Proporcionar, em liberdade de consciência, a aquisição de noções de educação cívica e moral;
o) Criar condições de promoção do sucesso escolar e educativo a todos os alunos.

Em NENHUM deles se lê "substituir os progenitores na sua função educativa ou de acompanhamento dos seus descendentes, ou " constituir-se em "depósito" de crianças até que os seus pais decidam recolher os filhotes" ... mas que têm o direito de ver o dinheiro dos vossos impostos aplicados nas vossas necessidades ... ai lá isso têm ... e sabem a que porta têm que ir bater???? À AUTARQUIA!!!! É a autarquia que tem a OBRIGAÇÃO de colmatar as necessidades dos munícipes ... é a junta de freguesia que tem a obrigação de organizar atividades de acompanhamento dos alunos fora do horário escolar ... É PARA ISSO QUE PAGAMOS IMPOSTOS .... não é para eles pagarem almoçaradas e outras coisas mais que todos sabemos ... por toda essa Europa de que todos falam, são as autarquias que prestam esse serviço ... a comunidade ... é isto ... pagamos e temos o retorno do que pagamos ... mas os pais e encarregados de educação portugueses não estão para se maçar ... é uma grande maçada terem que se organizar e reivindicar ... é mais fácil ir pelos mesmos de sempre ... a escola é o depósito ... mas a escola não é apenas um edifício onde se "encarceram" crianças até dar jeito ... é uma instituição com objetivos sociais muito claros e definidos ... e mais teria para dizer, mas não me apetece!!!!!
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De Patrícia Gomes da Silva a 18.06.2015 às 16:45

Boa tarde.
Eu entendo que os meninos passam tempo demais em escolas, instituições, atl's e afins.
Acho que faríamos um favor à sociedade se nos tornássemos pais mais presentes...
Os meninos passam muito tempo com adultos que não têm de gostar deles. Se calhar, nem gostam mesmo.
Há dez anos, com o meu 1º filho, tinha muita pena dele. Entrava antes das 9 horas na creche e saía perto das 18 horas. Com as viagens, ficava muito pouco tempo para eu passar com ele. Brincar, educar e mimar.
Dez anos depois e com novo bebe, continuo a pensar exactamente a mesma coisa.
Creio que passamos pouco tempo com os nossos filhos. E, sobretudo, pouco tempo de qualidade. Entre o tempo dedicado à profissão e o tempo necessário para as tarefas da casa, sobra muito pouco. E, claro! Podemos usar o pouco que sobra de uma forma construtiva e com bons resultados...
Mas não deixo de pensar que a solução está longe de ser essa.
Criar mais creches, alargar horários das escolas, aumentar cargas lectivas...tudo se conjuga para termos menos tempo com os nossos filhos.
Qualquer dia, nascem e na semana seguinte estão na creche aos cuidados de alguém estranho e nessa condição passarão os anos seguintes.
Não seria hora de repensar isto?
Não será altura de pensar que sociedade queremos no futuro e como se constrói?
Entendo que este caminho que temos não é o melhor.
Entendo que o pai ou mãe deviam poder passar mais tempo com os filhos. Levá-los mais tarde à escola e ter a possibilidade de os ir buscar mais cedo.
Assim, teriam tempo para ir jogar à bola com eles, passear no parque, ajudar nas dificuldades da escola e nas pequenas tarefas diárias que devem aprender. Tempo para partilhar a bancada da cozinha na hora de fazer refeições. E ainda tempo para ler histórias.
Tantas são as coisas que poderia enumerar...
Espero que os meninos não tenham de passar mais tempo na escola...mesmo aqueles que gostam de estar na escola, chegam a esta altura do ano muito saturados. E, os meninos não são muito diferentes dos adultos nessas coisas...
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De MARIA a 18.06.2015 às 17:01

Na sua opinião, a escola vai ser então o sitio onde os alunos vão estar porque os pais não têm onde os pôr. Só lhe digo isto: tenho pena que tivesse podido ter a sua escolaridade no modelo que referiu. Eu gostava, amava que tivesse que ser aluno agora. Porque para as crianças, (eu sou professora há 20 anos e sei a verdadeira realidade) escola é uma prisão. Mesmo que seja uma prisão como algumas que existem nos países nórdicos, é sempre uma prisão. Porque estão lá presos, sem opção de escolha, quase 100% do tempo que passam, acordados. E como com qualquer ser em cativeiro, nada é agradável por muito tempo. E são os funcionários e os professores que têm que lidar com as impaciências e birras completamente legítimas das crianças que caberiam aos pais gerir. Se não têm condições para criar filhos porque têm de trabalhar e põem-nos a ser criados por terceiros, então não os tenham. Porque é o mesmo que querer ter animais de estimação e depois põem nos na varanda com água, comida e alguns brinquedos. Os pais TÊM de estar com os filhos e aturá-los. Os professores devem apenas ensinar. Eu não sou ama. Sou professora. E hoje em dia não consigo ensinar porque tenho que fazer o que compete aos pais: ensinar-lhes as regras básicas de estar em sociedade. Trabalham para sustentar a casa? E conviver com os filhos? Só quando forem crescidos e já não chatearem muito? Assim é uma alegria. Eu vou deixar de ser professora e estou efectiva. Não tirei um curso para aturar filhos de pais que os despacham para as escolas. E com este modelo de escola: que serve apenas os pais, não haverá nunca sucesso. É um motivo fútil e que nada tem a ver com a função da escola. A escola é para transmitir saberes especializados. Não é um depósito com amas secas e criadas de servir. É errado, muito errado, este conceito de escola. E irá ter consequências muito nefastas a longo prazo. Mas nessa altura os pais lavarão as mãos porque os filhos já serão adultos.
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De Carlos a 18.06.2015 às 17:08

A melhoria do sistema de ensino passa pela maior autonomia das escolas , não só relativamente aos programas de ensino mas também à contratação de docentes.Como todos sabes só de ouvir falar nisso o Sr. Arménio Carlos fica com os cabelos em pé.As sucessivas reformas do ensino foram feitas essencialmente a pensar nas progressões da carreira e nos que já estão instalados no sistema.A preocupação no ensino em si , nas crianças e na sua progressão de conhecimentos deve aparecer rascunhada nas costas do último documento que os sindicatos pretedem discutir com que está no governo.Falam muito dos méritos do sitema de educação Finlandês, alguém que o tente implementar em Portugal a ver se consegue.
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De Mário Gomes a 19.06.2015 às 11:49

O grande problema da sociedade actual, que vai entroncar nesta questão escolar, é o facto de, no nosso tempo, haver sempre alguém em casa.

Hoje em dia, grande parte dos casais sai de casa às 7 da manhã e chega por volta das 20h.

Como pode haver qualidade de vida, seja ela a que nível, tempo e paciência para as outras coisas da vida (incluindo tempo para podermos proporcionar uma infância digna desse nome às nossas crianças)?

No meu agregado familiar temos um grande objectivo: criar condições para que um deixe de trabalhar e se encarregue de todas as funções domésticas do agregado, possibilitando assim que, quando todos chegam a casa, melhorar a va qualidade de vida de todos. Cabe na cabeça de alguém, sair do trabalho estafado e começar uma nova labuta (cozinhar, engomar, limpar)?

Na nossa opinião não e felizmente já percebemos que o dinheiro não é tudo na vida mas, os compromissos entretantos assumidos, levam-nos a adiar este sonho por mais uns tempos.

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