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O ébola visto desde a Europa

por Jorge Soares, em 21.09.14

Ébola na Europa

 

Imagem de aqui

 

Por acaso estava na Espanha quando a força aérea Espanhola transportou dois cidadão espanhóis suspeitos de estarem infectados com ébola, infelizmente um dos casos confirmou-se e apesar da utilização do soro experimental, o senhor viria a morrer passados poucos dias.

 

As imagens da chegada dos doentes a Espanha foram impressionantes pelo aparato, a começar pela forma como os doentes eram transportados, metidos dentro de uma bolha plástica, quem o transportava utilizava fatos completos e máscaras, as ruas por onde ia passar a ambulância foram encerradas ao transito e no hospital para onde foram transportados, um andar inteiro foi reservado só para estes dois doentes.

 

Por fim, após a morte de um dos doentes, no outro caso não se confirmou a doença, o corpo foi imediatamente cremado sem direito a autópsia ou qualquer tipo de cerimónia fúnebre.

 

No outro dia à hora do almoço alguém dizia que o facto de ainda não haver tratamento só tinha a ver com esta ser uma doença africana, feliz ou infelizmente, as epidemias anteriores ficaram confinadas a algumas aldeias africanas, é verdade que morreram umas centenas de pessoas mas pelos vistos nunca foram as suficientes como para chamar a atenção do mundo para a gravidade de uma doença cuja mortalidade dos infectados anda entre os 40 e os 80 % e para a que não há cura conhecida.

 

Esta vez já morreram mais de duas mil pessoas e foram infectados cidadãos europeus e americanos, apesar de de vez em quando alguém vir dizer que está controlado, a verdade é que o que parece é que está completamente fora de controlo e no mundo globalizado em que vivemos, com um período de incubação que pode ir até aos 20 dias, quer-me parecer que não tardará muito a expandir-se por todo o continente africano e a chegar à Europa.

 

É verdade que as condições dos sistemas de saúde europeus são muito mais evoluídas que as dos países africanos, isto em principio deverá fazer com que a doença seja mais fácil de controlar após o diagnóstico, mas com um período de incubação tão longo como se controlará todas as pessoas com quem o doente teve contacto?

 

Ainda estava em Espanha quando foi noticia a chegada a um dos hospitais de Madrid de uma pessoa com febre alta, como o senhor tinha estado num dos países africanos onde a doença está activa, ele e toda a sua família foram de imediato colocados de quarentena, felizmente o senhor só tinha mesmo gripe e passados dois ou três dias pode seguir a sua vida. 

 

Fiquei a pensar, o que teria acontecido se se confirmasse a doença? Ele veio de avião, teriam ido pelo mundo inteiro à procura de todas as pessoas que viajaram com ele para as colocarem de quarentena?... e todas as que tinham viajado no mesmo avião nos dias a seguir?

 

Tudo isto é no mínimo assustador e só me faz lembrar  que há umas poucas centenas de anos, outra doença que veio de longe dizimou qualquer coisa como um terço da população europeia.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:30

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6 comentários

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De Gaja a 22.09.2014 às 00:32

Também já pensei nisso. Aliás já penso nisso desde há uns 15 anos atrás, quando li o Ensaio sobre a cegueira. Espero que não, espero que não....
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De Cristina M. a 22.09.2014 às 09:11

Tanto quanto sei, não há contágio durante o período de incubação mas apenas a partir do momento em que surgem os sintomas. E quando se sentem doentes, as pessoas tendem a ficar mais reservadas pelo que o risco de transmissão se torna mais reduzido.

Cristina M.

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De Inês a 22.09.2014 às 11:50

Há contágio durante o período de incubação, sim. E até 24 horas após a morte.
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De Cristina a 04.10.2014 às 12:46

Não sou nenhuma especialista em ébola, nem nada que se pareça. Baseio-me apenas no que ouvi de uma médica portuguesa e no que tenho lido na Internet.

“Symptoms of Ebola virus disease
The incubation period, that is, the time interval from infection with the virus to onset of symptoms is 2 to 21 days. Humans are not infectious until they develop symptoms. First symptoms are the sudden onset of fever fatigue, muscle pain, headache and sore throat. This is followed by vomiting, diarrhoea, rash, symptoms of impaired kidney and liver function, and in some cases, both internal and external bleeding (e.g. oozing from the gums, blood in the stools). Laboratory findings include low white blood cell and platelet counts and elevated liver enzymes.”

http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs103/en/

De qualquer forma, o que pretendia dizer no primeiro comentário, é que o contágio não deve ser assim tão simples, pois nesse caso o número de pessoas infectadas seria muito superior. O facto de alguém infectado viajar num avião, não significa que todas essas pessoas corram um risco enorme, a não ser que a pessoa infectada esteja já com sintomas e, aí sim, o risco de contágio é muito superior.

Mesmo nos países onde a situação é mais grave, os infectados são pessoas muito próximas das vitimas, familiares que cuidam dos doentes ou dos funerais.

Cristina


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De tina a 22.09.2014 às 18:46

O problema è que nao chega ser "reservado", è preciso a quarantena. Tina
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De migas a 22.09.2014 às 18:12

Enquanto era em África só alguns se importam, mas como hoje em dia, num dia damos a volta ao mundo já estamos todos interessados em ajudar...

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