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Adopção:

Criação, por sentença judicial, de um vínculo jurídico semelhante ao que resulta da filiação natural, independentemente dos laços de sangue;filiação legal

In Infopédia

 

O assunto foi noticia na TVI e no Correio da manhã e foi-me aparecendo no Facebook em forma de comentários isolados principalmente  de estupefacção por parte das pessoas.

 

Segundo o que pude perceber, um casal de Vila Real enviou para um centro de acolhimento uma criança de 12 anos  que tinha adoptado há quatro ou cinco anos, porque alegadamente esta teria mau feitio. A criança tinha sido adoptada junto com um irmão que por incrível que pareça, o tribunal permitiu que continuasse a viver com os mesmos senhores.

 

Há aqui algumas coisas que é necessário esclarecer, não consegui perceber se estas crianças foram adoptadas com adopção plena ou não, mas caso tenham sido, a adopção é um vínculo definitivo, depois de decretada é para sempre o que estes senhores fizeram além de que não tem nome, ao contrário do que foi dito na comunicação social, não é uma devolução, as devoluções ocorrem antes de que seja decretada a adopção, depois disso não há forma de desfazer o vínculo e se alguém lhe quiser da rum nome terá que ser abandono.

 

O que este senhores fizeram foi pegar num dos seus filhos e atirá-lo porta fora, como se este fosse um electrodoméstico avariado, a miúda tinha defeitos, tinha mau feitio, por isso já não a querem... 

 

Eu já disse aqui mais que uma vez que, pelo menos para mim, não há filhos adoptivos e biológicos, há filhos ... e sei por experiência que não há filhos fáceis. Ser pai é muito complicado, muito caro e completamente estafante, há muitos dias em que nos apetece gritar e/ou fugir, mas se há coisa que nunca me apeteceu foi pegar nos meus filhos e atirá-los porta fora, porque isso vai contra o meu coração e contra o amor que tenho por eles.

 

Evidentemente não conheço estes senhores de lado nenhum, mas está à vista que para eles a adopção é algo diferente do que é para mim e para todos os pais e mães adoptivas que  conheço, nós adoptamos para ter filhos, alguém que faça parte de nós e connosco forme uma família, para eles não sei o que será, mas de certeza que não é de forma alguma ter filhos, porque ninguém faz a um verdadeiro filho o que eles fizeram.

 

No meio de tudo isto há algo que para mim é completamente inexplicável, como é que depois de algo assim, o tribunal permite que a outra criança continue a viver com eles? O que estará este a sentir ao saber que a sua irmã foi descartada da família desta forma? Como é que se explica a uma criança que a sua irmã tem defeitos e por isso foi abandonada? Por favor alguém tenha juízo e volte a juntar os dois irmãos, de preferência na instituição, porque quem não consegue amar um, de certeza que não consegue amar o outro, além disso, tenho muitas dúvidas que estes senhores alguma vez tenham olhado para estas crianças como seus filhos.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:38

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15 comentários

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De Linda a 20.04.2015 às 11:13

Como se diz para os meus lados, Vila Real; Uma pouca vergonha!... :(
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De Jorge Soares a 21.04.2015 às 22:44

Mesmo, uma pouca vergonha

Jorge
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De Nuno Cardoso a 20.04.2015 às 18:08

Adoptar um filho é um compromisso para a vida. É amar sem nada pedir em troca, e nada devemos esperar, não mais do que o reflexo nosso carinho e amor sobre o/a nosso/a filho adoptado. Não é de sangue, é do coração...
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De Jorge Soares a 21.04.2015 às 22:45

É isso Nuno, É amar sem nada pedir em troca, sem nada esperar e sem nada pedir...

Jorge
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De Charneca em flor a 20.04.2015 às 22:45

E esses filhos não podem devolver os pais?!

Agora a sério, de vez em quando aparecem estes casos na comunicação social e são incompreensíveis. Com tanta burocracia que há nos processos de adopção podemos questionar se estas pessoas foram bem avaliadas. Ainda hoje ouvi na TSF um caso de 1 casal que, no âmbito do seu processo de adopção, foram "obrigados" a assistir a acções de formação em conjunto com outros casais. E estes fulanos que "devolveram" a criança? Foram a alguma acção de formação? E aprenderam alguma coisa? Sabem distinguir entre uma criança, ainda por cima uma criança que passou por uma situação de abandono, e um bibelot para mostrar aos amigos?
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De s o s a 21.04.2015 às 01:15

pois, aí é que está ! Possivelmente e se existisse essa pratica legal dos filhos devolverem os pais, no caso relatado certamente os pais nao se preocupariam pois nao reconhecem aos adotados plenos e comuns direitos
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De Jorge Soares a 21.04.2015 às 22:49

Essa é uma questão que tem uma resposta simples, é claro que não foram avaliados, as pessoas queixam-se das burocracias e dificuldades dos processos, mas a verdade é que cada vez que acontece um caso como estes a conclusão que se tira é mesmo essa, não podem ter sido bem avaliados.

Não tinha ouvido a noticia da TSF, li hoje, já fui contra a formação, mas com o tempo e à medida que vou conhecendo casos e pessoas, cada vez mais acho que deveria ser obrigatória... pelo menos para as pessoas desfazerem as ilusões e idealismos e perceberem no que verdadeiramente lhes espera

Jorge Soares
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De Kok a 20.04.2015 às 22:58

Há coisas que não consigo comentar.
Não percebo a "devolução" de uma criança, não percebo um juíz que aceite a situação descrita, não percebo adultos que "adoptem" à condição, não percebo.
1 abraço!
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De Jorge Soares a 21.04.2015 às 22:50

É difícil perceber... mesmo.

Abraço
Jorge
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De s o s a 21.04.2015 às 01:10

que posso dizer, além de que tive o privilegio de ler o post. Durante a leitura, tudo é muito bem explicado, mas transparece irritaçao, como que intolerancia, embora o caso nao seja para menos. E de facto nao me surpreendeu a conclusao com que finaliza o post, pois tornou-se obvia. Também neste caso, porque de um só caso de trata, prefiro abordar a outra faceta : se os candidatos preenchem as qualidades para serem pais, se in teressa é despachar as crianças. Só mais uma coisa, mais do mesmo : o post devia ser discutido nas escolas.
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De Jorge Soares a 21.04.2015 às 22:53

Sim, a mim e à maioria das pessoas que adoptam, estes casos que implicam devoluções, mais abandono e sofrimento para as crianças, irritam-me.. .e isso transparece no que escrevo.. e esta vez até me contive... não lhes chamei idiotas vez nenhuma no post...

É evidente que estes candidatos não perceberam o que é a adopção e dificilmente reuniriam as condições para serem pais, infelizmente isso não transpareceu na avaliação.. se calhar alguém fez mal o seu trabalho e agora há uma criança a pagar pro isso.

Jorge Soares
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De Anonimo a 21.04.2015 às 18:58

Quanta emoçao a flor da pele.

Então porque é que se rejeita um adoptado? porque as pessoas quando adoptam, esquecem-se que estão a adoptar também as caracteristicas geneticas e traços da personalidade de uma outra familia, no caso de não ser filho de nenhum dos elementos do casal .

Claro que no decurso do tempo podem aparecer certos traços de personalidade com os quais as pessoas que adoptaram não contavam e não querem continuar a contar, isso da direito a devolver a criança muitas ja a entrar na adolescencia? pois é complicado dicidir sem saber as razoes, mas então também não devia haver separação nos casais. Os defeitos a posterior faziam parte do “embrulho”´.

É tudo muito romantico de ver pelo lado do coração mas na vida real não é bem assim, um pai pode renegar um filho biologico, mas não pode por muito que queira renegar e apagar esses traços biologicos e até engraçado o renegado pode vir a salvar a vida do pai em caso de doença ou acidente em que seja necessaria compatibilidade genetica o que demonstra que se pode renegar os sentimentos mas não apagar a biologia. E la esta quando se adopta adopta-se os traços de outra familia, a educação por vezes não consegue apagar isso e quando assim é é mesmo um problema com o qual muitos não contam.

O que é esquisito é que a adopção plena não é revogavel no entanto pode ser revista pelo tribunal

ARTIGO 1989.º
(Irrevogabilidade da adopção plena)
A adopção plena não é revogável nem sequer por acordo do adoptante e do adoptado

No entanto a nossa lei diz

ARTIGO 1990.º
(Revisão da sentença)
1. A sentença que tiver decretado a adopção só é susceptível de revisão:
c) Se o consentimento do adoptante tiver sido viciado por erro desculpável e essencial sobre a pessoa do
adoptado;
2. O erro só se considera essencial quando for de presumir que o conhecimento da realidade excluiria
razoavelmente a vontade de adoptar.

3. A revisão não será, contudo, concedida quando os interesses do adoptado possam ser consideravelmente
afectados, salvo se razões invocadas pelo adoptante imperiosamente o exigirem.
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De Jorge Soares a 21.04.2015 às 23:04

Sim, neste tipo de casos eu não consigo disfarçar a minha irritação com o assunto, para mim não há desculpa nenhuma para alguém que devolve uma criança num processo de adopção... nenhuma! .. e a culpa nunca é da criança.

Eu tenho três filhos, dois adoptados, nenhum é fácil, basta ir ali às tags e escolher a tag hiperactividade para se ter uma pequena noção... mas são meus filhos, a minha família... não são descartáveis.

A maioria das pessoas idealiza a adopção, idealiza os seus filhos adoptivos e idealiza a família que resulta dela... depois deparam-se com a realidade que está nas antípodas de tudo o que tinham idealizado...

Quantos aos traços de personalidade, os filhos biológicos também os tem, eu sei do que falo será que se estas crianças fossem filhas biológicas dos idiotas (esta vez não me consegui conter) elas também as teriam devolvido?, ou será que aí já os viam como filhos e aprendiam a viver com eles?

Jorge Soares



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De Anonimo a 21.04.2015 às 23:49

"será que se estas crianças fossem filhas biológicas dos idiotas (esta vez não me consegui conter elas também as teriam devolvido?, ou será que aí já os viam como filhos e aprendiam a viver com eles?"

Pelo que escreve nao conhece tanto como diz, senao sabia que ha pais que matam os filhos biologicos ou os expulsam de casa, assim como ha filhos que matam os pais, isto e uma parte da realidade, outra e querermos ver o mundo cor de rosa,
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De golimix a 22.04.2015 às 20:51

Ao ler tudo, o post e os comentários, nunca me saiu da cabeça o seguinte. Como estará a criança?
O que será dela? Uma desajustada da sociedade e que agora é que não vai ter feitio fácil, e com desculpa para isso.

E o irmão? Ficará sempre com medo que lhe vá acontecer o mesmo.

Já por aqui foi dito que há pais que fazem mal aos próprios filhos e os renegam. Mas isso não é normal! É infelizmente uma realidade que existe mas pais amam sempre, e devem amar, os seus filhos. Com todos os defeitos que eles têm. Os desvios, são isso, desvios.

Com crianças que serão adoptadas os cuidados terão que ser maiores. Primeiro porque são, na sua generalidade, crianças que já sofreram que chegue. E depois nunca se sabe se existirá um comportamento menos adequado por parte dos futuros pais.

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