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Disclaimer - Para quem aqui vem à espera de encontrar um daqueles artigos que dizem que a hiperactividade é uma invenção dos médicos e da industria farmacêutica, pode voltar por onde veio, a hiperactividade é uma doença real e infelizmente afecta mesmo muitas crianças.

 

Quem me costuma ler sabe que cá em casa temos um hiperactivo, que apesar de ser seguido e tratado desde os três anos de idade, sofre todos os dias o facto de ter uma doença que influência o seu comportamento, as suas capacidades de aprendizagem e a forma como se relaciona com a família, a escola e o mundo em geral.

 

Num mundo que cada vez mais vive de normas e padrões, um criança que por um ou outro motivo foge ao que se considera "normal" não tem um caminho fácil, ora o N. sofre de Hiperactividade, défice de atenção e dislexia.

 

O facto de ter sido diagnosticado ainda antes de entrar para a escola não ajudou grande coisa, infelizmente há, principalmente nas escolas, muita gente no mundo que acredita que sabe mais que médicos e especialistas e acha que tudo isto não passa de falta de educação e que tudo se resolve com palmadas, castigos, recados nas cadernetas ...  enfim. É triste mas a quantidade de professores que pensa assim é assustadora e muitas vezes para além de tornarem um inferno a estada das crianças na escola, tornam muito complicada a relação entre a escola e os pais.

 

Felizmente esta é uma doença para a que há medicação, mas convém lembrar que estas doenças não tem cura, a medicação normalmente ajuda a atenuar os sintomas, mas não cura. Uma criança  com hiperactividade vai ser um adulto com hiperactividade, e esta é uma realidade que temos que aprender a aceitar e com a que temos que aprender a viver.... cada dia é um novo desafio e cada dia aprendemos um pouco mais.

 

Mas se uma criança hiperactiva é um problema, um adolescente hiperactivo é como uma bomba relógio sempre prestes a explodir... 

 

A adolescência do N. não tem sido nada fácil, e também não tem sido nada fácil acertar com as doses certas da medicação. Por um lado os comprimidos fazem com que seja mais fácil a concentração e a atenção nas aulas, por outro lado há os efeitos secundários, que variam de organismo para organismo mas que no caso do N influenciam o apetite, o sono e especialmente o humor.

 

Nós verificamos que quando toma a medicação, e ao contrário do que acontece nas férias em que não toma, fica muito mais irritadiço e volátil, reagindo de forma abrupta e com forte oposição quando questionado ou contrariado.

 

Depois de vários episódios cá em casa e na escola, em conjunto com o especialista que o segue, decidimos que íamos retirar uma parte da medicação e optar por um tratamento alternativo sugerido pelo médico.

 

A mudança foi da noite para o dia, em lugar de um adolescente irascível e resmungão passamos a ter um jovem que não classificaríamos de normal, mas que pelo menos anda muito mais bem disposto e sem estar em constante oposição.

 

Curiosamente os primeiros a queixar-se do novo N. foram os professores, antes tinham um miúdo que reagia mal à autoridade mas que pelo menos aparentava estar atento nas aulas, agora tem um jovem menos irascível, mais bem disposto, mas que tem muitas mais dificuldades em estar atento e seguir a aula.... curiosamente e apesar das queixas anteriores, os professores parece que preferem a versão com medicação.

 

Eu confesso que tive muitas duvidas sobre qual seria a melhor estratégia, mas a minha meia laranja usou lógica simples para me convencer: Ninguém vai preso por estar desatento e bem disposto nas aulas, mas pode ir se num dos momentos de impulsividade agredir alguém à sua volta.

 

É claro que a falta de atenção nas aulas pode ter consequências ao nível do aproveitamento escolar, mas não é nada que não se supere com trabalho, dele, da escola e nosso, assim haja vontade... 

 

Como disse acima, a hiperactividade é uma doença com a que ele e nós temos que aprender a viver, há dois ou três anos atrás seria impensável retirarmos a medicação, nós não dávamos a medicação nas férias e sinceramente havia anos em que a meio das férias dávamos por nós a desejar que os tempo passasse rápido para voltarmos aos comprimidos e à "paz" que estes traziam... mas isso era válido na altura com uma criança daquela idade, agora com um adolescente a realidade é outra e a forma de a encarar também será outra.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:21

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5 comentários

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De Clara a 02.03.2015 às 03:14

eu acho que estamos perante um caso típico de "pedro e o lobo". Há tantos pais a invocarem uma doença como problema para fugir a outras responsabilidades que quando se está peranto um caso verdadeiro, o mesmo é desvalorizado. Os professores deveriam ter formação e sensibilidade para isto, mas, actualmente, não são treinados para estas coisas...
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De energia-a-mais a 02.03.2015 às 09:56

Olá Jorge, não tenho que te dizer que entendo pois já sabes o que tenho em casa no entanto não posso deixar de comentar que de facto a adolescência é um período bem complicado (sim, mais ainda...) para quem sofre de PHDA. Já sabemos que é uma patologia crónica e que vai sempre estar presente pela vida fora e que a escola é uma fase demasiado longa para ser levada de ânimo leve! eu concordo com a tua Patrícia, até porque o meu já agrediu uma pessoa na rua (numa esplanada por acaso) portanto o que importa é assegurar a maior estabilidade possível e se na escola tiver o apoio adequado as coisas acabam por ser ultrapassadas. Infelizmente continuamos a ter quem se «balde» para estes problemas e considere que «não tem formação» por isso não precisa de se esforçar. E posso dizer-te que muitos professores continuam a ter essa postura! ainda na sexta feira passada, numa ação que fizemos numa escola de Rio Tinto ficou bem claro quem realmente estava do lado das crianças...quem colocava as questões mais pertinentes, quem queria passar da teoria à prática e pôr a funcionar estratégias adaptadas, quem mais se empenhava em aprofundar e participar e quem sofre com as consequências da PHDA...e olha que não eram os professores!

Teresa
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De golimix a 02.03.2015 às 20:26

É muito complicado dialogar com a maioria dos professores. Infelizmente. Não sei se é pelo cansaço ou se sempre foi assim. E no respeitante a uma patologia deste género a coisa complica. Até porque acredito que existe muito diagnóstico errado por aí.

Concordo em pleno com a tua meia laranja, mais vale distraído. Nesta fase já andam com as hormonas aos saltos e explodem por dá cá aquela palha, tudo o que contribui para a calmia é bem vindo!


Ah! Acabei de te conhecer no "Meet the bloguers"
Parabéns pelo destaque.
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De miss X a 03.03.2015 às 16:27

Tenho um filho na mesma situação e a entrada dele no 1.º ano está a ser avassaladora quer para ele, quer para mim. Tem sido uma luta ignorar a sociedade e as suas opiniões nefastas que em nada contribuem positivamente para a situação. Quando uma criança é diferente levamos com um choque de realidade social. É nesse momento que nos apercebemos da crueldade das pessoas. Felizmente acertámos na medicação, por agora, mas ele está completamente desmotivado na escola. Apenas trabalha comigo, mas de forma bastante produtiva. E, mais uma vez, felizmente, não tem revelado problemas de aprendizagem.
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De Magda L Pais a 04.03.2015 às 13:35

olá Jorge

o meu gaiato sempre se comportou mal na escola. Desatento, conversador, irriquieto. Por mais que eu o chamasse á atenção, os disparates eram mais que muitos. Felizmente, apesar da desatenção aparente, ele ouvia as coisas e fixava, o que fez com que fosse sempre passando de ano. Até que, no 5º as coisas se complicaram e ele passou "à rasquinha". Lá fomos, de novo, ao médico que acabou por lhe receitar a Ritalina mas numa dose fraca. A diferença de comportamento é abismal - positivamente abismal. Falamos nisso aos professores este ano e queres acreditar que nem ligaram ao facto dele ter hiperactividade e que está medicado? não quiseram nem saber.
Por isso compreendo muito bem o que passas e serve-me de preparação para quando o meu pirata chegar a adolescente.

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