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nigéria.jpg

 

Imagem de Sofia Zambujo

 

De modo algum quero retirar importância ao que se passou em Paris, para mim a liberdade de expressão é algo que não se discute, e por muito que alguns idiotas tentem, nada justifica que se matem jornalistas, polícias ou simples anónimos, em nome de um deus, um profeta, ou uma religião qualquer.

 

As manifestações que juntaram milhões de pessoas em Paris e um pouco por todo o mundo são a prova de que a sociedade ocidental não está disposta a vergar-se  ante ameaças ou actos terroristas, mas não deixam também de ser a prova de que à sociedade ocidental, a todos nós só nos importa o que se passa no nosso quintal ou nos afecta directamente.

 

No mesmo dia em que mataram 12 pessoas no Charlie Hebdo, na Nigéria o Boko Haram numa ofensiva para controlar uma cidade nigeriana matou mais de 2000 pessoas . No dia a seguir, ao mesmo tempo que todos tínhamos os olhos em Paris porque um terrorista fez reféns um grupo de pessoas num supermercado, três mulheres fizeram-se explodir e mataram mais de 20 pessoas.

 

Durante os últimos dias quantas horas de televisão se dedicaram, e se continuam a dedicar, ao que se passou em Paris?... e em quantas dessas horas se falou do que se passa na Nigéria?

 

Todos ficamos a saber que o Presidente da Republica, o Primeiro ministro e a assembleia da República mandaram condolências à embaixada francesa e foram inclusivamente a Paris dar as mesmas em pessoa ao presidente francês, mas alguém ouviu falar das condolências ao governo e ao povo da Nigéria pelas mais de 2000 mortes? São mais importantes as 20 mortes de Paris do que as mais de 2000 da Nigéria?

 

Evidentemente as mortes tem todas a mesma importância, mas à primeira vista parece que há mortes e mortes e assim de repente as que se passam perto do nosso quintal  são mais importantes... pelo menos para os governos ocidentais.

 

Para quem não sabe, Boko Haram significa "contra a educação ocidental", a maior parte das pessoas terá dificuldade em identificar a Nigéria no mapa de África, mas era bom que uma parte dos que agora com tanto ênfase se nomeiam Charlie ( e contra mim falo) tivessem também a noção de que o mesmo fanatismo que em nome de um qualquer deus mata em Paris, também mata todos os dias Na Nigéria, na Síria, no Iraque, no Iémen, no Chade, etc, etc, etc.. e por lá nem é preciso ser jornalista ou cartoonista, por vezes basta estar vivo.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:59

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10 comentários

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De Kok a 13.01.2015 às 01:10

Acredito que há muita gente ocupada e preocupada com todos estes casos de agressões, violações, assassinatos, etc., "em nome de Deus" (não importa qual, basta que seja deus), mas que são, apesar de tudo, pouca gente.
Somente quando algo acontece (e é dado a conhecer) é que a grande maioria das pessoas se sente mobilizada para se manifestar. (eu não me excluo).
Focados que estão na pressa de viver a sua vida não sobra tempo para outra coisa que não seja "tratar da vidinha", que não está nada fácil.
Não surpreende pois que não tenha impacto o que se passa "lá longe", e que na grande maioria das vezes nem é noticiado.
Talvez que aqueles que se passearam em Paris de braço dado, talvez falando de tudo menos do facto que os lá levou, tenham e mostrem vontade para percorrerem outro caminho onde as pessoas sejam o mais importante e não os interesses subjacentes ao lucro seja ele comercial, político ou outro.
O azar nosso é que eles estiveram juntos, mas não unidos; aliás é o que sempre tem acontecido: porem como seu primeiro objectivo o seu próprio interesse.

1 abraço pah!

§-sobre a teoria de que os jornalistas/cartoonistas serem os próprios culpados de terem sido assassinados, somente uma mente "brilhante" atingiria um tal grau de... como dizer?, de elevada superlativa dedução? Hum??!!
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De Jorge Soares a 13.01.2015 às 22:53

Pois é, este mundo está cheio de mentes brilhantes que falam falam e não dizem nem fazem nada.... é triste.

Abraço pá

Jorge
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De Cris a 13.01.2015 às 10:33

Na Nigéria, na Índia, na China. Todos os continentes têm casos de mortes horrendas todos os dias. Até aqui em Portugal, quando alguém morre porque não foi atendido a tempo numa urgência, ou porque não tem como se aquecer ou porque não tem o que comer. Ainda há muito para fazer neste mundo!
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De Jorge Soares a 13.01.2015 às 22:54

Mesmo... sem dúvida nenhuma.

Jorge
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De aespumadosdias a 13.01.2015 às 17:44

Infelizmente nada se faz para acabar com os conflitos que há por tantas partes do mundo.
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De Jorge Soares a 13.01.2015 às 22:55

Infelizmente a maioria dos governantes e de quem os elege está muito ocupado a olhar para o seu umbigo... depois dá nisto

Jorge
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De golimix a 13.01.2015 às 17:58

E não sei se foi na Nigéria também que armadilharam uma criança de 10 anos e a fizeram explodir num supermercado.

Sabes porque é que se tem tendência a "esquecer" estas mortes e actos de terrorismo nesses locais?
Por ali é o pão nosso de cada dia. Parece que nem há interesse em que seja diferente....Mas isso se calhar já sou eu nas teorias da conspiração.
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De Jorge Soares a 13.01.2015 às 22:56

Foi, foi mesmo na Nigéria.

As pessoas tem tendência a ignorar o que não lhe diga directamente respeito, cada vez mais cada um vive para si mesmo e para o seu umbigo, a menos que fique bem mostrar interesse enquanto é moda.

Triste mesmo

Jorge
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De Anónimo a 15.01.2015 às 17:16

Como dizia Orwell; "...Uns são mais iguais que os outros"
:(
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De Marquês Barão a 17.01.2015 às 10:55

Pergunto-me baixinho para que ninguém oiça como serão todos os charlies de ultima hora caídos do céu, nos círculos restritos onde se movimentam a par e passo. Em família, no trabalho, no desporto, nas colectividades, na politica e mesmo á mesa do café. Será que perante chefes e subordinados, pais, filhos e companheiras, parceiros de mesa ou de esquina, nos confrontos políticos como no desporto ou em assembleias de bairro, são assim tão apreciadores e respeitadores, senão mesmo acérrimos defensores do direito á liberdade de expressão que tanto se cansaram agora em apregoar? A democracia como a liberdade não são apenas para exibir autocolante em dia de montra enfeitada, mas inquestionavelmente mais para praticar nas rotinas diárias de relacionamento com os outros quando na ausência dos holofotes. Qual é o senhor que nos pode perdoar?

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