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Conto - Bonecas

por Jorge Soares, em 21.11.15

bonecas.JPG

 

Sentada na beira da cama, inexpressiva, ela deixa que ele a vista com o vestido azul brilhante.  O batom vermelho e os cabelos arrumados como os de uma boneca importada são detalhes que ele ajeita com meticulosidade assustadora. Com as mãos trêmulas, ele prossegue, tirando do bolso da camisa um par de brincos pingentes. São caros e já foram usados. Ela não é a primeira. Longe disso. É de meninas como ela que ele sobrevive faz tempo. Muito tempo. Meninas compradas por algum dinheiro, meninas que ninguém quer. Ele quer. Com a obscenidade dos monstros. 
 
Não sente culpa. São elas as culpadas. Os demônios que o fazem desejar e obter. São elas, e seus olhos ainda sem história, e seus corpos ainda sem forma, que o atraem para o pecado. Por isso ele as odeia. Criaturas malignas. Feitas para lançar no inferno homens como ele, que não resistem à pureza. 
 
É um vício caro. Porque ele não repete nenhuma delas. Uma vez tocadas, não servem mais. Mas de onde vem uma, vêm todas. Histórias e histórias que se repetem nas ruas e nas periferias miseráveis. Todos os dias. Meninas oferecidas por pais e parentes em troca de pouco dinheiro. Ou espalhadas por avenidas e portas de cinemas, de teatros, de igrejas, em bandos barulhentos. Ninguém sabe delas. Ninguém quer saber. Ele quer. 
 
Geralmente, o cafetão as entrega num quarto de motel. Mas acontece de ele mesmo ir buscá-las, quando os instintos se descontrolam em urgência. As roupas, no entanto, ele faz questão de escolher. Cada vestido, cada sapato, cada colar ou brinco. Os batons e a maquilagem dos olhos são baratos. Comprados sempre em lojas diferentes, mas com a mesma desculpa: presentes para a esposa. Como se a dele usasse batom barato, maquilagem barata. Como se a dele não fosse tratada a coisas caras. Como se a dele se prestasse às imundícies que ele comete nos motéis. A cadela de luxo que não quer lhe dar filhos. Ela jura que não pode, mas ele sabe que é mentira. Logo ele não é pai. Ele que quer tanto as suas próprias crianças para ninar e pôr para dormir. Para serem só suas.
 
Faltam apenas as sandálias. Mas ela continua sentada na beira da cama. Esperando. Indefesa como todos os impotentes. Pensando que nas ruas estaria dormindo no chão duro, sem ter o que comer. Que estaria fugindo do cafetão que bate em todas as meninas como ela. Que estaria com frio. Apenas por isso, e por tudo isso, ela acredita que tem sorte de ter sido escolhida. E olha a boneca bonita e sorridente que ele lhe deu. A boneca que é mais cara do que ela. Mais limpa. Mais feliz. 
 
Ele a toca. E ela pensa que talvez seja melhor dormir na rua, com fome, sobre o chão duro forrado com pedaços de papelão das caixas de supermercado, agarrando-se às outras meninas para não sentir frio. Mas também pensa em tudo o que mais quer: a boneca. Tão bonita, tão limpa, tão feliz. 
 
Então, ela se lembra do pequeno presente que as meninas mais velhas lhe deram. Confere, cuidadosamente, sob a língua desacostumada, o aço da gilete. Ele se ajoelha para lhe calçar as sandálias douradas, de salto alto. Assim, os dois na mesma altura, ele lhe parece apenas o que é: um bicho pronto a dar o bote. Um bicho que agora esguicha sangue no vestido azul.
 
Lentamente, ela começa a tirar aquela roupa suja, mas sempre olhando para ele. Para as mãos que pararam de tocá-la e que agora tentam estancar o sangue que jorra do pescoço. Para os olhos que se desesperam, esbugalhados. Para o corpo que se contorce grotescamente. E os sons da besta em agonia estranhamente a alegram.
 
Ela não chora. Não pode. A boneca bonita, toda suja de sangue, precisa dela. Coitadinha. 
 
Cinthia Kriemler
 
Retirado de Samizdat

 

 

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publicado às 21:13

violada.jpg

 

Imagem de aqui

 

Curiosamente soube da noticia através de um dos jornais espanhóis online, não sei se sou eu ou se é o país que anda distraído. No Público conta-se a história

 

É uma criança de 12 anos, pelo menos desde os 10 que tem sido abusada e violada pelo padrasto,  ainda que já aos seis anos havia suspeitas, na escola desconfiaram e levaram-na ao hospital, descobriu-se que está grávida de 5 meses.

 

A lei portuguesa no caso de gravidezes que resultem de violação só permite o aborto até às 16 semanas, admitindo-se que possa acontecer até às 24 semana no caso de doenças incuráveis no feto, ou em qualquer altura se estiver em causa a grave e irreversível lesão física ou psíquica da mulher.

 

A criança está internada no Hospital de Santa Maria à espera de avaliação psicológica e de uma decisão que permita ou não o aborto.

 

Estamos a falar de uma criança de 12 anos que com seis anos terá sido vitima de uma tentativa de abuso, desde os 10 que é abusada e violada por alguém que devia ter um papel protector na sua vida. Segundo quem a conhece “é uma miúda que não se queixa, muito sofrida, triste. É introvertida e tímida, ainda infantil”. Será que sequer tem ideia do que significa ser mãe e da forma em que isso irá mudar a sua vida? Será sequer que tem a noção do que é abortar?

 

A lei diz que será permitido o aborto "se estiver em causa a grave e irreversível lesão física ou psíquica da mulher", será que há alguma dúvida que ser mãe aos 12 anos de um filho que foi resultado de uma violação, vai afectar de forma grave e irreversível a vida desta criança?

 

Vive no seio de uma família desestruturada e que sobrevive graças ao apoio de terceiros, queremos mesmo acrescentar um bebé a esta equação? Quem é que nestas condições vai garantir o bem estar da mãe e da criança? Que futuro tem esta mãe criança e que futuro poderia ter o seu filho se ela não abortar?

 

Qual será a decisão ao nascer a criança? Será de imediato retirada à família, que não tem condições para a ter consigo,  e será mais uma  a somar às mais de 8000 que já estão institucionalizadas e à ordem do estado? 

 

Considerações morais e religiosas à parte, há alguma dúvida que a decisão deve ser o aborto?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:48

Leilão de clientes de electricidade

Imagem do Público 

 

Sim, eu fui um dos que aderiu no site da Deco, um dos 500 mil, aderi porque achei que era uma ideia interessante e porque acreditei que dali ia realmente sair algo de positivo.. Como a muita gente achei que umas centenas de milhares de clientes seria algo apelativo para as empresas eléctricas. 

 

Achei um bocado estranho quando li que a EDP estava a ponderar se participaria ou não no leilão, na altura a coisa já ia em mais de 300 mil inscritos e não estava a ver como é que eles tinham dúvidas... . A DECO é uma associação de defesa do consumidor, é verdade que também é aquela empresa que semana sim semana não, me inunda a mailbox com spam, mas pronto, pareceu-me que esta vez, spam à parte, até poderia sair de ali algo positivo... engano meu.

 

Hoje saiu a público que a DECO, a associação de defesa do consumidor, tinha umas letras pequeninas no leilão, sim, devem ser letras pequeninas , porque quando eu me inscrevi não vi referência a isso em lado nenhum..e sim, se tivesse visto não sei se me inscrevia, letras pequeninas que diziam que a empresa vencedora teria que pagar 15 Euros por cada contrato assinado. Ora, 15 Euros vezes 500 mil contratos são qualquer coisa como... mais de sete milhões de Euros.

 

É claro que ter ideias custa dinheiro.. mas 15 Euros por contrato?... se tivessem pedido 1 euro por contrato eram 500 mil Euros... uma pipa de massa, até era coisa que se aceitasse, mas 15 Euros?

 

É claro que com este valor, os fornecedores eléctricos foram desistindo e no fim restou uma empresa no leilão... ora, para mim um leilão com um único licitante tem outro nome, adjudicação...  e toda esta história do leilão eléctrico passou a anedota.

 

Não sei que preços terá a empresa vencedora, mas aposto que arranjo mais barato na concorrência.. e mesmo que não arranje, eu não gosto de ser tomado por parvo, se alguém quer ganhar dinheiro à minha custa, faz favor de me avisar primeiro, já basta o spam.

 

Update: Hoje anunciaram os valores apresentados pela Endesa, no meu caso e como tenho tarifa bi-horária, teria uma desconto de 1,5 %, ou seja, quase podia dizer que os 15 Euros que a Deco embolsaria se eu assinasse o contrato seriam mais que o que eu iria poupar.. ridículo.

 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:43

Catalina Pestana e os segredos de sacristia

por Jorge Soares, em 12.12.12

Catalina Pestana e os segredos de sacristia

Imagem do Público 

 

Não nutro a mínima simpatia pela senhora, poderá ter os seus méritos no trabalho que fez na Casa Pia, mas eu não consigo esquecer que a Catalina Pestana já por lá andava quando havia crianças a serem abusadas dentro da instituição, crianças a serem levadas para apartamentos por toda Lisboa e até para casas no Alentejo... e custa-me a crer que tudo isto tenha acontecido debaixo dos narizes de todo o mundo com responsabilidades na instituição sem que ninguém desse por nada.

 

Esta semana, após a descoberta de mais um caso de pedofilia na igreja católica, a senhora veio a público dizer que sabia da existência de mais casos, só em Lisboa serão cinco.

 

Sabe? e só agora veio a público falar deles porquê? Porquê esperar pelo aparecimento público de mais um caso para vir para os jornais falar do assunto? Sabe desde quando?

 

A senhora diz que avisou a hierarquia da igreja católica há mais de um ano... há um ano? Ela sabia de tudo isto há mais de um ano e não fez nada?  E porque não avisou directamente as autoridades como lhe competia? E se realmente denunciou o caso à igreja sem que esta actuasse, porquê se manteve em silêncio? porque deixou tudo no segredo das sacristias?

 

Quantas crianças já terão sido abusadas depois da senhora ter tido conhecimento desses casos? Quanto sofrimento terá causado com o seu silêncio cúmplice?

 

Quem tem conhecimento de casos de pedofilia e não os denuncia às autoridades competentes é cúmplice e tão culpado como quem comete os crimes.

 

Esta gente devia ter vergonha.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:41

Os médicos e o respeito pelos doentes

Imagem de aqui

 

Sabendo a minha meia laranja que passei a adolescência num país tropical numa época em que não tinham inventado os factores de protecção para os bronzeadores e o protector solar mais utilizado era o creme Nívea, decidiu marcar-me uma consulta com uma dermatologista. O cancro de pele mata cada vez mais pessoas e todo o cuidado é pouco.

 

A consulta estava marcada para as 9:30 e era aqui bem perto no Hospital de Santiago, como tenho o péssimo hábito de chegar cedo a tudo, às 9:15 já lá estava. Na sala de espera que é comum a várias especialidades havia meia duzia de pessoas, presumi que no inicio da manhã a coisa ainda não estivesse atrasada e que portanto não teria que esperar muito.

 

Às 9:32 vejo chegar uma  senhora que entrou directo para um dos gabinetes de consulta... não sei porquê, mas achei que era aquela a médica.. pelo meu prisma já estava atrasada dois minutos, mas pronto...

 

Às 9:40 chamam o primeiro paciente para aquele gabinete, não, não era eu, por entre a porta entreaberta consegui ver a mesma senhora já de bata vestida e pronta a atender os pacientes. Às 9:50 chamaram-me a mim, como tinha adivinhado, era mesmo aquela a médica que me ia atender.

 

Se há classe profissional que em Portugal não mostra o mínimo respeito pelos seus clientes, essa é a classe médica, eu não me lembro quando é que foi a última vez em que uma qualquer consulta minha, dos meus filhos ou da minha meia laranja, se iniciou à hora para a que estava marcada.

 

Esta vez eu até tive sorte, só tive que esperar 20 minutos, mas não deixa de ser um atraso considerável, se a minha consulta estava marcada para as 9:30 e havia outra antes, porque chegou a médica às 9:32?

 

O pior da situação é que já todos olhamos para esta situação como algo normal, ir a um médico privado e esperar uma ou duas horas para ser atendidos é o normal. E quanto mais conceituado e mais caro for o médico, maior é a espera.

 

Para mim isto não é normal, é uma falta de consideração pelos clientes que muitas vezes são obrigados a esperar horas em salas de espera minúsculas e sem condições, apinhadas de pessoas doentes, para além do abuso, isté é até perigoso para a saúde pública.

 

Porque não tem os médicos a menor consideração pelos seus doentes?, porque não chegam a horas ao inicio das consultas?, porque marcam mais consultas que aquelas que realmente conseguem fazer no horário previsto? Porque aceitamos tudo isto como algo normal?, afinal estamos todos a pagar a maior parte das vezes muito dinheiro, para sermos mal atendidos.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:31

Amy Winehouse, que a sua morte não seja em vão

por Jorge Soares, em 24.07.11

 

Amy Winehouse, a morte de uma estrela à muito cadente

Imagem Do Público

 

Morreu Amy Winehouse, morreu uma estrela há muito caída em desgraça.

 

A última notícia que tinha ouvido sobre ela falava do cancelamento da sua vinda a um dos muitos festivais de verão que apesar da crise enchem o país de Norte a Sul com os artistas do momento. A noticia anterior falava de vaias e assobios num concerto em Belgrado em que mal se conseguia ter em pé no palco e chegou ao cúmulo de esquecer a letra do que estava a cantar.

 

De resto, nos últimos tempos as notícias eram todas no mesmo tom, concertos falhados, dependência do Alcool, dos mais variados tipos de drogas, notícias de uma vida falhada. Ainda não há certezas ou versões oficiais sobre a causa da morte, mas não é dificil de adivinhar, porque mesmo que a causa directa não seja o abuso de qualquer substância, há muito que se adivinhava um desfecho destes, e todos sabemos a forma como o consumo de álcool e drogas vão corroendo pouco a pouco a vida de quem abusa como ela abusava.

 

Ela tinha uma voz excepcional e quase tudo o que faz uma grande estrela, mas é muitas vezes  no quase, nos pequenos detalhes que se faz a vida. No caso dela os detalhes passam por uma completa inépcia para lidar com tudo o que de bom e de mau vem com a fama, o estrelato e o dinheiro. Desde o momento em que alcançou o sucesso que toda a sua vida se tornou um enorme equivoco e se foi cavando um enorme buraco de onde ela nunca conseguiu sair.

 

Todos temos direito a escolher a forma como vivemos, quem tem o sucesso que ela teve, para além do direito a viver a fama e o dinheiro, deve lembrar-se que por trás dos holofotes há pessoas, milhões de pessoas, sobretudo jovens que olham para o exemplo. Neste caso ela escolheu ser o pior dos exemplos, em público ou em privado, Amy era um péssimo exemplo para a juventude deste mundo global em que vivemos.

 

Todas as mortes são tristes, todas as mortes se traduzem em perdas, era bom que esta morte servisse de exemplo e de aviso a quem vive nos limites, a quem apesar de tudo insiste em viver nos limites, que a sua morte sirva para evitar muitas outras mortes, que não seja em vão.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:45

Para que servem realmente as petições online?

por Jorge Soares, em 03.02.11

Para que servem as petições online?

 

Alguma vez se perguntaram o que acontece com as petições que assinam online? Recebemos um apelo, achamos a coisa justa, carregamos num link e vamos a um site, preenchemos uma serie de informações, .. nome, mail, código Postal, Bilhete de identidade, data de nascimento... Para que serve toda esta informação? Sabiam que para a assinatura ser válida unicamente é necessário o nome e o bilhete de identidade? e que sem este ultimo ela não é válida?

 

Até ao advento da internet recolher assinaturas era complicado, havia que andar de folhas  e caneta em mão a pedir às pessoas para assinarem, um dia alguém se lembrou que com um computador a coisa era mais simples, basta um servidor, uma base de dados simples e alguns conhecimentos de programação... e as petições nascem como cogumelos. Tudo é motivo para se lançar uma petição pública, desde os assuntos mais sérios até aos mais inverosímeis.

 

É claro que a maior parte das vezes a coisa nem sai dali, assinamos e esquecemos o assunto, é claro que no meio disto tudo tem que haver alguém que ganha com o assunto, ninguém gasta tempo e dinheiro a montar um esquema de petições online se não existir algures uma forma de ganhar com isso,... então, quem ganha com as nossas assinaturas?

 

Olhando para qualquer um destes sites o primeiro que salta à vista é que há imensa publicidade, publicidade na internet é dinheiro.. pouco, mas dinheiro,  mas não é só isto. Voltando à pergunta inicial, para que acham que serve o resto da informação que preenchemos quando vamos assinar uma petição? Para muitas coisas, hoje em dia os dados pessoais são uma informação valiosa, as listas de mails pagam-se a bom preço, ora, se essa lista de mails vem com nome e código postal... vale ainda mais... nem imagino quanto valerá uma lista de nomes com mail e bilhete de identidade.

 

Mas há mais, de há uns tempos para cá junto com o muito spam que recebo, chegam-me uns mails que me vem dirigidos pessoalmente, com nome e apelido, publicidade dirigida e pasme-se, patrocinada por um dos sites de asinaturas online.

 

Por norma eu nunca autorizo a divulgação dos meus dados, e muito menos em sites online, estes senhores estão a utilizar os meus dados para enviar publicidade, foram retirados de alguma petição online que assinei e sem a minha autorização, coisa que é no mínimo ilegal.

 

Pronto, agora já sabem porque é que as petições Online nascem como cogumelos?, é um negócio lucrativo.. raramente dão no que quer que seja, mas são um negócio lucrativo, por isso, antes de assinar petições online, pense se o assunto é realmente sério... e tenha atenção aos dados que fornece.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:39

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