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O superior interesse de Cavaco Silva

por Jorge Soares, em 28.01.16

cavaco.jpeg

 

Imagem de HenriCartoon 

 

"O superior interesse da criança", não gosto desta expressão, por norma é utilizada não em defesa das crianças mas  por quem ficou sem argumentos para defender uma ideia ou uma acção.

 

Como não podia deixar de ser Cavaco Silva, num ultimo arrufo de poder, utilizou para justificar a razão do seu veto às alterações às lei da co-adopção e da interrupção voluntária da gravidez.

 

Diz o ainda presidente que os temas não foram suficientemente discutidos pela sociedade, vejamos:

 

- A lei do aborto passou por dois referendos antes de ser aprovada, devem haver poucas leis que foram objecto de tantas discussões neste país.

 

- A lei que regula a co-adopção, já passou pelo parlamento pelo menos três vezes, de cada uma das vezes foi assunto durante semanas na comunicação social,

 

Quantas das leis aprovadas unicamente pelos votos da coligação PSD/CDS passaram por Cavaco Silva sem sequer um comentário do Presidente da República e sem terem sido minimamente discutidas pela sociedade portuguesa? Quantas delas gostaríamos de ter discutido e que nos tivessem pedido a opinião? 

 

O veto de Cavaco Silva a estas leis não tem nada a ver com o superior interesse das crianças, tem sim a ver com o superior interesse do senhor em mostrar que ainda é ele quem manda. Quando é que no passado ele se interessou pelo que pensa a sociedade? 

 

Será que o superior interesse das crianças que já vivem com duas mães ou dois pais é continuar a viver sem que exista um vinculo legal às pessoas que que amam e que os amam?

 

Será que o superior interesse das crianças é continuar a viver institucionalizadas sem o calor e a protecção de uma família ou será ser adoptadas?

 

Será quem é contra esta lei realmente pensa no superior interesse das crianças ou só pensa nos seus prejuízos e preconceitos? Terá Cavaco Silva pensado realmente no que é melhor para as crianças ou simplesmente deixou-se levar por aquilo que ele acha que é a moral e os bons costumes por muito arcaicos e ultrapassados que estes possam estar?

 

As pessoas falam dos preconceitos e do que vão sofrer as crianças na escola e na sociedade, mas o que será mais lógico? Será educar e mudar mentalidades ou vetar leis que permitam o avanço da sociedade para uma melhor e mais aberta?

 

Se o mundo todo pensasse como Cavaco Silva de certeza que viveríamos na idade da pedra e as mulheres seriam arrastadas pelos cabelos pelos seus donos.

 

Espero sinceramente que  as leis sejam aprovadas na assembleia a tempo de o senhor ter que engolir mais uns sapos por ser obrigado a promulga-las.

 

Jorge Soares

 

PS:Para quem estiver interessado, O que é a co-adopção?

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publicado às 21:56

Pedro Arroja e a fábrica de pénis

por Jorge Soares, em 27.11.15

 

 - As mulheres não sabem fazer pénis, e muito menos os homens. Estes são desajeitados! Obviamente que haverá uma espécie de fábrica que os fará e essa fábrica é ... Deus.

 

- Se existisse uma sociedade só de homens esta acabava em violência e em seitas. Numa sociedade só de mulheres não aconteceria nada, porque elas não fazem nada e passam o tempo a falar.

 

- É o homem que indica o caminho às mulheres. Em geral uma mulher não define caminho nenhum. Não consegue. Quanto muito organiza o homem e acalma-o!!

 

Está à  vista que no caso dele o controlo de qualidade da fábrica de deus falhou, esqueceram-se de uma parte importante do cérebro e depois deu nisto.... De certeza que a mãe do senhor, mesmo tendo nascido noutra época, teria um enorme orgulho num filho que vem para a televisão dizer que as mulheres só conseguem  ser alguém se forem guiadas por um homem...

 

O mais estranho é que toda esta conversa sem sentido nenhum era para  introduzir o tema da adopção por casais homossexuais.

 

Segundo o senhor há muitos casais heterossexuais dispostos a adoptar e por isso nada disto era necessário, alguém devia explicar a Pedro Arroja que também há perto de 500 crianças que estão há anos para ser adoptadas e se calhar porque há muita gente que pensa como ele, não há quem as adopte.

 

Definitivamente este senhor vive noutra era, alguém lhe devia  explicar que vivemos no século XXI, há muito que as mulheres votam, vão à universidade, conduzem, vivem as suas vidas por elas e conseguem traçar os seus caminhos e os seus destinos sem precisar de iluminados como ele, aliás, em alguns casos como o dele, só o conseguem fazer se não se cruzarem com eles, porque são definitivamente um atraso de vida.

 

Não sei como se chama  a senhora conduz o programa no Porto Canal, mas há duas coisas que me admiram imenso: Primeiro, como é que com aquele pensamento da era das cavernas ele aceita ser questionado por uma mulher. Segundo, como é que ela consegue ouvir aquilo tudo sem desatar às gargalhadas e sem o por no devido lugar?

 

Vejam o vídeo, são 9 minutos de humor... ou será de terror?

 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:05

família.jpeg

 

A orientação sexual não pode ser critério para a exclusão e para vedar direitos.

Não existe nenhuma razão válida que justifique que os casais

do mesmo sexo continuem a ser proibidos de adotar.

Deputada Sandra Cunha

 

Foram precisas 5 votações e esperar que existisse uma maioria de esquerda no parlamento, para tornar legal algo que desde 1975 está escrito na constituição, "Todos os cidadãos tem a mesma dignidade social e são iguais perante a  lei", como diz a Sandra e muito bem, ninguém pode ser excluído ou discriminado devido à sua orientação ou gostos sexuais.

 

As leis hoje aprovadas não só são da mais elementar justiça, como tornam legal algo que todos sabemos que há anos é um facto, há em Portugal muitos casais homossexuais com filhos adoptados. Até agora tinham que o fazer de forma individual, muitas vezes escondendo a sua condição de homossexuais e em condições  em que não eram garantidos aos pais e às crianças todos os direitos garantidos ao resto dos casais e crianças portuguesas.

 

A partir de agora, não só não tem que esconder a sua condição de casal para poderem adoptar, como com a aprovação da lei da co-adopção, ambos os membros do casal poderão ter os mesmos direitos sobre os seus filhos.

 

Quase tão importante como as várias propostas que foram hoje aprovadas na assembleia da república é o facto de hoje ter ficado claro o que significa a existência de uma maioria de esquerda, na sua grande maioria as propostas agora aprovadas tinham sido chumbadas pela antiga maioria, ou no caso da lei do aborto, aprovadas em contra dos direitos dos portugueses. Hoje essas estas propostas foram aprovadas porque há no parlamento, pelo menos por uma maioria dos deputados, uma real vontade de fazer diferente do que tinha sido feito na última legislatura.

 

Havia muita gente com esperança de que alguns deputados do PS fossem contra a disciplina de voto do partido, parece-me que ficou claro que isso não vai acontecer, senhores do PSD e  CDS, querem mesmo formar um governo contra este parlamento?

 

Vídeo do discurso da Deputada do Bloco de esquerda Sandra Cunha em defesa de quem adopta e das crianças institucionalizadas.

 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:41

aviagem.jpg

 

 

Imagem do Facebook 

 

Curiosamente descobri a reportagem porque alguém  ligou para a R. a dizer que ela estava na televisão, ela é a que não é adoptada mas a vida é feita de coincidências. O programa foi gravado em época de férias universitárias e tiveram que arranjar miúdos para estar na aula com o Jorge, ela andava pelo ISEL naquela altura e lá foi fazer de aluna universitária.

 

A mim, como à maioria das pessoas que adoptou faz-nos sempre muita confusão ver como há pessoas que aceitam expor daquela forma a sua vida e nesta reportagem há muita gente que se expôs, o Jorge, os pais adoptivos, os pais biológicos... mas não era disso que queria falar.

 

Querer saber do seu passado e das suas origens é algo natural em todas as crianças adoptadas, mais tarde ou mais cedo todos passam por isso e é algo para o que os pais adoptivos temos que estar preparados. Cada criança é um caso e cada uma enfrenta o assunto de forma diferente, havendo quem comece a questionar mal dá  pelas diferenças e quem tente fugir ao assunto de modo a que ele não exista.

 

Cá em casa temos as duas versões, o curioso que chegava ao ponto de quando se chateava dizer que ia para a outra família e a que simplesmente ignora o assunto e até foge quando se fala de adopção.

 

A reportagem pode dar a ideia errada de que não é difícil encontrar os pais adoptivos, convém recordar que a grande maioria das crianças são retiradas à família biológica e muitas  vezes não há mesmo forma de saber de onde vieram, porque com o tempo as pessoas mudam de vida e de sitio e perdem-se as referências ou porque muitas vezes os pais adoptivos ou não sabem ou não querem dizer que sabem  

 

Aliás, se virmos com atenção, quem termina por encontrar a família do Jorge é a TVI, já agora gostava de saber como lá chegaram, convém recordar que estamos a falar de informação supostamente está protegida por lei.

 

Ninguém quer reconhecer, mas a nós pais este tema é algo que nos causa sempre alguma angustia, afinal é dos nossos filhos que se fala e pensar que eles possam querer saber de outros pais, de outra família, não é algo que se aceite com facilidade. Não há mãe nenhuma que aceite que os seus filhos possam ter outra mãe, a outra senhora, a que os pariu, é a progenitora, não é a mãe, mãe só há uma e essa é a que os criou...  E há mesmo  pais que se puderem evitar não dizem nem aos filhos nem a ninguém que aquela criança é adoptada.

 

Curiosamente isto foi tema de conversa no facebook logo a seguir à reportagem, alguém tentava confortar uma mãe incomodada com o que viu na reportagem, dizendo que o carinho que ela dava aos seus filhos iria fazer com que isso não lhe acontecesse... 

 

A verdade é que podemos dar todo o carinho do mundo, podemos educar e criar, fazer tudo por eles, dar-lhes tudo e todo o carinho do mundo,  mas tal como bem explicava o Jorge na reportagem, nada disso irá fazer a diferença, no fim, mais tarde ou mais cedo todos vão tentar fazer essa viagem.... mas também podemos ter a certeza que passado o momento, vai haver sempre uma volta, porque não há novidade que se sobreponha ao amor.

 

Jorge Soares

 

PS:Quem não viu pode ver aqui

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publicado às 22:22

O que muda mesmo na lei da adopção?

por Jorge Soares, em 21.05.15

adopção.jpg

 

Imagem do Público

 

Vinha no carro quando na Antena 1 deram a noticia, "o governo quer agilizar os processos de adopção, estes vão demorar no máximo um ano",  a seguir dei por mim a falar sozinho:

 

- Um ano?, então mas a lei actual diz que as avaliações tem que demorar no máximo seis meses, onde é que passar de seis meses para um ano é agilizar o que quer que seja?

 

Cheguei a casa com as garras de fora e o mau feitio no máximo, a preparar-me para cascar forte e feio no Mota Soares e nos restantes governantes, felizmente decidi dar uma olhadela às noticias sobre assunto antes de começar a escrever o post.

 

Na verdade desde o ponto de vista do adoptante pouco irá mudar, os processos de avaliação continuam a demorar no máximo seis meses, o que realmente vai mudar (esperamos que consigam) é a forma como são tratados e avaliados os processos das crianças, não os que envolvem os adoptantes.

 

Actualmente as crianças estão institucionalizadas e passam anos e anos até que entre as instituições de acolhimento e o tribunal decidam qual será o seu processo de vida. Há crianças que chegam às instituições com um ou dois anos e os processos são decididos quando eles tem doze ou treze  e dificilmente alguém os quer adoptar.

 

O que este governo quer fazer é obrigar a que este processo seja agilizado, por exemplo: que ao fim de 18 meses após a sinalização de uma criança  exista uma avaliação da situação de modo a garantir que as medidas de protecção são as mais adequadas. Pretende também  que seja limitado a 12 meses o processo que medeia entre o estudo de caracterização da criança e a sua adopção... 

 

Parece que finalmente alguém percebeu onde está realmente o problema, não sei se haverá forma de fazer com que os responsáveis das instituições de acolhimento e os juízes passem a cumprir estes prazos,  mas que alguém do governo tenha percebido que  deve haver algo errado no processo quando há 8500 crianças institucionalizadas e pouco mais de 400 para adopção, já é um grande avanço.

 

Ver para crer.

 

Aos senhores jornalistas pede-se que antes de dar as noticias tentem perceber do que se está a falar

 

Jorge Soares

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publicado às 22:32

menina-triste.jpg

 

Imagem de aqui

 

Adopção:

Criação, por sentença judicial, de um vínculo jurídico semelhante ao que resulta da filiação natural, independentemente dos laços de sangue;filiação legal

In Infopédia

 

O assunto foi noticia na TVI e no Correio da manhã e foi-me aparecendo no Facebook em forma de comentários isolados principalmente  de estupefacção por parte das pessoas.

 

Segundo o que pude perceber, um casal de Vila Real enviou para um centro de acolhimento uma criança de 12 anos  que tinha adoptado há quatro ou cinco anos, porque alegadamente esta teria mau feitio. A criança tinha sido adoptada junto com um irmão que por incrível que pareça, o tribunal permitiu que continuasse a viver com os mesmos senhores.

 

Há aqui algumas coisas que é necessário esclarecer, não consegui perceber se estas crianças foram adoptadas com adopção plena ou não, mas caso tenham sido, a adopção é um vínculo definitivo, depois de decretada é para sempre o que estes senhores fizeram além de que não tem nome, ao contrário do que foi dito na comunicação social, não é uma devolução, as devoluções ocorrem antes de que seja decretada a adopção, depois disso não há forma de desfazer o vínculo e se alguém lhe quiser da rum nome terá que ser abandono.

 

O que este senhores fizeram foi pegar num dos seus filhos e atirá-lo porta fora, como se este fosse um electrodoméstico avariado, a miúda tinha defeitos, tinha mau feitio, por isso já não a querem... 

 

Eu já disse aqui mais que uma vez que, pelo menos para mim, não há filhos adoptivos e biológicos, há filhos ... e sei por experiência que não há filhos fáceis. Ser pai é muito complicado, muito caro e completamente estafante, há muitos dias em que nos apetece gritar e/ou fugir, mas se há coisa que nunca me apeteceu foi pegar nos meus filhos e atirá-los porta fora, porque isso vai contra o meu coração e contra o amor que tenho por eles.

 

Evidentemente não conheço estes senhores de lado nenhum, mas está à vista que para eles a adopção é algo diferente do que é para mim e para todos os pais e mães adoptivas que  conheço, nós adoptamos para ter filhos, alguém que faça parte de nós e connosco forme uma família, para eles não sei o que será, mas de certeza que não é de forma alguma ter filhos, porque ninguém faz a um verdadeiro filho o que eles fizeram.

 

No meio de tudo isto há algo que para mim é completamente inexplicável, como é que depois de algo assim, o tribunal permite que a outra criança continue a viver com eles? O que estará este a sentir ao saber que a sua irmã foi descartada da família desta forma? Como é que se explica a uma criança que a sua irmã tem defeitos e por isso foi abandonada? Por favor alguém tenha juízo e volte a juntar os dois irmãos, de preferência na instituição, porque quem não consegue amar um, de certeza que não consegue amar o outro, além disso, tenho muitas dúvidas que estes senhores alguma vez tenham olhado para estas crianças como seus filhos.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:38

Em que século vive César das Neves?

por Jorge Soares, em 28.01.15

cesardasneves.jpg

 

Imagem retirada do Ponte Europa 

 

"A imprensa parece inebriada com a homossexualidade. Este fascínio ressurgiu agora nas discussões sobre adopção por casais do mesmo sexo: a generalidade dos jornalistas assumiu implicitamente apenas uma possibilidade válida, desprezando as alternativas como obscurantismo, numa promoção aberta da sodomia"

 

João César das Neves no DN

 

Obscurantismo? Promoção aberta da sodomia? Mas este senhor lê o que escreve? Para ele o tema da adopção por casais do mesmo sexo, não devia ser discutido pois diz respeito a umas poucas centenas de indivíduos homossexuais casados.... e lá por serem poucos não tem direitos porquê? E as  crianças que com eles vivem são menos que as outras porquê? E lá por terem gostos sexuais diferentes dos dele tem menos direitos porquê?

 

Quem lê o artigo completo fica com a ideia que todos os males do mundo são o resultado da revolução sexual, não fosse a invenção da pílula e o mundo  seria perfeito, não haveria divórcios, os casamentos seriam todos perfeitos, a natalidade seria altíssima e não haveria no mundo pessoas sozinhas.

 

Segundo ele a liberdade sexual é um mito, que é utilizado pelos liberais deste mundo para fazer revoluções que só servem para destruir famílias....Está-se mesmo a ver que para ele o mundo perfeito era aquele em que os casamentos eram combinados pelos pais, o sexo era uma vez por semana e só para fazer filhos e depois de os ter a mulher tinha era que estar em casa a tratar dos filhos e das refeições do marido e claro,  ir à missa todos os dias.

 

Há muito tempo que não lia tantas parvoíces juntas, e custa-me entender como é que um jornal como o DN, que eu tinha por sério, dá voz a alguém que parece que entrou numa máquina do tempo algures a meio do século XIX e aterrou no meio da Lisboa do século XXI.

 

Na realidade não é de estranhar, foi este mesmo senhor que disse que "A maior parte dos pensionistas não são pobres, fingem" ou "É criminoso subir o salário mínimo" ou ainda "Esta crise é uma oportunidade de bondade, de caridade e de solidariedade"... entre outras coisas que não fosse o tom sério com que ele fala e escreve, fariam dele o humorista perfeito.

 

Alguém me explica em que século vive este senhor?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:43

 

Terá sido há mais de dois anos que eu recebi um mail de alguém da  SIC em que me era pedida ajuda para encontrar um casal que estivesse a iniciar um processo de adopção internacional e estivesse disposto a ser seguido durante todo o processo. Tal como faço sempre, encaminhei o pedido para os candidatos à adopção que conheço, mas nunca pensei que alguém estivesse disposto a participar em algo deste tipo, a adopção é um assunto muito sério, na maioria dos casos colocam-se inclusivamente problemas legais e de privacidade da criança e dos adoptantes.

 

Tal como a maioria das pessoas que adoptaram fiquei chocado com a reportagem da SIC sobre a suposta "adopção" de uma criança em Cabo Verde.

 

Em primeiro lugar convém perceber que o que se vê na reportagem não é uma adopção, Portugal e Cabo Verde adoptaram a convenção de Haia, para haver adopção a criança tem que ser entregue a quem adopta através de um processo legal que terá sempre que envolver um tribunal. No caso apresentado a criança é entregue ao casal português directamente pelos pais, com a intermediação de um conhecido e sem qualquer intervenção das autoridades de Cabo Verde.

 

Eu não coloco em causa a honestidade de todos os intervenientes neste caso, mas sem a intermediação das autoridades portuguesas e de Cabo Verde, como é que se consegue garantir que a criança não foi entregue a troco de dinheiro? 

 

Mas há muitas mais coisas que me chocam, qual é a ideia de ir entrevistar a família biológica da criança, mostrar que há miséria em Cabo Verde? Qual é a novidade nisso? Mostrar que o que estão ali a fazer está certo? Desculpabilizar quem é capaz de passar por cima de todas a leis para conseguir aquilo que quer?

 

Como é que a senhora pode dizer que não tinha conhecimento da forma em que deveria tratar do processo? Eles eram candidatos em Portugal, não perguntaram às assistentes sociais  o que era necessário para um processo de adopção internacional? Não lhes foi explicado que o processo teria sempre que ir através da segurança social de Portugal para a de Cabo verde? 

 

Durante a reportagem falam várias vezes em justiça, então e a justiça para todas as outras pessoas que estavam à espera antes deles? Não conta? Então e a justiça e as leis que dizem como deve ser tratada  uma adopção internacional entre Portugal e Cabo Verde, não interessa?

 

Passamos a vida a dizer que os processos de adopção em Portugal são demorados, há casais em Portugal à espera há quatro e cinco anos, pelo que percebi a este casal foi-lhes proposta pela segurança social portuguesa uma criança com dois anos e meio, criança que eles não aceitaram. Entre os muitos comentários que li, alguém dizia que aquela criança de Cabo Verde tem direito a ser feliz, então e a criança portuguesa que lhes foi proposta não tem direito a ser feliz? Só eles tem direito a ser felizes?

 

Afinal qual é o propósito da adopção, arranjar bebes perfeitinhos para os casais? Mas não deveria ser arranjar famílias para as crianças que precisam?

 

Eu adoptei em Cabo Verde, pela via legal, o processo foi para Cabo Verde algures em 2008, a criança foi-nos entregue pelo tribunal em 2011, tivemos que lá voltar em 2012 para ser ouvidos pelo juiz que tinha o processo, os pais biológicos foram ouvidos umas cinco vezes, e a adopção foi decretada em 2014... é justo que um processo de adopção tenha estes passos todos? Se calhar não, mas é assim que funciona e é a forma de garantir que não se brinca com a vida das crianças.

 

Era bom que estes senhores se mentalizassem para o que se segue, depois do que eu vi e ouvi na reportagem, tenho muitas duvidas que algumas vez seja decretada esta adopção, entretanto a criança está em Portugal, o visto com que veio é válido por seis meses e dependendo da boa vontade dos funcionários do SEF, será renovável ou não cada três meses, nós desistimos das renovações quando enchemos todas as folhas do passaporte e a nossa filha passou a estar indocumentada... e o nosso processo tinha seguido todos os passos legais..

 

Quanto à  SIC, com esta reportagem que puxa à  lágrima fácil mas que mais que informar desinforma, deviam ter vergonha de chamar a este caso adopção, meus senhores isto não é uma adopção, o que mostraram na reportagem não tem nome, e a forma como expuseram a vida desta criança e da sua família biológica mostrando os lugares e as pessoas daquela forma, é uma enorme falta de respeito.

 

Já agora deveriam ter esclarecido que esta criança não veio para Portugal adoptada, terá vindo entregue em confiança judicial e que isto não tem nada a ver com adopção e vai passar muito tempo até que esta criança seja adoptada... se é que alguma vez o será.

 

Para quem estiver interessado a reportagem pode ser vista aqui

 

Jorge Soares

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publicado às 21:40

relembrar.jpg

Artigo 13.º
Princípio da igualdade

 

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

 

Retirado de Constituição da Republica portuguesa

 

Já o disse várias vezes, mas vou repetir uma vez mais, porque é que é necessário discutir não sei quantas vezes uma coisa que é um direito previsto na constituição? 

 

Para que serve termos uma constituição se depois há quem se empenhe em fazer tábua rasa do que lá está escrito?

 

Isto faz algum sentido?

 

Jorge Soares

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publicado às 12:27

família.jpg

 

Imagem retirada do Facebook

( não sei o autor!)

 

O que faz a família é o amor!

 

Sobram as palavras!

 

Jorge Soares

 

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publicado às 19:39

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