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Afinal, quem queria o Brexit?

por Jorge Soares, em 05.07.16

Nigel Farage.jpg

 

Imagem do Observador

 

De repente o Brxit ficou órfão, conscientes do que por aí vem, os políticos britânicos abandonam o barco a toda a pressa.

 

Visto desde fora o que parece é que afinal ninguém queria o Brexit, Camerom convocou o referendo para calar a oposição e ganhar alguns votos de quem era a favor da manutenção, nunca lhe passou pela cabeça que o sim ao abandono da união Europeia pudesse vencer.

 

A oposição, encabeçada pelo Ukip, só era a favor porque isso trazia dividendos políticos e votos, na realidade eles tampouco acreditavam que o desfecho pudesse ser o que aconteceu... De repente acordaram para a realidade e perceberam que as consequências vão muito para além daquilo que poderiam imaginar..  o resultado foi uma debandada de políticos.

 

Nos primeiros dias havia quem acreditasse que a queda da Libra seria temporária, a realidade é bem diferente, não só a moeda britânica não recupera, como muitas das grandes empresas britânicas começam a procurar alternativas dentro da união europeia e há muitíssimos cidadãos britânicos a procurar formas de ter passaportes  irlandeses, franceses, espanhóis e até portugueses.

 

Acredito que nesta altura haverá muita gente na Gran Bretanha a tentar perceber como é que se dá a volta ao texto e como é que não se sai da União Europeia.

 

Pode ser que as coisas mudem, mas assim de repente o que parece é que quem votou no brexit para não ter imigrantes vai conseguir os seus objectivos, não porque se fechem as fronteiras e sim porque uma libra fraca e uma economia em crise, dificilmente atrairão trabalhadores estrangeiros.

 

Moral da História (alô bloco de esquerda) por vezes é preciso ter cuidado com o que se deseja.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:23

london racism.jpg

 

Imagem da internet 

 

"Em Londres, Fátima Lourenço ainda está abalada com o que aconteceu na passada sexta-feira, quando um grupo de jovens com idades entre os 18 e os 20 anos lhe cuspiu na cara e agrediu na rua com uma bandeira inglesa" 

 

O texto acima foi retirado do Observador, de uma noticia que fala de insultos e até agressões racistas a imigrantes portugueses na Gran Bretanha, mas há noticias como estas nos jornais de todo o mundo. De repente parece que o Brexit abriu a caixa dos horrores e muitos idiotas ingleses se sentem com direito a deitar cá para fora o ódio a tudo o que é estrangeiro e/ou diferente.

 

Polacos, portugueses, espanhóis, hindus, passaram a ser alvo de quem evidentemente andava ressabiado e a esconder o ódio contra quem chegou à Gran Bretanha para procurar trabalho e um modo de vida que dificilmente seria possível nos seus países de origem..

 

Se havia dúvidas sobre o que levou mais de metade dos ingleses a votar sim ao Brexit, estas começam a dissipar-se... estas coisas tem nomes: racismo, xenofobia, ódio aos estrangeiros e a quem é diferente.

 

Vejam os vídeos abaixo, são por demais esclarecedores.

 

 

 

 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:51

Brexit: sair pela porta entrar pela janela?

por Jorge Soares, em 26.06.16

brexit-3.jpg

 

Imagem de aqui

 

Hoje durante o dia na Antena 1 ouvi um jovem inglês dizer que o Brexit tinha sido uma vitória dos trabalhadores ingleses, a única vitória dos trabalhadores ingleses nos últimos tempos, e ele nem percebia porque é que o partido trabalhista não estava a festejar com os trabalhadores.

 

Na sexta um dos meus colegas de trabalho, por sinal também ele jovem mas português, dizia que finalmente havia um povo que tinha decidido bater o pé e não fazer o que a Europa diz... Quando lhe perguntei se ele tinha ideia do porquê dos ingleses quererem sair da união europeia, ele não foi capaz de explicar... infelizmente a enviada especial da Antena 1 não perguntou ao jovem inglês qual o motivo dele para querer sair da união Europeia.

 

Curiosamente uma das primeiras declarações que ouvi dos senhores do Ukip, acérrimos defensores do Brexit, foi que iriam rapidamente pedir um acordo de livre comercio com a união europeia... Engraçados estes senhores, querem deixar de ter as obrigações, fechar a ilha a sete chaves, e fazer o que lhes apetece.... mas sem deixar de ter os benefícios de ter o acesso a um mercado gigante que significa mais de metade das suas exportações.

 

Tenho dúvidas se a grande maioria dos que votaram a favor da saída da União Europeia tem a noção da forma em que isso irá afectar o país. Outras das entrevistadas pela Antena 1 referia o facto de irem voltar a ter fronteira com a Irlanda... não consigo perceber em que é que isso os irá afectar, mas deu para perceber por onde vão as coisas. 

 

Parece que o  grande problema da maioria das pessoas que votaram a favor da saída são os emigrantes e o medo a que estes fiquem com os benefícios sociais que deveriam ser para eles... Quem já esteve em Londres viu como a cidade é uma metrópole multicultural, sendo que a maioria dos estrangeiros provêm de países de fora da união Europeia... Não foi o facto de a Gran Bretanha ter ficado fora do Espaço Chengen e de ser um ilha que impediu a entrada de todos estes estrangeiros, não estou a ver como é que o Brexit e o retorno da fronteira com a Irlanda o irá impedir... mas pelos vistos há quem ache que assim irá ser.

 

Para já a Libra caiu para valores dos anos 80 e de um aumento da inflação não se livram... a menos claro que tal como os senhores do Ukip parecem sugerir, tudo isto não passe de uma forma de fechar uma porta  para abrir uma janela à União Europeia.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:44

Escócia, desejos de liberdade

 

Imagem de aqui

 

É um estranho paradigma que numa altura em que a Europa toca cada vez mais a reunir e em que a união europeia se esforça por abrir fronteiras e combater diferenças, exista no seu seio quem se esforce por recorrer o caminho contrário e lute pela independência.

 

É já daqui a umas horas que quem vive na Escócia, escocês ou não, irá decidir entre o "Yes" que ditará o fim do tratado assinado em 1707 com a Gran Bretanha e fará nascer um novo país independente, ou o "No" que manterá tudo como está. As sondagens dos últimos dias dão uma pequena vantagem aos defensores da união, sendo que o número de indecisos é maior que a diferença, tudo é possível.

 

Curiosamente os mesmos políticos que querem a separação não tem poupado esforços para tentar garantir que o fim da união não implique um afastamento da União Europeia, eles querem ser independentes sim, mas sem deixar de gozar de todos os benefícios que lhes garante uma entrada imediata do novo país para a comunidade com todas as vantagens a nível económico e comercial que isso lhes pode trazer... vá lá a gente perceber estas coisas.

 

O que está por trás de tudo isto? o mesmo de sempre, dinheiro e política, é no mar do norte escocês que estão as grandes reservas de petróleo e gás natural, há entre os escoceses quem ache que  sem ter que repartir os benefícios desses enormes recursos com o resto da união, a Escócia poderia tornar-se um dos países mais ricos do mundo, assim uma espécie de Qatar da Europa  só que  mais chuvoso e verdejante e em os homens  em lugar de turbantes utilizarão kilts .

 

Curiosamente os políticos independentistas não pretendem abdicar da Libra como moeda do novo país, nada como uma moeda sólida para garantir um bom futuro, os ingleses é que evidentemente não parecem estar muito para aí virados.

 

Mas caso o sim vença, a Escócia dificilmente terá entrada directa na União Europeia, isto porque a sua entrada deverá ser aprovada por unanimidade e a Espanha já disse que nunca aprovará tal coisa, não fossem os Espanhóis estarem na Catalunha com uma situação muito parecida entre mãos. 

 

Os catalães, que ao contrário da Escócia, nunca foram um país independente, há muito que clamam pela sua independência, tendo inclusivamente o actual presidente Artur Mas prometido um referendo para Novembro deste ano.  Referendo que não está previsto numa constituição Espanhola blindada contra este tipo de situações e que nunca será autorizado pelo governo de Madrid.

 

Ao contrário da Escócia, a Catalunha não tem petróleo nem recursos naturais, e apesar das afirmações, de catalães e não só, de que é o motor industrial de Espanha, a verdade é  que a província é a que tem a maior dívida entre todas as autonomias espanholas e sem as ajudas da União Europeia e de Madrid seria certamente muito complicada a sua sobrevivência como país independente.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:16

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