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Miguel Calhaz - Era uma vez um país

por Jorge Soares, em 12.05.13

 

Letra

 

Era uma vez um país
"Lá num canto desta velha Europa,

era uma vez um país
vivia à beira do mal "prantado",

mas apodrecia na raíz


Reza a história que foi saqueado

mesmo por debaixo do nariz
Triste sina, oh que triste fado,

era uma vez um país


Os mandantes que por lá passavam

eram só ares de "bon vivant"
Viviam à grande e à francesa

como se não houvesse amanhã


Havia quem avisasse o povo

p´ra não dar cavaco a imbecis
Mas caíram na asneira de novo,

era uma vez um país


Esta fábula do imaginário

tão próxima do que é real
Canção de maledicente escárnio

à república do bananal


Que se encontrava em tão mau estado,

andava a gente tão infeliz
E o polvo já tão infiltrado,

era uma vez um país


E lá se vão sucedendo os casos,

grita o povo: "agarra que é ladrão!"
Mas passam belos dias à sombra do loureiro
Enquanto o Duarte lima as grades da prisão


E nunca se esgotam personagens

neste faz de conta que é assim
Raposas com passos de coelho no mato
e até um corta relvas de madeira no jardim


Entre campeões de assalto à vara

e filósofos de pacotilha
Entram nas portas dos submarinos azeiteiros de oliveira às costas
com o ouro da nação p'ra por nas ilhas Cai-mão, cai-pé, 

baixa os braços e as calças e a cabeça e o nariz, 
aqui finda esta história que não tem final feliz"
(era uma vez um país)

 

Prémio Ary dos Santos -- Poesia 
Tema -- Era uma Vez um País 
Autor - Miguel Calhaz 
Intérprete -- Miguel Calhaz

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publicado às 16:10

Miguel Calhaz


Miguel Calhaz nasceu na Sertã em 1973 e é licenciado em Contrabaixo/Jazz pela Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto. Além da carreira a solo, o músico integra os projectos Popxula, Quartinto, Trilhos e Os Cantautores.


Vídeo de Abril Murchou

 

 

 

Letra

Quando os sonhos já não te acordam a sorrir
Que luas te anoitecem, que nuvens te escurecem,
Que ventos e que chuvas ainda estão para vir?...

 

Muitos dias passaram depois do adeus,
Em que vila morena é que o povo ordena,
Quem ficou a sonhar os sonhos que eram teus?

 

Não sentes uma dor fechada, por ter ficado inacabada
A planta onde surgia um lugar melhor?

 

Passaram-se anos numa espera, de que valeu essa quimera,
Se a mesma lenga-lenga se vai ouvir de cor?

 

E quando te dás conta já tudo caiu,
Que luta continua, que morte sai á rua,
E em que primeiro dia o Maio amadurece Abril?

 

E se uns impérios caem que outros vão surgir,
“Que trovas vão avante?”, pergunto ao vento errante,
Se mudam os tempos a vontade é de fugir...

 

Não sentes uma dor fechada, por ter ficado inacabada
A planta onde surgia um lugar melhor?

 

Passaram-se anos numa espera, de que valeu essa quimera,
Se a mesma lenga-lenga se vai ouvir de cor?

 

Não sentes uma dor fechada, por ter ficado inacabada
A planta onde surgia um lugar melhor?

 

Passaram-se anos numa espera, de que valeu essa quimera,
Se a mesma lenga-lenga se vai ouvir de cor?

 

Podem ouvir mais de Miguel Calhaz, aqui

Jorge Soares 

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publicado às 20:57

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