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Pray For Nice

por Jorge Soares, em 15.07.16

prayfornice.jpg

 

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publicado às 10:30

Os milagres da ciência

por Jorge Soares, em 09.06.16

bebe.jpg

 

 

Imagem do Expresso

 

Foi noticia por cá e até pelo resto do mundo, esta semana nasceu em Portugal um bebé filho de uma mulher que estava em morte cerebral há 17 semanas.

 

Ao contrário do que se pode ler na capa de pelo menos um jornal (?), não nasceu um bebé de uma mãe morta, nasceu de uma mãe viva que se encontrava em morte cerebral, não, não é a mesma coisa. É evidente que se a mãe estivesse morta não poderia haver desenvolvimento do feto, o cérebro estava em morte cerebral, o corpo estava evidentemente vivo, o que ,aliádo aos cuidados que lhe foram prestados,  permitiu o correcto desenvolvimento do feto até às 34 semanas, altura em que nasceu por cesariana..

 

O resto é o conhecimento e a qualidade de todos os profissionais de saúde que estiveram envolvidos e que permitiram o final feliz que todos conhecemos.

 

Vivemos numa época em que os avanços da ciência para além de nos permitirem viver cada vez mais tempo com uma razoável qualidade de vida,  fazem possível este tipo de "milagres".  O bebé chama-se Lourenço e nasceu saudável.

 

“Não foi um milagre, mas um avanço da ciência e da capacidade de multidisciplinaridade e eficácia de uma equipa. Não são só os médicos, mas os enfermeiros, os nutricionistas, os farmacêuticos e todos os profissionais que contribuíram para este êxito” 

Doutora Ana Campos ao Jornal Expresso

 

Jorge Soares

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publicado às 23:17

O artista que se chamava Prince

por Jorge Soares, em 21.04.16

prince-purple-rain-ws-710.jpg

 

Imagem de aqui

 

O artista que se chamava Prince...

 

 

 

As pessoas morrem, a sua arte perdura enquanto houver quem continua a desfrutar dela

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:53

Sem si o país fica triste Senhor Contente

por Jorge Soares, em 14.03.16

Imagem de aqui

 

A primeira imagem de Nicolau Breyner que guardo na memória é dele a gritar "Ó Mário, pisca para a esquerda" num anuncio da prevenção rodoviária portuguesa que algures pouco tempo depois do 25 de Abril pretendia ensinar a facilitar as ultrapassagens na estrada.

 

Durante os dez anos que estive fora de portugal perdi-lhe o rastro, mas quando a meio da década dos oitenta ouvi falar da primeira telenovela portuguesa, lá estava ele, como não podia deixar de ser.

 

Diz-se que morreu hoje, não é verdade, Nicolau  Breyner faz  parte do imaginário de todos os portugueses, o seu nome é sinónimo de cultura e uma parte muito importante da mesma nos últimos 50 anos.... está ligado ao teatro, à música, ao humor, à televisão, ao cinema.

 

A sua academia de formação é uma escola por onde passa muito do futuro da nossa cultura e faz parte do seu  legado

 

Nicolau Breyner é um mito da cultura portuguesa e os mitos não morrem, vivem para sempre na sua obra e no seu legado.

 

Sem si o país fica triste senhor contente.

 

 

Jorge Soares

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publicado às 20:58

Eutanásia, sim, há quem a pratique em Portugal

por Jorge Soares, em 29.02.16

Eutanasia.jpg

 

Imagem da Sábado

 

"Eutanásia já é praticada nos hospitais públicos ... Vivi situações pessoalmente, não preciso de ir buscar outros exemplos. Vi casos em que médicos sugeriram administrar insulina àqueles doentes para lhes provocar um coma insulínico. Não estou a chocar ninguém porque quem trabalha no SNS sabe que estas coisas acontecem por debaixo do pano, por isso vamos falar abertamente”, sublinha Ana Rita Cavaco. "Não estou a dizer que as pessoas o fazem, estou a dizer que temos de falar sobre essas situações" 

 

As palavras são da Bastonária da ordem dos enfermeiros e foi dita no programa "Em nome da Lei", da Rádio Renascença, palavras fortes, que levantaram um enorme alvoroço. Acho que a senhora não mediu o peso do que estava a dizer e as consequências da afirmação, durante o dia tentou desdramatizar e até desdizer... já era tarde.

 

Pessoalmente acho que a senhora sabe do que fala, os médicos são humanos e como humanos não serão indiferentes ao sofrimento de outros seres humanos e já seja por pedido do doente ou por simples misericórdia, haverá de certeza quem já seja por acção ou omissão, ajude ao fim desse sofrimento. 

 

A meio da tarde via facebook chegou-me uma reportagem da revista Sábado, o titulo é por mais esclarecedor;

 

Sim, matei quatro pessoas e defendo a eutanásia

 

O artigo é longo e inclui um vídeo, ao longo do texto o médico conta em primeira pessoa e com detalhes a forma como em 4 oportunidades diferentes não conseguiu resistir ao apelo de amigos, conhecidos e até de um doente. 

 

"Não há dilema: ter uma pessoa de quem gosto perto de mim a sofrer? Isso é condená-la. Todas as pessoas que me pediram ajuda estavam em profundo sofrimento, sem esperança de vida que valesse a pena viver. Mantê-las vivas, isso sim seria uma maldade horrorosa."

 

Imagino que cada um de nós terá a sua opinião sobre o assunto e reagirá de uma forma diferente,mas não me parece que seja possível ficar indiferente ao que ali é dito.

 

No fim, o médico, que tem uma doença terminal, reclama para si o direito a uma morte digna e sem sofrimento,... será que não deveríamos todos ter esse direito?

 

É verdade que nenhum destes  4 casos aconteceu no serviço nacional de saúde, mas alguém acredita que o relatado neste artigo seja caso único?

Jorge Soares

 

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publicado às 21:30

mãe4.jpg

 Imagem do Expresso

 

"Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou o Estado português por violação dos Direitos Humanos no caso da cabo-verdiana Liliana Melo. A mãe, que viu os tribunais portugueses retirarem-lhe os sete filhos", é assim que começa a noticia do Expresso.

 

Neste caso o estado foi condenado pelo suposto excesso de zelo ao achar que esta mãe não tinha condições para manter e educar sete  filhos , tendo estes sido retirados, institucionalizados e posteriormente encaminhados para a adopção.

 

Hoje, e sobre o caso da mãe que decidiu atirar-se ao Tejo juntamente com as suas duas filhas, o mesmo estado está a ser condenado por muita gente por ter tido a mão leve ao deixar as crianças, que estariam sinalizadas por supostamente terem sido vitimas de abuso sexual e maus tratos, a viver com a mãe. Mãe que seria ela própria vitima de violência familiar pela mesma pessoa que supostamente abusou das crianças e estaria a sofrer uma profunda depressão.

 

Quando há duas crianças mortas é fácil concluir que o estado deveria ter feito mais, há uma série de instituições que só existem para proteger e zelar pelo bem estar das crianças. Não sabemos a história toda, não sabemos que medidas protecção terão sido tomadas, não sabemos porque se tomou a decisão de deixar as crianças à guarda de uma mãe, que se sabe  agora, não teria condições psicológicas para tal... mesmo assim é fácil concluir que algures alguém falhou.

 

No caso de Liliana Melo, de que na altura falei neste e neste post, é fácil condenar o estado, as crianças foram institucionalizadas, pelo menos o seu bem estar físico foi garantido, algumas terão ido para adopção e em principio terão famílias que lhes dão amor e carinho.... E alguém pode garantir que caso o estado não tivesse actuado estas crianças estariam todas bem? Estamos a falar de uma mãe com sete filhos, uma das quais até já estaria grávida também, que na altura não tinha emprego e que claramente não tinha condições económicas para os manter. Mesmo assim o estado foi na altura condenado na praça pública e agora nas instituições europeias, por ter feito o seu papel.

 

Faz sentido o estado ser condenado pelo seu suposto excesso de zelo ou fará sentido o estado vir a ser condenado pela morte das duas crianças desta semana? Ninguém tem dúvidas que neste caso o estado deveria ter feito muito mais... será que são os mesmos que acharam que no outro caso as crianças deveriam ter ficado com a mãe?

 

Será que devido à condenação publica do outro caso, não terão as instituições  passado a ser menos zelosas e por isso estas crianças foram entregues à mãe?

 

A única coisa certa é que nestes casos o estado não tem por onde fugir, faça o que faça, vai sempre ser preso por ter cão e por não ter.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:26

cartadiego.jpg

 Imagem de aqui

 

Diego tinha  11 anos, deixou um recado junto à varanda da que se atirou ao vazio, "Vão ver no Lucho". Lucho era o seu boneco preferido, nela estava guardada a seguinte carta de despedida:

 

"Pai, mãe, estes 11 anos que estive convosco foram muito bons e eu nunca vos vou esquecer.

 

Pai, tu ensinaste-me a ser uma boa pessoa e a cumprir o prometido, além disso, brincaste muito comigo.

 

Mãe, tu protegeste-me muito e levaste-me a muitos sítios.

 

Os dois são incríveis e juntos são os melhores pais do mundo

Tata, tu aguentaste muitas coisas por mim e o meu pai, estou-te muito agradecido e gosto muito de ti.

 

Avô, tu sempre foste generoso comigo e sempre te preocupaste. Gosto muito de ti.

 

Lolo, tu ajudaste-me muito com os trabalhos de casa e trataste-me bem. Desejo-te muita sorte para que possas ver a Eli.

 

Digo-vos isto porque não aguento mais ir ao colégio e não há outra maneira de deixar de ir. Por favor espero que algum dia possam odiar-me menos.

 

Peço à mãe e ao pai que não se separem, eu só serei feliz se estiverem juntos.

 

Vou sentir saudades vossas e espero que algum dia nos encontremos no céu. Bem, despeço-me para sempre

 

Assinado, Diego.. outra coisa, Tata, espero que encontre trabalho rapidamente.

 

Diego González"

 

Diego atirou-se do quinto andar em Outubro passado, a noticia surgiu agora porque apesar da carta não há justiça nem culpados pelo que sucedeu. Tal como tantas vezes acontece nestes casos, a escola e a sociedade em geral negam-se a aceitar as evidências, procuram-se outras respostas, outras causas, ninguém quer pôr o dedo na ferida e atacar o verdadeiro problema.

 

Para mim que tenho filhos é dificil ler esta carta e aceitar que estas coisas possam acontecer, todos lamentamos a morte do Diego e de todos os outros Diegos que há por aí, mas a verdade é que pouco ou nada fazemos para proteger as nossas crianças do medo e dos abusos.... 

 

O que aconteceu ao Diego tem um nome, chama-se Bullying e enquanto não fizermos nada, todos: pais, escola, sociedade somos culpados, porque todos tinhamos obrigação de proteger Diego e ninguém fez nada.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:32

aylan.jpg

 

Imagem de aqui

 

Aylan Kurdi, é assim que se chama a criança da fotografia, Aylan o seu irmão Galib de 5 anos, a sua mãe Rihan Kurdi e o seu pai, estavam a fugir da guerra na Síria há meses, saltavam de cidade em cidade  a fugir de uma guerra que teimava em os perseguir...O sonho da família seria chegar ao  Canadá, onde supostamente tem família e onde não há guerras que expulsem as pessoas de suas casas.

 

Infelizmente o destino tinha planos diferentes para o pequeno Aylan e a sua família, a viagem terminou muito longe do Canadá, numa praia para turistas na Turquia, depois de que o barco em que tentavam chegar à Grécia naufragasse.. Aylan, o seu irmão e a sua mãe morreram afogados...

 

Hoje as fotografias e a vida de Aylan correram mundo, a sua imagem tornou-se um símbolo do desespero dos muitos milhares que fogem à guerra e à miséria e tentam fazer-se à vida... nada como uma imagem de uma criança que sofre para despertar consciências....

 

Para mim esta imagem é um símbolo que nos devia envergonhar a todos, que deveria envergonhar quem acha que os milhares de migrantes e refugiados não passam de oportunistas que só querem ir viver dos subsídios. Todos aqueles que pensam que se devem fechar as fronteiras para passar a mensagem de que não são bem vindos. Os políticos Húngaros que acham que permitir a passagem é incentivar a vinda de mais...  vergonha mesmo.

 

Alguém imagina o desespero em que teria que estar esta família para se lançar assim aos perigos de uma travessia destas com os seus filhos de 3 e 5 anos?

 

Aylan morreu porque a sua família fugia a uma guerra que dura há anos, ninguém sabe quantos outros migrantes morreram até agora, mas calcula-se que sejam vários milhares só este ano... Entretanto a guerra continua.sem que ninguém faça nada para a parar... .se calhar a solução não é fechar as fronteiras, é fazer parar a guerra... Porque afinal, e como dizia algures um dos refugiados encalhados na Hungria, eles não querem chegar a lado nenhum, só querem fugir à guerra, se não houver guerra voltam para casa.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:55

Conto - João Gostoso, again

por Jorge Soares, em 23.05.15

joaogostoso.jpg

 

 

Naquela noite, João Gostoso chegou em casa às oito e meia, já com tudo preparado para a feira do dia seguinte. Em lugar de sua Maria das Dores, porém, encontrou foi o bilhete rabiscado no papel do pão: João, fui embora. Não me procure, fui com o Alfredo.

 

Pronto, só isso, nada mais, na letra de criança de Maria, em que cada traço saía difícil, ele lembrava quando ela aprendeu a ler e escrever, fazia pouco.

 

Por cinco noites os dias de João foram iguais: antes das dez na cama, pouco depois das três de pé, a lida na feira, carregando tomates e cebolas para a barraca do Rodrigo e da mulher, mais a filhinha do casal, que sempre ficava por lá e lhe sorria de um jeito que era ruim de ver, porque a filha que não teve olhava pra ele por ela.

 

Na sexta noite, João desistiu, não dava mais pra levar vida de sempre, hora de recomeçar. Das Dores não voltaria mesmo, precisava arrumar mulher, ficar feliz de novo. Nada melhor pra isso que o velho boteco de sempre, do Seu Joaquim, ali mesmo, na beirada do morro, lugar que Das Dores não suportava nem olhar, mas ele gostava, e como gostava. E agora era hora de redescobrir o gosto, viver a alegria e esquecer aquela dor no peito que queria levá-lo para onde não se sabe.

 

O bar Vinte de Novembro estava aberto, claro. Seu Joaquim olhou, apoiando-o em seus intentos, isso, nada de fazer drama, bebe pra arrumar outra, mulher na Babilônia, ora bolas, não falta, é o que mais tem! E o que vai querer hoje, João? Quero mesmo é pinga com limão, mas sem açúcar, pra descer ardendo. E foi bebendo, foi bebendo, nem pensando em quanto ia ficar, se ia ter dinheiro depois pro todo dia, se não. Tocava samba, que Seu Joaquim não avacalhava em seu boteco, era coisa de gente fina, nada dessas porcarias que se ouvem hoje em dia, mas samba dos bons, e João Gostoso dançava e se achegava às mulheres que pousavam por lá, não queria saber se dançava bem, se mal, queria só dançar e ficar com elas, perto delas. Pouco importava se a mulher era bonita, se era feiosa, baixinha, gorduchinha, até a dentuça da Josefa valia. Cantava as letras que sabia e inventava as partes que nunca tinha entendido, feliz da vida de verdade, ao menos era o que parecia.

 

Passava das duas quando lascou um beijo na Elizeth, ali mesmo, na frente do namorado novo dela, que ninguém nem o nome inda sabia, e saiu andando, sem olhar para trás. O tal namorado hesitou, não conhecia direito as regras do pedaço, não sabia se devia ir atrás do ousado que lhe roubara um beijo da moça, se brigava era com ela, e nessa indecisão João Gostoso se afastou o suficiente, livre de qualquer ameaça e caminhando em seu passo normal.

 

Ninguém soube dele até manhã cedinho do outro dia, quando a notícia de seu corpo boiando na Lagoa começou a correr e chegar até a Babilônia, pasmando a todos e, mais no fundo, a Elizeth e a Das Dores, que por meio de Alfredo ficou sabendo da notícia que logo foi registrada nas letras borradas de preto do jornal.

 

Marina Silva Ruivo

 

Retirado de Samizdat

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publicado às 22:54

Lido por ai: Farkhunda

por Jorge Soares, em 12.04.15

Farkhunda.jpg

 Imagem de aqui

 

Farkhunda tinha 27 anos e pelos vistos cumpria escrupulosamente os conservadores preceitos da mulher afegã. Rosto e corpo totalmente cobertos, sempre. E seria assim que circulava no centro da capital do Afeganistão, no dia 19 de março.

 

A burka que usava não deixava ver a coragem de que era feita. Coragem que, pelos vistos, a levou, ao passar pela Mesquita, a dirigir-se o Imã que estava à porta e confrontá-lo com uma prática sua com a qual ela não concordava.

 

Consta que o Imã venderia amuletos aos pobres, iludindo-os sobre os poderes mágicos que teriam. Farkhunda, mulher coragem, naquele que é apontado por muitos como o mais perigoso país para as mulheres, atreveu-se a contestar um líder religioso na rua. E só uma mulher afegã sabe o que quer dizer afrontar um líder religioso, e logo no meio da rua.

 

Durante a discussão, com certeza por total ausência de argumentos, o Imã terá começado a gritar, dizendo que Farkhuna havia queimado o Corão, que não era uma verdadeira muçulmana, e que não respeitava o livro sagrado.

 

Em breve Farkhunda se vê cercada por homens que começam a apedrejá-la, agredi-la, pontapeá-la. Num ápice a barbárie: depois das várias agressões atam-na a um carro, arrastam-na pelas ruas da cidade, atiram-na para a beira do rio de Cabul e atiçam-lhe fogo.

 

A violência sobre as mulheres, em diferentes graus e origens e em vários pontos do mundo está, infelizmente, na ordem do dia. Mas a forma como a ela se vai reagindo, sobretudo em zonas do mundo onde os direitos das mulheres ainda não são devidamente reconhecidos, essa sim vai mudando. E o caso de Farkhunda vem demonstrar isso.

 

Pela primeira vez no Afeganistão (e segundo noticia o The Guardian no seu artigo sobre o assunto, talvez pela primeira vez em todo o mundo Islâmico), um morto foi carregado por mulheres para ser enterrado.

 

Esta é uma tarefa tradicionalmente atribuída aos homens, mas desta vez as corajosas mulheres afegãs não o permitiram. A coragem de Farkhunda inspirou um pequeno grupo de mulheres que se colocou em torno do seu corpo sem vida, impedindo os homens de lhe tocarem, dizendo-lhes: “Este corpo não é vosso. Farkhunda pertence a todas as mulheres de Cabul, do Afeganistão. O seu corpo pertence a todas as mães afegãs”.

 

Dias depois, milhares de pessoas – mulheres, homens, jovens e menos jovens – manifestavam-se em Cabul contra a barbárie e exigindo justiça. É aqui que está o único sinal de esperança, numa história a que precisamos dar voz, para que aconteça cada vez menos.

Falem disto, por favor.

 

Retirado de Sul Informação

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publicado às 22:44

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