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Dia de quais crianças?

por Jorge Soares, em 01.06.16

Crianças de Cabo Vrerde

Imagem Minha, criança de Cabo Verde

 

Sabem os que me costumam ler que sou contra os dias, especialmente contra aqueles dias que são completamente desvirtuados e se convertem no dia de São Comercio. Para a maioria das nossas crianças hoje foi o dia de mais um brinquedo, de mais um passeio, de mais uma festa na escola. Para a maioria o brinquedo será só mais um que estará lá por casa, algures esquecido num canto. As crianças hoje em dia têm tudo e mais alguma coisa, dezenas de brinquedos que na maior parte dos casos são abertos e esquecidos a seguir....  mas há sempre um pretexto para receberem mais um.

 

O dia internacional da criança foi uma iniciativa da  Federação Democrática Internacional das Mulheres, que em 1950 e  dadas as condições precárias que existiam em muitos países do mundo após o fim da segunda guerra mundial, propôs às Nações Unidas que se criasse um dia dedicado às crianças e donde se tentasse melhorar as suas condições de vida. E o dia foi comemorado logo no dia 1 de Junho desse ano... 

 

Se eu pudesse propunha que no próximo dia da criança não se comprasse um único brinquedo, que em lugar disso utilizássemos todo esse dinheiro para tentarmos seguir o principio que deu origem a este dia e melhorar a vida dos milhões de crianças que pelo mundo fora, além de não terem brinquedos no dia da criança, também não têm que comer, nem neste nem na maior parte dos dias..... se conseguíssemos isso, eu voltaria a acreditar que o dia da criança faz sentido.

 

Por favor, não deixem de ver o vídeo seguinte e de reflectir.

 

 

 

Jorge Soares

O texto foi escrito por mim em 2011 aqui no Blog, desde então nada mudou.... quer dizer, para as milhares de crianças refugiadas muitas coisas pioraram todos os dias.

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publicado às 23:50

Lido por ai: Farkhunda

por Jorge Soares, em 12.04.15

Farkhunda.jpg

 Imagem de aqui

 

Farkhunda tinha 27 anos e pelos vistos cumpria escrupulosamente os conservadores preceitos da mulher afegã. Rosto e corpo totalmente cobertos, sempre. E seria assim que circulava no centro da capital do Afeganistão, no dia 19 de março.

 

A burka que usava não deixava ver a coragem de que era feita. Coragem que, pelos vistos, a levou, ao passar pela Mesquita, a dirigir-se o Imã que estava à porta e confrontá-lo com uma prática sua com a qual ela não concordava.

 

Consta que o Imã venderia amuletos aos pobres, iludindo-os sobre os poderes mágicos que teriam. Farkhunda, mulher coragem, naquele que é apontado por muitos como o mais perigoso país para as mulheres, atreveu-se a contestar um líder religioso na rua. E só uma mulher afegã sabe o que quer dizer afrontar um líder religioso, e logo no meio da rua.

 

Durante a discussão, com certeza por total ausência de argumentos, o Imã terá começado a gritar, dizendo que Farkhuna havia queimado o Corão, que não era uma verdadeira muçulmana, e que não respeitava o livro sagrado.

 

Em breve Farkhunda se vê cercada por homens que começam a apedrejá-la, agredi-la, pontapeá-la. Num ápice a barbárie: depois das várias agressões atam-na a um carro, arrastam-na pelas ruas da cidade, atiram-na para a beira do rio de Cabul e atiçam-lhe fogo.

 

A violência sobre as mulheres, em diferentes graus e origens e em vários pontos do mundo está, infelizmente, na ordem do dia. Mas a forma como a ela se vai reagindo, sobretudo em zonas do mundo onde os direitos das mulheres ainda não são devidamente reconhecidos, essa sim vai mudando. E o caso de Farkhunda vem demonstrar isso.

 

Pela primeira vez no Afeganistão (e segundo noticia o The Guardian no seu artigo sobre o assunto, talvez pela primeira vez em todo o mundo Islâmico), um morto foi carregado por mulheres para ser enterrado.

 

Esta é uma tarefa tradicionalmente atribuída aos homens, mas desta vez as corajosas mulheres afegãs não o permitiram. A coragem de Farkhunda inspirou um pequeno grupo de mulheres que se colocou em torno do seu corpo sem vida, impedindo os homens de lhe tocarem, dizendo-lhes: “Este corpo não é vosso. Farkhunda pertence a todas as mulheres de Cabul, do Afeganistão. O seu corpo pertence a todas as mães afegãs”.

 

Dias depois, milhares de pessoas – mulheres, homens, jovens e menos jovens – manifestavam-se em Cabul contra a barbárie e exigindo justiça. É aqui que está o único sinal de esperança, numa história a que precisamos dar voz, para que aconteça cada vez menos.

Falem disto, por favor.

 

Retirado de Sul Informação

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publicado às 22:44

papafrancisco.jpg

 

Imagem de aqui

 

“Um mundo onde as mulheres são marginalizadas é um mundo estéril, porque as mulheres não somente trazem a vida, mas transmitem a capacidade de ver mais além, elas veem mais além."

 

Papa Francisco após o Angelus no dia 8 de Março de 2015, dia internacional da mulher.

 

Acho que não há grandes dúvidas para ninguém que ao longo da sua história a  igreja sempre marginalizou o papel da mulher, relegando-a para um papel secundário, longe da hierarquia e longe do poder.

 

Será que o Papa Francisco com toda a humildade e proximidade que o caracteriza tem a noção do alcance das suas palavras? Terá ele a noção que apesar de faltar ainda uma boa parte do caminho, o resto do mundo está muito mais próximo de reconhecer a importância do papel da mulher na sociedade e que a igreja é uma das últimas instituições que tarda em reconhecer esse papel?

 

Estará Francisco consciente de que a igreja é cada vez mais uma instituição estéril?

 

Jorge Soares

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publicado às 23:01

Discriminação.jpg

Imagem do Expresso

A semana começou com a noticia da morte de um adepto do Corunha, vitima da violência gratuita entre duas claques de futebol, de ideologias opostas mas unidas na utilização do futebol como desculpa para a violência gratuita,  que aparentemente combinaram um encontro em Madrid para se enfrentarem, não num jogo de futebol, mas sim numa luta em que valia tudo, até matar.

 

A meio da semana foi noticia a morte de Tugce Albayrak, uma jovem alemã que teve a coragem de sair em defesa de duas jovens Turcas que estavam a ser assediadas por um grupo de  energúmenos num restaurante de fast Food. Os homens saíram do restaurante e esperaram Tugce cá fora, onde a espancaram de tal forma que esta não sobreviveu.

 

Consta que os agressores já estão detidos, a noticia não diz nada sobre se as dezenas de pessoas que assistiram impávidas ao assédio às jovens turcas e à agressão a Tugce, mas se por mim fosse, estariam todas detidas também.

 

Ontem a noticia veio de Nova Iorque, nos estados Unidos, um tribunal decidiu não constituir arguidos os polícias que agrediram e sufocaram até à um jovem negro desarmado que vendia cigarros na entrada de uma loja, isto apesar de todo o incidente estar gravado num  vídeo que o mundo inteiro viu e onde qualquer pessoa normal pode ver que a morte se deveu a uso excessivo de força sem motivo.

 

Hoje, numa situação que para mim seria inacreditável num país que presumimos civilizado, ficamos a saber que em Marselha, França, as autoridades municipais vão obrigar os sem abrigos colar na roupa um triângulo amarelo como forma de identificação.

 

Para quem já não se lembra, durante a segunda guerra mundial os nazis obrigavam os judeus a utilizar uma estrela amarela como forma de identificação...  com o fim trágico que todos também abemos para quem utilizava tal marca.

 

Se reparamos bem, um triângulo é meia estrela... será que a seguir também os vão fechar em guetos?

 

Uma só semana, 4 países diferentes, em comum violência gratuita, racismo, discriminação, indiferença.... sou só eu que acho que algures a humanidade perdeu a perspectiva do que é viver em sociedade?

 

O que raio se está a passar com o mundo?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:52

Gaza

 

Imagem do Público

 

Não é a primeira vez e não será de certeza a última, hoje um avião da Malaysia Airlines com 296 pessoas a bordo caiu numa zona perto da fronteira entre a Ucrânia e a Rússia. Segundo as forças do governo da Ucrânia, o avião terá sido derrubado por um míssil disparado pelos rebeldes independentistas, segundo as forças rebeldes, o míssil terá sido lançado pelo exército ucraniano. 

 

As acusações sucedem-se de parte a parte, mas o certo é que no avião que partiu de Amesterdão e se dirigia para Kuala Lampur, iam 298 pessoas que não tinham nada a ver com os conflitos da região, 298 vidas que se perderam em nome da sede de poder, da ganância e da ignorância de uns poucos.

 

Ainda não estávamos refeitos da noticia desta tragédia quando ficamos a saber que Israel iniciou uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza. O conflito entre o Hamas e as forças do governo Israelita já causou mais de 220 mortos do lado palestiniano, na sua maioria civis entre os quais dezenas de crianças, e um morto do lado Israelita.

 

Esta invasão irá de certeza absoluta causar uma escalada de violência numa região que cada vez mais se parece com um barril de pólvora com os conflitos na Síria, no Iraque e agora em Israel.

 

Mas o que se passa com a humanidade que insiste em dia a dia destruir a paz e o mundo em que vivemos?

 

Jorge Soares

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publicado às 23:05

Um não lugar chamado Palestina

por Jorge Soares, em 14.07.14

A palestina

Imagem de Pontos de Vista 

 

Segundo a Wikipédia a primeira referência escrita à Palestina é de Heródoto que em 450 antes de Cristo visita o lugar e a ela se refere como Síria Palaestina.

 

Desde então para cá, fez parte dos Impérios de Carlos Magno, Egípcio, Romano, Bizantino. Foi conquistada e libertada dezenas de vezes pelos mais variados povos, foi tomada pelos Cruzados católicos e reconquistada pelos Árabes,  pelos Turcos, pelos Otomanos e de novo pelos Turcos.

 

Durante a primeira guerra mundial os Turcos são de novo derrotados e o território é dividido entre a Grã Bretanha e a França.

 

Em 1946 o seu território, era maioritariamente ocupado pelos palestinos Árabes e Católicos, sendo que os judeus ocupavam uma pequena faixa junto ao mar. A partir de 1947 com o patrocínio da ONU e dos Estados Unidos e num processo que dura até hoje, os palestinos viram o seu território ir encurtando cada vez mais, até um ponto em que apenas restam umas pequenas faixas em que o povo é obrigado a sobreviver em campos de refugiados.

 

Repito, tudo isto foi feito com o patrocínio das nações Unidas e dos Estados unidos e com a cumplicidade de todo o resto do mundo.

 

Neste momento Israel prepara-se para invadir o que resta da faixa de Gaza, todos os dias morrem numa guerra não declarada dezenas de pessoas, das que 60 % são mulheres e crianças.

 

Daqui a uns anos, na fotografia acima haverá um novo mapa com uma faixa completamente branca e a Palestina será só uma pequena nota de rodapé na história reescrita do mundo... um não lugar.

 

Tal como aconteceu durante centenas de anoscom os judeus, os palestinos que restarem ao massacre andarão pelo mundo, um povo sem pátria, sem lugar....

 

É incrível como a história se repete e a humanidade não aprende nada com ela...

 

Jorge Soares

 

PS:Este post foi publicado por mim em 20 de Novembro de 2012, desde então não mudou nada e as mortes (de um lado muitas ,do outro poucas) continuam, com o mundo a ver futebol

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publicado às 20:22

real men don't buy girls

 

Foi no dia 14 de Abril  que um grupo de homens raptou 270 meninas de duas aldeias na Nigéria, e foi preciso mais de um mês e uma nova tentativa de rapto, para que a Nigéria e o mundo acordassem para a gravidade da situação.

 

O destino das crianças foi explicado pelo próprio líder do grupo raptor , o Boko Haram, Abubakar Shekau, que veio a público dizer o seguinte: Alá me instruiu a vendê-las. Elas são propriedade dele e seguirei as suas instruções, mulheres são escravas. 

 

Entretanto durante todo este tempo foram chegando noticias que indicavam que algumas das jovens raparigas teriam sido em alguns casos vendidas nos países vizinhos e noutros, pelo facto de serem virgens, teriam sido oferecidas para serem esposas de membros importantes do grupo raptor.

 

Isto tudo está a acontecer agora, em pleno século XXI, não são noticias do século XIX ou do inicio do século passado, são noticias de agora, de ontem, de hoje.

 

Entretanto perante o novo rapto e  indiferencia do governo da Nigéria que não é capaz ou não tem vontade de resolver a situação, o mundo parece que acordou para o assunto, os apelos à libertação das jovens e as campanhas como a da fotografia tem-se multiplicado e já chegaram inclusivamente à casa Branca onde O presidente Obama e a sua mulher já mostraram a sua preocupação... 

 

Tudo isto é de louvar, mas tenho sérias duvidas que nas selvas da Nigéria existam redes sociais ou que os senhores que levaram e que fazem das jovens raparigas um negócio, tenham facebook ou twitter, era bom que a comunidade internacional se juntasse sim mas para obrigar o presidente Goodluck Jonathan e as autoridade nigerianas a tomarem medidas reais e eficazes para libertarem as crianças e evitarem que situações como esta se repitam.

 

Para mim é chocante perceber que vivo num mundo onde ainda há lugares onde se tratam seres humanos e especialmente jovens raparigas como se de uma mercadoria mais se tratasse, e é muito difícil entender que o resto do mundo que se diz civilizado, pouco mais faz que lançar palavras na internet, ... é de louvar que pessoas como a Catarina Furtado prestem a sua voz para chamar a atenção de todos nós para o assunto, mas é de acções reais que as crianças e as suas famílias necessitam.

 

Vídeo em que o líder do grupo Boko Haram aparece a reivindicar o sequestro das jovens:

 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:00

O natal, afinal, o que é o natal?

por Jorge Soares, em 22.12.13

Bom natal

 

 

Este post da Manu deixou-me a pensar, o post e os comentários, assim como este da Rita. Ao contrario da maioria das pessoas, eu não tenho grandes recordações do natal da minha infância, por muito que tente não me consigo lembrar de nenhuma prenda... mentira, lembro-me que havia sempre um chapéu de chuva de chocolate... curiosamente lembro-me dos carrinhos e camiões, dos legos e demais brinquedos de moda que os meus primos recebiam.. e que invariavelmente eu invejava quando no dia 25 nos encontrávamos em casa da minha avó.

 

Quer isto dizer que os meus natais eram tristes? não, claro que não, eram simplesmente os natais humildes das pessoas humildes, em minha casa havia árvore de natal, presépio e luzinhas, e havia batatas e bacalhau e bolo rei... mas o facto de haver menos consumismo, menos prendas,  menos coisas, fazia do meu natal de então um natal melhor que o de hoje? É que por vezes fico com a sensação que assim é, que o natal de hoje como tem muitas coisas, muitas prendas, muita comida, muito consumismo, é mau.

 

Lendo os comentários ao post da Manu ficamos com a sensação que as pessoas  resistem a ser felizes,  a aceitar que um natal cheio de coisas, cheio de prendas, cheio de consumismo é um natal mau... não é natal, porquê? O que tem de mal que as pessoas possam comprar, dar prendas, partilhar?

 

Eu olho para trás e resisto-me a pensar que o natal dos meus filhos seja pior que os meus, não, resisto a acreditar que o facto de que os meus filhos tenham tudo aquilo que eu sonhava e não podia ter seja mau... eu sou muito feliz porque ao contrário dos meus pais, eu posso dar-me ao luxo de comprar para os meus filhos muitas coisas.

 

As pessoas dirão que se perdeu o significado do natal... pois a isso eu respondo que o natal, para além de ser quando o homem quiser, também significa o que quisermos. Eu sou ateu, evidentemente não festejo o nascimento de um menino numa manjedoura, mas festejo o momento, a presença da família, se quiserem, festejo a alegria de poder ter um natal, de poder comer, comprar, gastar.... porque o natal já era natal antes de supostamente ter nascido um menino algures a Oriente... e como vão as coisas, daqui a 3 ou 4 gerações já poucos pensarão nesse menino, mas aposto que o natal continuará a ser festejado.. e espero que com muito mais luz, muito mais festa... muito mais alegria...

 

Jorge Soares

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publicado às 22:55

É parte do trabalho do Mundo

por Jorge Soares, em 25.03.13

Primavera

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Nenhuma tarefa, se bem feita, é verdadeiramente privada. É parte do trabalho do Mundo.
(Autor desconhecido)

 

Setúbal, Março de 2012

Jorge Soares

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publicado às 17:14

Uma terrorista de trazer por casa

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Imaginem a situação: estão 3 crianças de 5 anos no recreio da escolinha, duas meninas e um menino. Vá lá saber-se porquê decidem brincar às lutas, meninas que gostam de brincar às lutas não é lá muito comum, mas estas gostam. A meio a brincadeira, talvez porque não gosta de lutar com meninas, talvez porque acha que elas estão a levar a melhor, o menino farta-se e diz que não quer brincar mais, mas as duas meninas estão-se a divertir e insistem em continuar... o menino não quer mesmo e desata a chorar... não sei como terminou a coisa, imagino que algum dos adultos que controlam o recreio tenha aparecido, e a brincadeira parou.

 

Este tipo de coisas acontece todos os dias no recreio da escola, crianças a chorar porque não querem brincar mais e outras a insistir para que a brincadeira continue, deve ser o pão nosso de cada dia em todas as escolinhas do mundo... reparem, a brincadeira terminou com o choro do menino, não houve feridos, nem marcas, nem sequelas... nada... bom, quase nada.

 

Estava eu na festa de natal da escolinha quando atrás de mim, uma senhora se começa a referir de uma forma muito pouco simpática sobre a D. De inicio fingi que não ouvia, mas como a coisa continuava e já estava a roçar o racismo e a falta de educação, o meu mau feitio veio ao de cima e não me pude conter.

 

- Olhe, desculpe lá, mas o pai da menina de quem a senhora está a falar está aqui, porque é que não me diz isso directamente?

- O senhor é o pai?

- Sim, sou!

- A sua filha bate no meu filho e a culpa é sua que não lhe dá educação.

 

Não vou repetir aqui a conversa toda, para a senhora, a minha filha é a vilã da escola, bate em tudo o que mexe e a culpa evidentemente só pode ser minha. É claro que o filho dela é um anjinho que nunca bateu em ninguém, é uma vitima da D.

 

A coisa aqueceu e só não passou a vias de facto quando o pai, marido da senhora se vira para mim e diz: "A sua filha não tem educação e se o senhor não lha dá, dou eu!", porque eu me lembrei que estava no meio de uma festa de natal. Decidi sair dali, não sem antes avisar o senhor que se livrasse sequer de chegar perto da minha filha.. porque aí a coisa podia mesmo terminar muito mal.

 

Convém lembrar que estamos a falar de crianças de 5 anos, pelos vistos há pais que acham mesmo que tem em casa os santinhos..e há crianças que para além de mariquinhas, são queixinhas.

 

Imaginem só o que teriam feito estas pobres almas se o filho lhes chegasse a casa com um corte na testa feito por um pião, como me chegou um destes dias a D.?

 

Continuo a achar que isto é um problema da escola e é a escola que tem que resolver, mas há muita gente por aí que vai ter muitos problemas na vida se acha que tem um filho perfeito, e que as brincadeiras de criança se resolvem com discussões de adultos... porque para além de discutir comigo, a senhora fez a mesma cena com a mãe da outra menina. 

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:47

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