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espirito santo.jpg

Imagem de aqui

 

Ontem à noite o noticiário abriu com imagens da Cidade de Espírito Santo no Brasil, com a policia em greve a violência e o crime desataram-se. No ecram sucedem-se as imagens de violência, lojas pilhadas, tiroteios e corpos espalhados. Não soubéssemos que tudo isto se passa no Brasil e bem que podiam ser imagens das guerras civis da  Síria ou do Iraque, tal o grau de violência que nos entra pelos olhos dentro.

 

As últimas imagens são as dos camiões militares a despejar soldados armados até aos dentes enviados pelo governo brasileiro para tentarem tomar conta da situação. 

 

Por momentos voltei à Caracas de 27 de  Fevereiro de 1989, quando os protestos pelo aumento dos transportes degeneraram numa espiral de violência que deixaram centenas de mortos e milhares de lojas saqueadas. Recordo que a situação só começou a acalmar quando o governo despejou milhares de soldados como os da fotografia por toda a cidade.

 

Ontem não foi fácil explicar aos meus filhos o que se estava a passar nas imagens da televisão, após perceberem a questão foi imediata: 

 

- Cá pode acontecer?

 

Não, cá não pode acontecer, primeiro porque por cá a policia não pode fazer greve e segundo, porque, mesmo que a polícia fizesse greve, o nível de violência e civismo da sociedade portuguesa não tem nada a ver com os do Brasil ou da Venezuela.

 

Há quem ache que em Portugal há criminalidade e insegurança, é nestas alturas, quando temos um nível de comparação com o que se passa noutros países e noutras sociedades, que percebemos que afinal... vivemos no céu... só que não sabemos.

 

Jorge Soares

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publicado às 13:15

Serei pobre ou irresponsável?

por Jorge Soares, em 06.10.16

classemedia.jpg

 

Retirado do Facebook

 

A crónica do Ricardo Campelo Magalhães no Jornal económico existe mesmo, aqui.

 

Estive a fazer as contas, e das duas uma, ou sou pobre ou sou irresponsável. É que mesmo tendo em conta que cá em casa há dois salários razoáveis, que pagamos uma prestação de casa muito baixa, que ambos os carros estão pagos, não são novos nem de marcas caras, mas estão pagos, não estou a ver como é que conseguia poupar o suficiente para chegar à idade da reforma com 500000 Euros acumulados.

 

E não, não vou jantar fora mais que duas ou três vezes por mês, e mesmo assim quando vou é a sítios onde raramente pago mais de 50 ou 60 Euros... para comermos os 5!

 

Também não tenho os últimos telemóveis e gadgets, o meu telemóvel é um iphone é verdade, comprei-o agora, novo, mas é um 5S, e custou menos de metade do que custa um da última geração, o anterior era um 4 e tinha mais de três anos, foi agora herdado pela minha filha mais velha.

 

Se calhar a irresponsabilidade é mesmo ter três filhos, ter que pagar roupa, médicos, colégios, atl's, actividades, livros, explicações, instituto de inglês.... se calhar se  não os tivesse e poupasse tudo isso... mas olhem que mesmo assim não sei se dava.

 

Até agora eu achava que me enquadrava na classe média, salários razoáveis, casa própria e quase paga, dois carros, educação para  mim e para os meus filhos... vida razoável.. afinal, e tendo em conta que a menos que me saia o Euro milhões nunca na vida vou conseguir poupar 500000 Euros, afinal sou pobre e ainda por cima irresponsável.

 

Não sei o que se poderá chamar a quem sobrevive e mantém uma  família com um salário mínimo ou ainda menos...

 

Sabem uma coisa? Acho que senhor ali da fotografia não faz a menor ideia do que diz. Para a grande maioria dos portugueses, classe média incluída, 500000 Euros é uma enorme fortuna!

 

Jorge Soares

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publicado às 23:06

Votar para abdicar da privacidade?

por Jorge Soares, em 27.09.16

privacidade.jpg

 

Imagem da internet 

 

A noticia é da RTP e diz :  "Suíços abdicam da privacidade em prol dos serviços secretos" no domingo passado, em mais um dos muitos referendos que se fazem no país helvético, mais de 65 % dos Suíços votaram a favor de uma  lei que vai permitir aos serviços  secretos espiolhar as vidas privadas dos cidadãos.

 

Isto acontece na mesma semana em que em Portugal se armou um enorme burburinho porque o governo enviou para aprovação do presidente da república, uma lei que permitirá aos bancos avisarem o fisco de qualquer um que tenha contas bancárias com mais de 50000 euros...  aposto que há muita gente por aí a rezar para que Marcelo vete a lei... é que há coisas que são dificeis de explicar ao fisco.

 

Curiosamente também aconteceu na mesma semana em que a minha filha mais velha ouviu falar de um senhor chamado Edward Snowden, que como se recordarão ficou conhecido porque mostrou ao mundo que  os serviços secretos americanos espiolhavam a vida privada não só dos americanos, como de muita gente mais ou menos importante pelo mundo fora.

 

Ela considera o senhor digno da maior admiração porque foi capaz de gritar ao mundo o que já todos mais ou menos sabíamos mas ninguém se atrevia a dizer e/ou a provar. 

 

Tal como ela aplaudo a atitude de Snowden, mas confesso que ante os últimos ataques terroristas e tendo a certeza que se tal como dizem os países Europeus, é verdade que se tem evitado muitos ataques terroristas nos últimos tempos, isto se deve a que algures há máquinas e sistemas a trabalhar e pelos vistos a funcionar bem. 

 

Tentei explicar à minha filha que entre o preto e o branco, há muitos  tons de cinzento pelo meio e que se calhar há alturas em que os fins justificam os meios....  acho que não tive muita sorte, talvez porque nem a mim me consigo convencer.

 

O problema de tudo isto é que dificilmente se conseguem impor limites ou controlar até onde chega quem tem as máquinas e o poder de as utilizar.. e depois acontece como nos Estados Unidos, começa-se por escutar os terroristas e termina-se a ouvir os telefonemas dos lideres de outros países sem importar muito se são amigos ou inimigos.

 

Na Suíça há algo que querem chamar democracia directa e tudo é referendável, desde os minaretes das mesquitas até à privacidade do cidadão, passando por se podem ou não expulsar  emigrantes... Em muitos casos o populismo leva a melhor e no fim dá asneira... como acho que aconteceu neste caso.

 

Em Portugal felizmente confiamos nas instituições para fazer as leis, o que será que acontecia se se fizesse um referendo para decidir se quem tem mais de 50000 Euros no Banco  tem ou não que explicar ao fisco de onde saiu o dinheiro? Ou se quem, tem património imobiliário com valor superior  a x mil euros tem que pagar um imposto especial?

 

Não é nada fácil decidir o que significa democracia directa ou o que é ou não privacidade.... mas eu teria uma enorme dificuldade em ser Suíço.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:17

Café sem açúcar? Nãooooooooo!

por Jorge Soares, em 19.09.16

café.png

 

 

Imagem do El Pais

 

Há uns tempos li um artigo (este artigo)  num dos blogs do El País em que o autor escrevia que só há dois países do mundo em que ao pedir um expresso há 99% de probabilidades de se tomar um bom café, Itália e Portugal... eu diria que no resto do mundo e principalmente na Espanha, as probabilidades são quase ao contrário.

 

Eu comecei a tomar café aos 11 anos mais ou menos na mesma altura em que os comecei a servir. Não sei como será agora, mas na altura na Venezuela o café tomava-se em copos de plástico. Quando cheguei a Portugal estranhei as taças de cerâmica e principalmente o sabor do café, que pouco tinha a ver com o que eu estava habituado.

 

Com o tempo habituamos-nos a quase tudo... principalmente quando tomamos pelo menos 3 cafés por dia... ainda que na altura da faculdade podiam ser alguns  mais.

 

Com a idade e o aumento de peso passei do açúcar para o adoçante, no inicio estranhei, depois entranhei até ao ponto de não gostar de café com açúcar.

 

De há uns tempos para cá virou moda o café puro, sem açúcar e sem adoçante, a maioria dos meus colegas é assim que o toma, dizem eles que é a única forma de conhecer o verdadeiro sabor do café... 

 

Como estou numa de perder peso e é uma resolução mesmo a sério, uma das medidas foi retirar o adoçante, segundo as últimas teorias, para quem quer perder peso o adoçante é pior que o açúcar, isto porque no açúcar há uma parte que se transforma em energia e outra em gordura, no adoçante não há energia, vai tudo para a gordura....

 

A ideia era mesmo passar a tomar o café sem açúcar em nome da boa forma e do peso certo... como não é fácil comecei por tomar com meio pacote de açúcar.... o objectivo era ir diminuindo até passar a tomar sem açúcar.

 

Segundo os meus colegas em menos de uma semana devia estar habituado ao "verdadeiro sabor do café" .... pois. Passado mais de um mês e após algumas tentativas eu continuava com mais ou menos meio pacote de açúcar, umas vezes mais e outras menos, estava claro que a coisa não estava a resultar.

 

Como o que tem que ser tem muita força, e eu não sou de deixar resoluções a meio, um dia decidi que não devia ser tão difícil e deixei mesmo de colocar açúcar.. A realidade é que para mim o café sem açúcar sabe mesmo mal, é amargo, horrível... de inicio achei que tinha que dar tempo.. aquela semana de que todos me falavam....

 

Passado uma semana o sabor continuava a ser horrível, um dia dei por mim a pensar que tinha que tomar uma decisão, ou voltava ao açúcar, ou deixava de  tomar café... Para mim tomar um café era um prazer, agora é um suplicio, acho que basta olhar para a minha cara para se perceber que há algo de errado.

 

Ainda não voltei ao açúcar, fixei uma meta para o meu peso ideal e não vou sair da linha até lá, todas as restantes alterações alimentares que tenho vindo a fazer são fáceis de seguir e não são sacrifício nenhum, o verdadeiro sacrifício, o que custa mesmo,  é o raio do sabor do café sem açúcar e sem adoçante.

 

Os meus colegas continuam a dizer que gostam do café assim, desculpem lá, mas não acredito que alguém goste mesmo de uma coisa que só sabe a amargo e a queimado...  horrível.

 

Sejamos sinceros, o verdadeiro sabor do café inclui açúcar ou algo que o torne mais suave e bebível, se o verdadeiro sabor do café fosse o que eu tenho estado a sentir nos últimos tempos, não haveria artigos como o do El país e ninguém gostaria de tomar café expresso. A minha meia laranja sugeriu adicionar canela... fica melhor, menos amargo, mas não o suficiente.

 

E sim, vale a pena o sacrifício, perdi quase 7 quilos em dois meses.... mas podem ter a certeza que das duas uma, ou volto ao café com qualquer coisa doce ou deixo de tomar café... assim não dá!

 

Jorge Soares

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publicado às 23:33

Eu Pokemon Go!

por Jorge Soares, em 06.09.16

Pokemon Go.jpg

 

Imagem retirada dos settings do Pokemon Go no meu telemóvel

 

Há quem seja indiferente, quem deteste, quem adore... eu simplesmente acho que é um jogo como outro qualquer que tem algumas virtudes e defeitos, mais ou menos como qualquer outro jogo seja ele de telemóvel ou de outra coisa qualquer.

 

Tudo começou quando a R. herdou o meu velhinho Iphone 4 e descobriu que este já está tão ultrapassado que nem dá para instalar o Pokemon Go, no meu 5S novo dá (como podem ver eu não ando lá muito actualizado) , e foi lá que ela o instalou... nos primeiros dias achei piada, com o tempo fui ganhando o bichinho e uns dias depois já era um jogo partilhado pelos dois.... 

 

Eu já tinha o hábito de dois ou três dias por semana andar entre meia hora e uma hora ao fim do dia, depois foi unir o útil ao agradável. Os passeios nocturnos passaram a ser mais frequentes e a seguir percursos que incluíssem Poke paradas e ginásios... o resultado está ali à vista na fotografia.

 

Desde meio de Julho até agora, não só cheguei ao nível 20 no Jogo, como andei a pé 110 Kns à caça de Pokemons... na realidade andei mais, porque como é sabido de quem joga, a menos que se ande sempre em linha recta, aquilo mede menos que o que realmente andamos. 

 

Sim, também já perdi alguns quilos, mas isso é porque além de andar mais também mudou muita coisa nos meus hábitos alimentares... mas disso falo noutra altura.

 

Podemos gostar mais ou menos do jogo, mas como dizia um dos meus colegas um destes dias, tem pelo menos a virtude de tirar miúdos e graúdos de casa....

 

Jorge Soares

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publicado às 23:01

Afinal, quem queria o Brexit?

por Jorge Soares, em 05.07.16

Nigel Farage.jpg

 

Imagem do Observador

 

De repente o Brxit ficou órfão, conscientes do que por aí vem, os políticos britânicos abandonam o barco a toda a pressa.

 

Visto desde fora o que parece é que afinal ninguém queria o Brexit, Camerom convocou o referendo para calar a oposição e ganhar alguns votos de quem era a favor da manutenção, nunca lhe passou pela cabeça que o sim ao abandono da união Europeia pudesse vencer.

 

A oposição, encabeçada pelo Ukip, só era a favor porque isso trazia dividendos políticos e votos, na realidade eles tampouco acreditavam que o desfecho pudesse ser o que aconteceu... De repente acordaram para a realidade e perceberam que as consequências vão muito para além daquilo que poderiam imaginar..  o resultado foi uma debandada de políticos.

 

Nos primeiros dias havia quem acreditasse que a queda da Libra seria temporária, a realidade é bem diferente, não só a moeda britânica não recupera, como muitas das grandes empresas britânicas começam a procurar alternativas dentro da união europeia e há muitíssimos cidadãos britânicos a procurar formas de ter passaportes  irlandeses, franceses, espanhóis e até portugueses.

 

Acredito que nesta altura haverá muita gente na Gran Bretanha a tentar perceber como é que se dá a volta ao texto e como é que não se sai da União Europeia.

 

Pode ser que as coisas mudem, mas assim de repente o que parece é que quem votou no brexit para não ter imigrantes vai conseguir os seus objectivos, não porque se fechem as fronteiras e sim porque uma libra fraca e uma economia em crise, dificilmente atrairão trabalhadores estrangeiros.

 

Moral da História (alô bloco de esquerda) por vezes é preciso ter cuidado com o que se deseja.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:23

renatosnaches.jpg

 

Imagem do Público

 

É curioso, Renato Sanches terá sido a menos consensual escolha de Fernando Santos entre os 23 eleitos para o Euro 2016. Do que me lembro foi a única critica que escutei, havia gente a torcer o nariz principalmente pela sua juventude.

 

Hoje foi de novo o Homem do Jogo e esta vez foi mesmo merecida, sem esquecer o feito enorme de Rui Patrício, a defesa do penalty foi decisiva para colocar Portugal nos quartos, Renato Sanches fez um jogo enorme, marcou um golo e apesar da sua juventude, avançou decidido para a marcação do segundo penalty da tanda... Não acredito que nesta altura ainda haja quem duvide da super acertada escolha de Fernando Santos.

 

Se ainda há alguém com dúvidas  de que nasceu uma nova estrela, basta passar pelo facebook do Bayern de Munique e ver o que por lá vai, também lá joga um tal de Lewandoski que até marcou um golo hoje... mas reparem bem para quem vai o destaque todo... 

 

Quinto jogo, quinto empate, continuamos sem vencer, e segundo a generalidade dos comentadores, sem jogar grande coisa. A realidade é que também continuamos sem perder e seguimos em França ao contrário de muito boa gente que já ganhou e até terá jogado bonito.

 

Durante muito tempo fomos o país das vitórias morais, se calhar está na altura das derrotas morais, da Croácia dizem que foram melhores que nós, eles acham-se com direito à vitória moral  mas a verdade é que  já voltaram para Zagreb.

 

Acho que hoje, tirando um período inicial de desnorte, fomos superiores à Polónia, mesmo não jogando muito, merecíamos mais que os polacos. No fim a sorte sorriu-nos, os cinco penalties foram marcados de forma irrepreensível, Rui Patrício lançou-se uma vez para o lado certo e chegou lá... os Polacos voltam para casa e nós continuamos por França.

 

Todos estávamos fartos das contas e das vitórias morais, por mim podem continuar a empatar e não precisam de jogar para o espectáculo, basta-me com que continuem a passar à  fase seguinte.

 

Claro que tinha que ser Quaresma a marcar o último penaltie, ele tem que ser a alegria do povo....

 

Jorge Soares

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publicado às 23:37

Quaresma é a alegria do povo

por Jorge Soares, em 25.06.16

quaresma.jpg

 

Imagem do Twitter

 

Foi um jogo diferente, com uma equipa inicial diferente e um resultado diferente. A Croácia entrou a tomar conta do jogo, e por primeira vez neste Euro a equipa portuguesa não teve mais posse de bola.

 

Com as duas equipas a tentarem lutar pelo controlo do jogo, foi uma batalha de meios campos, quase sempre longe das duas áreas e ao contrário de novo ao contrário do que tinha acontecido nos jogos anteriores, quase sem remates.

 

Sem bola perto da área houve muito poucas oportunidades para Cristiano Ronaldo e Nani. Felizmente no único remate de Cristiano Ronaldo em todo o jogo, a passe de Quaresma, que ante a defesa do guarda  redes Croata, estava no sitio certo e a quatro minutos do fim do prolongamento marcou o golo que carimbou a passagem aos quartos de final.

 

Fernando Santos hoje esteve muito bem, tanto nas escolhas para a equipa inicial como nas substituições, Renato Sanches entrou para dominar o meio campo e Quaresma para fazer o golo. 

 

Pepe hoje fez um jogo enorme, foi uma autêntica muralha àfrente da área que manteve sempre os croatas longe da baliza de Rui Patricia, sem dúvida o homem do jogo.

 

Está visto que Quaresma está fadado para ser a alegria do povo.

 

Venha a Polónia

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:48

jornalista.jpg

 

Imagem do Facebook de António Sampaio

 

Para a rubrica "coisas que eu poderia dizer se conseguisse escrever assim", um texto fantástico a propósito do microfone atirado ao lago por Cristiano Ronaldo, escrito por António Sampaio,  alguém que penso seja  jornalista  e que fala sobre jornalistas, jornalismo e meios de comunicação social... para ler e reflectir

 

Há uma ideia errada de que só por ser jornalista posso fazer tudo. Esta ideia de que a minha profissão pode escrutinar todas mas que não aceita escrutínio dos outros.


De que a coberto da dita “liberdade de imprensa” tenho o direito de fazer tudo, de violar os direitos de outros, incluindo crianças, de me focinhar na vida privada de outros, de escrever o que quero, como quero e quando quero.


De que posso usar um jornal para fazer campanhas políticas, para promover grupos económicos ou para destruir vidas, carreiras, empresas.


Há uma ideia errada de que como jornalista posso apontar os erros a todos, usando gafes, parvoíces, deslizes, para fazer manchetes. Mas que depois não aceita que nada lhe seja apontado. Que não aceita que os seus jornalistas sejam, eles próprios e o seu trabalho, escrutinado.


Que usa o poder das suas páginas para escrever o que quer e quando alguém reage mal, diz o que não deve ou faz o que não deve - por irritação, frustração ou autodefesa - é logo mal tratado pela dita classe.


Uma classe que, diga-se de passagem, se odeia mutuamente. Se critica nas costas - ou na frente - e que infelizmente demasiado poucas vezes atua mesmo com classe.


E isto serve para microfones, para gráficos e infografias manhosas, para ameaças de bofetadas, para processos, ou para respostas menos adequadas a ‘coisas’ publicadas em ditos ‘jornais’ que não passam de lixo.


Uma profissão cheia de gente ‘pública’, do estrelato, mas onde os públicos e os escrutináveis são apenas os outros.


Há grandes jornalistas em Portugal. Há gente que trabalha na minha profissão que honra o que faz e a profissão que representa. Mas também há gente nojenta, OCS nojentos e que desonram o jornalismo. Gente que do alto do seu pedestal de justiceiro se mostra como o garante das leis, da legalidade e afins e depois viola as regras todas, de justiça, de deontologia, de respeito pelos direitos dos outros e até de senso comum.


E nós, jornalistas, temos que deixar de achar que há montes de coisas que não são defensáveis nas outras profissões todas mas que tudo é defensável na imprensa e no jornalismo. Não é. Há coisas que podem ser liberdade de expressão mas não são jornalismo. São lixo humano.


Deixem lá de ser madalenas ofendidas quando alguém reage - muitas vezes depois de um acumular de abusos, maus tratos às mãos das páginas de jornais ou outros OCS ou de campanhas nojentas - de uma forma menos bonita.


E um banhinho num lago não é um grande ataque à classe, um crime, como disse um gajo que eu, jornalista há montes de anos e que pago a carteira de dois em dois anos, nem sabia que existia. Aliás, esta é a mesma classe, por exemplo, que permite que clubes de futebol façam boicotes a alguns OCS - porque estamos a falar de desporto - mas depois se sente ofendidíssima por coisas destas. E não é, sabem, o único exemplo.


Enfim. Isto não é sobre um microfone. Aliás, quem devia ter mandado o microfone do CM ao lago eram os outros jornalistas. Porque uma vez mais houve um chico esperto que achou que era mais que os outros, que ia violar o acordado com o resto da imprensa e deixar os moços passear em paz sem perguntas anormais.


Mas sim. O mauzão é a ‘figura pública’. É sempre a figura pública. E nunca quem o achincalha em público.


Acreditem. A minha profissão anda a meter água há um tempo. Não é apenas desde o ‘incidente’ do lago.

 

Antonio Sampaio

 

Retirado do Facebook

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publicado às 18:02

Este povo nunca está contente!

por Jorge Soares, em 22.06.16

CristianoRonaldo.jpg

 

Imagem do Público

 

É engraçado como são as coisas, Cristiano Ronaldo marcou dois golos, fartou-se de correr, de jogar,  não diria que levou a equipa ao colo, mas não há dúvida que como quase sempre, marcou golos importantes e contribuiu para a passagem à próxima fase.

 

Acontece que três golos não foram suficientes para vencer, porque Portugal não joga sozinho e a Estónia não estava entre os classificados para este Euro. Do outro lado estava uma Hungria muito mais descontraída que Portugal, com raça e muita vontade de mostrar serviço.

 

A meio do jogo um dos comentadores da RTP dizia que era a lei de Murphy aplicada ao futebol, tudo o mau que podia acontecer acontecia.. Portugal atacava e como é costume rematava mais, muito mais que a Hungria, mas os magiares além da pontaria tinham a sorte do seu lado, havia sempre um ressalto que enganava o Rui Patrício e a bola lá terminava no fundo da baliza... uma, duas, três vezes...

 

E de cada vez que os húngaros marcavam lá estava o realizador francês a mostrar um Cristiano Ronaldo irritado e que cerrava os dentes... Não acontece muitas vezes uma equipa estar a perder três vezes, das três vezes fazer das tripas coração e voltar a empatar.

 

No fim do jogo não faltava gente a criticar e a pedir mais, não jogaram nada, não eram aqueles  os que deviam jogar mas outros (de preferência os do nosso clube), o treinador não percebe nada disto e para além de que colocou os errados a jogar, fez as substituições erradas, tarde e a más horas.

 

Não há volta a dar, tivemos a selecção que mais remates fez no Euro, não ganhamos nem perdemos jogo nenhum, estamos na fase seguinte e continua tudo a ser possível, mas para a grande maioria dos portugueses, está tudo mal.... incluindo o Cristiano Ronaldo, que bateu mais uns recordes, mas apesar de ter marcado dois golos decisivos, para muita gente não jogou nada!

 

Não consigo entender, queriam o quê? Campeões europeus e mundiais? Já pensaram em mudar de nacionalidade?

 

Não foi um passeio, não ficamos em primeiro lugar, mas para mim fomos superiores nos três jogos e tivesse havido um bocadinho de sorte, em vez de bestas, hoje seriam todos bestiais... talvez tirando o Ronaldo, que este povo nunca está contente!

 

Venha a Croácia...

 

Jorge Soares

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publicado às 22:55

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