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Idiotas sem pedegree

por Jorge Soares, em 03.03.17

idiotas com pedegree.png

 

Imagem do Facebook de Rita Marrafa de Carvalho

 

 

Há pessoas que apesar da evolução do mundo insistem em viver noutras épocas, noutros séculos, João Braga é claramente uma dessas pessoas, durante a cerimónia dos óscares saiu-se com o seguinte comentário: "A distribuição dos Trumps – Agora basta ser-se preto ou gay para ganhar os Óscares", evidentemente para ele não interessa nada nem a qualidade dos filmes nem a dos actores, aliás, duvido muito que se tenha dado ao trabalho de sair de casa para ir ver qualquer um dos filmes nomeados.. pelo comentário o que percebemos é que para ele o que interessa é a cor da pele ou orientação sexual, não a capacidade de actores, músicos ou realizadores.

 

Não contente com a polémica causada pelos seus comentários racistas e homofóbicos, o senhor resolveu continuar com as provas da sua ignorância e desprezo pelo mundo em que vive e pela a sociedade actual. 

 

A imagem acima mostra a forma como ele resolveu comentar a carta aberta que foi escrita pela Jornalista Rita Marrafa de Carvalho e publicada no site Capazes. A Rita é uma das melhores jornalistas portuguesas, com presença diária nas noticias da RTP, ao fingir que não a conhece João Braga só mostra até que ponto pode chegar a sua ignorância e prova que só pode viver noutro mundo, num mundo qualquer onde não há noticias e que ficou parado algures no fim do século XIX...

 

João Braga acha-se uma figura importante, infelizmente não passa de um idiota ultrapassado e sem pedigree.

 

Jorge Soares

 

CARTA ABERTA AO AMIGO DOS PRETOS E DOS GAYS

 

Querido João,

Eu sei que no teu tempo a coisa era complicada. Não se dizia nada a ninguém e ia-se a umas saunas ou tinha-se uns amigos que padeciam da mesma “doença”. Casava-se com menina de bem, casadoira, boa dona de casa e parideira. E tudo às escuras, para não se ver que naquele peito não havia pelos e abdominais definidos. Nem uns ombros largos ou uma cintura direita. Pronto. Serviço feito e nasciam os filhos que se impunham. E continuavam as saunas e os encontros interditos. Mas isto… só os sortudos e intelectuais da altura. Aos outros, por vezes, destinava-se uma vida de clausura. Ou solteiros ou mal casados. O medo da prisão. O medo das palavras. Ai, como é que era? Ah… Paneleiro. Medo dos risos bêbados do “lá vai o panisgas”.

Depois, havia aqueles de quem se desconfiava mas ficava-se calado… porque escrevia muito bem. Ou cantava muito bem. Ou declamava muito bem. Ou pintava muito bem. Era qualquer coisa “muito bem”. E pronto, era lá com ele. Com a vida dele. Coisas dele. Cada um sabe “onde quer levar”. Não era, João?

Aliás, deixaste isso bem claro, quando escreveste uma mensagem para o Marcelo Rebelo de Sousa, que lamentava a morte daquele grande panilas George Michael “ó Professor, cada um gosta do que gosta e de quem gosta e ninguém tem nada com isso; mas não houve um só assessor de Vossa Excelência, unzinho, o seu amigalhaço que chefia aquele saco de gatos que governa esplendidamente o nosso país, enfim, um motorista da presidência, alguém, que tenha alertado Vossa Mercê para o facto de desperdiçar o seu luto todo com um “génio” que, ao mesmo tempo que exibia uma versatilidade e um talento que o levavam, inclusive, a espreitar as pilas alheias nos urinóis públicos, drogava-se fortemente, com ecos na juventude que o idolatra tanto quanto o excelso presidente?!”

Eh, pá. Tens razão. As pessoas deixam de ser génios musicais. Por tudo isso, viram uma valente merda. João, aplaudo-te. Vê lá bem, que o Thomas Edison dava-lhe forte e feio em doses de coca e mesmo assim inventou a lâmpada! E esse escritor de bosta, o Truman Capote… um maricas! Sabe-se lá quantos gajos comeu. Não. Não merecem o epíteto de génios. Estou contigo. Mas sei que falaste com Salvador Dali em 1977 e que gostaste. Ainda bem.

Depois… depois, naqueles tempos, tínhamos, acabadinhos de chegar das colónias ultramarinas, uns pretinhos engraçados. Aquilo não nos era estranho. O teu pai, na Fazenda do Bom Jesus, sabia bem o que era viver no meio deles. Já tínhamos recebido uma remessa deles, ao longo dos anos, mas vinham mais. A descolonização, pá! Raios partam os tipos que lhes deram liberdade e tal e eles vieram todos para cá, em magotes. Naquele 25 de abril frenético, sem rei nem roque, feito por terroristas. Que continuam a denegrir a imagem daquele que escreveste ser, para ti, “o maior estadista português”: Salazar.

Bem sei, para ti não há volta a dar, João. O dia em que se comemora a Implantação da República algo se quebra em ti. Todos os anos.

CARTA ABERTA AO AMIGO DOS PRETOS E DOS GAYS Como eu contava, há pouco, depois daquela revolução dos cravos vermelhos, que flor tão bonita para uma festa tão tresloucada… vieram os pretos. Fazer barracas à volta de Lisboa. Uma chatice. Vinham construir-nos casas e limpar escadas. Depois começaram a estudar e muitos já vinham com estudos de lá. Quem diria… escritores, músicos. E bons, e bons. Lembras-te da Titina? Muito boa, essa cabo-verdiana. E a carrada de mestiços? Como é que algum branco se misturava? Perguntavam tantos, como era possível? Agora é vê-los, no tráfico, com as calças a meio do rabo, a roubar carros e a responder mal. Uma desgraça.

Nós, João, gostávamos de Torga e Pessoa. Não íamos ler Germano de Almeida. A ouvir crioulo pelas ruas e o teatro Dona Maria a cheirar a Guiné por todo o lado. Não. E por isso sei bem que o ano passado soltaste nas redes sociais um “DEPOIS DO QUE VI HOJE SÓ ME OCORRE DIZER ISTO: RESTAUREM A MONARQUIA!” Eu sei. Resolveria tudo termos um rei não eleito. Mas respeitavas Miles Davis. Aliás, em 1971 foste buscá-lo ao camarim.

CARTA ABERTA AO AMIGO DOS PRETOS E DOS GAYS

Foi ele quem exigiu. Mas sempre era o Miles Davis… e lá lhe fizeste a vontade. Admiravas aqueles músicos.

Mas sei que ficaste contente com o Nobel de Bob Dylan. Porque sabes que ele é bom. Pergunto-te, querido João, se viste Moonlight. Aquele filme que ganhou o Óscar para melhor filme. E se viste a interpretação do preto que ganhou o Óscar para melhor actor secundário, o Mahershala Ali. Mas espera… é pior! É muçulmano! Imagina! Além de preto é o primeiro muçulmano a ganhar um Óscar. Bom, mas viste?

Gostava de saber se viste o filme. Ou se tens um filho homossexual que, desde jovem, tenha lutado, interiormente, com o não saber o que é, com o ser humilhado na escola, e o não entender os sinais. Pergunto-te se ser preto e gay é algo que se possa sobrepor a, simplesmente, ser-se bom. Se Bob Dylan fosse gay ias achar a mesma graça à atribuição do Nobel. Ou se o Nobel fosse entregue a… Miles Davis, de quem gostas tanto. Se calhar, já não teria grande piada. Mas já percebi que nos rótulos da vida, João, gostas de etiquetar tudo. É um método e eu compreendo. Também gosto de escrever nos jarros de vidro “açúcar”, “esparguete”, “canela”. Por isso, compreendo que gostes de definir bem os axiomas e premissas. Como aqui demonstras:

CARTA ABERTA AO AMIGO DOS PRETOS E DOS GAYS

Posto isto, há coisas que me confortam. Idolatravas Amália… ao menos isso. Espero, então, que esta missiva te encontre bem e que, para o ano, os Óscares sejam mais justos e que os jurados nem vejam os filmes. Votem só nos brancos. E hétero.

 

Rita Marrafa de Carvalho no site Capazes

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publicado às 20:23

Somos um país bacoco e provinciano

por Jorge Soares, em 07.06.16

descriminação.jpg

 

Imagem do Facebook

 

""Ao fim de 21 anos em cadeira de rodas senti descriminação. Que sentimento horrível!!!

Nunca pensei passar por isto no meus país em 2016 e numa cidade como Lisboa. Fui sair com um grupo de amigos à discoteca Bosq quando chego a porta vi logo que algo se passava quando vejo os seguranças a segredar.Minutos depois dizem que não posso entrar porque a discoteca não tem rampa nem WC!!!

Pedimos para chamar o gerente mas a pessoa tão cobarde que é nem teve coragem de aparecer. Pedimos livro de reclamações mas como não tínhamos entrado não nos deram o livro felizmente tinha amigas lá dentro que puderam escrever.

Como não saímos da porta o segurança diz o consumo para entrar são 300€!!! milagre ao fim de 30 mts a discoteca já tinha rampa e WC!!! E sim o deficiente se pagar já pode entrar. Já frequentei tantos espaços noturnos sem rampas e WC e nunca mas nunca fui tratado de tal forma é triste ser tratado assim dói muito. Mas não são pessoas assim que me deitam abaixo são pequenas e medíocres e essas sim devem se sentir inferiores . Só espero que um dia elas próprias ou alguém da família ou próximo não passe pelo mesmo. Obrigado a todos os meus amigos que estavam comigo e não posso deixar de referir um segurança que falou comigo e compreendeu a minha revolta mas estava a cumprir ordens!!! A essas pessoas digo eu amo viver e não tenho vergonha de ser deficiente e o que não falta é outros espaços noturnos para me divertir. Nem toda a deficiência é visível que grande verdade!!!"

 

Ricardo Antunes

 

Isto foi a semana passada, na mesma semana em que ficamos a saber que algures no norte de Portugal há um hotel que no seu site pede a homossexuais para não fazerem reserva pois pode ser-lhe "vedada a admissão". Dono disse que ele é que decide "quem inclui e quem exclui"

 

Estamos no século XXI mas pelos vistos há quem continue a viver algures a meio do século passado, podemos pensar que no caso do hotel é provincianismo bacoco, mas a discoteca que discrimina deficientes é em Lisboa. 

 

A verdade é que Portugal continua a ser um pais onde a discriminação e o pré-conceito imperam. A constituição diz que ninguém pode ser excluído ou discriminado com base na orientação sexual, o proprietário do hotel decide fazer tábua rasa da mesma e coloca as suas condições bem à vista no site... será vedada a admissão a "adeptos de futebol; frequentadores/adeptos de festivais de música de verão; gays e lésbicas; consumidores de estupefacientes e quaisquer substâncias psicotrópicas." não serão aceites.

 

Curiosa a parte dos adeptos de futebol.... só o Benfica diz ter seis milhões de adeptos, que ficam a saber que não podem passar férias neste hotel.... depois disto espero bem que não queiram!

 

Quanto ao caso da discoteca,  entendo a indignação do Ricardo Antunes, mas quem não foi alguma vez excluído à porta de uma discoteca? A verdade é que as discotecas sempre discriminaram uma parte enorme da população, todo o mundo sabe qual o papel daqueles senhores grandes e musculados que estão à porta destes estabelecimentos... e em muitos casos estes até são agentes da autoridade que à noite fazem part times.. a garantir que se discrimine a torto e a direito.

 

Também há uma lei que impede que isso aconteça, mas alguém alguma vez ouviu falar que se cumpra? O caso do Ricardo só veio chamar a atenção para algo que sempre aconteceu e não é preciso estar numa cadeira de rodas para se ser dicriminado, basta ter o penteado errado. Nas discotecas e bares deste país a discriminação é um desporto que todos se orgulham de praticar.

 

Queremos ser um país desenvolvido, do primeiro mundo, mas depois temos conhecimento destas coisas e percebemos que falta educação, cultura, civismo, solidariedade.... e sem tudo isto, dificilmente passamos de um país bacoco e provinciano... um atraso de vida.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:18

Racista

 

Imagem de aqui

 

Ninguém nasce racista, são os adultos que ensinam isso

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publicado às 22:50

O racismo não é uma opinião

por Jorge Soares, em 29.04.16

racismo.jpg

 

 

O racismo não é uma opinião

o machismo não é uma opinião

a homofobia não é uma opinião

a xenofobia não é uma opinião

São isso mesmo: racismo, machismo,homofobia,xenofobia.

Isto é para todas as pessoas querespondem nos debates sobre estes temas: "É a minha opinião"

Não, é o teu carácter

Lamentavelmente, é a tua educação e o teu carácter.

Deal with that.

 

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publicado às 21:56

refugiado3.jpg

 

Imagem de aqui

 

Li algures que "o ser humano é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra", esta semana lembrei-me desta frase mais que  uma vez, primeiro quando vi nas noticias a forma que a Dinamarca está a utilizar para manter os refugiados longe, o roubo descarado.

 

Hoje voltei a lembrar-me quando li aqui, que no país de Gales os refugiados são obrigados a utilizar uma pulseira vermelha que serve para os identificar e terem acesso a comida. Em Middlesbrough, no Reino Unido, as portas das casas que lhes são entregues são pintadas de cor vermelha. Ambas as medidas terminam por facilitar a identificação dos recem chegados e os ataques racistas contra eles.

 

Junto com a frase vieram-me à lembrança outras coisas e outras épocas. Na Europa do Século XX milhões foram primeiro obrigados a utilizar uma estrela amarela na lapela, depois espoliados de todos os seus bens, marcados e enviados como gado para campos de morte.... 

 

A julgar pelas coisas que leio nos meios de comunicação e nas redes sociais, não me estranharia nada que um destes dias surja a noticia que algures foi criado um campo de trabalho para juntar todos os que agora chegam.

 

Em Dezembro estive em Berlim, entre as muitas coisas que aprendi da história e da forma de viver dos alemães, está o facto de todas as crianças alemãs terem que fazer pelo menos uma visita em cada um dos ciclos escolares a um campo de concentração. O objectivo é que nenhuma geração esqueça o que se passou na Europa do século XX e assim tentar evitar que se cometam os mesmos erros.

 

Não sei até que  ponto não será esta a explicação para a forma,  tão diferente do resto da Europa,  como os alemães estão a tratar o problema dos refugiados. Quer-me parecer que há muita gente por essa Europa fora que tem a memória curta e a quem não faria mal uma visita aos campos de concentração, talvez assim ficassem mais humanos, mais humildes, menos racistas, menos  preconceituosos... e não ouvíssemos falar de mais medidas como as agora tomadas na Dinamarca e no Reino Unido.

 

Já agora, para quem não percebeu ou não quer perceber, o que aconteceu no século XX na Europa tem um nome, chama-se holocausto e os que o causaram chamavam-se nazis.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:50

E quando o racismo nos calha a nós?

por Jorge Soares, em 14.12.15

morteaosportugueses.jpg

 

Imagem da RR

 

A sede do Clube Português de Brie-Comte-Robert, a sudeste de Paris, foi vandalizada. Foram escritas na fachada do edifício frases como "morte aos portugueses"

 

Há uns dias, numa resposta a um comentário num dos posts sobre os refugiados, eu perguntava o que sentiríamos se num dos muitos países para onde vão os nossos emigrantes, alguém os tratasse como alguns portugueses querem tratar os refugiados da Síria e do médio oriente... bom, não foi preciso esperar muito, a fotografia é da semana passada e acho que não precisa de tradução ou explicação.

 

É verdade que por cá ainda não se foi tão longe, mas isso é só porque como era de esperar, os refugiados não querem vir para Portugal e dos cinco mil que eram esperados, nem uma centena cá chegou. Mas não tenho dúvidas que há por aí muita gente que os trataria da mesma forma que alguns (espera-se que poucos) franceses querem tratar os portugueses.

 

A seguir aos atentados de Paris eu ouvi num dos canais de televisão uma senhora portuguesa imigrante em França há pouco tempo, que dizia que o país nunca deveria ter permitido a entrada de imigrantes, pelos vistos ela ou não se considerava imigrante ou se achava melhor pessoa que quem chegou a França vindo do Magrebe e do médio oriente e que, tal como ela, chegaram ao país à procura de uma vida melhor.

 

Alguém devia ir tentar encontrar essa senhora e perguntar-lhe se ela gostou de ser tratada desta forma e se agora percebe o que sentem os refugiados quando lhes queremos fechar as portas da Europa.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:25

Afinal de que temos medo?

por Jorge Soares, em 21.09.15

europa.jpg

 

...há neste mundo mais medo de coisas más

que coisas más propriamente ditas..

Mia Couto

 

Há pouco  no telejornal foi noticia uma manifestação onde  umas dezenas de pessoas algures em Lisboa,  mostravam cartazes e gritavam consignas contra a entrada de refugiados em Portugal.. Para além dos slogans mais ou menos racistas e xenófobos, o jornalista tentou fazer as pessoas falarem do que estavam ali a fazer, em vão, todos repetem as mesmas frases feitas, mas ninguém consegue ir mais além e formular duas ou três ideias.

 

Esta manifestação não me estranha, a extrema direita nacionalista, racista e xenófoba existe em Portugal e até tem um partido que concorre em todas as eleições, felizmente não são mais que aquelas poucas dezenas.

 

Para ser sincero a mim tem-me chocado  muito mais ver pessoas que conheço há anos, com as que já falei muitas vezes, a publicar ou partilhar no Facebook  posts contra os refugiados, contra o islão, contra a emigração...

 

De vez em quando o assunto vem à baila nas conversas do dia a dia e para grande espanto meu a maioria das pessoas ainda que não expresse directamente, parece de uma ou outra forma ser contra o acolhimento de refugiados em Portugal.

 

Em comum há sempre duas coisas, a situação do país e o medo ao que possa vir, e não vale a pena explicar que não são 5 ou seis mil pessoas que irão fazer a diferença na economia portuguesa, ou que os terroristas ou já cá  estão ou se quiserem vir não vão atravessar desertos e arriscar-se a morrer nas travessia do mediterrâneo, aliás, o que temos vistos é que há portugueses a ir combater na Síria e no Iraque ao lado do estado islâmico e esses vão para lá de avião.

 

Não percebo bem porquê nem desde quando, mas pelos vistos para o português médio, Sírio é sinónimo de terrorista e mesmo que venha com a mulher e os filhos pequenos, continua a ser terrorista e só pode vir para cá causar problemas.

 

O mais estranho é que esta conversa parece ser transversal a toda a sociedade portuguesa, porque ouvi o mesmo medo em pessoas de todas as classes sociais e níveis de instrução.

 

Estas conversas deixa-me sempre triste e irritado, primeiro porque há pessoas que me causam uma enorme decepção, porque na maior parte dos casos são pessoas com as que de uma ou outra forma trato  há anos e parece que afinal não as conhecia. Por outro lado a tristeza é muito maior porque é de seres humanos que estamos a falar e parece que a maioria desta gente os preferia ver a morrer já seja na miséria ou nas guerras civis dos seus países de origem.

 

Dizia Mia Couto há dois ou três anos no Estoril que ...há neste mundo mais medo de coisas más que coisas más propriamente ditas... nestas alturas percebemos o alcance das palavras do grande escritor Moçambicano. 

 

Quanto a mim, há pessoas que para as quais não voltarei a olhar da mesma forma, sempre tive mais ou menos a noção que o povo português é na sua génese racista e xenófobo, já não devia ser apanhado de surpresa, mas confesso que não tinha a noção de que somos tão medrosos e vivemos com tantos fantasmas à  nossa volta.

 

Se puderem vão ler o texto de Mia Couto sobre o Medo, aqui

 

Jorge Soares

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publicado às 22:23

Já não há pachorra.

por Jorge Soares, em 08.09.15

refugiados.jpg

 

Imagem de aqui

 

Porque já não há mesmo pachorra e já me começam a faltar as palavras, sobretudo quando alguém partilha uma petição online claramente xenófoba e até fascista, contra a entrada de refugiados em Portugal. Deixo o testemunho de alguém que consegue expressar o que eu sinto mas muito melhor escrito do que eu alguma vez conseguiria

 

Já não há pachorra.

 

1 - Pachorra para explicar que existem cerca de 4 milhões de refugiados sírios nos países limítrofes, Turquia, Iraque e Líbano,

 

2 - Pachorra para contra pôr que existe uma diferença entre ser vítima de pobreza endémica por razões sociais, o que infelizmente acontece em todos os países do mundo mesmo os mais desenvolvidos, e fugir com os nossos filhos para lhes dar uma hipótese de viver.

 

3 - Pachorra para explicar que os tão temidos guerrilheiros do estado islâmico não vieram da Síria para a Europa, mas que grande parte deles na realidade foram da Europa para a Síria.

 

4 - Pachorra para contra pôr que existe um estatuto totalmente diferente, mesmo legalmente, entre um refugiado e um imigrante, a permanência de um e de outro, obedecem a regras diferentes.

 

5 - Pachorra para explicar que defender a obrigatoriedade de civilização de apoiar inocentes, mulheres e crianças que fogem da guerra e da morte não significa que se defenda que portugueses ou quem quer que seja durma na rua ou passem fome numa altura do nosso desenvolvimento em que mais riqueza se produz.

 

6 - Pachorra para explicar que antes pelo contrário defender o apoio aos refugiados de guerra é também combater a pobreza e a exclusão, dado que pior que ter fome e dormir na rua, é ter fome, dormir na rua e temer pela vida a cada hora e a cada minuto que passa.

 

7 - Por fim pachorra para explicar o medo, pachorra para explicar que temos todos medo, temos medo do muçulmano, do moreno, do negro, do que não conhecemos, sem perceber uma coisa, os Sírios também fogem desse medo, fogem do "Estado Islâmico" e do medo que ele impõe, e o que procuram na Europa, nesta Europa, é o esclarecimento, a ordem, no fundo a CIVILIZAÇÃO que este continente ainda representa para eles e para muitos povos no mundo, deveríamos orgulhar-nos disso, do facto deles nos procurarem por causa disso.

 

Eu tenho medo de muitas coisas, mas não tenho medo que os meus netos se convertam ao islão, não tenho medo que as minhas netas usem burka, porque existe algo que eu sei...o esclarecimento, a civilização ganha sempre ao medo e à ignorância.

 

Pode demorar tempo, mas é essa a lição da história, no fim a ignorância perde sempre. E nós europeus deveríamos saber isso melhor do ninguém. Foi aqui neste continente que o "tempo das luzes" começou a derrotar o obscurantismo, foi aqui que começámos a colocar em causa os dogmas da religião e escolhemos a ciência para grande parte das nossas certezas.

 

Sou ateu, mas não islamofóbico, os meus netos serão o que bem entenderem e por isso não temo a reconquista islâmica do país a partir de um descampado de Silves, temo sim a estupidez do racialismo de um povo que há cerca de dois séculos atrás um viajante inglês descreveu como sendo tão marroquino que era quase negróide. Ficariam chocados de saber que temos geneticamente mais a ver com os sírios do que com os suecos?

 

Haverá maior confissão de fraqueza do que o facto de recusarmos ajuda devido ao medo de sermos conquistados culturalmente por um homem com fome e uma criança nos braços? Somos assim tão fracos como país com centenas de anos de história?

 

Por isso, publiquem os vídeos que quiserem retirados de contexto com refugiados na Hungria a rejeitar água sabe-se lá porquê, publiquem fotos de quão sujos e ingratos eles são, publiquem cartoons sobre o secreto plano árabe para nos conquistar.

 

Para mim suporto tudo isso para não ver mais nenhum miúdo de três anos afogado numa praia, chama-se a isso ser...europeu e civilizado.

 

PS - Sou descendente de judeus...e orgulho-me disso.

 

Paulo Mendes no Facebook

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publicado às 21:09

Vídeo - Diga não ao racismo

por Jorge Soares, em 16.04.15

 

 

Sem comentários.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 23:16

Discriminação.jpg

Imagem do Expresso

A semana começou com a noticia da morte de um adepto do Corunha, vitima da violência gratuita entre duas claques de futebol, de ideologias opostas mas unidas na utilização do futebol como desculpa para a violência gratuita,  que aparentemente combinaram um encontro em Madrid para se enfrentarem, não num jogo de futebol, mas sim numa luta em que valia tudo, até matar.

 

A meio da semana foi noticia a morte de Tugce Albayrak, uma jovem alemã que teve a coragem de sair em defesa de duas jovens Turcas que estavam a ser assediadas por um grupo de  energúmenos num restaurante de fast Food. Os homens saíram do restaurante e esperaram Tugce cá fora, onde a espancaram de tal forma que esta não sobreviveu.

 

Consta que os agressores já estão detidos, a noticia não diz nada sobre se as dezenas de pessoas que assistiram impávidas ao assédio às jovens turcas e à agressão a Tugce, mas se por mim fosse, estariam todas detidas também.

 

Ontem a noticia veio de Nova Iorque, nos estados Unidos, um tribunal decidiu não constituir arguidos os polícias que agrediram e sufocaram até à um jovem negro desarmado que vendia cigarros na entrada de uma loja, isto apesar de todo o incidente estar gravado num  vídeo que o mundo inteiro viu e onde qualquer pessoa normal pode ver que a morte se deveu a uso excessivo de força sem motivo.

 

Hoje, numa situação que para mim seria inacreditável num país que presumimos civilizado, ficamos a saber que em Marselha, França, as autoridades municipais vão obrigar os sem abrigos colar na roupa um triângulo amarelo como forma de identificação.

 

Para quem já não se lembra, durante a segunda guerra mundial os nazis obrigavam os judeus a utilizar uma estrela amarela como forma de identificação...  com o fim trágico que todos também abemos para quem utilizava tal marca.

 

Se reparamos bem, um triângulo é meia estrela... será que a seguir também os vão fechar em guetos?

 

Uma só semana, 4 países diferentes, em comum violência gratuita, racismo, discriminação, indiferença.... sou só eu que acho que algures a humanidade perdeu a perspectiva do que é viver em sociedade?

 

O que raio se está a passar com o mundo?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:52

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  142. N
  143. D