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Serei pobre ou irresponsável?

por Jorge Soares, em 06.10.16

classemedia.jpg

 

Retirado do Facebook

 

A crónica do Ricardo Campelo Magalhães no Jornal económico existe mesmo, aqui.

 

Estive a fazer as contas, e das duas uma, ou sou pobre ou sou irresponsável. É que mesmo tendo em conta que cá em casa há dois salários razoáveis, que pagamos uma prestação de casa muito baixa, que ambos os carros estão pagos, não são novos nem de marcas caras, mas estão pagos, não estou a ver como é que conseguia poupar o suficiente para chegar à idade da reforma com 500000 Euros acumulados.

 

E não, não vou jantar fora mais que duas ou três vezes por mês, e mesmo assim quando vou é a sítios onde raramente pago mais de 50 ou 60 Euros... para comermos os 5!

 

Também não tenho os últimos telemóveis e gadgets, o meu telemóvel é um iphone é verdade, comprei-o agora, novo, mas é um 5S, e custou menos de metade do que custa um da última geração, o anterior era um 4 e tinha mais de três anos, foi agora herdado pela minha filha mais velha.

 

Se calhar a irresponsabilidade é mesmo ter três filhos, ter que pagar roupa, médicos, colégios, atl's, actividades, livros, explicações, instituto de inglês.... se calhar se  não os tivesse e poupasse tudo isso... mas olhem que mesmo assim não sei se dava.

 

Até agora eu achava que me enquadrava na classe média, salários razoáveis, casa própria e quase paga, dois carros, educação para  mim e para os meus filhos... vida razoável.. afinal, e tendo em conta que a menos que me saia o Euro milhões nunca na vida vou conseguir poupar 500000 Euros, afinal sou pobre e ainda por cima irresponsável.

 

Não sei o que se poderá chamar a quem sobrevive e mantém uma  família com um salário mínimo ou ainda menos...

 

Sabem uma coisa? Acho que senhor ali da fotografia não faz a menor ideia do que diz. Para a grande maioria dos portugueses, classe média incluída, 500000 Euros é uma enorme fortuna!

 

Jorge Soares

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publicado às 23:06

O salário mínimo e as vantagens de ser rico

por Jorge Soares, em 18.05.14

Referendo na Suiça

 

Imagem do Público 

 

A Suíça costuma ser tema cá no blog principalmente devido aos muitos e variados referendos que por lá se vão fazendo, o sistema de governo Suíço está baseado na democracia directa e os suíços são consultados muitas vezes a propósito das mais variadas coisas.

 

Foi a propósito de um referendo em que saíram derrotadas as moções que pediam um aumento dos dias de férias e uma diminuição dos impostos que eu aqui disse que "nós nunca seremos suíços" e foi a propósito de um outro referendo em que os suíços decidiram fechar as suas fronteiras à comunidade europeia, que torci o nariz à democracia directa.

 

Hoje aconteceu um novo referendo, os suíços foram chamados às urnas a propósito de uma proposta dos sindicatos que sugeria um aumento do salário mínimo nacional. Por incrível que possa parecer a quem vive num país em que uma enorme franja da população ganha um salário mínimo de menos de 500 Euros, só 23 % dos votantes disseram sim a esse aumento, menos de um quarto dos eleitores.

 

Assim de repente parece dificil de entender, se olharmos com atenção não é assim tão estranho, vejamos:

 

A proposta dos sindicatos era de que o salário mínimo passasse a ser de 3200 Euros por mês, o mais alto do mundo. A proposta dos sindicatos tem por objectivo garantir que todos os trabalhadores tem um salário acima daquilo que, há falta de um valor legal para o salário mínimo, se considera um salário baixo, salário esse que está perto desse valor de 3200 Euros.

 

A percentagem de pessoas que estará abaixo desse limiar é de perto de 10% e pertence principalmente ao sector dos serviços pessoais (cabelereiros, cuidados corporais e de beleza, lavanderia,comércio, hotelaria e de restaurantes).

 

Ou seja, 90% dos trabalhadores suíços ganham muito acima desse valor e é portanto muito mais sensível aos argumentos dos partidos políticos que avisam para possíveis aumentos de preços nos serviços e do desemprego que viriam como consequência desse aumento de salário.

 

Por cá, onde cada vez há mais gente a ganhar verdadeiros salários de miséria, bastaria que quem ganha ou depende de alguém que ganha o salário mínimo ou pouco mais que isso,  fosse votar, para que o referendo tivesse o sim assegurado, é  a diferença entre um país rico como a Suíça e um país pobre como o nosso.

 

Diga-se de passagem que de cada vez que se fala num destes referendos e nos seus resultados, torço mais o nariz à democracia directa.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:03

Brasil, um país com dores de crescimento

por Jorge Soares, em 25.06.13

Brasil

 

Imagem do Pontos de vista

 

Até à semana passada o Brasil era o exemplo acabado de uma economia em crescimento acelerado, um exemplo de crescimento sustentado cheio de projectos e desejoso de mostrar ao mundo como é capaz de organizar tudo e mais alguma coisa. 

 

Bastou um aumento de poucos cêntimos nos transportes públicos para que emergisse uma realidade bem diferente, há uma enorme franja da população a quem todo este crescimento e prosperidade tarda a chegar. É verdade que a economia cresce a olhos vistos, mas também é verdade que este crescimento tarda em chegar aos mais pobres, aos trabalhadores, às favelas.

 

O país tem-se esforçado em mostrar ao mundo que consegue ser organizado, esforça-se por dar nas vistas, organiza cimeiras do meio ambiente, este ano é a Copa Federação, em 2014 será o mundial de futebol, em 2016 serão os jogos Olímpicos. No fim tudo isto se traduz em muitos milhares de milhões em investimento e terá de certeza um enorme retorno para a economia do país, mas para os mais pobres é dinheiro que se gasta e que a eles não lhes traz benefícios imediatos.

 

Os enormes e modernos estádios de futebol são construídos com vista previligiada para as enormes favelas onde milhões de pessoas tentam sobreviver no meio de uma enorme violência e insegurança, sem escolas suficientes, sem cuidados básicos de saúde, sem serviços básicos, sem transportes públicos, sem nada.

 

O Brasil é um país em crescimento acelerado, tão acelerado que no fim se traduz numa enorme desigualdade social, em quanto a classe média melhora o seu nível de vida  a olhos vistos, os mais pobres continuam pobres e sem sentir em nada as melhorias que os governantes não se cansam de vender ao mundo.

 

O Brasil é um país com enormes dores de crescimento, após dias e dias de manifestações com transmissão directa para todo o mundo por parte das centenas de jornalistas que estavam no país para cobrir a taça das federações em futebol, o governo tentou salvar a face voltando atrás com os aumentos dos transportes... mas era tarde, porque na realidade não é disso que se trata, trata-se sobretudo de uma luta contra a desigualdade, uma luta por uma distribuição equitativa dos benefícios, por uma utilização mais justa dos recursos, uma luta dos mais pobres para que alguém perceba que eles existem

 

Jorge Soares

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publicado às 00:15

 

 

Julgado por roubar um champô e uma embalagem de polvo

Imagem do Público

 

Um homem começou hoje a ser julgado no Porto por suspeita de ter tentado roubar uma embalagem de champô e outra de polvo, num dos supermercado “Pingo Doce”, daquela cidade, no ano passado. 

 

Este senhor foi apanhado com artigos no valor de 26 Euros, artigos esses que foram recuperados pelo segurança do supermercado... mas aposto que a este não há advogado ou recursos que o salvem...este vai ser condenado e pagar a sua pena.

 

Entre policia, funcionários do tribunal,juizes, advogados e restantes custos do processo, quanto irá custar ao estado este caso? e o que vai ganhar o Pingo Doce, que até já recuperou os produtos, com isto?

 

Para que serve um caso destes para além de entupir os já mais que congestionados tribunais?, o senhor será no pior dos casos condenado a pagar uma multa, que será traduzida em pena de prisãocaso ele não tenha forma de a pagar...

 

Em Novembro do ano passado, um sem-abrigo foi julgado por ter sido apanhado a roubar seis chocolates no valor de 15 euros numa loja Lidl, em Agramonte, no Porto..

 

É verdade que um crime é um crime, mas será tudo isto mesmo necessário?

 

Alguém se lembra do Carlos Cruz e dos restantes condenados da Casa Pia? e dos que fizeram desaparecer milhões no caso BPN?, e do Isaltino Morais e dos seus recursos? Não, porque esses tem dinheiro, bons advogados e muitas formas de evitar que se faça justiça. Aliás, o carlos Cruz está a virar de novo figura pública e em breve vai voltar a ser o senhor televisão.... 

 

É suposto a justiça ser cega, mas tem mesmo que ser burra?

 

Jorge Soares

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publicado às 22:06

Os ricos não pagam a crise

Imagem do 5 dias

 

Antes de mais um esclarecimento, eu sou dos que acha que o pagamento de impostos é uma obrigação e um dever de todos, um dos principais motivos que nos levaram ao estado em que estamos é que existe uma enorme percentagem de gente que utiliza todos as formas possíveis e imaginadas para não pagar... sou portanto a favor da criação deste imposto aos mais ricos e de que se criem todos os mecanismos possíveis para que ninguém possa fugir aos seus deveres e obrigações com o estado.

 

Entretanto tenho seguido com alguma atenção toda esta história e confesso, de tanto ler e ouvir estou baralhado  e neste momento quando alguém fala em imposto aos mais ricos, não sei o que isso possa significar.

 

Se não vejamos: No ionline alguém diz que "Imposto sobre os 100 mais ricos de Portugal salvava subsídio de Natal", tentei perceber como chegam ao valor de 570 milhões de Euros, em vão... mas tenho sérias dúvidas sobre a realidade de tais números.

 

Em França, que é de onde se está a tentar seguir o exemplo, foi criado um imposto que pode ir até 3% do valor anual declarado de quem ganha mais de 500 mil Euros, no nosso país esta taxa iria afectar umas poucas dezenas de contribuintes e teria um beneficio para o estado de umas poucas dezenas de milhões de Euros, muito longe portanto das 5 centenas de milhões de que se fala acima.

 

Visto deste este ponto de vista, e tal como se diz nesta outra noticia do ionline, esta medida seria principalmente simbólica, o seu efeito real nas contas seria isso, simbólico, ainda que não deixe de ser da mais elementar justiça que quem pode pague mais que quem não pode, seja o detentor de fortuna trabalhador ou não.

 

Certo é que quanto mais leio e ouço, menos percebo o porquê de tanto alarido à volta de tudo isto, assim como não percebo porque continuam sem se taxar as mais valias financeiras e os lucros de capital.. isso sim medidas que fariam toda a diferença.... mas isto sou eu e a minha ignorância, se alguém souber do que realmente estamos a falar, faz favor de me explicar.

 

Jorge Soares

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publicado às 13:57

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