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Votar para abdicar da privacidade?

por Jorge Soares, em 27.09.16

privacidade.jpg

 

Imagem da internet 

 

A noticia é da RTP e diz :  "Suíços abdicam da privacidade em prol dos serviços secretos" no domingo passado, em mais um dos muitos referendos que se fazem no país helvético, mais de 65 % dos Suíços votaram a favor de uma  lei que vai permitir aos serviços  secretos espiolhar as vidas privadas dos cidadãos.

 

Isto acontece na mesma semana em que em Portugal se armou um enorme burburinho porque o governo enviou para aprovação do presidente da república, uma lei que permitirá aos bancos avisarem o fisco de qualquer um que tenha contas bancárias com mais de 50000 euros...  aposto que há muita gente por aí a rezar para que Marcelo vete a lei... é que há coisas que são dificeis de explicar ao fisco.

 

Curiosamente também aconteceu na mesma semana em que a minha filha mais velha ouviu falar de um senhor chamado Edward Snowden, que como se recordarão ficou conhecido porque mostrou ao mundo que  os serviços secretos americanos espiolhavam a vida privada não só dos americanos, como de muita gente mais ou menos importante pelo mundo fora.

 

Ela considera o senhor digno da maior admiração porque foi capaz de gritar ao mundo o que já todos mais ou menos sabíamos mas ninguém se atrevia a dizer e/ou a provar. 

 

Tal como ela aplaudo a atitude de Snowden, mas confesso que ante os últimos ataques terroristas e tendo a certeza que se tal como dizem os países Europeus, é verdade que se tem evitado muitos ataques terroristas nos últimos tempos, isto se deve a que algures há máquinas e sistemas a trabalhar e pelos vistos a funcionar bem. 

 

Tentei explicar à minha filha que entre o preto e o branco, há muitos  tons de cinzento pelo meio e que se calhar há alturas em que os fins justificam os meios....  acho que não tive muita sorte, talvez porque nem a mim me consigo convencer.

 

O problema de tudo isto é que dificilmente se conseguem impor limites ou controlar até onde chega quem tem as máquinas e o poder de as utilizar.. e depois acontece como nos Estados Unidos, começa-se por escutar os terroristas e termina-se a ouvir os telefonemas dos lideres de outros países sem importar muito se são amigos ou inimigos.

 

Na Suíça há algo que querem chamar democracia directa e tudo é referendável, desde os minaretes das mesquitas até à privacidade do cidadão, passando por se podem ou não expulsar  emigrantes... Em muitos casos o populismo leva a melhor e no fim dá asneira... como acho que aconteceu neste caso.

 

Em Portugal felizmente confiamos nas instituições para fazer as leis, o que será que acontecia se se fizesse um referendo para decidir se quem tem mais de 50000 Euros no Banco  tem ou não que explicar ao fisco de onde saiu o dinheiro? Ou se quem, tem património imobiliário com valor superior  a x mil euros tem que pagar um imposto especial?

 

Não é nada fácil decidir o que significa democracia directa ou o que é ou não privacidade.... mas eu teria uma enorme dificuldade em ser Suíço.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:17

Na FIFA no pasa nada!

por Jorge Soares, em 28.05.15

fifa_blatter_crisis.jpg

 

Imagem de aqui

 

O futebol é pródigo em criar figuras, na sua grande maioria o mais perto que estiveram do jogo foi nas tribunas vips dos estádios, mas estão sempre por perto quando se assinam contratos milionários já seja com jogadores ou com patrocinadores.

 

Blatter é o exemplo fiel destas eminências pardas, economista de profissão, não consta que alguma vez tenha sequer jogado futebol, mas teve o engenho suficiente para durante o consulado de João Havelange saber mover as peças de forma a em 1998 ser eleito o sucessor do brasileiro e manter-se no poder até agora.

 

O que acontece na FIFA não é de agora, desde há muito que a troca de influências e até a compra de votos principalmente na eleição dos países sede dos mundiais, são muito mais que um rumor, só é difícil de perceber como é que com tanta gente a comentar e a falar do assunto, só agora alguém decidiu tomar medidas.

 

Ontem a única opinião em contra do que está a acontecer na Suíça veio da Rússia, os dirigentes russos acusam os Estados Unidos de estarem a impartir justiça fora do seu país. Não será por acaso que a eleição da Rússia como organizadora do próximo mundial está no centro do furacão.

 

A escolha do Qatar como sede do mundial de 2022, um país sem estádios, sem futebol e com temperaturas no verão a rondar os 50 graus, é outro exemplo de como se fazem as coisas na FIFA. Para além do governo do Qatar e dos dirigentes da FIFA, ninguém acha que o mundial se deva jogar lá, mas o certo é que foi este o país eleito, e nem as provas de que os estádios e infra-estruturas estão a ser construídas com recurso a mão de obra escrava, conseguem convencer os todo poderosos senhores que mandam no futebol mundial de que há algo de errado.

 

Não acredito que  o timing escolhido pelas autoridades Suíças e Americanas para deter os suspeitos tenha sido inocente, as eleições da FIFA são amanhã, a prisão de vice presidentes e outros dirigentes destacados da cúpula do futebol mundial deveria ser um sinal claro para Blatter e sus muchachos.

 

Num mundo normal ante um escândalo como este Blatter, afinal o principal responsável, pediria a demissão e as eleições seriam adiadas até ao aparecimento de candidatos sérios, mas na FIFA e no futebol nada parece ser normal. Não só se mantém as eleições como continua a ser quase garantido que o senhor será reeleito e talvez com uma ou outra mudança de cara, vai ser difícil que quem está preso tome pose nos cargos, tudo continuará igual.

 

E há quem ache que estas coisas só acontecem por cá.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:39

O salário mínimo e as vantagens de ser rico

por Jorge Soares, em 18.05.14

Referendo na Suiça

 

Imagem do Público 

 

A Suíça costuma ser tema cá no blog principalmente devido aos muitos e variados referendos que por lá se vão fazendo, o sistema de governo Suíço está baseado na democracia directa e os suíços são consultados muitas vezes a propósito das mais variadas coisas.

 

Foi a propósito de um referendo em que saíram derrotadas as moções que pediam um aumento dos dias de férias e uma diminuição dos impostos que eu aqui disse que "nós nunca seremos suíços" e foi a propósito de um outro referendo em que os suíços decidiram fechar as suas fronteiras à comunidade europeia, que torci o nariz à democracia directa.

 

Hoje aconteceu um novo referendo, os suíços foram chamados às urnas a propósito de uma proposta dos sindicatos que sugeria um aumento do salário mínimo nacional. Por incrível que possa parecer a quem vive num país em que uma enorme franja da população ganha um salário mínimo de menos de 500 Euros, só 23 % dos votantes disseram sim a esse aumento, menos de um quarto dos eleitores.

 

Assim de repente parece dificil de entender, se olharmos com atenção não é assim tão estranho, vejamos:

 

A proposta dos sindicatos era de que o salário mínimo passasse a ser de 3200 Euros por mês, o mais alto do mundo. A proposta dos sindicatos tem por objectivo garantir que todos os trabalhadores tem um salário acima daquilo que, há falta de um valor legal para o salário mínimo, se considera um salário baixo, salário esse que está perto desse valor de 3200 Euros.

 

A percentagem de pessoas que estará abaixo desse limiar é de perto de 10% e pertence principalmente ao sector dos serviços pessoais (cabelereiros, cuidados corporais e de beleza, lavanderia,comércio, hotelaria e de restaurantes).

 

Ou seja, 90% dos trabalhadores suíços ganham muito acima desse valor e é portanto muito mais sensível aos argumentos dos partidos políticos que avisam para possíveis aumentos de preços nos serviços e do desemprego que viriam como consequência desse aumento de salário.

 

Por cá, onde cada vez há mais gente a ganhar verdadeiros salários de miséria, bastaria que quem ganha ou depende de alguém que ganha o salário mínimo ou pouco mais que isso,  fosse votar, para que o referendo tivesse o sim assegurado, é  a diferença entre um país rico como a Suíça e um país pobre como o nosso.

 

Diga-se de passagem que de cada vez que se fala num destes referendos e nos seus resultados, torço mais o nariz à democracia directa.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:03

É isto a democracia directa!

por Jorge Soares, em 10.02.14

Não à emigração

 

Imagem do Público

 

 

Na maioria das vezes em que aqui se fala da Suíça é porque aconteceu mais um referendo, primeiro foi o referendo aos minaretes, depois foram os referendos à diminuição de impostos e ao aumento dos dias de férias, ambos derrotados, hoje para não variar temos mais um referendo, referendo à manutenção da livre circulação de pessoas, o que na realidade se traduz, como: referendo à emigração.

 

Ouvimos muitas vezes o termo democracia directa, isto é a democracia directa, o que aconteceu este fim de semana na Suíça é isso mesmo, democracia directa, metade e mais um bocadinho dos suíços, 50,3 %, decidiu que estava na hora de atirar os acordos com a união europeia às malvas e voltar a fechar as fronteiras à emigração.

 

A Suíça é desde há muito um dos principais destinos da emigração portuguesa, mas não só, quase um quarto da população do país é constituído por emigrantes. 

 

Acontece que anexado ao acordo de livre circulação havia uma série de outros acordos que hoje estão em causa, a Suíça será, até pela sua situação física no mapa da Europa, o país de fora da união europeia que mais relações tem com a  comunidade, agora tudo isso está posto em causa e resta saber até que ponto haverá no seio da comunidade a força suficiente para fazer cumprir as regras à letra.

 

Assim de repente o que parece é que quem tem mais a perder com tudo isto é a Suíça e os suíços, há por exemplo muitíssima gente que vive em França, na Itália, na Alemanha e que trabalha na Suíça, a implementação de controlos nas fronteiras e o fim dos acordos comerciais iria tornar tudo isto quase impossível.

 

Há uns meses a Espanha decidiu implementar os controlos normais na fronteira com Gibraltar, que é fora do espaço Schengen, e foi o caos, imaginem-se o que seria implementar estes controlos nas fronteiras Suíças.

 

Por outro lado, a Europa não depende do mercado Suíço, poderia viver perfeitamente com uma ilha no meio, a Suíça está rodeada pela União Europeia, é até difícil de imaginar como seria a vida deste país de costas voltadas para todos os seus vizinhos se estes levassem as regras à letra e deixassem mesmo cair os tratados.

 

Há muito quem advogue as vantagens da democracia directa, hoje vemos as desvantagens, nem sempre as pessoas tem a capacidade de ver o filme todo, os referendos servem muitas vezes para avalizar as vontades de governantes sem escrúpulos que fazem do populismo uma forma de governo.

 

Não há sistemas perfeitos, mas eu confesso que entre a nossa democracia representativa e esta em que tudo se pode questionar e referendar, e em que muitas vezes se vota ao sabor do momento e dos interesses pessoais, eu prefiro o nosso.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:11

Ainda as pensões, como seria um sistema justo?

por Jorge Soares, em 16.10.13

Reformas

Imagem do Público

 

Ainda ninguém me esclareceu se os deputados descontam para a segurança social ou não, continuo sem perceber como é que são as contas da ex-deputada Celeste Correia de que falei há dois dias.

 

Entretanto hoje ficamos a saber pelo DN que não são só as figuras ali na fotografia que acumulam reformas milionárias,  Rui Machete, sim, o das acções do BPN e das confusões com Angola, acumulou durante o ano 2012 um total de 132 484 euros, o que dá uma media de mais de 11 mil Euros por mês... não sei se percebi bem, mas acho que são três as pensões que o senhor acumula, incluindo uma vitalícia por ter sido político por e ter estado mais de 8 anos a contribuir para a situação em que estamos.... agora alguém me diga que o senhor descontou para isso e que acha estes valores justos.


Falando de justiça, deixo à vossa consideração um vídeo que alguém me deixou nos comentários do post sobre as pensões de sobrevivência..é sobre o sistema de pensões na Suíça, um país que muitos portugueses escolhem para viver e que muitos mais admiram pela forma como as coisas funcionam muito melhor que por cá.... eu não sou Suíço e nem sou dos que acha que a Suíça é o arquétipo da perfeição... mas no que toca a pensões, eu não me importava que por cá se copiasse o bom exemplo.... porque como se diz algures no vídeo, O importante é que o estado garante o essencial aos mais carenciados, evitando a pobreza na velhice.


Ouçam com atenção e pensem se faz ou não sentido

 

Um país bem diferente do nosso.... sem dúvida, acham que para melhor ou para pior?
Jorge Soares
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publicado às 22:33

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