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espirito santo.jpg

Imagem de aqui

 

Ontem à noite o noticiário abriu com imagens da Cidade de Espírito Santo no Brasil, com a policia em greve a violência e o crime desataram-se. No ecram sucedem-se as imagens de violência, lojas pilhadas, tiroteios e corpos espalhados. Não soubéssemos que tudo isto se passa no Brasil e bem que podiam ser imagens das guerras civis da  Síria ou do Iraque, tal o grau de violência que nos entra pelos olhos dentro.

 

As últimas imagens são as dos camiões militares a despejar soldados armados até aos dentes enviados pelo governo brasileiro para tentarem tomar conta da situação. 

 

Por momentos voltei à Caracas de 27 de  Fevereiro de 1989, quando os protestos pelo aumento dos transportes degeneraram numa espiral de violência que deixaram centenas de mortos e milhares de lojas saqueadas. Recordo que a situação só começou a acalmar quando o governo despejou milhares de soldados como os da fotografia por toda a cidade.

 

Ontem não foi fácil explicar aos meus filhos o que se estava a passar nas imagens da televisão, após perceberem a questão foi imediata: 

 

- Cá pode acontecer?

 

Não, cá não pode acontecer, primeiro porque por cá a policia não pode fazer greve e segundo, porque, mesmo que a polícia fizesse greve, o nível de violência e civismo da sociedade portuguesa não tem nada a ver com os do Brasil ou da Venezuela.

 

Há quem ache que em Portugal há criminalidade e insegurança, é nestas alturas, quando temos um nível de comparação com o que se passa noutros países e noutras sociedades, que percebemos que afinal... vivemos no céu... só que não sabemos.

 

Jorge Soares

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publicado às 13:15

Shame on you Angola

por Jorge Soares, em 20.10.15

luaty2.jpg

 

Imagem do Facebook  de Sofia Zambujo

 

Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade,

mas sim a verdade.

A liberdade não é um fim, mas uma consequência.

Leon Tolstoi

 

José Eduardo dos Santos, que está no Poder desde 1979 e as únicas eleições a que se submeteu, foram a origem de uma guerra civil que deixou milhares de mortos... não se sabe quando vão ser as eleições.....

 

Escrevi a frase acima algures em 2009 num post sobre o Hugo Chaves, já choveu bastante em Angola e na Venezuela desde então, entretanto  "el comandante" foi-se e deixou no seu lugar um senhor que recebe os seus recados através do canto dos passarinhos e para a desgraça ser completa, o petróleo passou dos 100 para os 50 dólares por barril.

 

Na Venezuela o que mudou foi para pior, Angola terá mudado muito neste período de tempo, os dólares do petróleo converteram Luanda na cidade mais cara do mundo e alguns angolanos nos melhores clientes das lojas de luxo de Lisboa. Infelizmente todo esse dinheiro e aparente prosperidade não chegaram a quem mais precisa e ao mesmo tempo que cresciam os edifícios na cidade, crescia também a miséria, a insegurança e as desigualdades.

 

Era contra essa miséria e desigualdades que  erguiam as suas vozes Luaty Beirão e outros 14 jovens activistas  que foram detidos durante uma acção de formação de intervenção cívica e política, com base no livro “Da Ditadura à Democracia”, de Gene Sharp.

 

Luaty e os outros 14 jovens estão presos à quase quatro meses  acusados de um crime político, segundo o governo angolano, os jovens estariam a preparar uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, mesmo que isto fosse verdade, este é  crime que admite liberdade condicional até ao julgamento, liberdade que tem sido negada aos jovens.

 

Luaty está em greve de fome há 29 dias em protesto por não ter sido libertado após o prazo máximo de prisão preventiva.

 

Tal como a Venezuela, Angola é um país com enormes recursos naturais, tal como na Venezuela toda essa riqueza parece que se desvanece em fumo por entre as mãos dos seus dirigentes e pouco ou nada chega a quem verdadeiramente precisa, o seu povo.

 

Luaty e os outras 14 jovens são a voz desse povo, não deixemos que os políticos calem essas vozes.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:59

kliverroa.jpg

 

Imagem de aqui

 

O jovem da imagem chamava-se Kluiverth Roa, tinha 14 anos e há quem diga que nem se estava a manifestar, estava simplesmente por ali e cometeu o erro de gritar "parem com a repressão" aos polícias que de arma em punho tentavam silenciar os estudantes universitários que se manifestavam contra a inflação e a escassez de comida.

 

Kluiverth morreu de um disparo na cabeça, é o sexto estudante morto pelas forças policiais do estado desde o inicio das manifestações de estudantes há uma semana.

 

A situação social na Venezuela está a chegar a um estado de completa degradação, à insegurança, durante o ano 2014 foram assassinadas no país mais de 25000 pessoas, juntou-se uma inflação anual que está perto de atingir os 3 dígitos e a falta de bens de primeira necessidade.

 

O petróleo tornou-se na única fonte de recursos da Venezuela, com a descida dos preços para menos de 50 dólares por barril e o estado deplorável das infra-estruturas petrolíferas do país, levaram a uma descida abrupta da entrada de dinheiro.

 

A falta de dinheiro para a importação de matérias primas levou ao encerramento da maior parte das industrias nacionais e ao quase completo desabastecimento do mercado, para conseguir comprar qualquer produto de primeira necessidade, desde papel higiéncio a farinha, são necessárias horas e horas nas filas dos supermercados.

 

É contra este estado de coisas que se manifestam os jovens estudantes Venezuelanos, a resposta de Nicolás Maduro e do seu governo é enviar as forças militarizadas com armas de fogo para a rua, o que se traduz em forte repressão e em pelo menos seis estudantes mortos só numa semana.

 

Nicolás Maduro foi eleito em eleições democráticas, mas não é a forma como são eleitos os seus governantes que definem o tipo de governo de um país, em democracia o governo é eleito pelo povo e para o povo, neste momento o governo que foi eleito pelo povo parece estar no poder não para o povo mas sim contra o povo.

 

Durante o último ano foram utilizados todos os pretextos legais e ilegais para silenciar os protestos do povo, o principal dirigente da oposição está preso desde há mais de um ano porque pediu ao povo que se manifestasse contra a situação no país, durante o último ano foram presos para além de estudantes, políticos da oposição  e até o governador da Capital Caracas.

 

Enquanto o governo usa as forças policiais para reprimir os protestos do povo, há dirigentes do partido de governo que são acusados de dirigirem redes internacionais de tráfico de drogas e a corrupção faz desaparecer uma boa parte dos muitos milhões que entram no país.

 

Calcula-se que só em 2013 tenham entrado no país quase 140 000 milhões de Dólares proveniente da venda do petróleo, para onde foi todo este dinheiro? ninguém sabe.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:12

SOS Venezuela 

 

 

Se a morte é a única certeza da vida, que não seja por pensar diferente

 

Si la muerte es lo único cierto en la vida, que no sea por pensar diferente 

 

Já passam de quarenta os mortos durante os protestos do povo venezuelano contra o governo de Nicolás Maduro, quantos mais serão necessários?

 

Jorge Soares

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publicado às 13:00

Estudantes

Vivo num país onde os estudantes somos terroristas e os ladrões heróis da patria

Vivo en un pais donde los estudiantes somos terroristas y los malandros heroes de la patria

 

 

 

17 minutos de reflexão, tiren as vossas próprias conculsões
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publicado às 23:20

SOS Venezuela - 3000 Cadeiras vazias para sempre

por Jorge Soares, em 15.03.14

SOS Venezuela, 3000 cadeiras vazias para sempre

 

 

 

3000 sillas vacías para siempre, 3000 cadeiras vazias para sempre.

 

Protesto público contra a delinquência na praça Saddel em Caracas, 3000 cadeiras vazias para sempre, correspondem às mais de 3000 pessoas que foram vitimas de assassinato por parte de delinquentes comuns na Venezuela só durante o mês de Janeiro.

 

Os protestos que acontecem há mais de um Mês na Venezuela tiveram o seu início numa manifestação contra a violência que aconteceu após a violação de uma estudante dentro do recinto da Universidade de los Andes em Mérida.

 

É contra isto que se protesta na Venezuela, contra a violência que todos os anos mata milhares de pessoas no país, muitas mais que em algumas guerras civis,  e contra um sistema e um governo que durante 15 anos não foram capazes de combater a violência a corrupção e a delinquência.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:51

Queremos paz, sem roubos e sequestros, queremos paz sem pobreza

 

Imagem de aqui

 

Vai fazer um mês que o povo da Venezuela começou a sair à rua, numa luta que iniciaram os estudantes mas que pouco já é da maioria da população. Uma luta desigual em que o povo armado com palavras e consignas se enfrenta com a Guarda Nacional Bolivariana e as forças paramilitares afectas ao regime.. uma luta que começa sempre por ser pacifica mas que na maior parte das vezes termina com manifestações dispersas com o uso da força e à lei da bala.

 

O saldo oficial até agora vai nos 21 mortos, centenas de feridos e milhares de presos, entre os quais o principal dirigente da oposição Leopoldo Lopes.

 

Na última semana Nicolás Maduro fez um chamado aos colectivos chavistas, grupos armados  afectos ao regime, para que ajudem a reprimir os protestos, o resultado foi um endurecimento dos enfrentamentos que só no primeiro dia se saldou em três mortos, um dos quais uma agente do Sebin, a policia politica do regime,  morta pela policia de Chacao quando tentava introduzir à força três jovens estudantes numa viatura descaracterizada.

 

A Venezuela é um dos países com mais recursos do mundo, é o terceiro produtor de petróleo, todos os dias entra muitos milhões de dólares provenientes da renta petrolífera, apesar de tudo isto e ao contrário do que por vezes se tenta fazer passar, a generalidade da população está cada vez mais pobre, e ninguém sabe para onde vai todo esse dinheiro.

 

Só nos dois primeiros meses do ano ocorreram mais de 200 assassinatos no país, as estatísticas dizem que é o segundo país mais inseguro do mundo tendo em conta o número de assassinatos por cada 100 mil habitantes.

 

O chavismo está no poder há 15 anos, é verdade que ganharam muitas eleições, mas também é verdade que o país está hoje muito mais inseguro, o governo controla os meios de comunicação e a censura está instalada, a corrupção não pára de aumentar, não há praticamente industria para além da petrolífera, a que existe foi nacionalizada e está práticamente parada devido à falta de divisas para importações de matérias primas. Há uma enorme escassez de bens essenciais e em lugar de diminuir, a desigualdade entre os poucos ricos e os muitos pobres é cada vez maior.

 

A democracia é cada vez mais uma miragem, o povo está farto e o país está neste momento entre uma ditadura à imagem da que governa Cuba há quase 50 anos e uma guerra civil.

 

Tirem 5 minutos e vejam com atenção o seguinte vídeo onde se explica porque lutam os jovens Venezuelanos:

 

 

 

 

Jorge Soares
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publicado às 22:32

Venezuela, pode o povo mudar o rumo de um país?

por Jorge Soares, em 24.02.14

SOS Venezuela

Imagem do El Universal

 

A atenção do mundo tem estado centrada na Ucrânia, entretanto no outro lado mundo, na Venezuela, os confrontos tem-se repetido todos os dias um pouco por todo o país. A contagem oficial dos mortos durante os protestos ia hoje em 16 ou 17, todos do mesmo lado, na sua maioria jovens estudantes já que tem sido estes que mais tem  estado na primeira linha dos protestos de rua.

 

A meio da tarde o meu amigo António escrevia o seguinte no Facebook:  "Só para lembrar, a propósito da Ucrânia, que afinal ainda é possível que o POVO faça uma revolução." 

 

É um pensamento que já me tinha ocorrido, mas olhando para situações paralelas, fico a pensar... terá sido mesmo o povo?

 

Disse há uns dias que na Ucrânia não havia uma luta pelo poder e sim uma luta de interesses. A Venezuela não tem nada  a ver com a Ucrânia, a Ucrânia é um país pobre e sem recursos, a Venezuela é um país pobre mas que tem todos os recursos e condições para ser um país rico... tudo menos governantes à altura da situação.

 

Há uns dias eu escrevi aqui que a Venezuela estava entre a Ditadura e a Guerra Civil, neste momento e apesar de que o povo teima em não desistir, parece evidente que a ditadura está a vencer a guerra das ruas. O principal dirigente da oposição está preso, há sedes de partidos e  casas de políticos da oposição invadidas pela polícia sem qualquer sem ordem judicial. Os meios de comunicação nacionais estão praticamente amordaçados e fazem autênticos malabarismos para informar sem chatear muito o governo, os internacionais ou já viram o seu sinal silenciado ou são todos os dias ameaçados de que lhes pode acontecer o mesmo. Todos os dias há registos de  jornalistas nacionais e internacionais, incluindo um português, agredidos e impedidos de fazer o seu trabalho.

 

Todos os dias há relatos de agressões, prisões injustificadas, mortes, tortura e nos últimos dias, até desaparecidos.

 

Entretanto o que faz o governo? Para além de tentarem esconder a realidade do mundo e fingir que nada está a acontecer, usam fórmulas que se utilizaram há décadas noutros lugares, deitam a culpa ao tio Sam, à Cia e aos restantes fantasmas que vem do norte, por tudo o que acontece.

 

Nicolás Maduro é cada vez mais uma pobre caricatura de um presidente da República, alguém que parece que mais de que por Chavez, aprendeu por uma cartilha de outros tempos já completamente ultrapassada e para quem o único que interessa é  mesmo o poder.

 

Só há uma coisa pior que um ditador, um fantoche com poder... e não há duvida que neste momento é isso que existe na presidência da Venezuela, um fantoche com poder.

 

Resta saber quanto conseguirá aguentar mais o povo e o que será necessário para que o mundo olhe para a o país e perceba que há ali muito em jogo, principalmente para quem tenta todos os dias sobreviver à delinquência e ao desgoverno....

 

Só mais um detalhe, portugueses de várias gerações, são perto de 500 mil.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:42

Venezuela, entre a ditadura e a guerra civil

por Jorge Soares, em 16.02.14

Venezuela

 

Imagem do Público 

 

Quando é que um regime que foi eleito pelo povo perde a legitimidade?

 

O que teme um governo que para além de manter toda a comunicação social publica e privada controlada, decide retirar das plataformas de cabo e da internet o sinal de um canal internacional que está a transmitir em directo, ao contrário dos canais nacionais, as manifestações e protestos organizados pelos estudantes em todo o país?

 

Na única noticia que vi na televisão portuguesa sobre o que está a passar em Caracas, ouvi Nicolás Maduro ameaçar o povo e a oposição com a radicalização da revolução e a utilização das armas para a defender, se os protestos continuarem.

 

Durante muito tempo defendi Chaves, não pela forma como governava mas sim pela legitimidade dos seus governos, confesso que não pude evitar sentir um arrepío na espinha ao ouvir aquelas palavras da boca de um presidente da República de um país onde supostamente existe uma democracia. Que tipo de governante ameaça o seu povo com a utilização das armas para o fazer calar?

 

Os protestos que se iniciaram nos estados Andinos da Venezuela e que rápidamente se estenderam a Caracas e a  praticamente todo o país, são contra as super degradadas condições económicas que derivam de uma inflação de mais de 50% e contra as condições de insegurança que pioram todos os dias e que convertem o país no segundo a nível mundial no número de homicídios.

 

O que faz Nicolás Maduro ante esta situação? Envia grupos paramilitares armados para enfrentar as manifestações. Força o encerramento dos jornais impressos ao não autorizar a importação de papel, controla os meios de comunicação  nacionais ameaçando com o encerramento a quem difunda noticias que mostrem a situação real do país e corta o sinal aos canais internacionais, chegou inclusivamente a impedir a difusão de fotografias no Twitter para evitar que os estudantes  o utilizem, e às restantes redes sociais, para mostrar ao país e ao mundo o que se passa nas ruas... Neste momento existe na Venezuela uma censura de facto.

 

A Venezuela é um dos países com mais recursos naturais do mundo, é o terceiro produtor mundial de petróleo, apesar de nos últimos 10 anos terem quase destruído a industria petrolífera, continuam a entrar milhões de dólares todos os dias no país. Para onde vai todo esse dinheiro?, ninguém sabe.

 

Chavez, Maduro e o seu partido estão no governo há 15 anos, nestes 15 anos em lugar de melhorar, a situação económica piorou todos os dias.

 

Chavez chegou ao poder principalmente devido à enorme desigualdade que existia no país, passados 15 anos, os pobres continuam pobres, vivem praticamente nas mesmas condições em que viviam antes, a população do país praticamente duplicou, os ricos são os mesmos, os pobres são muitos mais e a desigualdade social, a insegurança e a corrupção aumentaram de forma dramática.

 

Hoje vi Nicolás Maduro ameaçar os estudantes e o país com a imposição do poder pela via das armas, o que vi não é digno de um presidente democraticamente eleito, é digno de um qualquer ditador de república das bananas do século passado...  

 

Em 1958 A Venezuela foi o primeira democracia da América latina, não me parece que o povo esteja disposto a ter a primeira ditadura do século XXI, esperemos que Chavez mande de novo algum passarinho cantar ao ouvido de Maduro e que lhe mostre que o povo está primeiro e que não vai aguentar muito mais.

 

Desde aqui, de todo coração desejo o melhor para um povo e um país que aprendi a amar e que levo no coração como o meu...

 

La lucha del  pueblo venezolano es por un país onde se pueda vivir con justicia, paz y libertad, por favor no se rindan!

 

Update: Vídeo - O que está a acontecer na Venezuela?

 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:08

Nelson Arraiolos

 

Imagem do Público

 

Nelson Arraiolos está desempregado, já escreveu a Cavaco Silva a informar que não vai pagar mais impostos, já andou de autocarro sem pagar, com isso conseguiu ser noticia e de algum modo chamar a atenção para as suas dificuldades e para as dificuldades que passam todos os desempregados deste país.


Agora Nelson anunciou que vai dar um novo passo:


“Ao meio-dia, nesta quarta feira, 4 de Dezembro, Nelson Arraiolos irá deslocar-se ao Pingo Doce do Rossio, Rua 1.º Dezembro, 67-83, 1200-358 Lisboa, entrará no supermercado, pegará num quilo de arroz e sairá sem pagar.”


Anunciado assim com a morada completa, o dia e a hora certa, tem algumas coisas garantidas, a presença de muita gente que o irá aplaudir, da comunicação social que irá narrar tudo como se de um derby de futebol se tratasse e de certeza absoluta a presença da polícia, que evidentemente evitará a subtracção do arroz, levantará o correspondente auto e espera-se, deixará o Nelson ir à sua vida, com mais uns problemas para resolver.

 

Basta ler as noticias online para se perceber que há muita gente a aplaudir a atitude do Nelson, lamento, mas eu não vou por aí, percebo que o Nelson não consiga pagar os impostos e portanto deicida adiar esses pagamentos, entendo que decida não comprar o passe, mas já não entendo esta ideia de ir buscar comida ao supermercado sem pagar, isso chama-se roubar.

 

O desemprego em Portugal anda perto dos 20%, imaginemos que de repente todos os desempregados passavam a ir aos supermercados, enchiam os carrinhos e saiam sem pagar? O que acontecia à economia se de repente 20 das população deixasse de pagar o que compra? Quantos supermercados teriam que encerrar as suas portas e em quanto contribuiria isso para o desemprego?

 

É suposto isto ser um acto simbólico? Concordo, mas convém que o Nélson explique isso bem, pedir a desobediência pode ser um pau de dois bicos, pode  ser que haja quem se ache no direito de fazer o mesmo e  a coisa corra mal...

 

Há duas ou três semanas na Venezuela, Nicolás Maduro o presidente da República,  decidiu vender mais baratos os electrodomésticos de uma loja.. nos dois dias seguintes a maioria das lojas de electrodomésticos do país  foram saqueadas, muita gente encheu as casas de televisões, ipads, computadores  e torradeiras e agora vai demorar muito até que alguém volte a abrir uma loja em Caracas, entretanto milhares de pessoas ficaram desempregadas e o país ficou mais pobre... tudo em nome do populismo bolivariano e presidencial.

 

Já agora uma questão, acabo de ler que o Nelson vive no Bombarral, porque vir fazer isto a Lisboa? sempre poupava o dinheiro da viagem... não?

 

E será que o Pingo Doce não patrocina uns kilos de arroz ao Nelson, é que olhe-se por onde se olhe, não tem por onde ficar bem na fotografia, deixar o Nelson sair sem pagar o arroz é incitar a que outros façam o mesmo, obrigar a que ele pague, vai gerar o ódio de muita gente.... a esta altura deve haver alguns gerentes com os cabelos em pé... será que a loja vai estar aberta?

 

Jorge Soares

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publicado às 21:32

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