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Porque: "A vida é feita de pequenos nadas" -Sergio Godinho - e "Viver é uma das coisas mais difíceis do mundo, a maioria das pessoas limita-se a existir!"

Imagem do Wikiloc

Imagem do Wikilock
A Serra de São Luís encontra-se inserida no Parque Natural da Arrábida e tem, no seu topo, o ponto mais elevado do concelho de Palmela e segundo ponto mais alto da Serra da Arrábida, com 395 metros de altitude. Situa-se no extremo nordeste e forma a segunda linha de serras do Parque Natural da Arrábida, conjuntamente com a Serra dos Gaiteiros (226 m).
Desde tempos muito remotos que a Serra de São Luís tem sido ocupada e utilizada pelos seres humanos nas mais diversas vertentes, ficando, assim, ao longo dos tempos, marcas dessa presença. As pedreiras existentes serão talvez a marca mais visível, constituindo uma “cicatriz” bem marcada na paisagem. Estas pedreiras foram encerradas na década de setenta do século XX, aquando da criação do Parque Natural da Arrábida. Nelas era extraído calcário, mas também a famosa Brecha da Arrábida. Numa das pedreiras é possível observar pegadas de dinossauros.
Na vertente sul encontra-se a Ermida de São Luís da Serra, bem como uma pequena capela, um miradouro e um parque de merendas. No topo está instalado um posto de vigia dos guardas do Parque Natural da Arrábida, sendo o seu acesso um dos mais populares da serra.
A Ermida de São Luís da Serra é um local histórico e religioso no Parque Natural da Arrábida, próximo de Setúbal, muito procurado para caminhadas e trilhos pedestres, especialmente a rota circular que por ali passa. Oferece vistas deslumbrantes e constitui um ponto de convívio tradicional, com celebrações de pastores na Pascoela e a bênção de animais.
Iniciámos a caminhada junto à Escola Secundária do Viso, seguindo antigos caminhos da serra até ao Grelhal. Após a travessia da EN10, inicia-se a subida que nos leva até à Capela de São Luís.
O miradouro junto à capela proporciona vistas amplas sobre a Serra da Arrábida até ao Formosinho, o estuário do Sado, Tróia e a cidade de Setúbal.
De seguida, percorremos trilhos e estradões que contornam a serra, até iniciarmos a subida à Vigia.
Passando por uma das antigas pedreiras de Brecha da Arrábida, seguimos um trilho em zigue-zague até chegarmos ao local onde foi colocada a mesa. Trata-se de um miradouro com quase 360 graus, oferecendo vistas desafogadas sobre toda a Serra da Arrábida e, em dias claros, sobre a costa atlântica quase até Sines e, para norte, o rio Tejo, Lisboa e a Serra de Sintra.
Infelizmente, calhou-nos um dia de nuvens baixas e poucas vistas.
Após passarmos pelo posto da Vigia, iniciámos a descida pelo estradão que nos levou novamente à EN10.
De regresso ao Grelhal, o retorno ao ponto de partida fez-se pelo troço de calçada romana até ao Viso.
O trilho tem bastantes sombras pelo que pode ser percorrido em qualquer altura do ano, a parte mais exposta é o estradão, pelo que recomendo que seja feito no sentido dos ponteiros do relógio.
Mais detalhes e fotografias no wikiloc
Fonte (Wikipédia)
Jorge Soares

Imagem de Um mundo sin mordaza
Nem sei por onde começar, talvez pelo mais fácil: há milhares de presos políticos na Venezuela. Alguém ouviu Trump ou algum dos seus apoiantes falar em libertar presos políticos? Todas as ditaduras têm presos políticos; Caracas não é excepção. Há milhares de presos políticos na Venezuela, muitos deles no El Helicoide. Era para ser um centro comercial, começou a ser construído nos anos 50, durante uma ditadura, e 60 anos depois transformou-se num centro de tortura do regime de Maduro.
Não sei se a notícia do rapto, prisão, deposição — chamem-lhe o que quiserem — de Maduro chegou até eles, mas uma coisa é certa: para eles, não mudou nada.
Alguém acha mesmo que prender Maduro, sem mudar o regime, muda alguma coisa para estas milhares de pessoas que estão presas em Caracas e no resto da Venezuela por delito de opinião?
Afinal, qual era o objectivo de Trump? Libertar o país de um regime autoritário e corrupto? Onde está essa liberdade? É verdade que só passaram dois dias, mas alguém sente que tenha mudado alguma coisa? Eu sei: mudou o fantoche. Antes era um fantoche de bigode, semi-analfabeto; agora parece que vai passar a ser um fantoche de saia e óculos, um pouco mais culto.
Não sejamos ingénuos. O objectivo de Trump era manter tudo como está e tomar conta da indústria do petróleo da Venezuela. Nos últimos anos, o principal cliente da Venezuela tem sido a China. Com esta mudança de cadeiras em Caracas, Trump não só passa a ter petróleo barato à mão de semear, como enfraquece (ou pelo menos acha que enfraquece) a China, que terá de comprar petróleo mais caro noutro sítio, na Rússia, por exemplo.
Até aos anos 80, a indústria petrolífera venezuelana era uma referência mundial. Ainda não existiam as monarquias do Golfo e era nas universidades e na indústria do petróleo da Venezuela que as coisas aconteciam.
Não sei se Trump percebeu, mas nos últimos 40 anos tudo isto foi destruído, ao ponto de hoje o país com as maiores reservas de petróleo do mundo ter de importar gasóleo e gasolina, porque deixou de ter capacidade para os produzir. Vai custar muito tempo e muito dinheiro voltar a colocar a indústria a funcionar — mas os Estados Unidos são ali ao lado…
Em Portugal, a direita e a esquerda discutem opiniões. O direito internacional não conta para nada, como não contou na Ucrânia. O que interessa é defender Trump ou Maduro, defender ideais políticos. Justiça, direitos, realidade — isso não interessa a ninguém.
Independentemente disso, na Venezuela os presos continuam presos, a miséria continua a viver nos ranchos e nos bairros populares, a insegurança e o medo continuam os mesmos, a corrupção continua a mesma… ou seja, o país continua a sua queda para o abismo. Os 8 milhões de venezuelanos que vivem espalhados pelo mundo e que este fim-de-semana festejaram o rapto de Maduro vão continuar a sobreviver onde estão, com a alegria do tísico que não percebe que, em Caracas, “NO PASA NADA”.
Jorge Soares

Este trilho contorna a Lagoa de Albufeira, passando pela Herdade da Apostiça e pelo posto de observação de aves da lagoa, oferecendo paisagens variadas ao longo de todo o percurso.
Entre o posto de observação de aves e a Herdade da Apostiça existe um troço de cerca de 2,5 km feito por estrada, onde é aconselhável algum cuidado, sobretudo em dias com mais trânsito.
Já tinha realizado este trilho duas vezes no passado, ambas durante o verão, quando a lagoa apresentava níveis de água mais baixos. Desta vez, encontrei uma realidade bem diferente: a lagoa estava cheia, o que reduziu a caminhada junto à margem e aumentou os troços de areia, tornando o percurso fisicamente mais exigente.
Uma das grandes surpresas foram as valas e pequenos ribeiros com bastante água. Entre os quilómetros 3 e 5, foi necessário aumentar significativamente o percurso devido à impossibilidade de atravessar uma das valas, completamente cheia. Pelo caminho, houve ainda lugar à travessia de um pequeno ribeiro a vau e à superação de um troço com bastante lama, que exigiu alguma atenção redobrada.
No final, foi uma caminhada diferente do habitual, com uma lagoa transformada e novas perspetivas sobre um trilho que já conhecia. Um passeio fantástico, ideal para quem gosta de natureza, desafio e descoberta.


Dados Técnicos:

Jorge Soares

Imagem do Facebook
Todos somos estrangeiros em algum lugar...
Senti isso várias vezes na minha vida: quando mudei de aldeia aos 9 anos, de país aos 10, e novamente de país aos 20. Talvez por isso tente sempre colocar-me na pele do outro.
Mudar de sítio, deixar tudo para trás e cair sem paraquedas em algum lugar do mundo — seja noutra aldeia, noutra cidade ou noutro país — é sempre uma experiência dolorosa. Mas, por norma, ninguém faz isso porque quer… há sempre uma história por trás, muitas vezes uma história de terror.
Durante muito tempo fomos um país de emigrantes. Havia muita gente a fugir de muitas coisas. Sempre houve um outro país que, melhor ou pior, nos recebeu e nos permitiu seguir em frente.
Hoje somos um país de imigrantes e, a mim, que já estive do outro lado, custa-me ver que não somos capazes de retribuir… recebemos com ódio. A mim nunca ninguém me disse “Vai para a tua terra”. Eu não percebo como é que alguém é capaz de dizer isso.
Nasci em casa da minha avó, num pequeno lugar de uma aldeia. Com dois anos mudei para outro lugar da mesma aldeia; aos 9 anos mudei-me para outra aldeia; aos 10 mudei de país, para uma cidade com milhões de habitantes; aos 20 voltei à aldeia inicial por uns meses; depois caí de paraquedas num quarto em Lisboa, onde estive por seis anos; vai fazer 30 anos que me mudei para Setúbal…
Se tivesse de voltar para a minha terra, seria onde?
Jorge Soares

Alguém se lembra do Lusitânia Expresso?
Se calhar, quem goza com estes 4 portugueses é novo demais para se lembrar. Na altura, éramos todos timorenses e todos achávamos que a Indonésia oprimia uma parte de nós. A diferença, agora, é que o opressor se chama Israel.
Fizemos uma festa enorme quando Timor se tornou um país livre e se viu livre dos opressores. Agora, há quem tenha feito uma festa enorme porque quem ia no Lusitânia Expresso de 2025 foi preso.
É mesmo... O que te aconteceu, Portugal?
Jorge Soares
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Imagem retirada da net
Acho que é mais do que evidente que o que está a acontecer em Gaza é terrível: milhões de pessoas encerradas num pedaço de terra, sem nenhuma hipótese de sair, sujeitas, nos últimos dois anos, dia após dia, a ataques com todo o tipo de armas. Nos melhores dias, os mortos contam-se às dezenas; nos piores, às centenas. Homens, mulheres, crianças... os ataques são indiscriminados, repetindo-se dia após dia.
Das cidades, pouco resta. As populações são obrigadas a mover-se de um lado para o outro ao sabor do desejo de destruição. Há muito que deixou de existir economia em Gaza. É difícil imaginar como ainda há quem consiga sobreviver no meio de tanta destruição, morte, miséria e fome. Não contente com a devastação, Israel não permite a entrada de água nem de alimentos.
Hoje, mais uma vez, Israel passou por cima de todos os direitos e resoluções, impediu a chegada de ajuda humanitária — ainda em águas internacionais — e prendeu quem seguia nos barcos.
Em Portugal, houve quem, nas redes sociais, brincasse com a situação e se regozijasse com a prisão de ativistas portugueses. Pelos vistos, há quem olhe para isto de forma simplista: a Palestina é de esquerda e Israel é de direita... Portanto, quem é de esquerda ficou furioso e quem é de direita rejubilou porque quatro portugueses de esquerda foram presos por Israel.
Os mortos — os da Palestina dos últimos dois anos ou os de Israel do dia 7 de outubro de 2023 — não querem saber se as balas eram de esquerda ou de direita. As famílias dos milhares de mortos, de um lado ou de outro, não querem saber quem tem razão.
Custa-me entender esta visão do mundo dividida entre esquerda e direita. O que acontece em Gaza todos os dias é um genocídio, uma matança infame, sem lógica, sem razão. O facto de Israel ser uma democracia não é motivo para a sua defesa; o facto de o Hamas ser um movimento terrorista não é justificação para que se faça uma limpeza étnica, para que não fique pedra sobre pedra em Gaza e, muito menos, para as dezenas de milhares de mortos entre a população civil.
Na semana passada, Portugal reconheceu a Palestina como um país de direito. Hoje, Portugal, como o resto do mundo, viu Israel passar por cima de todas as leis internacionais e olhou para o lado.
Não vejo grande futuro para uma humanidade que olha para o valor da vida humana numa perspetiva de esquerda ou de direita.
Jorge Soares

Segundo a Wikipédia a primeira referência escrita à Palestina é de Heródoto que em 450 antes de Cristo visita o lugar e a ela se refere como Síria Palaestina.
Desde então para cá, fez parte dos Impérios de Carlos Magno, Egípcio, Romano, Bizantino. Foi conquistada e libertada dezenas de vezes pelos mais variados povos, foi tomada pelos Cruzados católicos e reconquistada pelos Árabes, pelos Turcos, pelos Otomanos e de novo pelos Turcos.
Durante a primeira guerra mundial os Turcos são de novo derrotados e o território é dividido entre a Grã Bretanha e a França.
Em 1946 o seu território, era maioritariamente ocupado pelos palestinos Árabes e Católicos, sendo que os judeus ocupavam uma pequena faixa junto ao mar. A partir de 1947 com o patrocínio da ONU e dos Estados Unidos e num processo que dura até hoje, os palestinos viram o seu território ir encurtando cada vez mais, até um ponto em que apenas restam umas pequenas faixas em que o povo é obrigado a sobreviver em campos de refugiados.
Repito, tudo isto foi feito com o patrocínio das nações Unidas e dos Estados unidos e com a cumplicidade de todo o resto do mundo.
Neste momento Israel prepara-se para invadir o que resta da faixa de Gaza, todos os dias morrem numa guerra não declarada dezenas de pessoas, das que 60 % são mulheres e crianças.
Daqui a uns anos, na fotografia acima haverá um novo mapa com uma faixa completamente branca e a Palestina será só uma pequena nota de rodapé na história reescrita do mundo... um não lugar.
Tal como aconteceu durante centenas de anoscom os judeus, os palestinos que restarem ao massacre andarão pelo mundo, um povo sem pátria, sem lugar....
É incrível como a história se repete e a humanidade não aprende nada com ela...
Jorge Soares
PS:Este post foi publicado por mim em 20 de Novembro de 2012, desde então não mudou nada e as mortes (de um lado muitas ,do outro poucas) continuam, com o mundo a ver futebol

De repente bateu a saudade..... a vontade de gritar o que me vai na alma.... de deitar cá para fora o silêncio, a raiva, as lágrimas, sinto falta de mim, de ser eu, das palavras, de vocês... .... o que acham? volto a ser eu?
Jorge Soares

Hoje é dia de São Martinho, dia de comer castanhas e de provar o vinho, não guardo grande memória de magustos, na Venezuela não havia castanhas e num país em que é verão o ano inteiro, nunca ninguém ouviu falar do verão de São Martinho.
Na verdade, para mim este dia recorda-me uma enorme solidão, estava em Lisboa, vivia num quarto, lembro-me de ser dia de São Martinho e ir do IST para São Bento a pé. Não sei porquê, mas recordo-me de uma Rua de São Bento completamente deserta, talvez por isso dei por mim a pensar que naquele momento os meus pais estariam em casa a festejar o dia e a comer castanhas. Senti uma enorme solidão, uma sensação de não ser de ali, nem de lá, de não ser de lado nenhum.
Este é um dia de lendas, há a lenda do Santo, que no inicio era soldado e que um dia de Novembro, muito frio e chuvoso, estando em França ao serviço do Imperador, ia Martinho no seu cavalo a caminho da cidade de Amiens quando, de repente, começou uma terrível tempestade. A certa altura surgiu à beira da estrada um pobre homem a pedir esmola.
Como nada tivesse, Martinho, sem hesitar, pegou na espada e cortou a sua capa de soldado ao meio, dando uma das metades ao pobre para que este se protegesse do frio. Nessa altura a chuva parou e o Sol começou a brilhar, ficando, inexplicavelmente, um tempo quase de Verão.