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Adopção

 

Na Quarta feira eu li esta noticia , no DN, de imediato me lembrei do caso Esmeralda e de tudo o que andou à volta. Hoje, este post da  Sónia, levou-me a este Post do Luis Castro.

 

É claro que estes casos são muito tristes, como o resto do mundo eu estou indignado, mas ao contrario do resto do mundo, a mim o que me indigna não é o funcionamento da justiça, que ao contrario do caso Esmeralda por exemplo, aqui cumpriu o seu papel. Convém dizer que na noticia que eu li na edição em papel do DN dizia que a senhora tinha sido chamada à segurança social duas vezes e não se tinha apresentado... e então, a juíza decidiu jogar pelo seguro e tomou medidas... não fora a senhora fazer o mesmo que a outra e simplesmente desaparecer com a criança.

 

A mim o que me deixa indignado é o mau funcionamento da segurança social, que deixou que uma situação de acolhimento que deveria ter durado no máximo 6 meses se estendesse por 3 anos.... o que me indigna é que demorem 3 anos a definir o projecto de vida de uma criança, que se tivesse ido para adopção no prazo legal, agora não estaria a passar por isso.

 

É claro que não conheço as pessoas... mas vou deixar aqui, um post que escrevi em Novembro de 2007 sobre famílias de acolhimento. Devo dizer que mais de um ano depois, este é o post que mais visitas tem de todo o blog.

 

 
O que é uma família de acolhimento
 
Devo começar por esclarecer que tenho dois filhos, um  adoptivo e outro  biológico. Passei portanto por um processo de adopção e conheço muitas pessoas que adoptaram, sei portanto como pode ser complicado, doloroso e por vezes humilhante todo o processo.
 
Há uns 5 ou seis anos atrás, estive numa reunião promovida pela governadora civil de Setúbal em que estavam famílias adoptantes, casais candidatos à adopção e famílias de acolhimento, cada um contou a sua historia  e no fim a Sra. Governadora tirou as suas conclusões que seriam utilizadas na discussão da nova lei.
 
De tudo o que ouvi, retive algumas coisas, em primeiro lugar os processos de adopção eram complicados, não era só o nosso, era assim em 95% dos casos. Em segundo lugar, fiquei com a ideia que as famílias de acolhimento que ali estavam tinham optado por essa via com a esperança que isso lhes abrisse as portas para uma futura adopção. Aliás, uma das senhoras que ali estava confessou isso mesmo, que se tinha candidatado para família de acolhimento porque não reunia todas as condições necessárias para adoptar e tinha a esperança de poder ficar com a criança que lhe tinha sido entregue.
 
Mas afinal o que é uma família de acolhimento? vejamos o que diz a lei:
 
Decreto- Lei n.º 190/92 de 3 SET
 
O QUE É?
 
O acolhimento familiar é uma prestação de acção social que consiste em fazer acolher transitória e temporariamente, por famílias consideradas idóneas para a prestação desse serviço, crianças e jovens cuja família natural não esteja em condições de desempenhar a sua função socio-educativa .
 
Retirado de:
http://www.pcd.pt/biblioteca/imprimir.php?action=completo&id=27&id_doc=40&id_cat=11
 
Chamo a atenção para a parte donde diz, transitória e temporariamente, ora, o que acontece é que as crianças são entregues às famílias de acolhimento e depois tanto a segurança social como as famílias se esquecem da parte do provisório, e todo o mundo espera que seja definitivo. Ora, se é para ser definitivo, a criança deve ser encaminhada para a adopção, para as famílias que passam pelo processo e que são avaliadas e aprovadas como candidatos idóneos.
 
Do meu ponto de vista, se passado um ano a família biológica não se mostra capaz de acolher os seus filhos, então as crianças devem ser encaminhadas para a adopção, ponto final. Deixar uma criança seis anos numa situação transitória e temporaria é um crime, até porque mais tarde ou mais cedo isto pode acontecer.
 
Por outro lado, aquela família tinha plena consciência de que a situação era transitória e que isto poderia acontecer, aquela criança não lhes tinha sido entregue em adopção, eles eram família de acolhimento, portanto não percebo porque aquele papel de coitadinhos e tanto barulho na comunicação social. E eles sabiam que não podiam adoptar aquela criança, simplesmente porque ela não estava para adopção.
 
Lamento se estou a ser injusto com alguém, mas a verdade é que há sempre outro ponto de vista, este é o meu.
 
 
Como dizia na minha resposta ao Luis no Cheiro a Polvora, esperei 4 anos para adoptar o meu filho e adoptei uma criança de cor e com problemas de saúde, neste momento estou no segundo processo de adopção e além de ter de repetir todo o processo de avaliação, dizem-me que tenho que esperar mais uns 4 anos para uma criança até aos 6 anos sem descriminação de raça.

Este casal terá esperado uns meses, e receberam um bebe branco e saudável, o sonho de 95 % das pessoas que querem adoptar. É evidente que sabiam que era só por seis meses... mas as pessoas jogam com a incompetência e o desleixo da segurança social...e depois, quando são chamadas a entregar a criança, já seja porque vai ser devolvida à família ou porque finalmente vai para a adopção.... não aparecem e quando a criança é finalmente retirada...chamam a comunicação social e é o que vimos aqui. Há muita gente que vai pelo mundo e em lugar de ir pela estrada segue os atalhos... é por isso que à partida as pessoas são informadas que não podem adoptar.... para que saibam que o acolhimento não pode ser um atalho para a adopção.
 
Jorge

 

publicado às 22:31


7 comentários

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De Rosana a 06.02.2009 às 23:09

este post poderia ter sido escrito por mim...
já chega de sensacionalismo.
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De Rosa a 07.02.2009 às 00:22

Eu não vou comentar o post, no qual eu subscrevo, venho antes contar um caso de uma vizinha que estava como aí dizes como família de acolhimento e de adopção. Teve uma primeira criança que não se adaptou, já era crescida, também não perguntei o que se passou. talvez tenha ido para a própria família.
E depois teve uma segunda criança, com 3 anos, o menino parecia filho deles de tão parecido com o casal. Quantas vezes dei comigo a olhar para aquela criança que se via ser feliz e de certeza que se fosse filho biológico não seria tão igual e tão integrado nesta família.
Mas tudo tem um senão, passados 2 anos, tinha o menino 5 anos, foi-lhe diagnosticado um linfoma, andou a mãe com ele para tudo quanto era hospitais, aqui no norte, em Sta Maria no S. joão e finalmente foi para Lisboa que tinha a especialidade.
Andou esta mãe com seu filho 3 anos neste vai vem de hospitais.
Finalmente veio para o Hospital de S. João em fase terminal. Ela muito angustiada a ver o seu menino a morrer, e um dia conseguiu desabafar com uma enfermeira " Quando o meu menino morrer não sei como lhe fazer o funeral, porque ele ainda não me foi entregue!"
Claro que a enfermeira chamou a assistente social, e a partir daí foi rápida a adopção.
Já se passaram uns bons anos sobre esta situação, ainda agora estou a chorar como no dia em que ela me contou! Porque eu sempre pensei que o menino estava legalmente adoptado, ela nunca nos disse o contrário!
E deixo este testemunho, porque às vezes, desculpem-me a comparação, mas os animais têm mais sorte!
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De Jorge Soares a 07.02.2009 às 23:01

Olá


Há casos em que as palavras estão demais..

Beijinho e obrigado pela partilha
Jorge
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De Rosa a 07.02.2009 às 00:24

Desculpem, onde se lê Sta Maria, é Maria Pia.
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De Sónia Pessoa a 07.02.2009 às 19:37

´Psso só para dizer que cada um de nós tem um bocadinho de razão... eu só condeno mesmo a forma errada como estes processos se desenrolam, por incompetência de todas as partes, e sempre sem se pensar na criança, assim como acho desnecessário este arrancar dos braços, entre choros e gritos de quem sofre e não tem afinal culpa de nada. Beijinhos
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De susana Rodrigues a 07.02.2009 às 23:24

o chique-espertismo acontece em todas as áreas da vida... há sempre quem leve por tabela.. e é pena que sejam sempre as que não têm nem culpa nem palavra: as crianças.
su
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De Maria Eugénia Pinto a 09.02.2009 às 12:49

Olá
Concordo totalmente com o que dizes. Todos nós sabemos que os serviços não funcionam. Que as leis quando são cumpridas, muitas vezes é demasiado tarde, os danos podem ser muitos mas, e as famílias de acolhimento, será que cumprem o seu papel? Pelos casos que vamos conhecendo parece-me que não. Todo o alarido que se gerou com este caso, inclusivamente o trauma que deverá ter criado na criança, poderia ter sido evitado se a família de acolhimento logo na primeira chamada que a SS lhe fez tivesse comparecido e preparado a criança para o corte de laços inevitável nesta situação. A Lei não funcionou (deveria ter sido ao fim de 6 meses) mas, a família também não... criou esta situação.
Eu, como mãe bológica e adoptiva, acho que nunca me vou candidatar a família de acolhimento. Crio laços com muita facilidade e depois claro que iria ser muito penoso... mas, esta é a realidade e quem se propõe (e eu louvo quem o faça) tem que ter plena consciência de toda a situação.
Beijinhos

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