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Ainda sobre a licença parental

por Jorge Soares, em 08.02.09

Adopção

 

Depois de ler a generalidade dos comentários ao meu post da semana passada em que falava da licença parental, a conclusão a que chegamos é que existe em Portugal um problema de cultura e mentalidade. 

 

Na Sexta Feira voltei a ouvir o programa A Viagem da Cegonha, nesse dia, decidiram ir à procura de casais grávidos e perguntar o que achavam da partilha do período de licença parental e o que iam fazer.

 

Entrevistaram alguns casais e em todos os casos as mulheres dizem que vão tirar os 5 meses elas e nem colocam a hipótese de o marido o fazer. Depois as pessoas escusam-se nas dificuldades profissionais e na resistência das empresas em aceder a que os homens gozem a licença. Havendo uma das grávidas que disse que ela ia gozar os 5 meses mas que o país deveria criar mecanismos para obrigar as empresas a cederem..... 

 

A mim parece-me que o problema começa logo porque as mulheres sentem que é um direito delas e não estão dispostas a abdicar disso. Quanto aos mecanismos para obrigar as empresas a cederem os direitos das pessoas, esses mecanismos existem, a mesma lei que diz que a mulher tem direito aos 5 meses, é a que diz que os homens podem tirar uma parte.... ora, se conseguimos convencer as empresas a cederem os direitos à mulher, porque é que não as conseguimos convencer a ceder os direitos ao homem?

 

Todos criticamos as empresas que não contratam mulheres porque elas vão engravidar e ficar de licença, mas quando aparece uma possibilidade que vai fazer com que esta discriminação diminua, são as próprias mulheres que se aferram aos 5 meses... não percebo.

 

Como diz a Sónia Morais Santos na conclusão do programa, há um longo caminho a percorrer, mas disto tudo e de alguns comentários que recebi, a mim parece-me que o principal problema vai ser convencer as mulheres a abdicar de algum do tempo... porque para convencer as empresas,..existe a lei. 

 

Já agora, como podemos ler no Cocó na Fralda, a Sónia Morais Santos está grávida.... será que ela vai partilhar a licença parental?

 

Jorge

publicado às 22:01


10 comentários

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De sininho a 09.02.2009 às 08:46

Eu acho que tem alguma lógica partilhar sim!!! ..eu tenho uma grande desejo de ser mãe ..não sei como vai ser ...mas o meu caso também é diferente ..porque sou eu que represento a identidade patronal ...e por mais que deseje viver a maternidade ..não me estou a a ver 5 meses em casa :):) ...já alguém um dia disse ..patrão fora ..dia santo na loja !!!


um bom dia para ti.
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De Jorge Soares a 10.02.2009 às 21:36

Olá

Pois... esse é o caso da Zaka.... foi por isso que quem tirou os 5 meses.... foi ele. :-)

Beijinho
Jorge
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De Maria Eugénia Pinto a 09.02.2009 às 13:06

Olá
Eu acho que tens toda a razão! É sem dúvida uma questão de mentalidades que se calhar tem que começar por nós mulheres a mudar!
Se eu tiver a vossa coragem (tua e da tua P) e fôr ao terceiro, vou fincar pé para partilhar a licença (se tal acontecer vou, infelizmente, ter "muito" tempo para me mentalizar!!!!!).
Beijinhos
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De Anónimo a 09.02.2009 às 17:03

Eugenia
As vezes nem sei se é preciso mais coragem para ter um terceiro filho...ou se para tomar a decisão de não o ter. Para mim o que sempre me angustiou, foi ver os anos a passar e de ter que tomar a decisão de não ter um terceiro filho. No dia , em que em família tomamos a decisão de avançar para um segundo processo de adopção, foi dos dias mais felizes da minha vida :)

P.
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De Maria Eugénia Pinto a 09.02.2009 às 17:14

Olá P
Pois a coragem de que falo é exactamente por aí que passa.... Não sei se temos (todos nós em família) força para "aguentar" com mais um processo de adopção e, a nossa experi<~encia nem é das mais "traumatizantes", pelo que oiço e leio até nos podemos dar por muito afortunados.
Estou a torcer por vós.
Beijinhos
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De Jorge Soares a 10.02.2009 às 23:09

Olá

Vê lá se ganhas coragem.... tenho que ter uma conversinha com os teus filhos :-)

Beijinho
Jorge
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De P. a 09.02.2009 às 16:58

Vou guardar este POST, para mais tarde me lembrar, que 4 meses de licença são para dividir ao meio: 2 meses para cada um. Afinal temos que ajudar as mudar as mentalidades e a dar o exemplo.

P.
à espera da sua menina :)
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De Sónia Morais Santos a 10.02.2009 às 18:53

Meu caro Jorge,

Adoraria partilhar. Mesmo. Estou cansadíssima de putos. Apesar de os adorar. Mas o meu marido (que adoraria ficar em casa 1 mês ou mais com o bebé - de resto ele gostaria de virar dono de casa) seria imediatamente emprateleirado no emprego caso o sugerisse, sequer. No outro dia, por ter saído do trabalho às 17h porque era o aniversário do filho mais novo, teve logo algumas reacções das chefias...
Agora, concordo inteiramente consigo: são na maioria das vezes as mulheres quem não abre mão desse direito. Nem pensar em partilhá-lo com os maridos. Sem dúvida que o estereotipo começa nas mulheres e segue em frente.
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De Jorge Soares a 10.02.2009 às 23:16

Olá

Essa perspectiva de virar dono de casa.... eu entendo o seu marido :-)... também quero!

Realmente falta muito por fazer neste país, mas está em nós, em todos nós, fazer mudar as coisas e sem duvida o seu programa fez muito.... parabéns.

Obrigado pela visita.
Jorge


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De Ana Luísa a 13.03.2009 às 12:23

Há ainda outro problema. Pessoas como eu, que não querem partilhar a licença e que acham que devem ser os casais a decidir quem fica em casa durante o novo tempo de licença permitido pelo novo código de trabalho - não é o governo que tem de estabelecer a obrigatoriedade da partilha da licença. Se há possibilidade da licença ter a duração de um ano, então deve ser o casal a decidir quem fica com o bebé. Por mim, deixava a carreira de lado para ficar em casa com o meu filho. esta lei não veio adiantar muito...as maes solteiras, em nada benificiam; as outras mães também não, se o pai não partilhar a licença; se o pai estiver a recibos verdes, a lei também não é aplicada. e pior, é que se fala da lei, mas sem a regulamentação não pode ser aplicada. adia-se, adia-se. os meus estudos centram-se na hereditariedade cultural feminina. não soiu feminista, mas sim humanista. e vejo nesta recriminação da mulher optar pela maternidade e interromper a cerreira um grande atraso na evolução da conqista dos direitos das mulheres. algumas de nós sentem-se mais afectadas pela maternidade do que outras, isso é um facto. por isso, simplesmente, devemos escolher, sem descriminação, gozar ou não o tempo da licença. no meu caso, o pai concorda comigo. e é um pai presente, muito presente. esse é outro preconceito terrivel: se o pai concordar que a mae deve, se for do entendimento de ambos, interromper ou abandonar a carreira para ficar em casa, então é um pai ausente, ou menos dedicado ao bebe do que a mãe. o mais importante é o bem estar do bebé. se um dos pais puder e quiser ficar com ele a tempo inteiro, é o ideal para a criança. é esse o facto cientificamente comprovado. a lei devia ser establecuida com base nele - preconceitos, fora com eles. para mim, esse seria o verdadeiro avanço das mentalidades portuguesas.

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