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A espera:O que mudaria na adopção em Portugal?

por Jorge Soares, em 20.02.09

 

todos diferentes...todos iguais

http://img138.imageshack.us/img138/8826/3multi6id2.jpg

 

Esta semana foi meio complicada por estes lados, aconteceu um pouco de tudo, desde uma miuda que espetou um alfinete num pé até ao osso, até um carro que decidiu não pegar mesmo....  

 

A meio da tarde reparei que a Mieepe me deixou um prémio lá no Mieepe Koud, recebi o recado aqui e fui lá espreitar, fiquei meio sem jeito e completamente sem palavras..... com isto:

Jorge - um homem que luta por direitos que tanto me tocam: a Adopção

 

Obrigado Mieepe, eu costumo dizer que as pessoas que adoptam são especiais..... pessoas como tu e a Susana, fazem-me pensar que as adoptadas também.

 

Ao fim da tarde, enquanto esperava o reboque, a P. contava-me que ligou para a Segurança Social de Setúbal, passou mais uma semana e o nosso relatório para a adopção internacional que está pronto há um mês e já deveria estar a caminho de Cabo Verde, continua em cima da secretária da responsável para assinatura.... um mês para assinar um relatório? Agora percebo porque recebemos no fim de Janeiro, um documento que tinha data de Novembro. A responsável da segurança social de Setúbal demora meses a assinar um simples documento...e entretanto as pessoas esperam....e o que é pior...as crianças esperam.

 

No Sábado passado estive em Sesimbra numa conversa sobre adopção promovida pelo Bloco de esquerda, a dada altura uma das pessoas perguntou o que mudariamos nos processos de adopção para que as coisas funcionassem.....a minha resposta foi imediata.... AS PESSOAS. O problema da adopção me Portugal está em primeiro lugar nas pessoas, nas assistentes sociais, nos responsáveis da Segurança Social, nos responsáveis dos centros de acolhimento, nos juizes de familia.....

 

O problema não está na lei, nem na burocracia, ao contrario do que as pessoas pensam, o processo de adopção é uma coisa simples e lógica, ... mas é evidente que não há lei ou processo simples que resista a assistentes sociais que continuam a falar  dos seus candidatos e das suas crianças, ignorando completamente as listas nacionais. Não há lei que resista a responsáveis que demoram meses a colocar uma simples assinatura num documento. E sobretudo, as crianças continuarão institucionalizadas a vida toda enquanto toda esta gente dê primazia às familias biológicas, mesmo que estas se estejam a marimbar para os filhos e não apareçam nunca.

 

Talvez a minha seja uma luta inglória e um pouco egoista, afinal eu estou a lutar pelos meus filhos,.... mas faço o que posso, pelo menos enquanto me restarem blogs e letras...e a vocês que me leem, vos restar paciência para me aturar.

 

Jorge

 

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publicado às 22:14


13 comentários

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De Vanessa Dias a 21.02.2009 às 11:34

Parabéns pelo prémio. Para adoptar é preciso ser-se "bom", porque só essas pessoas acolhem (de forma verdadeira) na sua família crianças deixadas em orfanatos e nas ruas por muitas razões que, se formos a pensar, são descabidas e não nos fazem muito sentido do ponto de vista humano. Pais que batem, pais que se "somem no espaço", pais que os deixam abandonados por não saberem o que é a responsabilidade por uma vida, pais sem condições e sem ajuda do governo para criar os filhos, pais que vivem no meio da droga e num mundo de auto-destruição, entre tantos outros casos... Para se ser assistente social é preciso também ser-se "bom" e ao mesmo tempo ter raciocínio claro, parece-me. Quando uma profissão é escolhida por moda ("vamos todos ajudar os pobrezinhos e os que precisam de ajuda"), que me perdoem mas penso que é o caso da gerações anteriores à minha e a minha vai pelo mesmo caminho, e sem paixão (que é o que faz levar a cabo uma actividade durante uma vida ou quase uma vida), temos pessoas assim, que depois de uns anos tornam-se mecanicistas, deixam o trabalho (que pode salvar uma vida) para "amanhã" e "depois e depois de amanhã"... Quando trabalhamos por gosto, estas coisas não acontecem. Vemos sempre o novo "doente", o novo "cliente" ou o novo "cidadão" que temos pela frente como uma situação única, singular e nova. E são as pessoas que estão mal, de facto, porque querem cargos que não se lhes encaixam, cargos onde fazem um papel medíocre. E, neste caso, há crianças que ficam à espera, muitas vezes até atingirem a maioridade. Noutros casos, as crianças passam fome. Noutros, as crianças são mal-tratadas. E outros há em que as crianças não recebem uma palavra e são tratadas com menos amor, respeito e dignidade do que um animal. Mas isto só muda quando pessoas como o Jorge, pessoas que lutem pelos direitos humanos, das crianças, por tudo aquilo que protege (mal) nós, os humanos, façam a diferença, denunciado pessoas assim, que não sabem que não estão a lidar com papéis, mas na realidade com PESSOAS. Mais uma vez, os meus parabéns.
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De Jorge Soares a 22.02.2009 às 21:28

Olá

Faço o que posso, gostaria de fazer muito mais....

Jorge


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