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Adopção por homossexuais

por Jorge Soares, em 22.03.09

Adopção por homossexuais

 Imagem retirada da internet

 

Em Janeiro passado quando estive na reunião na Segurança Social em  Setúbal, falaram-me de 3 crianças que estão num dos centros de acolhimento do distrito e para os quais não há candidatos a nível nacional, 3 irmãos, o mais velho tem 6 anos, 3 crianças que já foram entregues a um casal e que foram devolvidas ao centro de acolhimento, 3 crianças para as que não há pais e que possivelmente irão crescer sem conhecer o carinho e o amor de uma família. Quando vi por primeira vez o vídeo que coloquei no post Adopção:O que é necessário para que 4 crianças sejam felizes?, não pude deixar de me lembrar dessas crianças. Reparem, estas 3 crianças foram entregues a um casal que as devolveu. Quem já adoptou uma criança sabe que não é fácil, é preciso muita força de vontade e muito amor para adoptar uma criança, imagino que adoptar 3 seja muito mais complicado.... adoptar 4... nem imagino como seja. Aqueles dois seres humanos retratados no vídeo são dignos da minha mais profunda admiração.

 

A adopção é antes que mais um acto de egoísmo, as pessoas adoptam porque tem o desejo de ser pais, é em segundo lugar um acto de amor. É necessário muito amor para se conseguir receber uma criança, um perfeito estranho em nossa casa, passar por cima dos problemas, dos preconceitos, e fazer  dessa criança que tantas vezes tem problemas de saúde, psicológicos ou ambos, um ser humanos feliz e normal. É claro que para mim, esta capacidade de amar uma criança não tem nada a ver com raças, com credos, com gostos ou com preferências sexuais. Ou se tem ou não se tem a capacidade de amar as crianças e isso é válido para filhos biológicos ou adoptados.

 

Quando fiz o post na semana passada, preparei-me psicologicamente para esgrimir argumentos, tenho lido sobre o assunto em vários blogs e há sempre polémica, a maioria das pessoas é contra a adopção por homossexuais...bom, os meus leitores devem ser especiais.....  ou isso, ou a Dona Flor tem razão e as pessoas tem medo de mim!

 

Quanto às questões colocadas pelo amigo Rolando do Entremares, (um blog que vale a pena visitar)... vamos ver se me consigo explicar:

 

1-Um casal heterossexual tem um filho. Um dos progenitores decide mudar de sexo. Após a operação, o casal decide adoptar uma criança. Pergunta: A educação da segunda criança ( supondo a adopção concretizada ) será idêntica e comparável à primeira ?

 

Não, é claro que não, eu tenho 4 anos de diferença do meu irmão, ele trata os meus pais por tu, eu trato por você, a educação que me foi dada a mim é diferente da que lhe foi dada a ele, porque o ser humano adapta-se, e nós não tratamos duas pessoas da mesma maneira, mesmo que sejam dois filhos. É claro que uma mudança de sexo tem influência na maneira de ser de alguém, e de uma forma ou outra tem influência em quem está à sua volta. Mas será que algum de nós é capaz de dizer que a educação dada antes é melhor que a dada depois da mudança de sexo?.. claro que não.

 

2. Um casal homossexual ( dois homens ) adopta uma criança ( suponhamos que do sexo masculino ) . A criança ao crescer poderá experimentar todas as sensações características do relacionamento tradicional entre filho-pai e filho-mãe que existiria numa adopção por parte de um casal heterossexual ?

 

Na sociedade em que vivemos, a probabilidade de uma criança passar pelo divorcio dos pais ou simplesmente já nem conhecer um dos progenitores é bastante elevada, a percentagem de famílias monoparentais é cada vez maior, ou seja, existe neste momento uma grande percentagem de crianças para quem o "tradicional" é ver só a mãe, ou só o pai. Imagino que todos conheceremos casos destes, serão essas crianças menos felizes, ou menos normais? Se vamos falar de família tradicional, teríamos que colocar em causa muitas coisas, teríamos que perguntar se uma mãe solteira é capaz de educar o seu filho de forma tradicional, ou se os pais divorciados o são...

 

Para adoptar só deveria ser necessário um requisito, capacidade de amar... de vez em quando dou por mim a lembrar-me daquelas 3 crianças que estão algures no Distrito de Setúbal, crianças que estão à espera de alguém que as ame, alguém que as queira, crianças que foram institucionalizadas, entregues e devolvidas...será que no dia em que alguém esteja disposto a dar-lhes uma família, elas vão perguntar qual a orientação sexual dos seus futuros pais?

 

Jorge

publicado às 21:53


27 comentários

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De Óscarito a 24.03.2009 às 20:58

Jorge, sem ligar e preconceitos de espécie alguma, e no seguimento do que já aqui expressei, digo o seguinte:
não basta querer adoptar.
nem é suficiente ter condições financeiras para tal.
talvez por isso é que as 3 crianças que referes "foram devolvidas" (que raio de expressão esta) ao centro de acolhimento.
como dizes, a adopção é (tem que ser) um acto de amor para com as crianças. Porque de outro modo, mais tarde ou mais cedo serão "devolvidas", quer ao centro de acolhimento, quer à vida e sem acolhimentos.
Percebes-me, não é verdade?
Abraço/Oscar.
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De Jorge Soares a 26.03.2009 às 00:18

Olá

Claro que percebo... perfeitamente.

Abraço
Jorge
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De pecadoras a 24.03.2009 às 21:49

Desculpa meter a colherada, mas deparei-me com este post e não resisti.

Primeiro, a questão da adopção em Portugal é complexa hipocrita e preconceituosa. Poderia citar aqui montes de exemplos mas deixo dois ou três que me parecem simples e espelha bem a nossa realidade.

Existem listas de espera para adopção em Portugal de mais de 5 anos.
A burocracia é tanta que existem casais que optam por países da Ásia e Africa. Em Portugal não se pensa primeiro nos interesses da criança que deveria ser o objectivo mas nos “papeis” e nas (cunhas.) Sim cunha porque para alguns é tão fácil..

Da parte dos pais adoptantes existem também vários requisitos que para quem faz questão de adoptar por amor não fazem sentido. Tais como olhos da cor X raça Y e idade W.

Também me parece estranho, que a um familiar directo (no caso de morte dos pais da criança) não se possa propor à adopção. Assim como não pode quem recebeu a criança como família de acolhimento. Estes últimos, porque se considerar ter feito uma prestação de serviços e ter sido remunerado para o fazer.

Portugal trata muito mal as nossas crianças e a adopção é só uma das muitas realidades do pouco caso que por cá se faz ao nosso futuro, sim porque as crianças são o nosso futuro. E para agravar existem as tais (assistentes sociais) , que nem sim nem nim.. Na hora da verdade nunca sabem nada viram nada e a culpa morre sempre solteira.

Ora dito isto, e já me perdi (desculpa-me) ..
Sobre a adopção, seja feita por heterossexuais, homossexuais, solteiros, casados, viúvos, divorciados, é preciso sempre salvaguardar o interesse da criança e só o interesse deles e não os preconceitos estúpidos castradores e hipócritas de falsos moralista.

Existe amor para dar, condições ( que é muito importante) disponibilidade ? Pois vamos a isso! As crianças são o nosso futuro e merecem crescer como crianças não enfiadas em instituições.

Existe por ai tanto “bom” pai de família, que com a conivência muitas vezes da justiça , molesta, abusa e maltrata os filhos . Esses sim deveriam ser apontados com um rótulo de pessoa não grata à sociedade.
Não quem ama… ama simplesmente !! É triste quando rotulamos alguém ou castramos direitos (visto que somos todos iguais) só porque se ama alguém que para “nós “ é diferente.

O amor é lindo seja qual for a sua vertente. Quando se perceber que o amor não tem sexo credo ou religião o mundo vai ser muito melhor;)

Ufa.. Boa noite
Saia justa
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De Jorge Soares a 26.03.2009 às 00:20

Olá

Este comentário tem muito que se lhe diga.... tanto, que lhe vou dedicar um dos próximos posts....

O objectivo deste blog também é esclarecer ..

Obrigado pela visita e pelo comentário.... espero que voltes.

Jorge
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De Luís Castro a 09.04.2009 às 15:15

Jorge,
manda para o meu mail (cheiroapolvora) o teu contacto, pf.
Luís Castro

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