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Somos do tamanho da vida!

por Jorge Soares, em 26.03.09

 

Flor da esteva

 

"...como se torna trivial gerir a avalanche da instituição familiar com todos os seus problemas e apêndices, e conciliar com a profissão e com a nossa vida própria, quando conseguimos o milagre de ter algum tempo só para nós.

 

Orientar tudo sem perder o norte, sem perder o sentido da vida, sem nos perdermos a nós mesmos, sem nos deixarmos submergir pela enxurrada e criar um mecanismo instintivo de sobrevivência em que sentimos que seremos capazes de nos adaptar a todos os desafios."

 

Retirei este trecho do post de ontem da Cigana, um post que tem um titulo sugestivo: "Apocalipse Diário" Ontem falávamos aqui de tecnologia e de solidão, há quem ache que a tecnologia nos acerca ao mundo e quem ache que ela contribui para que nos encerremos dentro do nosso casulo...  o Post da Cigana fala do resto, da vida diária, da rotina e do stress, da forma como enfrentamos o mundo... sim, porque lá fora...a vida continua!

 

Quando terminei de ler o post lembrei-me de uma época da minha vida há uns 3 ou 4 anos atrás, na altura em que decidi voltar à faculdade. Trabalhar das 8 às 17, estudar á noite e ter uma família com dois filhos... é uma tarefa complicada..... será? Bom, eu passei por isso..e sobrevivi, e a R. continuou a ir ao ballet e o N. andava no Judo.... e a P tinha dias em que dava aulas à noite.... e sabem uma coisa.... eu fui um dos melhores alunos do curso... porque era dos poucos que nunca faltava às aulas.

 

Lembro-me de na altura as pessoas perguntarem como é que conseguíamos... na verdade também não sei bem.. mas lembro-me de que houve um dos semestres em que às quarta feiras eu saía de Loures às 17, ia buscar a R à escola, levava-a ao ballet às 18, ia para casa e fazia o jantar, entretanto a minha meia laranja  terminava a ultima aula às 18:30, passava pelo infantário e trazia o N., depois passava a buscar a R ao ballet, jantávamos, e eu tinha aulas das 20:30 até às 23:30... É claro que esta era a situação extrema, a maior parte dos dias não era assim, mas lembro-me que houve um semestre em que ela terminava a aula às 20:30..a hora em que eu começava a minha.... como era na mesma faculdade, eu levava os miúdos comigo..e trocávamos de carro.....

 

Como é que conseguíamos? com muita força de vontade...e com muito boa vontade por parte de todos. A Cigana no Post dela e na resposta aos meus comentários coloca esse apocalipse diário como sendo uma tarefa eminentemente feminina.... bom, de uma coisa estou certo, se cá em casa víssemos a coisa por esse prisma...ou eu não tinha terminado a licenciatura...ou tínhamos terminado em divórcio.... Eu costumo dizer que somos do tamanho das tarefas que nos aparecem pela frente, é tudo uma questão de querermos, de nos organizarmos... de nos esforçarmos...e claro..de partilhar.......  cá em casa há só duas coisas que não partilhamos: tratar dos carros, que é da minha conta e engomar.... que não é da minha conta.... o resto, é de quem está mais à mão.... esse é o segredo.

 

Portanto, nada de Apocalipse diário... que a vida é bela e é para se viver.

 

Jorge

 

PS:Imagem minha, retirada do Momentos e olhares

 

publicado às 21:47


24 comentários

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De cigana a 27.03.2009 às 00:04

Só não concordo com essa mensagem tão simplista que transmites no fim.
1º, O apocalipse existe, é real. O que tu descreveste é um apocalipse, um furacão, chama-lhe o que quiseres.
2º, Habituamo-nos a ele e convivemos com ele no dia a dia, por isso passa a fazer parte da nossa rotina e deixa de nos provocar o impacto brutal que outra pessoa pouco habituada sentirá, mas sabemos que vivemos numa montanha russa.
3º, A vida é bela, é um cliché. Ou então o título de um dos meus filmes preferidos, não sei se conheces.
A vida é aquilo que soubermos fazer dela. E nem sempre é bela, o que não significa que não tenha valor. A vida só é bela em termos filosóficos ou quando tudo nos corre bem. Basta uma doença, um acidente, o desemprego, um divórcio, uma morte, para a vida não nos parecer mesmo nada bela…

Deitei achas para a fogueira?
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De DyDa/Flordeliz a 28.03.2009 às 00:27

Foste buscar o filme perfeito para ilustrar o apocalipse.
No filme "A vida é bela" está lá tudo.
Como é possível numa mesma situação reagir de forma tão diferente?!...
Já vi o filme várias vezes. O meu sentimento continua a ser mesmo: Maldita guerra! Como era bom que a história pudesse ser refeita para que o miúdo pudesse continuar a ouvir as histórias belíssimas que o pai enfeitava!
- Como eu adorei a chegada do carro belindado!
Desculpa Jorge, perdoa Cigana este filme tem uma beleza infinita.

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De cigana a 28.03.2009 às 00:42

"Buon giorno Principessa!!!" Confesso que o Roberto Benini nesse filme me faz chorar e me faz rir. E apesar de me rir em muitos filmes, choro em muito poucos, e creio que não há mais nenhum em que chore e ria ao mesmo tempo... E ele soube transmitir ao filho que a vida era bela apesar das circuntâncias.
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De Jorge Soares a 28.03.2009 às 22:17

Vocês estejam à vontade... :-)


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De Jorge Soares a 28.03.2009 às 22:15

Dona Cigana...faça favor de voltar a ler o post...e esqueça a ultima frase.....

Aquilo que eu descrevi chama-se vida...e a vida é assim, tem fases.

Numa coisa tens muita razão, a vida é aquilo que fazemos dela, na altura em que a minha vida era como a descrevi no post, havia muita gente que me perguntava como conseguia...a minha resposta era invariavelmente a mesma. Porque tem que ser , quem corre por gosto não cansa.

Não, não deitas-te achas... além disso... já não é altura de fogueiras :-)

beijinho e bom domingo
Jorge
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De Sandra Cunha a 27.03.2009 às 00:17

Pois Jorge, para dar certo tem mesmo de ser uma coisa a dois e assexuada. Se bem, que na maior parte dos lares (e mesmo nos de casais jovens) o tal apocalipse diário é de facto uma tarefa maioritariamente feminina (os estudos comprovam que das atitudes aos comportamentos vai uma grande, grande distância). O que se pensa e até o que se diz que se faz é muito diferente do que efectivamente se faz (estou a falar dos homens claro).

Mas por acaso ainda há tempos falava disso. De estudar, trabalhar e ter filhos e tentar ter vida pessoal. Eu há quase 10 anos que ando nisto... trabalhar de dia, ter aulas à noite, passar os fins-de-semana inteiros a estudar e fazer trabalhos e mais trabalhos. Não sei o que são férias a sério há esses anos todos... Não vou para lado nenhum porque estou constantemente com trabalhos e a ser avaliada (e a bem da verdade devo referir que também não vou de férias porque tenho cães e gatos que não consigo deixar sozinhos). Mas é claro que isto só foi possível porque em casa tinha um companheiro que dava o banho à Nessa e a ajudava com os TPC e lhe dava o jantar e tratava de muitas outras coisas...

É como tu dizes. Só funciona se as coisas forem partilhadas. Agora com a bolsa já estou em casa durante o dia - mas estranhamente o tempo não esticou :) - e já consigo aliviá-lo um bocado de certas coisas. Mas tudo continua a ser partilhado. Umas coisas faz mais ele como lavar o chão que tem mais força, comida que tem mais gosto, entre outras. Eu faço mais outras como organizar, lavar os dentes aos cães (sim, isso usa-se), contratar as empregadas a dias (sou sempre eu! e detesto!!) .

Engomar é coisa pouco usada cá em casa. Eu pego no ferro quando tudo o que tiro para vestir não tem ponta por onde se pegue e é claro que só engomo esse peça. Mais ninguém engoma. O António é um ambientalista nesse aspecto e defende que engomar é um puro desperdício de energia (é só para ficar com bom aspecto, o que para ele não significa nada) . A Nessa achou muito giro engomar 2 ou 3 t-shirts mas perdeu rapidamente o entusiasmo. Os carros, cada um trata do seu :)

Bj
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De cigana a 27.03.2009 às 00:30

Não consigo deixar os cães e gatos, tenho que os levar também, o que complica as viagens e as férias.
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De Sandra Cunha a 27.03.2009 às 00:39

Cigana,

se por acaso souberes de locais onde aceitem animais, por favor partilha!

Também costumo levá.los comigo mas é quando vou para o Norte para casa dos pais António. Para mim não são bem, bem férias... Férias é no Alentejo :)

É que para agravar os meus cães são grandes e um bocadinho excitados...não ficam sossegados...

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De cigana a 27.03.2009 às 10:53

E as minhas vomitam no carro... Mas são os meus segundos filhotes.
Manda-me um email para podermos trocar ideias quanto a instalações para férias. trazoutroamigotambem@sapo.pt
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De mimi a 27.03.2009 às 17:42

Gostei do título.
Em relação ao post, concordo e discordo. Eu acho que nos adaptamos a todas as situações, mas tb acho que ninguém é de ferro e que aguente por muito tempo uma vida infernal de correria.

Bjs
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De Jorge Soares a 28.03.2009 às 22:20

Olá

Todos temos fases... há quem precise da adrenalina para sobrevir...e há quem simplesmente se canse e desista.. mas acho que na generalidade, a vida é uma sequência de altos e baixos, e nós vamos na onda.

beijinho
Jorge
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De alex a 27.03.2009 às 20:25

pois... eu qd fiz o MBA há 3 anos atrás tb passei um mau bocado...

e só tive tão bons resultados pq na empresa todos facilitaram e me deram as 6ª f durante 2 aninhos para eu ir às aulas (é claro que tb era do interesse deles que estavam a pagar...) e sobretudo pq o meu F. me ajudou imenso... aliás como sempre ajuda...

lá em casa faz o jantar quem chega 1º, tão simples como isso. ele não põe roupa a lavar mas estende, eu não pinto paredes mas controlo a empregada... ou seja as coisas estão equilibradas e ele ajuda-me imenso...
mas na altura do MBA ajudou-me mt pq para além da logística familiar (e na altura nós nem filhos tínhamos) teve que aguentar mts fds sózinhos, teve que aguentar os meus trabalhos de grupo, ausências para viajar... ou seja teve que passar mt tempo sózinho...

e isso é que me parece díficil no dia a dia... é que andamos tão, tão focados na logística e nas coisas todas que temos que fazer que acabamos por não ter tempo uns para os outros...

e ler um post destes numa semana em que dormi 3 a 4 horas por dia e todos os dias ouvi o Gu a perguntar pq é que vou tão rápido para o trabalho... nao é fácil...

alex
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De Jorge Soares a 28.03.2009 às 22:21

Olá

Humm... espero que as coisas melhorem por aí...

Jorge
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De Iris Barroso a 27.03.2009 às 22:41

O corre corre diário pode ser uma forma de nos mantermos vivos e de viver. Todas as nossas acções são parte de uma escolha e permitem-nos chegar a um objectivo e se assim for, a vida pode ser bela e vivida na plenitude.

Mas que o dia a dia cansa e nos deixa com pouca vontade para extras, também é verdade.

Quem corre por gosto não se cansa, certo?! Ás vezes...
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De Jorge Soares a 31.03.2009 às 22:56

Sim, o dia a dia cansa.. mas eu tento ver o corre corre em casa como o desanuviar de um dia de trabalho.... é uma questão de atitude.

Jorge

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De Iris Barroso a 01.04.2009 às 01:44

Sim... é uma questão de atitude, sem sombra de dúvida.

Mas como disse no post da Cigana: eu sinto falta desse corre corre, quando dele me vejo privada.
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De Jorge Soares a 01.04.2009 às 21:26

Sabes.... de uma conversa com uma amiga.. que me liga desde o acampamento dela ... fiquei a pensar no assunto..... e sabes que mais.. vai sair tema para outro post...

Jorge
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De DyDa/Flordeliz a 28.03.2009 às 00:47

O ser humano ajusta-se.
Quando há companheirismo e muita dose de partilha, muita coisa se consegue. Às vezes até conseguimos fazer as horas do dia esticar.
Isto se houver boa vontade e muita sintonia, pois por obrigação...pouca coisa resulta e é muito conciliar esforços.
No entanto acredito que não somos todos iguais. Não conseguimos todos viver a correr.
Eu não gosto de coisas muito programadas. Mas tenho amigos que programam tudo com meses de antecedência.
- Eu morria de tédio.
- Eles morriam de stress.

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De Jorge Soares a 31.03.2009 às 22:58

Ora lá está, como dizia acima, é uma questão de atitude.... eu tento chegar a casa e desanuviar nas tarefas caseira, cozinhar, arrumar...é só uma forma de me libertar de toda a correria e o stress do resto do dia... sim, eu sei... eu não sou normal :-)

beijinho
Jorge
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De Sónia Pessoa a 28.03.2009 às 21:56

E a vida só corre bem se for vivida assim, partilhando... só nessa condição se consegue ser feliz a dois... se bem que essa parte do engomar... hum... sortudo! jocas gordas
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De Jorge Soares a 31.03.2009 às 22:58

Olá

Nem mais, a vida é muito mais fácil e leva-se muito melhor quando partilhamos.... sortudo eu?... :-)

Beijinho
Jorge
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De Maria a 30.03.2009 às 21:42

A força de vontade e a organização movem montanhas!

Muitos trabalhadores/estudantes mereciam um louvor no final. A minha mãe também tirou o seu curso enquanto trabalhava. Como ? Estudando de dia, e trabalhando à noite numa fábrica, no turno nocturno, até à 01 da manhã. Com uma casa, marido e filha para criar! Foi obra!

Parabéns ao excelente funcionamento da sua família! São uma verdadadeira equipa!
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De Jorge Soares a 31.03.2009 às 23:00

Olá

Obrigado pelo simpático comentário.....

E sim, a força de vontade e a organização... movem montanhas.

Jorge

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