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Eu no Historia Devida V :-)

por Jorge Soares, em 07.05.09

Historia Devida

 

Depois de O Quebra cabeças de arame, de O perfume daquela rosa, de A carta, e de  O Caminho dos Medronhos agora foi a vez de O menino Valente 

 

Recebi o seguinte mail da Antena 1:

 

"Caro Jorge Soares:

Queria avisá-lo de que, no próximo Domingo, dia 10, vamos ler a história que nos enviou, «O menino valente», numa emissão que tem como convidado o jornalista Pedro Pinto.

Pode ouvi-la na Antena 1, a partir das 13h.


Para se manter actualizado em relação ao programa, consulte o nosso blogue: 
ahistoriadevida.blogs.sapo.pt"

 

Cumprimentos, e boas histórias,
Inês Fonseca Santos.

 

Eu tento manter o blog activo e vivo, por vezes é difícil pensar num tema, ou ter vontade de escrever.... por vezes, como ontem, nem vontade nem escrita... há dias assim, em que saem umas coisas que são uma espécie de posts...  mas há dias em que a inspiração aparece mesmo e saem umas coisas de jeito...  hoje estou modesto.

 

Este é o quinto texto que escrevi para o blog e que enviei para a RDP que é escolhido para ser lido no programa... é motivo para estar assim um bocadinho orgulhoso.. até porque os textos fazem parte das minhas memórias e são um bocadinho de mim.

 

O menino Valente

 

 

As couves para o jantar do natal são plantadas mais ou menos pelo São Martinho, a minha mãe semeava o leirão no fim de Setembro, se o ano fosse bom e a geada não as queimasse, para o São Martinho estavam em condições de serem colhidas e plantadas na horta. Ela semeava sempre um leirão  a mais com a ideia de as ir vender.

 

De Alviães a Telhadela é mais ou menos uma hora de caminho a pé, por entre pinheiros e eucaliptos, o velho caminho de terra segue a encosta do rio Caima até que já à vista das primeiras casas o atravessa pela  velha ponte.

 

Eu devia ter uns 5 anos, a minha mãe acordou-me de madrugada, muito antes do sol nascer, o velho cesto com as couves arrancadas à terra na tarde anterior estava pronto. Um pouco de agua para que arrebitassem, cesto à cabeça, e fizemos-nos ao caminho. Noite escura como breu por entre os montes, sem luz nem lanterna,  lá fomos andando, sem medos que eram outros tempos. 

 

O menino valente

A seguir à ponte e antes das primeiras casas havia um bosque de castanheiros, estávamos quase a chegar, de repente por entre o mato ouvimos um ruído, o meu coração acelerou mas não dei parte de fraco:

 

-Mãe, não tenhas medo, eu estou aqui contigo!

 

Chegamos às primeiras casas com a aurora, em menos de nada todas as couves estavam vendidas e um punhado de escudos estava bem guardado, quando voltamos a passar pelos castanheiros já o sol se levantara e as castanhas eram visíveis dentro dos ouriços. Nessa altura o cesto que havia sido das couves molhadas, passou a ser das castanhas para o magusto.

 

Agora ninguém vai a Telhadela a pé, imagino que o caminho terá sido invadido pelas silvas e o mato, já ninguém vende couves num cesto à cabeça e já não restam meninos valentes.

 

Jorge Soares

PS:Imagens retiradas da internet

 

publicado às 21:29


1 comentário

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De susana Rodrigues a 08.05.2009 às 12:43

:) enquano lia a tua narrativa fez-me lembrar , nem sei bem porquê, os manuais da escola. Esse era um bom texto para um manual de escola. Está muito bem escrito, mesmo. O menino valente ainda vive bem dentro de ti.
Um abraço forte e parabéns:)
Su

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