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Ainda a professora de história...

por Jorge Soares, em 19.05.09

A professora de história

Imagem retirada do HenriCartoon

 

Nos países hispânicos da américa latina e aqui ao lado na vizinha Espanha, para os professores  é utilizada a palavra maestro, que traduzido à letra significa mestre. Um mestre é um individuo que com o tempo e a educação adquiriu um conhecimento numa determinada área, que utiliza para  orientar e transmitir aos seus pupilos

 

Antes de mais, estou um bocadinho baralhado, desde que ontem publiquei o post até este momento, os contadores ali ao lado registaram muito perto de 1000 visitas ao blog, tendo em conta que a média diaria das ultimas semanas anda perto dos 350....  temos que concordar que este é um tema que interessa às pessoas.  Bom, mas vamos ao que interessa.

 

Eu sou pai, tenho dois filhos que estão a terminar o primeiro ciclo e que brevemente entrarão na idade da curiosidade, do aprender, sou a favor da educação sexual na escola e em casa, e se um dia algum deles me vier contar que uma das professoras passou uma aula a falar de educação sexual e que falou de orgias e de sexo  eu tenho a certeza de que não vou ficar chocado nem vou armar nenhum alarido. O sexo faz parte da educação e deve ser tratado por pais e professores... mesmo que isso implique que se fale de orgias. Mas tentar confundir o que ouvimos naquelas gravações com educação sexual ou tentar dizer que o que se passa aqui é fruto de pais pudicos e falso moralismo é querer tapar o sol com uma peneira.

 

Há quem tente defender a senhora, eu não vejo como se possa defender algo como isto, o papel dos professores é formar, já seja pela transmissão de conhecimentos ou pelo exemplo, e eu não consigo entender como é que podemos ver o que aqui se passou como uma aula ou formação, que exemplo pode dar esta senhora? Todos nós sabemos que as crianças são dificeis, que não são inocentes, mas deve haver uma fronteira que separa o comportamento do aluno e do professor, é essa fronteira que define a autoridade dentro da sala de aula, quando o professor não consegue manter-se do seu lado da fronteira, o que resta aos alunos?

 

Também encontrei quem tente ver aqui mais um acto de perseguição da ministra ou do governo, meus senhores, tenham juizo. Isto é um caso disciplinar, li algures que já haviam queixas antigas contra a professora e que a escola nunca fez nada, talvez se tivessem feito, isto não estaria agora a acontecer.

 

Sei que entre os autores dos blogs que visito e que me retribuem a visita há muitos professores, pessoas que aprendi a admirar e a respeitar pela imagem que transmitem nos seus blogs, pela forma como escrevem e como levam a vida. Não sou pessoa de avaliar o todo pela unidade, nunca seria capaz de generalizar, mas também não nos podemos enganar, como em todas as profissões, há bons e maus professores, infelizmente, esta senhora foi noticia porque realmente só pode ser uma má professora... nunca poderia ser um maestro ... ou um mestre.... mesmo que exista lá na escola quem a ache o máximo, como podemos ver nesta noticia do Publico:

 

Alunos consideram professora suspensa de escola de Espinho como "a mais espectacular"

 

Como li algures noutro blog,...se calhar, se quando eu tinha 13 anos alguma das minhas professoras viesse para as aulas falar de orgias ..eu também a acharia o máximo.... nãaaa, nada disso.

 

Jorge Soares

 

publicado às 21:36


36 comentários

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De Paola a 20.05.2009 às 13:49

Jorge, eu concordo com contigo. O que ouvimos é mau demais. Até tenho para mim que sexualidade é um coisa e sexo é outra... A professora foi "grosseira" nos termos que usou, na forma... muitos erros linguísticos. Nós não sabemos é o contexto... está doente? foi pressionada? porque nunca se queixaram dela? porquê aquelas duas alunas? porquê agora? porque gravaram? ...tanta coisa que não se sabe... a verdade é as as gravações são ilegais e não são prova! Temos que esperar... Repito que o que ouvi foi mau demais! E os professores não são assim!!!

Beijinhos
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De Jorge Soares a 20.05.2009 às 21:45

Amiga, há muitas pontas soltas por aí, li algures que já haviam feito queixa dela antes e ante a passividade da escola, resolveram arranjar provas...
Amiga, aqui para nós que ninguém nos ouve, se tivesses um filho naquela sala querias saber para algo da legalidade das gravações? Imagina por um momento que decidem que as gravações não podem ser utilizadas no inquérito e que não há provas e por tanto ela é inocente... achas possível aquela senhora voltar a dar aulas naquela turma?... ou até naquela escola? Tu querias querias aquela senhora a dar aulas aos teus filhos?... por muito colega tua que possa ser...

Jorge
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De Paola a 20.05.2009 às 21:55

Meu amigo, já te disse que partilho da tua incompreensão. O que ouvi é inadmissível. Foi tudo muito grosseiro, boçal, mesmo. Concordo que a professora não tem condições para leccionar naquela escola... nem sei se noutra. No entanto, há cada vez mais pontas... e nós, à distância e com o coração na boca e nos dedos, devemos esperar... apenas porque, em tese, podem existir dados que nos escapam. Receio a generalização... receio que este "exemplo" funcione ao contrário, que se perca toda a afectividade com os alunos com medo de "represálias", com medo de gravadores... a coisa não me parece tão linear assim...

Beijinhos
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De iris barroso a 20.05.2009 às 14:41

Como disseste e muito bem, "Há professores e professores". Não vejo nada de mais o sexo se abordado em aulas com jovens que estão a entrar na puberdade, pelo contrário, acho benéfico, contudo, é preciso ter atenção à forma como se aborda o assunto, à forma coo se o expõe.

É uma idade muito complicada, onde certas coisas aparecem sem explicação e que são difíceis de entender, pelo que uma linguagem cuidada e até mesmo estudada é imperativa. Como disse no meu blog, quando ouvi os títulos das notícia e ainda antes de ouvir as gravações, também achei que era uma guerrinha púdica, que alguns pais estavam a fazer, mas não é o caso. Falar de sexo na maioria das matérias é praticamente incontornável, como em Biologia, em História, Sociologia, ou até mesmo em Filosofia, mas a forma como o tema é abordado, deve ser compatível com a idade dos jovens e sobretudo contextualizada na matéria.

Ora não foi nada disso que aconteceu naquela sala de aula.

Tens toda a razão!
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De Jorge Soares a 20.05.2009 às 23:52

Completamente de acordo.

Jorge
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De Piloto Automatico a 20.05.2009 às 17:49

Mais do mesmo...
Correndo o risco de me repetir, na minha opinião, esta questão da professora de Espinho está tão inflamada e extrapolada que tolda o juizo de quem sobre ela opina, e sobretudo porque o faz com grande sobeja e a talho de foice dos seus próprios valores morais individuais, como se fossem padronizados.
Assim, indo a factos:
É obvio que a professora se excedeu.
É obvio que o sexo tem o seu lugar na educação escolar (a defeito de não existir muitas vezes em casa ao contrário do que se apregoa) e não é seguramente naquele formato.
É obvio que qualquer assunto mais juicy faz correr rios de tinta, tempo de antena e posts recorrentes.
É obvio que este caso é sintomatico de um mal maior.
É obvio que qualquer pessoa condene este situação.
Algo de novo? Não.
Simplesmente a continuação do falso pudor e do pudismo exagerado, ambos refletidos na indignação com que este assunto é retratado um pouco em todo o lado, como se fosse caso único ou o mais grave dos casos, e essa é que é a pior crença, isso sim é tapar o sol com uma peneira, achar que isto é o mais grave.
Tudo isto me faz lembrar que a capacidade de ficar de acordo em ter opiniões diferentes não é um dos tais direitos adquiridos que estão na moda.
Caro jorge, alguém já aqui perguntou a que propósito é que as alunas resolveram gravar e expor a situação que afinal de contas durava há anos e era adorada pelos alunos até então... deixo também essa no ar, e se me permites o tempo de antena, deixo-te ainda um extracto de um mail que recebi, que ilustra bem o reverso da medalha, e a necessidade de travar os julgamentos publicos via imprensa e fundamentados em preconceitos e moralidades daqueles que fica bem apregoar na internet salvaguardando que se apoia a causa doeste ou daquele grupo social:
"(...) Nunca houve em Portugal geração mais privilegiada do que a actual, à qual esses putos pertencem. Nunca qualquer puto teve tanta liberdade e tanta guita no bolso como esta malta. Nunca as pitas foram tão boas e tão disponíveis para f...r com a turma inteira como agora. Nunca houve tamanha liberdade de mandar os pais à m.... e exigir uma melhor mesada porque é altura dos saldos (...)"
Um abraço
F de Francisco
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De Jorge Soares a 20.05.2009 às 19:35

Há algo que não percebo, com tantas coisas óbvias... o que é que te chateia?

Há algo que para mim é evidente, o assunto deve ter mesmo importância, porque de certeza absoluta que se não tivesse, tu não te darias ao trabalho de escrever um comentário deste tamanho...e não me parece que te dês a esse trabalho pelo facto de eu escrever sobre isto ou sobre outra coisa qualquer... não me parece que o meu pobre blog e o que nele escrevo tenha essa importância para alguém para além de mim.... e muito menos para ti.

Também não sei a que chamas falso pudor.... se há algo que não tenho é pudor... mas é evidente que não podes saber isso, talvez pudesses imaginar se tivesses lido todo o blog... ou pelo menos uma grande parte.... agora não me parece que possa tirar essa conclusão da leitura de dois posts.... além disso.... já li e reli..e não consigo ver onde está o pudor no que eu escrevi.

É evidente que em todo este caso há muitas coisas por explicar, muitas coisas que se podem por em causa... mas há algo que não se pode esconder.... as palavras ditas pela senhora... se elas foram gravadas às escondidas ou não.. que importa?.. ou comungas da ideia de que o ladrão só é ladrão se for apanhado com a boca na botija?.... no que a mim me diz respeito, a coisa até podia ter sido gravada pelo SIS... a verdade é que ela disse aquelas palavras...e ainda não veio dizer que não as disse...

Quanto ao teu extracto do mail, sim, também penso assim.... mas a verdade é que ninguém é obrigado a ser professor, e ou se é capaz, ou não se é, e se não se é, então o melhor é reconhecer e abandonar o barco antes daquele momento em que descemos ao nível dos alunos mal formados e mal educados... porque no momento em que se desce, já não há volta atrás.

Quanto ao resto, como te disse ontem, cada um escreve nos seus blogs o que entende... e olha que este teu comentário me deixou tentado a escrever pelo terceiro dia consecutivo sobre o mesmo assunto...

Jorge

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De Piloto Automatico a 20.05.2009 às 20:48

Caro Jorge, Paz, insisto!
Então numa de Paz, eu não falei em falso pudor concretamente em relação a ti (acredita que ando nisto dos blogs há tempo demais para entrar em ataques pessoais, tenho telhados de vidro).
O que me chateia como lhe chamas é a exacerbação de um assunto disfarçado de outro, ie, anda toda a gente muito preocupada com o CONTEUDO (falar de sexo e orgias e virgindade) e a não dar realmente muita importância ao FORMATO (prepotência, arrogância, ameaça e mais importante que tudo, a falta de educação sexual tanto na escola como em casa - daí, hence, o falso pudor).
Mais ainda, toda esta situação está camuflada de furo jornalistico à lá sensation para responder às expectativas da audiência, que na realidade é disto que gosta de assistir, para poder soltar veborreias e outras "eias" desde cafés a blogs passando pela padaria da esquina ou na paragem do autocarro. Nota que nada do que escrevi foi um ataque pessoal a ti, ou ao teu blog, ou ao que escreves. Se aqui venho e se aplico tempo a comentar é porque acho que vale a pena, caso contrário, goodbye maria ivone.
Se realmente escreveres sobre este assunto outra vez, posso-te desafiar a tentares fazer um exercicio? Experimenta fazer de advogado do Diabo: porque será que a prof teve aquele comportamento? e já dura há alguns anos segundo consta... Porque será que o sistema só agora deu o alarme? O que terá feito com que os putos a elegessem ainda agora como a prof preferida? O que está mais errado, o professor em falta ou o sistema que permite que ele se manifeste daquela forma? e por fim, achas que o papel do prof é seguir a cartilha do ministério cegamente? ou terá um papel de educador/formador, ao qual, embora no formato errado, aquela professora acabou por corresponder?
Um abraço
F de Francisco
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De Jorge Soares a 20.05.2009 às 23:56

Ok, ... Paz

Não fiz o que disseste, mas pelo menos fiz uma parte

Entende, eu estou de acordo com quase tudo o que dizes, só que a mim me parece que este caso merece pelo menos uma parte da relevância que lhe foi dado..

É claro que devemos saber distinguir o trigo do joio e dar valor à maioria dos professores, porque realmente são mestres, mas também não podemos esconder o lixo para debaixo do tapete. Era muito melhor que a escola tivesse sabido resolver o problema sem se ter chegado a este extremo, mas não o fez.

Abraço
Jorge

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De aespumadosdias a 20.05.2009 às 18:59

Hoje no final de uma das aulas falou-se do assunto. Os meus alunos não a acharam boa professora, antes pelo contrário. Eu disse-lhes que como em todas as profissões há bons e maus profissionais.
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De Jorge Soares a 20.05.2009 às 23:58

OLá

É essa a mensagem que se deve passar, que há muitos bons professores mas também há alguns (poucos) maus professores.

Abraço
Jorge
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De Francisco a 21.05.2009 às 16:04

É bom ler opiniões todas elas bem fundamentadas acerca do caso da professora, da forma como abordou o tema da sexualidade e sobretudo daquilo que pode ser considerado como abuso da autoridade e poder, em jeito de ameaça, efectuado pela professora quando afirma ser ela a detentora do poder de correcção e atribuição das classificações.
Ainda bem que aqueles que comentam são todos excelentes pais e quem sabe professores, que são cidadãos exemplares, cheios de valores elevadíssimos.
Perdoem-me é não alinhar convosco nesta política de fácil condenação de uma pessoa em praça pública.
Não concordando nunca com as ameaças, com a aparente falta de tacto em relação à linguagem utilizada, é fácil escondermo-nos no argumento que aquela professora estava a falar para duas crianças inocentes e puras, que acreditavam estar, com aquele acto, a expor a pior das criminosas.
Duvido nisto tudo é da suposta inocência destas crianças, bem dirigidas pelas suas encarregadas de educação. Sem querer alongar muito ou ferir susceptibilidades , perguntem-se e questionem acerca desta inocência, ou falta dela, porque digo-vos, já vi mais maldade em míudos de 13 anos, com comportamentos mais obscenos que muitas "mulheres da noite", tudo por falta daquela suposta formação e educação que deveriam ter tido.
Para finalizar aconselho-vos o filme Kids e depois digam algo
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De Jorge Soares a 23.05.2009 às 22:56

De certeza que eu não serei o pai perfeito, de certeza que as crianças não são santinhos, mas como digo no post, há uma fronteira que separa o aluno do professor, precisamente aquela que faz que exista autoridade dentro da aula, e quanto a mim, esta senhora esqueceu qual o seu papel.

E digo mais, fosse eu pai de um destes alunos, e ela ia ter uma conversa muito desagradável com um pai que se preocupa, com um pai presente.

Jorge Soares


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