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Eu na assembleia da república

 

Como tinha dito no post da passada segunda feira, ontem, para além do meu aniversário, era dia de ir à assembleia da republica, participar no debate A criança e o direito à família- Histórias de Adopção.

 

A  sessão que durou o dia todo, poderia dar para vários posts, a participação (para mim surreal) do Dr. Guilherme Oliveira, o testemunhos e as  restantes participações, as  conversas à hora do almoço, a participação de juízes e magistrados, e claro, o debate da tarde...cada um destes pontos daria um post.... Aliás, vários....  vou tentar focar os pontos principais.

 

Como não poderia deixar de ser, o início que deveria ter sido às 10, foi mais de meia hora depois, afinal estamos em Portugal. Depois das apresentações, a entrada no tema, foi feita por Guilherme de Oliveira, presidente do Observatório para a adopção. Eu nunca percebi muito bem qual o papel deste observatório, não sei o que faz ou o que observa, e agora sai mais baralhado. Para grande espanto meu e dos restantes pais e candidatos, este senhor, para além de declarações no mínimo polémicas sobre o biológico e o afectivo, pintou a situação de uma forma tal, que eu me questionei se estaríamos a falar do mesmo país. 

 

Para ele, como podem ouvir aqui, a adopção é um caso de sucesso, em 3 anos passou-se de 400 para 800 adopções no país, é claro que o facto de continuarem a existir mais de 11000 crianças institucionalizadas, não interessa nada, o facto de os candidatos continuarem a ser maltratados nos serviços, não interessa nada, o facto de existirem enormes assimetrias e diferenças de funcionamento entre os vários distritos, não interessa nada, o que interessa são os números. Ou seja, ele deve estar a olhar para o lado errado da coisa, porque aquilo que nós, as pessoas que estamos deste lado, as pessoas que me escrevem mails, as pessoas que me deixam comentários no blog, a percepção que temos, é que de sucesso, nada.  

 

Seguiram-se duas excelentes participações das Dras, Maria Gomes Bernardo Perquilhas- Juíza do Tribunal de Família e Menores de Lisboa e Lucília Maria das Neves Franco Morgadinho Gago- Procuradora-Geral Adjunta, que falaram dos processos em tribunal e das leis.

 

Depois seguiram-se os testemunhos, nós tínhamos sido convidados através da Associação Bem Me queres,  não sei se estavam à espera ou não, mas dos 3 testemunhos, dois foram de pessoas que apresentavam uma realidade bem diferente da mostrada pelo observatório. Deve ter sido um pequeno choque para a maioria dos presentes, afinal, do caso de sucesso, muito pouco, bem pelo contrário, problemas, dificuldades, falta de comunicação entre as diversas seguranças sociais, etc, etc.

 

Certo, é que hoje, toda a comunicação social, contrapunha as palavras do caso de sucesso, com as criticas dos candidatos, as nossas criticas.

 

Seguiu-se o almoço, e uma conversa deveras interessante com a Dr.ª Alexandra Lima- Directora do Serviço de Adopção da Santa Casa de Lisboa, onde entre outras coisas, ela me confirmou que em Lisboa também não utilizam as famosas listas nacionais, porque a informação que lá está não está estruturada, não tem lógica e portanto não serve para nada... não foram estas as palavras exactas, mas foi este o sentido..... Isto é muito interessante, porque a Dra. Idália Moniz, ao fim do dia encerrou a sessão dizendo que o que eu tinha dito no debate era mentira, e que sim senhor que as listas estão a ser utilizadas a nível nacional...será que Lisboa não faz parte do "nacional"

 

Do resto falo amanhã... que eu não gosto de posts longos.

 

Podem ver as notícias na imprensa  aqui:

 Publico

Expresso

Sol

Ionline

DN

 

 Jorge Soares

 

PS:Imagem retirada de aqui ... também tive uma conversa interessante com a dona deste blog... que depois de saber que é deputada.. a tornou no mínimo, surreal.. mas já falarei disso.

publicado às 22:01


21 comentários

Sem imagem de perfil

De Teresa Cordeiro a 02.07.2009 às 00:36

Olá Jorge
Tenho andado tão por fora que só hoje soube da vossa passagem pela Assembleia. Li as notas da imprensa . Apesar de já dever estar preparada para mais um desapontamento, foi triste ler as declarações da senhora secretária de estado adjunta, Idália Nunes, que afirma que só existe uma lista nacional. Na reunião final de avaliação do nosso processo, a assistente social disse-me com todas as letras que os meninos do seu distrito eram entregues exclusivamente a candidatos do mesmo. Só no caso de não serem encontrados candidatos com vontade de acolher uma criança específica é que se partia para a lista nacional. Se calhar o melhor era terem convidado todos os técnicos da SS a participar na audição. É possível que ainda não lhes tenham passado a informação. Afinal ainda só passaram o quê? 3 anos? No final da dita reunião disseram-me que o meu distrito até é dos mais céleres. Preferia a lista nacional. O meu certificado chegou há 1 mês. sinto-me feliz. Mas preferia não ter a noção de que provavelmente vou passar à frente de outros tão ansiosos e merecedores como eu.
Mais uma vez obrigada pelo teu serviço público.
Nada mau para quem foi um adolescente tímido.
Mas, olha, já tenho saudades de uma receitazinha ...O que foi o jantar?
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De Jorge Soares a 03.07.2009 às 00:23

Olá Teresa

Sim, é triste e muito revoltante, até porque À hora do almoço a responsável da Santa Casa de Lisboa tinha-me dito que não utilizam as listas....

Uma receita... pois.... vamos ver... um destes dias.

Beijinho
Jorge

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