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 " se a Espanha adoptou

internacionalmente 50.000 crianças, dessas 35.000 era da Guatemala. O que
significa que a Guatemala perdeu 35.000 habitantes de sua nacionalidade..."

                

                               Edmundo Martinho, Presidente do instituto da segurança Social

 

Isto foi dito na sala do Senado da Assembleia da republica em resposta a um comentário de alguém que dizia que Portugal deveria seguir o exemplo da Espanha e incentivar a adopção internacional.

 

Ontem a casa da Maria João parecia um arco íris de cor, crianças, muitas crianças, a maior parte delas veio de Cabo Verde, durante a tarde e parte da noite eu fui ouvindo as histórias de algumas daquelas crianças, historias feitas de fome, de doença, de abandono, crianças que viviam em situação tal que em alguns casos saiam directo do avião para os hospitais de Lisboa, crianças que foram entregues pelos tribunais de Cabo Verde em processos de adopção internacional, processos legais e normais.

 

A madrugada ia alta e dei por mim a pensar na frase que transcrevo acima e neste senhor... se fossemos pelas ideias dele, quantas destas crianças ainda estariam vivas, quantas teriam sobrevivido ao abandono?, às doenças?, aos perigos da rua?

 

Nacionalidade?, será que este senhor sabe do que fala?, será que ele olha mais além dos seus números que ficam bem na comunicação social? será que ele sabe das vidas destas crianças? Será que ele já ouviu falar do que passa no nosso mundo? duvido.

 

Alguém que acha que é mais importante a nacionalidade que o bem estar das crianças é alguém que não sabe olhar para o mundo. Há muita gente neste mundo que é incapaz de olhar um pouco mais além de aquilo que conhece, há vida para além do umbigo de cada um de nós, e há sítios do mundo onde há vidas muito tristes, vidas com as que nem sonhamos, eu sei, ouvi algumas dessas historias ontem.... e fiquei ainda com mais vontade de adoptar, porque fiquei com a certeza que o meu egoísmo traduzido no desejo de ser pai, se vai converter em esperança de vida para uma criança que dificilmente a teria de outra forma.

 

Será que o Sr. Edmundo Martinho, todos os Srs. Edmundo Martinho deste mundo, são capazes de olhar para além do seu umbigo? duvido, afinal, ele é mais um dos que dizem que a adopção em Portugal é um caso de sucesso.

 

Olhando para os comentários deste senhor, recordando tudo o que ele disse no passado dia 23 de Junho, até para a sua falta de educação para quem apresentou problemas e factos reais, este senhor está a mais no seu cargo...falta muito para as eleições legislativas?

 

 

Jorge Soares

 PS:Imagem retirada da internet

 

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publicado às 21:38


14 comentários

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De António Manuel Dias a 29.06.2009 às 00:26

Bem, a afirmação de Edmundo Martinho que citas é bastante infeliz (para não dizer estúpida... ups, já disse). No entanto, o argumento que apresentas também não é feliz, por duas razões. Em primeiro lugar, pareces querer acabar com o sofrimento das crianças nos países mais pobres através da sua adopção nos países mais ricos e sabes bem que isso não vai resolver nada a não ser o problema das crianças adoptadas. Por cada uma que sai ficam dez, cem, mil crianças na mesma situação. A pobreza resolve-se com políticas de educação, desenvolvimento e planeamento familiar nos países de origem, não retirando as crianças para outros países. Aliás se, por absurdo, conseguisses lugar no primeiro mundo para todas as crianças necessitadas do terceiro mundo, acabavas com os países do primeiro sobre-lotados e com os do terceiro sem habitantes...

A segunda razão é mais grave. O argumento da pobreza das crianças de países como a Guatemala ou Cabo-Verde como razão para a adopção, encara novamente esta instituição como caridade, como um serviço que algumas famílias beneméritas prestam aos mais desfavorecidos. A adopção não é caridade!
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De Jorge Soares a 29.06.2009 às 00:45

António

Eu não vejo o que dizes no que eu escrevi, entendo que o possas ver assim, mas não era esse o meu argumento.

Evidentemente a adopção não é caridade, e evidentemente a adopção não resolve nada, nem em Cabo Verde nem em Portugal, sempre disse que a adopção é um acto de egoísmo, o que nos leva a adoptar é o desejo de ser pais e não o de salvar criancinhas.

O facto de ele ter falado da Guatemala não é inocente, foi na Guatemala que se descobriu o negocio dos orfanatos que vendiam crianças para adopção, e este senhor tentou fazer essa ligação.

A adopção internacional é uma opção como é a nacional, é uma opção que abrevia a nossa espera e o nosso desejo egoísta de ser pais, e deve ser aceite e apoiada como é a nacional. O que este senhor disse para além de uma enorme estupidez, é um insulto para pessoas como a Maria João e todas as outras pessoas que adoptaram no estrangeiro...

Mas isso não impede que se olhe para as crianças e se pense no que seria delas.

Jorge
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De Maria a 29.06.2009 às 09:24

É por isto (e muito mais) que este país me revolta cada vez mais... gente incompetente, sem sensibilidade em cargos de chefia, com trabalhos certos, ordenados ao fim do mês, regalias várias, enquanto que outras pessoas andam "ao tio ao tio" para arranjar um trabalhito que seja. Um call center já será bom!!!! ...

Tenho vontade de emigar e cagar para este país de m****. Desculpe o desabafo tão gráfico mas é mesmo isto que sinto.

Mas ninguém contrapôs as bocas do senhor? Ninguém lhe disse que aquele tipo de raciocínio não fica bem a quem dirige a segurança social?!!!!
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De Jorge Soares a 29.06.2009 às 23:17

Olá

Esta afirmação já foi em resposta o que tínhamos dito antes, e o senhor até foi bem mal educado connosco, e depois já não voltamos a ter o direito à palavra...

Sabe, depois de lá estar, depois de ouvir o que foi dito por ele, pelo Guilherme de Oliveira, pela Idália Moniz... eu começo a perceber porque é que a adopção e a protecção das crianças estão como estão... porque só temos burocratas à frente das instituições.

Está desculpada..

Jorge
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De DH a 29.06.2009 às 15:44

Inacreditável! É quando ouço estas coisas que as fronteiras, as nacionalidades, as raças, as diferenças culturais e tudo aquilo que construímos para nos tornarmos diferentes me parecem apenas desculpas para não reconhecermos a nossa humanidade.
Pergunto-me se é mais importante pertencer a um país ou estar vivo, feliz... e ter uma família.
Essa frase é de quem nunca olhou outro ser humano nos olhos... de certeza.
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De Jorge Soares a 29.06.2009 às 23:22

Sem duvida, esta +e uma frase que só pode ser dita por quem não tem o menor respeito pelas crianças e pelas pessoas.

Jorge
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De Fábio Pio a 29.06.2009 às 19:04

Olá Jorge que coragem para abordar temas tão complexos !

Que afirmação infeliz, de alguém que têm responsabilidades governamentais!
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De Jorge Soares a 29.06.2009 às 23:25

Olá Fábio

Bem vindo por estas bandas.

Vou dizendo o que penso, o que vivo.. é disto que é feito o blog

Sim, é uma afirmação muito infeliz, sobretudo porque foi dito num contexto onde se falava de crianças, de família e de vidas.

Abraço
Jorge
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De Maria João a 30.06.2009 às 19:12


Não adoptei por caridade e quem me conhece sabe bem que travo outras lutas (políticas) por um país e por um Mundo mais justos com mais equilíbrios económicos e sociais.
Adoptar não é caridade!
No entanto, não vou conseguir mudar o Mundo e colocá-lo na minha linha do que se aproxima de um Mundo Ideal. As utopias são inatingíveis mas acredito que é possível lutar para que se chegue o mais próximo possível.

Quanto à afirmação do Sr. Dr. Edmundo Martinho, levantei-me naquele instante e sai da sala. Já não podia intervir e não ia ficar ali a ouvir aquilo.

No momento certo, farei chegar a informação devida a quem, pelos vistos, não a conhece.

No entanto, aqui fica:
Em 5 anos, Espanha adoptou 23.035 crianças no total. Estamos, portanto, um bocadinho longe das 50.000.

2003: 3.951
2004: 5.541
2005: 5.423
2006: 4.472
2007: 3.648

Espanha adoptou da Guatemala, nestes 5 anos, 25 crianças!!!

2003: foram 8
2004: foram 3
2005: foram 0
2006: foram 6
2007: foram 8

Fonte destes dados que apresento: Ministerio da Educacion Politica Social - http://www.mepsyd.es/dctm/mepsyd/politica-social/familias-infancia/pagina-web-definitivo-estadistica-2003-07.pdf?documentId=0901e72b80027856 (http://www.mepsyd.es/dctm/mepsyd/politica-social/familias-infancia/pagina-web-definitivo-estadistica-2003-07.pdf?documentId=0901e72b80027856)

Hoje estou, particularmente, desanimada com toda esta realidade e com quem a compõe.

Deixo-vos os dados e a fonte dos mesmos.

Palavras para quê?

Um abraço a todos os que continuam a acreditar que é possível um Mundo melhor para todas as crianças deste Mundo.

Maria João

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De Silvia a 04.07.2009 às 17:53

A conversa do Dr. Edmundo parece realmente conversa salazarenta, a tal do orgulho nacional. Começo a acreditar mesmo que o culpado do Salazarismo não era o próprio, mas sim o povo que governou. Tiradas como esta não são exclusivas dos burocratas que estão no "poleiro", ouvimo-las muitas vezes na rua. O que interessa o local onde se nasceu ? O que interessa a cor da minha pele ? O que interessa a minha língua ? Cada vez mais somos cidadãos do mundo e cada vez mais temos de pensar nestes termos; o que acontece nos países vizinhos vai-nos acontecer a nós, inevitavelmente.
As crianças guatemaltecas estão concerteza muito felizes com a sua nova nacionalidade e muito orgulhosas das suas antigas raízes.
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De Jorge Soares a 05.07.2009 às 21:47

Sim, de certeza que as crianças Guatemaltecas, ou as Cabo Verdianas, ou as chinesas... ou as de qaulquer outra nacionalidade que são adoptadas, se sentem muito felizes porque tem uma família e não lhes importa minimamente a sua nacionalidade...

Salazar morreu há muito tempo, as suas ideias foram varridas com cravos e cantigas, mas parece que em algumas mentes restam resquícios... mas o tempo não anda para trás, só para a frente...

Jorge
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De Um Caboverdiano a 28.01.2015 às 10:55

Mesmo que retire a imagem da Internet, o senhor que é tão sensível aos direitos das crianças devia saber que está a usar uma imagem indevidamente, bem como quem a fez, fê-lo indevidamente. Os pais consentiram essa imagem? Essa imagem lhe parece (ilustração do seu tema) de crianças esfomeadas, doentes e abandonadas? Sabia que a nós, caboverdianos enoja-nos esse paternalismo cínico, vindo de um país que vive em negação da sua própria miséria, como o seu? E se começassem a adoptar as vossas próprias crianças miseráveis?...Mas, teria o mesmo impacto filantropo, não é? Pois...
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De Jorge Soares a 28.01.2015 às 11:43

Não lhe retiro razão com respeito à questão da imagem, sim, retirei a imagem da internet.

Quanto ao resto, em primeiro lugar eu não adoptei por filantropia nem para ajudar as crianças, nem a que adoptei cá nem a que adoptei em Cabo Verde.

Em segundo lugar,a miséria existe em Portugal e em Cabo Verde, eu sei, já a vi cá, e já a vi em Cabo Verde, e não vale a pena tentar esconder, é a realidade.

Em terceiro lugar, imagino que o senhor seja contra as adopções internacionais, de certo é dos que acha que as crianças estão melhor nos seus países mesmo que morram de fome...sendo assim, acaba aqui a conversa, simplesmente não discuto com quem pensa assim.

Jorge Soares
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De Um Caboverdiano a 28.01.2015 às 12:23

Desculpa a picada. Era só para ter a noção da nossa indignação. Saudações (também termino aqui a conversa, pois não discuto com quem pensa assim)

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