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Quinta da regaleira

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Um destes dias a Jonas neste seu post em jeito de dúvida existencial perguntava quanto pode valer na vida, fazer aquilo de que gostamos. É uma pergunta pertinente, fazer aquilo que realmente gostamos e ainda por cima receber o dinheiro justo por isso... não está mesmo ao alcance de todos... e eu diria que não tem preço.

 

Hoje lembrei-me da Jonas e do seu post. Decidimos aproveitar o feriado para ir a Sintra e visitar a Quinta da Regaleira com os miúdos. Podíamos ter escolhido um dia mais seco, 90% da visita é ao ar livre pelos jardins do palácio e choveu a maior parte do tempo, mas não é disso que quero falar.

 

Já lá tínhamos estado há uns 10 anos atrás e na altura a visita correu muito bem, a guia era  uma pessoa muito simpática e toda a visita foi uma agradável lição de história. Hoje o guia chamava-se Ricardo e claramente estava ali a fazer um frete. 

 

Havia no grupo umas 4 ou 5 crianças, umas mais irrequietas que outras, mas quase todas muito curiosas. Num lugar como aquele, envolto em algum mistério, em que a visita vive muito desse mistério, o mais natural é que as crianças perguntem e queiram saber.  Ora, o senhor não estava para isso, porque não gostava de ser interrompido, porque não gostava que as crianças se chegassem a ele, porque não gostava quando alguém não percebia bem o que ele dizia e perguntava qualquer coisa, bom, enfim, um sem-fim de situações que chegavam a roçar o ridículo. 

 

Eu sei que nem todos temos a mesma paciência, nem sempre estamos bem dispostos, mas se estamos num sitio publico, se temos que lidar com pessoas, se ainda por cima aquilo que fazemos tem a ver com comunicar com as pessoas, devemos ter um mínimo de profissionalismo. Se não temos paciência para as pessoas, se não gostamos de crianças, se não gostamos de ser questionados, se não estamos para ouvir as perguntas e esclarecer... porque é que simplesmente não vamos fazer outra coisa qualquer? Que culpa tem os visitantes, que até pagaram para o ouvir, da falta de paciência do senhor? Que culpa temos nós que o senhor não goste daquilo que faz?

 

Eu não sei quanto ganhará um guia turístico, de certeza que a que nos calhou da outra vez, ganhava muito pouco para a forma como nos conseguiu interessar pela história e os mistérios da quinta, e de certeza que este senhor Ricardo, ganha muito para a forma como não consegue transmitir nada disto.

 

Jorge Soares

 

publicado às 22:05


1 comentário

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De Mia a 05.10.2009 às 23:11

Olá, Jorge!

Não se trata de gostar ou não daquilo que se faz. Se uma pessoa aceita um emprego (aceita tambem as tarefas que lhe são inerentes, o horário imposto, como o respectivo salario) só tem que ser profissional e desempenhar da melhor forma possivel a sua função. Aposto que a maioria das pessoas não gosta do que faz... porque não é a sua area, porque acha que é mal pago, enfim N. de razões para não gostar do seu trabalho. fazem-no apenas porque é o meio para colocarem o pão na mesa. E agora pergunto eu: então se sabem que é daquilo que sobrevivem não deveriam dar o seu melhor ( na falta de alternativa de mudar de emprego) para que o pão continue na mesa? Ou os desgraçados dos clientes que os apanham à frente ainda tem que "gramar" com o mau profissionalismo. No meu ultimo post tambem passei por um episodio de mau profissionalismo e falta de educação... não tive meia medidas e pedi o livro de reclamação :P
Bjokinhas

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