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Não é fácil ser pai hoje em dia

por Jorge Soares, em 11.10.09

Calvin contrariado

 

A Essência, terminou este Post com estas palavras:

 

"Os miúdos de hoje, não dão valor a nada, e o pior é que nós pais é que somos os grandes culpados."

 

A propósito do post e desta frase, não resisto a contar aqui algo que se passou cá por casa na passada semana.

 

A R. entrou este ano para o ciclo, com a nova escola vieram algumas coisas novas, entre elas um telemóvel. Não sou lá muito a favor, mas depois de esclarecido sobre as rígidas regras de utilização e controlo de custos, lá acedi meio a contragosto.  Na quinta feira por volta do meio dia tocou o telefone da P. e a conversa foi mais ou menos assim:

 

-Mamã, hoje o almoço no refeitório da escola é arroz de polvo, posso ir comer ao restaurante?

-Mas tu já não compraste a senha?

-Sim, mas não faz mal e já falamos com a mãe da L. ( a colega de turma e amiga de sempre)  e ela diz que podemos ir.

-Eu não sei o que diz a mãe dela, mas tu não vais

-Mas mamã ......

-R. tu já compraste a senha, o dinheiro custa a ganhar, não vais comer ao restaurante quando já compraste a senha

-Mas as minhas colegas vão todas ao restaurante.

-Mas tu não vais...

 

É claro que a R. se fartou de chorar, mas a P. foi irredutível e a miúda  lá teve que ir sozinha ao refeitório da escola. À noite em casa comentávamos o episódio e não deixamos de reparar em como todas as outras mães tinham autorizado a ida das crianças ao restaurante,  isto apesar de quase todas terem comprado as senhas e irem portanto pagarem duas refeições. Estamos a falar de crianças de 10 anos, não sei como funcionam as outras crianças, mas a R. tem um valor estipulado por semana, que cobre as senhas do almoço e dá para num dos dias dar-se um pequeno gosto... idas ao restaurante estão evidentemente fora de questão, mas parece que é comum as outras crianças não gostarem do almoço e irem ao dito restaurante, onde se come pelo triplo do preço do refeitório.

 

Mas a culpa será de quem?.. não é fácil ser-se pai nos tempos que correm, principalmente quando os outros pais cada vez mais permitem tudo e mais alguma coisa...

 

O mundo muda mesmo muito numa geração, como eu dizia neste post, com 10 anos eu nunca tinha visto uma Bola de Berlim, a minha filha liga para casa a dizer que vai almoçar ao restaurante com as amigas.

 

Jorge Soares

PS:Em Setúbal volta a ganhar a CDU, espero que façam u melhor trabalho que n o mandato anterior.

 

publicado às 21:41


29 comentários

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De DyDa/Flordeliz a 11.10.2009 às 23:01

Uma culpa com um nome TELEMÓVEL Será?
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De Jorge Soares a 12.10.2009 às 23:51

Eu diria mais uma culpa com um nome pai... ou mãe... não?
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De cigana a 12.10.2009 às 09:57

O mais velho, tem que gerir a mesada, portanto tanto pode vir almoçar a casa, como ir almoçar fora, como comer no refeitório e o almoço é debitado no cartão do colégio.
Tem 17 anos e tem que ver para o que chega a mesada e aprender a calcular os custos à sua própria custa.
O mais novo nem sequer leva dinheiro, dentro do colégio tudo funciona com cartão, e não está autorizado a ir almoçar fora nem tal lhe passa sequer pela cabeça. Nem a mim! Há prato de carne, prato de peixe e prato de dieta à escolha, ele que não me venha dizer que não gosta de nenhum!
Os telemóveis tenho que reconhecer que são indispensáveis actualmente, ainda que haja regras para o uso e os carregamentos.
Temos que andar com os tempos, mas não é por isso que deixamos de ser responsáveis e razoáveis e mesmo que não entendam, os filhos só ganham com essa política de bom-senso.
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De Jorge Soares a 13.10.2009 às 00:07

O problema amiga é que a maioria chega à idade do teu mais velho e não sabe o que custa o dinheiro, porque se aos 10 anos começam a ir ao restaurante mesmo quando já pagaram a senha do almoço.. como será aos 17?

Temos que andar com os tempos é verdade, mas eu acho que como vejo algumas coisas.. os tempos vão ser maus para muita gente... porque muito poucos saberão dar valor às coisas.

Beijinho
Jorge
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De cigana a 13.10.2009 às 11:24

Sabes como é que eles aprendem a dar valor ao dinheiro, Jorge? Porque quando acaba a mesada, acabam-se os luxos, e é chato estourar tudo numa semana e fazer má figura durante 3, portanto depressa aprendem a gerir a mesada. Tal como nós!
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De entremares a 12.10.2009 às 10:18

Ah, Jorge...

Perguntas bem.
Às vezes sinto aquela sensação de que estou a decidir algo contra a maré, quase como se fosse eu a estar errado e todos os outros a estar certos. sabes o que é, não sabes?
Claro que sabes.
No geral... facilitamos demais. Por motivos diferentes... mas facilitamos demais. Uns por querer que os filhos tenham mais escolhas que nós próprios tivemos, outros por não conseguirem dizer NÃO, outros talvez por nem pensarem que há sempre alternativas, em vez de dizer sistemáticamente sim a tudo.

Os telelés... reconheço, são um mal necessário, só temos é que gerir bem a situação. Agora o que vejo é, ( na minha escola, por exemplo ) a rapaziada toda a ir lá fora comer cachorros, bollycaos e comida de plástico por muito mais dinheiro, com um serviço de refeitório que faz inveja a muitos restaurantes.

E os pais, sabem disso?
Eu creio que... é impossivel não saber. Podem não querer saber, mas isso já é outra questão.

Aliás... quantos pais conhecerão a ementa semanal do refeitório da escola, que por lei está afixada?

Um grande abraço.
Rolando
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De Jorge Soares a 13.10.2009 às 00:08

Se sei!

O problema é que como dizes há muitos pais a olhar para o lado, ou se calhar não, afinal o excesso de crédito, o excesso de consumo, vem de onde?

Resta-nos ser os maus da fita.. olha, do mal o menos.

Abraço
Jorge
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De DH a 12.10.2009 às 10:29

Não, não é ser fácil ser pai/mãe hoje em dia. Não é fácil dizer que não, principalmente quando os nossos filhos vêm "todos os outros" a terem telemóvel, playstation, TV no quarto... e tanta coisas que os meus nunca terão. Ao contrário de ti, ainda não tenho nenhum filho no segundo ciclo, e imagino que as exigências sejam bem piores a partir dos 10 anos. Ao contrário da cigana também não tenho filhos em colégio com tantas opções para almoço, estão os dois na escola pública. Sei que há muitos dias em que não gostam do almoço, mas comem.
Tenho, no percurso escola-casa, a conversa (recorrente) sobre o que os outros têm/fazem e "eu não posso". Quando algum deles têm a feliz ideia de começar a dizer isso, eu começo: "eu agradeço poder ter cães e gatos, eu agradeço poder tomar banho quando chego a casa, eu agradeço..." e tento esgotar todas as coisas simples que temos e que nem nos apercebemos que temos. Ainda por cima há muitas coisas que eu não dou/autorizo porque não quero que eles tenham/façam, e não posso usar a simples desculpa "não posso".
O mundo mudou muito, Jorge. Quando era miúda almoçar em restaurante era em dia de festa, com a família, quando podia ser...
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De Jorge Soares a 13.10.2009 às 00:11

Como dizia o Rolando no comentário acima, por vezes sentimos-nos os maus da fita, porque afinal vamos contra o mundo... mas antes ser mau da fita que chegar um dia e para além de não poder dar os luxos, não poder dar nada....

O mundo mudou, felizmente nós ainda não mudamos assim tanto.

Jorge
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De Pedro Oliveira a 12.10.2009 às 12:02

Como te percebo. O J. leva dineiro para as senhas e o que lhe sobra dá para um goluseima combinada.Só uma vez tive de ir buscá-lo à escola para comenr comigo, tinha perdido a senha.Também está combinado comer sopa todos os dias, as vezes balda-se mas diz-nos.
abr e boa semana
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De Jorge Soares a 13.10.2009 às 22:23

Olá Pedro

Também não queremos que eles sejam perfeitos não é?

Abraço
Jorge
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De Essência a 12.10.2009 às 16:13

Olá jorge,

Em relação a comer na escola, somos muito rígidos. Como não tem autorização para sair, tem que comer lá. Sou eu que marco as senhas no site da escola e vou ver sempre se foi consumida. Quando não gosta da comida, não compramos a senha e vai comer ao bar da escola com o nosso consentimento.

Em relação ao telemóvel, devo dizer que já deu muito jeito. E ele não é daqueles que abusam, tb só tem um plafon no máximo de 5€ por mês.

Relativamente a outras coisas como falo no meu post, é um bocado difícil, mas quando o pai promete, eu sou a primeira a fazê-lo cumprir a promessa e quando um de nós diz não é não.

Mas como tu dizes, não é nada fácil ser pais nos dias de hoje.

Bjs
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De Jorge Soares a 13.10.2009 às 22:35

Olá

Infelizmente a R. tem que sair da escola a meio do dia porque tem parte das aulas no conservatório, e a questão da comida é recorrente, porque as amigas vão muitas vezes ao restaurante.. e é claro que ela fica triste, mas a vida é como é, não como gostaríamos que fosse.

Beijinho
Jorge
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De Mário Gomes a 12.10.2009 às 20:16

100% de acordo, eu tinha feito o mesmo.

É por causa deste tipo de cedências que miúdos chegam à idade adulta sem saber dar valor à vida!

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De Jorge Soares a 13.10.2009 às 22:35

OLá Mário.. ora nem mais.

Abraço
Jorge
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De Escondida a 12.10.2009 às 20:44

Eu cá lembro-me de quando não gostava da comida as minhas amigas irem almoçar fora, que as maezinhas não tinham nada para fazer da vida e iam busca-las e leva-las nesses dias...
Bem, eu, se não gostava da comida, levava tudo prontinho, tipo merendeiro. Eu e as que os pais trabalhavam e não gostavam da comida. Montavamos um pic nic à maneira, e ficavamos todas felizes!

São modernices...

beijinhos
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De Jorge Soares a 13.10.2009 às 22:36

Modernices e sinais dos tempos... sem dúvida.

Beijinho
Jorge
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De su a 12.10.2009 às 23:12

Pois... eu vejo disso todos os dias. Faço um bocado o papel da chata. Mas tenho que lidar crianças que cospem para o chão em pleno refeitório, que deitam metade da comida fora, que se queixam que a comida é má e - acredita que não é, que eu como lá todos os dias -, que pegam em telemóveis para ligarem aos pais se eu simplesmente não deixo ir metade do bife para o lixo. Mas desculpem-me, as crianças não se criam sozinhas, tal como os bons e os maus hábitos . Eu cá não sou mãe, mas desde sempre tive noção que a comida é algo precioso, que no máximo negoceia-se com os pais o que se pode ou não comer, se não gostarmos mesmo muito de algo. Eu ainda hoje me custa deitar comida fora. E se há restos para comer, comem-se. Eu, sou das poucas que, na minha geração, só teve telemóvel quando foi para a Universidade e não morri nem os meus pais deixaram de saber onde eu estava, por causa disso. Sempre tive muita noção que o dinheiro custa a gastar, mas isso foi algo de dentro para fora.Sei que os tempos são outros e que as crianças mudam com a sociedade, mas não compreendo a cultura de despojismo, principalmente numa época de carência que, infelizmente, não me parece que tenha tendências a melhorar. Não compreendo, nem tenho nenhuma paciência.
Sei que sou muito pouco flexível, no que se refere à comida e naquilo que eu chamo de "manutenção de materiais":) e os meninos com que trabalho, tenho a certeza que não se esquecerão tão cedo dessa minha expressão. Enfim. Não me venham com a mudança da sociedade... os valores e a integridade humana deveria sempre ser a mesma. E se custa ser diferente? Custa... mas o preço que se paga por se querer ser igual tem um custo bem mais alto.
su
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De Jorge Soares a 13.10.2009 às 22:40

Olá Su

Eu também sou muito rígido com respeito à comida, talvez porque passei por épocas em que não havia muito, ou porque sei no que vai dar a liberdade a mais nesse sentido....

Falas de valores, o problema é que agora os valores são outros, mas há coisas que não mudam e viver acima das possibilidades termina sempre em desastre, e ou muito me engano, ou estamos a criar uma geração que terá sempre a tendência a viver acima das possibilidades.

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De aespumadosdias a 13.10.2009 às 18:22

Muito bem!
Os pais hoje em dia dão liberdade de mais aos filhos, que fazem o querem.
Regras é mentiras depois quem sofre são os professores.
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De Jorge Soares a 13.10.2009 às 22:44

Olá

Sim, completamente de acordo, falta muita educação em casa..e depois os pais esperam que os professores façam o trabalho por eles... mas sem chatear muito as criancinhas.

Abraço
Jorge

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